sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Quando o concreto não dá conta...



As vezes a resposta está logo ali, do lado de fora, no meio de todo o verde e do aquarelado de cores que a natureza nos trás, mas muito pouco reparamos. O dente-de-leão preso forte ao solo, com raízes pequenas mas que se seguram como se a terra fosse sua única referência de vida, resiste ao vento insistente de um prenúncio de chuva. O sol forte sobre sua frágil coroa branca, a água que vem do céu em gotas nem sempre amigáveis e os pássaros e insetos que se interessam pela sua solidão não o faz desistir de se manter intacto o tempo que o tempo lhe permitir.

Essa planta branca curiosamente tem o nome de amor-de-homem. Nesta tarde vivia sozinha entre as altas temperaturas e a brisa gelada que fazia questão de refrescar troncos, folhas e flores a sua volta, mas distantes. Ali, na ânsia de continuar a ser, se partia pouco a pouco. Sozinho sim, mas também imortal. Uma a uma as plumas brancas de sua coroa se soltam e voam para o infinito. Amor-de-homem que envia para longe uma semente que continuará um ciclo vicioso de acreditar que um gesto, uma palavra, um afago no cabelo ou uma troca de olhares mais demorada são capazes de plantar, no mínimo, uma mensagem única. Mensagem que só se concretiza ao se instalar nos espaços mais pedregosos e ali permanece para todo o sempre deixando uma marca irreparável para uma vida sem fim. Na vida de um amigo, de alguém desconhecido, de alguém especial.

Se não consegue ver a resposta entre concreto, carpete e madeira, uma ótima saída é colocar os pés na grama e se deixar guiar e abraçar pela natureza que foi digna de receber o nome de amor-de-homem, amor que só alguns conhecem, e que está aí, plantado graças a alguém que se desfaz para ser reconstruído dentro do outro.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Uma citação sobre retórica, de Breton (1999)

Há quem diga que não se estuda mais retórica, mas a apresentação que Philippe Breton (A manipulação da palavra. São Paulo: Edições Loyola, 1999) faz do assunto deixa evidente que ou a retórica se impregnou na forma como o discurso é construído ou alguns professores da Unicamp estudam muito retórica para elaborar suas aulas - uns mais, outros menos, afinal, poucos conseguem convencer os alunos.

O orador, diante dos juízes ou dos cidadãos  reunidos em assembleia política, deve em primeiro lugar, diz-nos um texto antigo, procurar ‘acalmar por meio de palavras insinuantes e lisonjeiras a agitação da assembleia’. Será esse o papel do exórdio. Em seguida, ‘depois de ter obtido a atenção, ele expõe o tema da deliberação, passa à discussão, intercala-a de digressões, que confirmam suas provas; por fim, na recapitulação ou conclusão, resume seus motivos e reúne todas as suas forças para arrebatar um público já abalado’. Essas quatro partes – o exórdio, a apresentação dos fatos, a discussão e, para concluir, a peroração – constituirão, segundo Córax, uma das normas técnicas centrais do discurso retórico” (p. 49) O texto antigo é de Ch. Binoît, de 1846.

Segundo Breton, Córax foi o primeiro professor de retórica que elaborou uma cartilha sobre o assunto. O autor usa Roland Barthes para explicar pelas suas palavras que o nascimento da retórica estava contido num contexto judiciário, por volta de 485 a.C., na Sicília grega.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Novos mapas...



Partir para numa nova rota, provavelmente com uma bússola quebrada ou com um mapa completamente incerto é uma escolha difícil. Complicado é ficar espiando pelas frestas do portão fechado o antigo barco branco partir e se afastar aos poucos, como se ele nunca mais fosse voltar a ancorar naquele porto seguro. Uma dor arrebenta por dentro e a vontade é de passar a chave pela fechadura e correr pela margem do rio gritando para ele voltar, para que incertezas não venham e que nada daquilo que a antiga embarcação tinha mude. Desejo de que o mapa volte a ser o mesmo, de que a bússola volte a apontar para a velha direção, de que o cheiro da madeira molhada e da vela empoeirada hasteada volte com a nostalgia daquele segundo anterior à decisão de atrever-se em uma nova partida. Dói, mas deve passar. E nunca diga que nunca velhos mapas podem trazer um mesmo barco de volta para as rotas navegadas.

domingo, 25 de agosto de 2013

Reflexões sobre crítica heterodoxa e o jornalismo econômico


Recentemente me peguei pensando em como a crítica ou o pensamento crítico de esquerda enxerga o Brasil, crítica ou pensamento crítico estes sintetizados em algumas das disciplinas de graduação do Instituto de Economia da Unicamp. Conhecido por seu caráter heterodoxo e mais humano que exato, o curso traz para os alunos algumas abordagens que, segundo professores, não são vistas em qualquer curso de economia no Brasil.

O exemplo mais patente que tenho do sexto semestre de curso é a discussão sobre economia industrial, tema chave da disciplina de Microeconomia 4 na qual toda a construção neoclássica é deixada de lado e autores como Labini, Bain, Steindl, entre outros, surgem mostrando, por exemplo, como não basta discutir a formação de preço por meio de contas exatas e 100% previsíveis, como prega a corrente ortodoxa. No lugar de cruzar curvas de oferta e de demanda para determinar o preço, ou mesmo ao invés de acreditar que o mercado capitalista é atomizado (com grande número de empresas) e que a entrada de mais uma não prejudica as demais, pintando um cenário pacífico de rivalidade zero e harmonia mil, a crítica heterodoxa mostra que a história por detrás da estrutura do setor é importante. Esses pensadores vão colocar o dedo na ferida: na margem de lucro, pouquíssimo questionada no mundo real.

Voltando um pouco nas disciplinas dos outros semestres e lembrando uma conversa que tive com amigos, discutimos no curso a formação econômica do Brasil não apenas com base nas estimativas, nos dados históricos e estatísticos passados. A construção economia brasileira é vista também pelo lado social, pelo lado das relações de força, de poder, de interesses. Não é possível entender a vida hoje sem olhar para o passado e constatar que há traços fortíssimos da Casa Grande e da Senzala ainda hoje. As relações de poder são reafirmadas todos os instantes na mídia e no cotidiano do brasileiro. Raras são as pessoas que no seu primeiro estágio ficam constrangidas quando a faxineira do escritório questiona se ela pode limpar sua mesa e pensa na distância entre elas, isso dado que nos é colocado como normal, como necessário, como parte de nossa vida. Vide o tamanho das discussões que a legislação para regularizar empregadas domésticas causou na mídia.

Com essa bagagem de leitura e discussão (ainda pequena, mas crescente) me peguei questionando a mim mesmo e a meus colegas sobre a visão estritamente de esquerda colocada por alguns professores na construção da economia brasileira. Conflitando com o que aprendi no jornalismo sobre imparcialidade, multiplicidade de vozes e demais conceitos relacionados, cheguei a pensar que fosse talvez necessário haver leituras sobre o que o pensamento ortodoxo defende sobre a formação de nossa economia e de nossa história. Um amigo chegou a comentar que a articulação de defensores do pensamento ligado ao mainstream é muito fraca e pouco estruturada. Esse ponto fica mais que claro quando começamos a fazer a crítica à microeconomia neoclássica, mas outro ponto também é importante e deve ser considerado: a crítica heterodoxa já traz em si a visão de mundo ortodoxa. Criticar o homem cordial, os interesses da burguesia agrária e cafeeira contra a industrialização brasileira, a recusa da elite brasileira contra a reforma agrária, a distribuição de renda, a exploração do trabalhador, a busca incessante pelo lucro na economia capitalista, a recusa de se rever a margem de lucro das empresas, entre tantos outros pontos, já nos faz pensar em como é esse pensamento ortodoxo, em como é a realidade brasileira ou capitalista que cada autor enxergou ao defender seu ponto de vista e a realidade que enxergamos até hoje. O esforço de um crítico heterodoxo parece ser redobrado porque ele precisa enxergar o que já está cristalizado na opinião pública e tentar conquistar as mentes e abrir novos horizontes a fim de colocar uma semente que faça as pessoas pensarem fora de sua zona de conforto e passar a questionar o mundo a sua volta.

Da economia para a crítica ao jornalismo econômico, fica evidente a não aplicação desse raciocínio na mídia brasileira. É mais do que conhecido que a crítica de esquerda tem pouca ou quase nenhuma voz. Sendo assim, a crítica fica restrita a visão de direita com raízes fortes num pensamento ortodoxo. Essa crítica da mídia, contudo, nega uma função básica do jornalismo que é a multiplicidade de vozes, ou seja, dar voz a todos os lados envolvidos no assunto abordado. Isto está por trás do mito da objetividade e da pregação a favor da imparcialidade do jornalismo. Mito este que cai por terra fácil quando questionado, mas que está aí para talvez tentar sustentar a imparcialidade da mídia. E por imparcial não significa que o veículo precisa deixar de levantar a bandeira de um partido ou de outro. Significa que é preciso ser honesto com o leitor e apresentar os argumentos distintos e conflitantes que estão por detrás de uma política fiscal, monetária; de redistribuição de renda ou de acesso à educação superior.

A crítica ortodoxa parece ser contra todo e qualquer argumento que não lhe é familiar. Faz isso sem ao menos tentar mostrar qual é a construção feita pelos seus opositores. E se isso é verdade no campo das ideias, se materializa com força na pratica do jornalismo econômico. Essa afirmação fica clara quando se tenta ler um jornal que aponta que o mercado de trabalho está aquecido e que é preciso cortar postos de trabalho para desacelerar a inflação. Ou este mesmo jornal que dá as mãos às instituições que reúne as cabeças dos principais bancos e passa a defender que a queda dos juros básicos (Selic) é ruim para a economia brasileira. Pior ainda são as abordagens sobre a apreciação do câmbio sem ao menos considerar as ações dos Estados Unidos nessa escalada do dólar para preservar interesses maiores de uma parcela minúscula da sociedade e mostra um Banco Central brasileiro incompetente ou dirigentes da política monetária brasileira alheios e despreocupados com a realidade do lado de fora da caixinha.

Ainda não me deparei com uma afirmação que diga ser condenável um veículo de comunicação se aliar a uma corrente política ou econômica e também não acho que seja. O problema, contudo, é quando esta aliança é feita sem maiores esclarecimentos aos leitores e a palavra passa a ser um instrumento de manipulação poderosíssimo nas mãos desses interesses e interessados. Sem tempo para refletir sobre o mundo que as cercam, as pessoas não param para refletir sobre as informações que recebem. A prova disso são as pesquisas sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. Do mar de gente que toma metrô todos os dias, que dirige nas estradas ou ruas, e trabalha no mínimo oito horas por dia, quantos são aqueles que, em primeiro lugar, leem um jornal e, sem segundo, leem mais de um jornal para contrapor as informações que obtiveram no primeiro? Mais ainda: quem é que lê um jornal com pensamento de direita e tenta se informar numa revista ou outro veículo de esquerda para conflitar os argumentos?

Dos leitores aos mensageiros, que jornal expõe um debate claro e imparcial nas suas páginas? Basta fazer um levantamento sobre quais as fontes primárias consultadas para se fazer as reportagens do noticiário econômico e quem são os articulistas que assinam as colunas diárias. Numa matéria sobre a taxa básica de juros, por exemplo, o grosso dos consultados são ligados aos bancos e consultorias. Tudo bem que a tal taxa afeta primordialmente o setor bancário, mas qual o lugar do debate contra o pensamento dos bancários e especuladores? Os interesses deles são sempre claros, vide o ódio que eles sentiram quando a presidência da República resolveu enfrentar o setor com o choque da Selic diminuindo de dois para um dígito a taxa básica e a reação nos e dos jornais que estão ligados a estes interesses.


Uma crítica de esquerda consegue te mostrar como é a realidade, o porquê dela ser assim e como ela poderia ser melhor numa única mensagem. A crítica da direita consegue reafirmar que a realidade é aquilo, e tão somente aquilo, que eles acreditam, usando porquês que manipulam as palavras com a finalidade de omitir ou desacreditar todo e qualquer argumento que não esteja na mesma sintonia de seus interesses. E o jornalismo econômico da grande mídia? Vai junto neste bonde, claro.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dois editoriais, duas medias

E um dia depois de um editorial simpático ao cartel da CPTM, do governo tucano de SP, o Estadão volta seus olhos para o PT, num tom não tão carinhoso. A comparação do primeiro parágrafo dos dois editoriais dá a ideia dos tratamentos distintos:

"O governo entrou numa encrenca financeira quando resolveu antecipar a renovação de concessões do setor elétrico e forçar a redução das contas de luz. Foi mais um lance voluntarista, mal planejado e malsucedido, como tantos outros de uma administração marcada, desde o começo, por improvisações desastradas." (Estadão, p. A3 de 8/8/2013)

'Palavras-chave': encrenca; voluntarista; mal planejado; malsucedido; improvisações desastradas

"O governo paulista entrou com o pé esquerdo no caso da investigação em curso no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a formação de cartel em licitações para a compra de equipamentos, construção e manutenção de linhas de trens e metrôs em São Paulo. As regras da livre-concorrência também foram burladas no Distrito Federal. A primeira reação do Palácio dos Bandeirantes depois de o inquérito ter sido revelado pela Folha de S.Paulo, em meados de julho, foi recorrer à teoria conspiratória segundo a qual o Cade, ligado ao Ministério da Justiça, agia como “polícia política” do PT, ao vazar, de forma supostamente seletiva, documentos em seu poder sobre o escândalo." (Estadão, p. A3 de 7/8/2013)

'Palavras-chave': pé esquerdo; burladas; "teoria conspiratória" do PT.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

R$ 1 bilhão para produzir um carro só? Vacina contra Aids em forma de hambúrguer? E onde foi parar a sigla do partido?

Ultimamente tem sido complicado parar para ler jornal, mas quando resolvo fazer isso percebo que estudar análise do discurso, imagens, linguagens, sentidos e etc me deixam com um outro olhar. Algumas incoerências da edição de hoje do Estadão:

Direto da página B1, a capa do caderno de Economia & Negócios:

"Honda investirá cerca de R$ 1 bi em nova fábrica no interior de São Paulo

"A pequena Itirapina, com 15,5 mil habitantes, vai entrar no mapa da indústria automobilística brasileira. A cidade, a cerca de 200 km da capital paulista, foi escolhida pelajaponesa Honda para abrigar a segunda fábrica do grupo no País, uminvestimento deR$ 1 bilhão, segundo informações de fontes ligadas ao negócio.

"A nova unidade vai produzir inicialmente um carro compacto. Desde a inauguração de sua fábrica no Brasil, em 1997, a Honda quer entrar nessa faixa de mercado. A fábrica de Sumaré, no interior de São Paulo, foi aberta com o sedã Civic e hoje também produz o sedã City e o monovolume Fit."

Ai vem a pergunta: investimento de R$ 1 bi para produzir só um carro compacto? Por que não produzem várias unidades de um modelo de carro compacto? Ficou estranha essa construção, hein! Poderiam ter usado: "A nova unidade vai produzir inicialmente apenas um modelo de carro compacto"...

Em outra página o culpado foi o diagramador ou esse novo projeto editorial do Estadão. A falta de divisão entre a reportagem e a fotografia passa a impressão que tudo não passa de uma coisa só e o resultado é a impressão de que macacos vão receber a vacina contra aids na forma de hambúrguer, ou que vão virar hambúrguer depois de receberem a vacina...


E por fim, uma reclamação/discussão que está fervendo o facebook: a parcialidade na cobertura do tal cartel do metrô em SP. Vale uma vida do jogo  Candy Crush Saga para quem encontrar a sigla do partido político envolvido no caso nesta página em menos de.. hmmm, dez segundos.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Onde foi parar a polifonia de vozes? São mesmo só "vândalos"? (Carta aos colegas jornalistas)

Colegas jornalistas, a grande imprensa continua nestes dias de manifestação com dois discursos muito claros que precisam ser refletidos.

O primeiro é o apartidarismo/anti-partidarismo que se é pintado das manifestações. Um sociólogo bem intencionado vai saber falar melhor que eu, mas é preciso ver o que está por detrás disso. Negar a representatividade de todos os partidos, expulsar os partidos que são legitimamente a favor das mesmas causas que estão nas ruas, e negar todo e qualquer militante simpático à causa da juventude tem um valor em si que pode ser preocupante. Pode ser que PT e PSDB não represente mais a população, mas existem partidos menores que têm uma luta perfeitamente parecida com a de muitas pessoas que foram para as ruas ontem. E se não se identificam com eles e esses manifestantes ainda acreditam no seu partido, é hora de o jovem ir até esse partido e questionar a visão de seus dirigentes para adequar as visões de ambos os lados.  Qual o perigo de continuar se propagando que o povo é contra partidos? Fascismo, nacionalismo...? (para pensar)

O outro é o silenciamento da mídia em relação aos vândalos. A violência não é o melhor caminho, mas quem pode assegurar que os políticos vão realmente mudar alguma coisa com a onda de protestos e não vão cruzar os braços e esperar os vários jovens que não usam ônibus entrar em férias e irem passar uma temporada na Disney e dispersar o movimento? O que está por detrás de uma pedra jogada contra a prefeitura e contra a polícia? Não estou defendendo o uso da força, mas há de se considerar que grandes revoluções da história, que efetivamente mudaram o rumo daquelas sociedades foi sim pelo uso da violência (vide as cabeças cortadas na França, por exemplo, os tempos são outros, mas será que o povo também é?).

Portanto, esta é uma hora de o jornalismo usar de seu conceito básico que é a polifonia de vozes: é preciso ouvir TODOS os lados, inclusive dos vândalos e dos criminosos, não só da polícia e dos manifestantes pacíficos. Que sentimento de revolta se apodera de um jovem que começa a depredar um patrimônio público ou privado? O grupo tratado por minoria são puramente vândalos ou é uma veia mais radical dos manifestantes que não usam cartazes, mas usam pedras para se manifestar?

É quase certo que os barões da imprensa de Limeira que estão mais preocupados com a publicidade e o lucro de seus jornais que com uma discussão legítima da sociedade E salário digno para seus jornalistas - salário este sem distinções baseadas em preferências pessoais acima da meritocracia - não apoiarão dar voz aos "marginais". Mas qual será, portanto, o papel de você jornalista que tem um dever com seu leitor e não com seu salário? Você passou pela cadeira do ensino superior e ouviu discursos da grande mídia que manipula a todo momento a profissão em prol da objetividade, mas também ouviu várias vezes que era preciso ouvir todos os lados envolvidos no fato. O que se está passando e repassando para toda a população não são todos os lados, é apenas um lado. Não vale a pena refletir sobre isso?


PS: espero que antes de responderem este post me acusando de defender a violência vocês parem para refletir o que estão fazendo com o poder da comunicação que lhes é dado quando uma página em branco está na tela de seus computadores e quando uma câmera é ligada no estúdio. Posso não ser especialista em nada, mas se eu fizer um ou dois pensarem um pouco sobre a profissão e o que estão fazendo dela, fico feliz.

PS2: quando mandei esta carta aos jornalistas que conheço não segui o protocolo de colocar todos os e-mails em cópia oculta que é justamente para que os jornalistas lá elencados olhem para seus pares e, pelo menos pelo princípio da concorrência, partam para uma abordagem diferenciada.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Questionamentos e formação de opinião...

Cheguei em casa depois de participar da manifestação em Campinas nesta quinta-feira, dia 20 de junho, e comecei a acompanhar pelo Facebook algumas manifestações. Dessas leituras comecei a fazer meus questionamentos sobre o que vi e senti para formar uma opinião sobre tudo isso.

- Apartidarismo / anti-partidos
Fiquei me questionando o lance das bandeiras e do fato de o povo ser contra as bandeiras a partir de uma situação que presenciei ao pessoas com bandeiras do PSTU serem vaiadas E apoiadas/defendidos num bloco da manifestação. Vi os compartilhamentos de alguns textos que faziam referência ao fascismo entre outros assuntos... comecei a conversar com um doutorando que conheço do Instituto de Economia sobre a questão das bandeiras.

O argumento dele, que me convenceu por hora, foi que não é tão saudável esse posicionamento contra as bandeiras/presença dos partidos. Segundo ele,o PSTU, por exemplo, vem brigando a favor tarifa zero e outras causas que apareceram na manifestação de hoje há muito tempo. 

E parece mesmo contraditório o fato de eu levantar um cartaz, ver outra pessoa com um cartaz que dizia "Dilma vagabunda" e não brigar com por discordar da opinião dele e mandar ele rasgar/esconder o cartaz, mas não deixar um partido como o citado levar sua bandeira que representa opiniões parecidas com as que estavam lá.

No fundo, é viável não permitir que um partido realmente de esquerda participe dessa manifestação? O corpo do protesto tem o direito de dizer quem vai ou quem não vai pra rua?

- Fascismo
O mesmo aconteceu com a palavra fascismo. Várias pessoas falaram que a situação estava rumando para uma situação de fascismo e que "não queriam mais brincar". O sentido era de um sentimento contra partidos de esquerda, um direitismo autoritário que nega a existência de opiniões contrárias ao sistema. Muitas pessoas estavam ressaltando essa situação porque o próprio povo está negando a opinião/participação dos partidos de esquerda nesse protesto.

Vi no noticiário, por exemplo, que o PT havia mobilizado militantes para participar das manifestações; o mesmo fez a CUT e nos dois casos os militantes não foram bem recebidos e foram "rechaçados", segundo a jornalista, da manifestação.

Volta a pergunta: militantes do PT participando é um oportunismo ou uma simpatia às reivindicações? O mesmo com a CUT: manifestação pela classe trabalhadora se aliando à esse movimento do passe livre é útil ou a entidade, em si, está aproveitando a visibilidade?

Violência/depredação da prefeitura e cenário de guerra
Enquanto ia embora do protesto com os amigos, criticamos o exagero da rádio CBN Campinas sobre a caracterização da situação como um cenário de guerra no centro. Coloquei essa crítica no meu face, e um colega da graduação só comentou "Mas tava". Chamei ele pra conversar e ele me disse que realmente o cenário na região da prefeitura de Campinas estava bem complicado.

O motivo disso foi que "um grupo bom" (no sentido de grupo grande) começou a atirar pedras na prefeitura e a partir disso a política revidou. Chegou um momento em que a tropa de choque não foi suficiente e precisou até se usar a cavalaria.

OK, houve confronto. Ai vem a pergunta: vale a violência? Esse colega me fez pensar quando ele questionou o que as pessoas que começaram a depredar a prefeitura devem passar para terem um sentimento como esse contra o Executivo. É o que estava conversando com amigos enquanto caminhávamos pelas ruas de Campinas: até que ponto a violência é/não é necessária?

Esse colega confirmou que várias lojas foram saqueadas. E saquear/roubar lojas, é válido? Depende do tipo da loja: sapataria do tio Jonas ou o Mac Donalds?

Ele ainda relatou que quando um grupo começou a atirar pedras houve reação contrária dos outros manifestantes: 

"mas a galera do 'classe média sofre' foi lá e espancou a galera das pedras. fiquei puto"

Mas e ai? Esse pessoal que entrou em confronto, são manifestantes ou vândalos? Eu ainda mantenho a opinião de que a violência tem seu papel nesse contexto todo. É, de certa forma, uma maneira efetiva de se fazer sentir. Uma forma que faz com que os políticos não fiquem com os braços cruzados esperando o movimento perder força.

Vendo o noticiário podemos perceber que teve confrontos em vários lugares e sempre envolvendo prédios das instituições públicas. No meu ver é uma revolta justamente contra essas instituições. A mídia, porém, até então tem tratado isso como o vandalismo de um grupo pequeno e isolado. E aí? Um grupo pequeno e isolado de vândalos, de manifestantes radicais ou de manifestantes corajosos e tão revoltados com a situação política a ponto de usar pedras?

Vacância da presidência / golpe político

Vem a calhar uma preocupação com a notícia abaixo:


Vi mais de uma pessoa, inclusive um dos comentários da notícia, que há um medo de um golpe a partir da abertura que essa regulamentação dá. Será? Será que é um dos caminhos de todos estes protestos?

- O que se protesta?

Pra mim o passe livre ficou claro ontem. Várias vezes gritamos pelo passe livre, contra o lucro das empresas de ônibus, contra essa máfia dos transportes. No entanto, apareceram cartazes com outras reivindicações; cartazes com frases úteis e inúteis. E até alguns gritos contra Feliciano apareceram.

Mas, não é só isso. Existe, na minha visão, a pauta secundária, ou a próxima pauta que engloba vários outros pontos. Educação, saúde, gastos com a copa, corrupção, máfia, interesses capitalistas...

Vejam o vídeo do Anonymous: http://www.youtube.com/watch?v=v5iSn76I2xs&feature=youtu.be Eu particularmente não senti nenhuma das cobranças desse vídeo. Onde elas estavam? 

Já aqui em Campinas, os motivos pareceram coerentes e giram em torno do transporte de acordo com a carta da organização do movimento:

"O trajeto escolhido por maioria de votos foi (Glicério-> Campos Salles -> Senador -> terminal central -> Moraes Salles -> Irmã Serafina -> Anchieta),quando chegar na prefeitura a gente decide em reunião se segue para norte-sul ou termina o ato.
Nossa pauta principal, portanto, diante da revogação do aumento de R$ 0,30 que se deu no dia 3 de dezembro de 2012, sofreu alterações.
- Primeiro ponto: R$ 3,00 é muito dinheiro! Em São Paulo a tarifa está a R$ 3,00 e possui um transporte muito mais eficiente do que em Campinas. Nós já lutávamos em fevereiro de 2012 contra os R$ 3,00.
- Segundo ponto: Jonas reduziu os R$ 0,30 centavos e quer jogar a conta em cima de nós (população). Ao reduzir os R$ 0,30 não prejudica em nada uma empresa de lucros altíssimos, que explora a população diariamente. Mas, ainda assim, afirma que vai aumentar o subsídio que repassa às empresas. NÓS NÃO DEVEMOS PAGAR A CONTA! OS LUCROS EXCESSIVOS DA EMPRESA.
- Terceiro: CPI ou outra forma de investigação dos gastos com transporte público, em especial às super faturações. Assim como a população requer transparência nos gastos com transporte.
- Quarto: Lutamos aqui também pela melhoria nos serviços de transporte público e valorização dos profissionais da categoria que são explorados e pressionados o tempo todo. O FIM DA DUPLA FUNÇÃO (Motorista e cobrador).
- Quinto: É objeto da pauta a extensão do benefício de 60% à TODOS os estudantes."


O grupo era tão grande que esses pontos ficaram dispersos. Até que ponto, então, muita gente não está lá na rua pra tirar foto delas mesmas e colocar no face? Ou seja, quem sabia de todos estes pontos?

No fim de todos estes pontos fica a necessidade de reflexão. Existe opiniões particulares, mas para fazer parte de um movimento como este é preciso parar e entender o que está acontecendo. Como a mídia tem tratado tudo isso, como os partidos políticos estão lidando com o assunto... entre outras perguntas devem ser feitas e pensadas.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

ACORDA classe média desinformada


Está rolando no Facebook a foto acima de um extrato bancário de algum beneficiário do Programa Bolsa Família.

E aí vem a classe média desinformada (ou muito mal intencionada) e critica um extrato sem sequer refletir nas mãos de quem esse dinheiro está. Não sou partidário de PT, PV ou Px², mas é preciso pensar um pouco antes de disseminar uma mensagem na rede social sem nenhum fundo de REFLEXÃO.

Informações do site do Bolsa Família: "os valores dos benefícios pagos pelo PBF variam de acordo com as características de cada família - - considerando a renda mensal da família por pessoa, o número de crianças e adolescentes de até 17 anos, de gestantes, nutrizes e de componentes da família."  (Confira aqui)

Se este comprovante for mesmo verdade, o que pode ser uma grande mentira - lembrando que em 2014 tem eleições presidenciais e a corrida começa desde já -, imagine a quantidade de filhos e a situação dessa família! O que seria do Brasil sem as transferências de renda?

O consumo das famílias impulsionou o crescimento do Brasil nos últimos anos. Onde estaria o país hoje se não fossem as transferências de renda que repassa parte do rendimento daqueles que pagam escolas caras para seus filhos e compram roupas de marca para manter um padrão de consumo considerado "aceitável" por essa classe média e canaliza o dinheiro para famílias com renda menor que R$ 70 em condições apontadas pelo governo na citação acima!?!

Se querem criticar, procurem fazer críticas para melhorar o sistema e deixá-lo mais justo e não para condenar quem está tentando (bem ou mal) diminuir a desigualdade de quem sai pra rua com uma camiseta Hollister e outro com um shorts surrado e chinelo furado. Vamos lutar pela educação, um sistema melhor para o "Brasil exceto São Paulo". Por que ninguém coloca fotos de escolas caindo aos pedaços independente do partido ou mesmo identificando que ela é do partido de direta, conservador, ortodoxo, representante dos interesses de rentistas e capitalistas que só querem valorizar seu dinheiro sem enxergar os meios como isso é feito. Há interesse em investir na educação, interesse dessa classe média e dos pseudos-classe média????

O que essa classe quer? Voltar para a época dos barões do café, ter a corja escrava mais uma vez comendo nas suas mãos? Garantir um pouco de dignidade para esse país e enviar à margem as vítimas do sistema lá nos rincões e deixá-los apodrecer de fome e sede????

Seria tão bom se todos pensassem duas vezes antes de querer chegar a 100 mil compartilhamentos (como pretende quem criou esse post no facebook) e fizesse da rede social algo que realmente produza efeitos benéficos para a população TODA, sem exceções.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Foto ou ilustração?



Até que ponto vale a pena lançar mão de uma "ilustração realista" para a capa da revista? A edição 1474 de 11 de dezembro de 1996 da Veja joga essa "foto" na capa, mas na reportagem afirma logo na linha-fina do título: "Numa cratera onde a luz do sol nunca chega, cientistas descobrem sinais de água que tornariam possível a vida na Lua" (p. 50). No infográfico da página ao lado tem a informação: "A baixa temperatura no fundo da cratera conservou um pequeno depósito de gelo misturado à poeira lunar".

E ai? Eu me sentiria enganado de comparar a capa, que parece uma foto real da água na lua, e na reportagem ver as informações de que a suposta água está no estado sólido e misturado à poeira. Vale a ilustração para vender mais revista e enganar o leitor? O exemplo é antigo, mas refletir sobre o papel da imprensa nunca é demais...

Pensamento de banheiro

Foto da parede do banheiro masculino do Instituto de Economia do IE.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Jogada no lixo...


A aula de Fundamentos do Jornalismo Cultural, no MDCC com o professor Celso Bodstein, entrou há algumas semanas no tema fotografia e as análises dessas imagens que rondam nossa vida a todo momento. Depois de passar pela Caixa preta de Flusser, hoje se discutiu a discussão de Boris Kossoy no livro "Realidades e Ficções na Trama Fotográfica" (2002). 

É muito interessante ter contato com essas discussões mais acadêmicas sobre um produto que se torna tão banalizado atualmente. Nem tudo que se produz em fotografia é Instagram e mensagens virais jogadas aos montes pelo facebook. Ler Flusser e Kossoy nos dá um instrumental para olhar para uma imagem e enxergar além do óbvio.

Kossoy define que a fotografia tem duas realidades. A primeira é a realidade ligada ao passado, a história particular daquele instante que foi registrado. A segunda realidade, no entanto, se liga a representação, ao assunto representado. Nas palavras do próprio Kossoy:

"A realidade passada é fixa, imutável, irreversível; se refere à realidade do assunto no seu contexto espacial e temporal, assim como à da produção da representação. É este o contexto da vida: primeira realidade. A fotografia, isto é, o registro criativo daquele assunto, corresponde à segunda realidade, a do documento. A realidade nele registrada também é fixa e imutável, porém sujeita à múltiplas interpretações" (KOSSOY, 2002, p. 47)

A partir daí, a fotografia é uma construção que começa desde a seleção do assunto até as infinitas interpretações que o receptor faz da imagem que tem diante de seus olhos. A fotografia e o fotojornalismo não escapam das discussões de subjetividade e angulação do produtor. A ação cultural de quem olha pelas lentes de uma máquina tem grande importância naquela documentação, mas é também a cultura do receptor que vai dar significação aquele quadro regitrado.

A partir dessa discussão foi proposto uma análise da fotografia que abre esse post. A fotografia de Micah Albert, foi premiada no World Press Photo. As análises foram as mais diversas numa turma que tem fotógrafos profissionais, historiadores e vários jornalistas com formações diferenciadas.

Eu enxerguei na primeira realidade um recorte da situação do Kenya que leva pessoas pobres a viverem entre o lixo, independente das condições climáticas do dia, buscando materiais reciclados para tentar sobreviver.

Porém, pendendo para a formação econômica e todo o discurso marxista e de desenvolvimento econômico, enxerguei na segunda realidade uma mulher que é fruto do capitalismo e do confronto de interesses que explodiram na Segunda Guerra Mundial e forçaram uma parcela da população africana, e até mundial, ao ostracismo  aumentando cada vez mais a divergência entre ricos e pobres. Apesar de ser jogada à margem do sistema e considerando que a economia trata a educação como instrumento primeiro e fundamental para transformação das bases da sociedade e da própria economia, a foto mostra a contradição entre o que o capitalismo produz (lixo e quem vive no lixo) e esse caminho essencial para o desenvolvimento e superação da pobreza e o que parece um caminho gigantesco e até impossível de ser trilhado.

Link da foto: http://www.worldpressphoto.org/awards/2013/contemporary-issues/micah-albert?gallery=6096

domingo, 21 de abril de 2013

Indicação: Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo (Carta Maior)

Vale a pena ler não só a matéria, mas principalmente a Nota da Redação da Carta Maior para a republicação do texto "Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo".

"(...) Não há como fazer perguntas "revolucionárias" a um conservador. Temos, sim, que arrancar deles as contradições que vicejam no capitalismo. Também não estamos buscando soluções para resolver os problemas do capitalismo. Nos cabe, sim, demonstrar os erros que eles cometeram e que repetem a todo momento, para poder combater o pensamento conservador aqui no Brasil, espelhado pela grande imprensa, em favor das elites, em favor do capital financeiro nacional e internacional, em favor da concentração de capital, cada vez mais radicalizada."

Contradições entre o quê e quem fala


O jornalismo deste final de semana trouxe a contradição aos leitores de O Estado de S. Paulo e telespectadores do Globo Esporte. No primeiro, informações diferentes apareceram no editorial do jornal e na coluna da jornalista Suely Caldas, duas visões diferentes com caráter de informação em duas páginas da mesma edição. Já na televisão a contradição se dá entre a programação geral da emissora carioca e uma reportagem sobre a situação de um ginasta olímpico.

Vale parar um pouco depois de ler e assistir às reportagens divulgadas e televisionadas por estes veículos e contrapor as informações e a história de quem é que está falando.

No jornalismo esportivo

Parece ser senso comum que brasileiro gosta apenas de futebol. Afinal, qual é o esporte considerado paixão nacional e qual é o esporte que mais recebe espaço na cobertura do jornalismo esportivo? O futebol tem espaço garantido as quartas-feiras na programação da Globo e provavelmente sempre terá espaço quando precisar, vide as transmissões dos jogos da seleção brasileira. Sem querer ir contra essa paixão dos brasileiros pelo futebol, acho que colocar esse esporte ao lado de qualquer outro é humilhar esse qualquer outro quando se trata de medir a atenção que eles recebem na mídia.

Partindo dessa constatação é muito contraditório ver a emissora que deixou de transmitir as Olimpíadas de Londres de 2012 fazer uma reportagem no domingo pela manhã mostrando as situações precárias de treino de um ginasta olímpico, medalhista de ouro naquela competição. Ressalva: uma reportagem curtíssima se comparada com a que mostra vida de um jogador de futebol brasileiro que faz sucesso na Europa e tem até peruca loura que imita seus cabelos a venda no mercado. O ginasta da reportagem é Arthur Zanetti e a emissora mostrou como o atleta treina hoje em dia depois de ter recebido medalha de ouro em 2012.

A primeira reflexão é realmente a indignação de ver alguém que conquistou uma medalha importante para o Brasil ter que treinar sem as condições mínimas para tentar repetir o feito nas olimpíadas aqui no país. A segunda, no entanto, é ver que quem fala do problema, de certa forma, ajuda a criar o mesmo problema. Tenho a impressão de que se a Rede Globo tratasse a ginástica olímpica, o volei, o basquete, ou qualquer outro esporte com a mesma intensidade que trata o futebol, não só a visibilidade dessas modalidades aumentariam, mas também o volume de patrocínios que eles recebem. Pra mim a lógica parece fácil: visibilidade do esporte traz patrocínios que significa visibilidade para o patrocinador. Afinal, basta reparar nas quadras e nas camisas dos times de futebol: não são pequenas empresas que estão estampadas ali, são? E o que mais as empresas querem nessa lógica capitalista são grandes e exorbitantes lucros. “Pouco importa a forma como obtê-lo, mas se usar o esporte ajuda a promover a marca e traz algum reconhecimento à empresa, então usemos”, parece pensar o dono do dinheiro brasileiro.

Aqui ainda vale resgatar o texto publicado no Observatório da Imprensa do jornalista Thiago Forato: “A intenção da emissora é quebrar o monopólio?” (edição 706 de 7 de julho de 2012). Ao discutir a aquisição dos direitos de transmissão das Olimpíadas de Londres pela Rede Record, o autor diz algo que se parece verdade pura quando se trata de jogos olímpicos: “Entre novela e Olimpíada, certamente a emissora carioca escolheria a primeira opção, privando a maioria da população de acompanhar os jogos olímpicos.

No jornalismo econômico

A outra contradição está no jornalismo econômico. O editorial do jornal O Estado de S. Paulo traz, para variar, mais um ataque à presidente Dilma Roussef: “Dilmês castiço”. Quase no mesmo tom está o texto da colunista do caderno Economia & Negócios, Suely Caldas: “Autonomia do BC – agora vai?”. Apesar das semelhanças e dos ataques ao governo petista, os dois textos trazem duas interpretações sobre um mesmo assunto que geram informações diferentes.

Ambos relembram o desconforto gerado pela presidente no dia 27 de março quando ela falou sobre inflação em entrevista coletiva aos jornalistas que acompanhavam o encontro dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Durban, na África do Sul. Naquela ocasião as edições dos veículos anti-governo deram mais ênfase ao começo e ao final da fala da presidente e ignoraram todas as outras palavras da presidente sobre o esforço do governo contra a inflação. A interpretação das palavras de Dilma gerou alvoroço no mercado financeiro devido às expectativas quanto à Selic. Frente à repercussão a presidente convocou os jornalistas e disse que sua fala fora manipulada, sem dizer, no entanto, quem manipulou suas palavras.

Resgatado o cenário, o editorial do último domingo (21 de abril) O Estado de S. Paulo afirmou: “(...) Imediatamente, a declaração causou nervosismo nos mercados em relação aos juros futuros, o que obrigou Dilma a tentar negar que havia dito o que disse. E ela, claro, acusou os jornalistas de terem cometido uma ‘manipulação inadmissível’ de suas declarações, que apontavam evidente tolerância com a inflação alta – para não falar da invasão da área exclusiva do Banco Central.” (página A3 do jornal). Já a colunista Suely Caldas afirma: “Efeito imediato, a taxa de juros no mercado futuro despencou. Irritada, ela acusou agentes do mercado de manipularem suas palavras. Se tivesse ficado calada, nada disso teria acontecido, o mercado não teria motivo nem respaldo para criar volatilidade, instabilidade.” (página B2). Afinal, quem manipulou? Eu, leitor, fiquei confuso.

Essa contradição mostra diferentes olhares influenciados pela visão política de quem escreveu o texto. É teorizado que a formação profissional e cultural influencia na forma como o jornalista vê, avalia e escreve sobre um determinado assunto e como o jornal transmite as informações aos leitores. Teoria essa que quebra os discursos de objetividade. Essas visões ficam completamente expostas, claro, num artigo opinativo. O perigo, porém, está na forma como essas elas são usadas. A cobertura sobre a declaração da presidente no dia 28 de março foi extensiva. Quando o Valor Econômico deu apenas uma página, O Estado de S. Paulo publicou várias análises e entrevistas numa demonstração clara de desafeto com o governo e/ou com sua política econômica.

Como tentei expor no artigo anterior no Observatório da Imprensa (“Amanipulação e o jornalismo enviesado” de 9 de abril, edição 741) o jornalismo econômico está mais político que econômico. Um professor de economia da Unicamp me disse, na semana do dia 1º de abril, que os ataques ao governo estão intensos mostrando um uso político desse noticiário. Ele concorda que a Dilma não deveria ter respondido a questão do jornalista, mas não porque ela não sabe o que diz, mas sim porque qualquer afirmação que ela desse seria usada contra ela mesma, não no tribunal, mas na imprensa e, claro, nas eleições!

CONTIN,A. Alex. Contradições entre o quê e quem fala.Observatório da Imprensa (São Paulo), ed. 743. p. Digital, 2013. 

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Ilustração de como a Globo trata a Ginástica Olímpica:


Ou seja: não trata!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Apresentação no Prezi do meu projeto de mestrado

Não lembro se coloquei detalhes sobre meu projeto de mestrado aqui no blog. Nesta quinta-feira irei apresentá-lo no 2º Edicc (Encontro de Divulgação de Ciências e Cultura), promovido pelo Labjor/Unicamp.

Segue uma apresentação que fiz no Prezi sobre o projeto com os detalhes iniciais que foram construídos até aqui. Detalhes do projeto podem e serão mudados ao longo de seu desenvolvimento, mas a ideia geral pode ser apreendida nesta apresentação.




Link para visualização fora do blog: http://migre.me/eaoZf

Copom eleva taxa Selic para 7,50% ao ano

O Copom decidiu elevar a taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.

O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.


Votaram pela elevação da taxa Selic para 7,50% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a. os seguintes membros do Comitê: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.


Fonte: Assessoria de Imprensa do Banco Central (Brasília)

Agora fica a pergunta: o aumento de 0,25 pontos percentuais foi por conta do nível elevado da inflação ou do nível elevado de pressão que a imprensa estava fazendo sobre o BC? A quantidade de reportagens e análises de colunistas sobre a necessidade de aumento da taxa básica de juros foi gigantesca neste último mês. Este vai ser o tema de meu artigo para a conclusão da disciplina "Linguagem: Jornalismo, Ciência e Tecnologia" da professora doutora Graça Caldas.

A forma como a imprensa tratou e trata a inflação e esse nível da taxa básica de juros deixou mais que clara a ligação da imprensa com uma linha heterodoxa de pensamento dentro da economia. Em poucos momentos essa grande imprensa mostrou um debate completo sobre os juros trazendo opiniões diferentes sobre o tema. Quando tiver o artigo pronto trago mais informações do que eu conseguir constatar.

Texto relacionado:

MANIFESTAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA - INFLAÇÃO E SELIC

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A manipulação e o jornalismo enviesado


Será que a acusação da presidente Dilma Rousseff (PT) de que suas palavras foram manipuladas está tão errada assim? Analisar o caso e o atual jornalismo econômico traz reflexões que ultrapassam a falta de contexto que é prática nos grandes jornais.
Na quarta-feira (27/3), durante o V Cúpula dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Durban, na África do Sul, a presidente concedeu uma entrevista coletiva a vários repórteres brasileiros que lá estavam acompanhando os debates dos presidentes dos cinco países. Após falar sobre dificuldades, realizações e desafios do bloco, um jornalista do Valor PRO (identificado pelo jornal Valor Econômico na edição do dia 28) questionou a presidente sobre o impasse entre crescimento, inflação e mercado de trabalho aquecido. Antes de ver a resposta da presidente, vale uma contextualização.
Nos dias anteriores – isso considerando antes e depois do dia 27 – foram publicadas várias reportagens na grande imprensa sobre o mercado de trabalho aquecido. São diversas visões sobre a relação inflação e taxa Selic. Os porta-bandeiras da necessidade urgente de aumento da taxa básica de juros e/ou aumento do desemprego são os jornais O Estado de S. Paulo e, em menor grau, a Folha de S.Paulo e também o Valor Econômico, que parece ter uma racionalidade um pouco mais pé no chão em todo esse caso.
Independência do Banco Central
Além das discussões sobre a relação desemprego e inflação, os jornais das últimas semanas trouxeram outras pautas. Todo e qualquer ato da presidente Dilma vira pauta. Nada mais natural no ponto de vista jornalístico. Mas o que parece ser forçado nestes últimos dias é a quantidade de vezes que inflação e taxa de juros é citada por esses jornais durante a semana. Quer seja em artigos opinativos, colunas, editoriais e reportagens, os jornais paulistas estão aproveitando o cenário econômico para o que parece ser uma desmoralização da presidente Dilma, mesmo frente às pesquisas que mostram a aceitação de seu governo.
Eis que, frente a todo esse cenário que foi (e vem sendo) construído pela imprensa e seus analistas, a presidente respondeu à pergunta do repórter do Valor e todo o bafafá começou naquela semana. Vou me ater a dois pontos: a questão do ministro da Fazenda e o debate sobre a inflação e a declaração sobre o não comprometimento do crescimento da economia.
De acordo com a transcrição, o áudio e o vídeo da entrevista coletiva disponibilizados pelo Blog do Planalto, a pergunta foi: “(...) É sobre os Brics, é porque a senhora está falando muito da questão do crescimento, da importância que os países têm de manter o crescimento. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil, que é um dos principais dos países dos Brics, está se falando muito da necessidade de talvez conter... medidas que reduziriam o emprego, que estaria fazendo pressão inflacionária. O que a senhora acha desse tipo de...?”
Aí começa o problema, as versões e interpretações. A presidente começa sua resposta alegando que “geralmente, nas questões específicas sobre inflação, eu deixo para ser falado pelo ministro da Fazenda”, mas que adiantaria algumas questões aos jornalistas lá presentes. Já de cara essa frase, usada, abusada e criticada pelos jornais, deu argumentos àqueles que insistem que o Banco Central (BC) não é independente. A questão da independência do Banco Central provém de um arcabouço teórico na economia que preza pela relação mínima entre os dirigentes do “banco dos bancos” (como é conhecido o BC) e as políticas arbitrárias do governo em poder. Ou seja, é desejável que o BC não seja usado partidariamente pelo poder Executivo para fazer da política econômica um instrumento de campanha e deixá-la ao sabor do vaivém presidencial.
Cesta básica e folha de pagamento
Atenho-me apenas numa análise do discurso e da prática do jornalismo e não dos aspectos econômicos que envolvem a questão, é possível ver que a frase foi totalmente tirada do contexto quando transmitida para o público. Primeiro porque a pergunta foi feita num local não propício para essa discussão: a própria Dilma disse que queria responder questões sobre o encontro dos BRICS e não sobre a situação brasileira. E, na minha interpretação, a presidente queria apenas deixar que o ministro da Fazenda falasse sobre o assunto, sendo ele o porta-voz do governo para assuntos como o que foi questionado – afinal, quantas vezes se vê Guido Mantega discursando sobre economia? No entanto, a simples frase da presidente foi assunto suficiente para o jornal O Estado de S. Paulo abrir um quadro na primeira página do caderno “Economia & Negócios”, no dia 28 de março, falando dos deslizes da Dilma durante o encontro dos países emergentes.
Além dessa primeira frase da Dilma, outra foi amplamente criticada: “Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende? Eu vou acabar com o crescimento do país. Isso daí está datado, isso eu acho que é uma política superada.” Segundo os jornais do dia seguinte, a frase da presidente gerou um mal-estar no mercado financeiro. Os agentes que agem a partir de expectativas quanto ao futuro dos juros para vender e comprar ações ou títulos, interpretaram que não haveria aumentos na taxa Selic.
A frase, assim como a anterior, também foi tirada fora do seu contexto. Antes de falar sobre esse receituário, a presidente havia citado as medidas que seu governo está adotando para tentar conter a inflação. Ela inclusive citou medidas no campo da Educação que têm como objetivo aumentar a quantidade de mão-de-obra capacitada no Brasil – uma constante no discurso de empresários quanto às dificuldades para a produção. Também citou desonerações na cesta básica e da folha de pagamento – outra constante da crítica quanto às altas taxas brasileiras que aumentam os custos da produção. Mas e ai? Quem citou essas justificativas?
Jornalismo econômico e política
Além disso, e vale a pena citar, a presidente concluiu sua resposta dizendo que o fato de achar o tal receituário ultrapassado “(...) não significa que o governo não está atento e, não só atento, acompanha diuturnamente essa questão da inflação. Nós não achamos que a inflação está fora de controle, pelo contrário, achamos que ela está controlada e o que há são alterações e flutuações conjunturais. Mas nós estaremos sempre atentos.” É possível dizer que o governo nega a inflação, afirmação usada por articulistas da imprensa, frente a uma fala dessa?
O mais interessante ao analisar o discurso desses jornais é construir uma grande história, com começo, meio e fim, como propõe Luiz Gonzaga Motta no artigo “A análise pragmática da narrativa jornalística”. Reunindo todas as reportagens que relacionam aumentos das variações de preços e taxa Selic é possível construir como os jornais se colocam frente à inflação. É considerável a quantidade de reportagens e artigos que falam que o mercado de trabalho é um dos principais fatores da inflação e que é preciso aumentar o desemprego para conseguir encaixar a economia lá na curva de Philips que relaciona inflação alta e taxas de desempregos baixa e vice-versa.
Neste jornalismo que usa a bandeira da objetividade mas veste a camisa da ideologia político-partidária, é lei focar apenas nos aspectos negativos da fala da presidente e lotar as páginas com angulações pessimistas sobre números da economia. Em conversa com um professor de economia da Unicamp, questionei como ele viu o caso. De cara, o professor disse que a presidente não deveria ter respondido a pergunta. Mas qualquer resposta dela seria o suficiente para a imprensa fazer o mesmo showrnalismo que fez.
“Esperemos 2014”
Ele ainda me explicou que o governo petista vem de uma atuação presidencial sem muitas brechas para a crítica da imprensa. Segundo ele há dez anos que a imprensa não conseguia criticar fortemente o PT como vem fazendo nestes últimos meses. De repente, frente a todo o cenário de reflexos de crise, baixo crescimento, entre outros assuntos, uma linda brecha se abriu e em um dos melhores momentos: véspera de eleição. É um uso político do jornalismo econômico.
Refletindo sobre as palavras desse professor e voltando os olhos para o jornalismo econômico feito pelos principais jornais paulistas, é possível identificar claramente um discurso contra o atual governo. Parece que esse jornalismo está em função da crítica que irá ser usada nas próximas eleições presidenciais. Vai ser interessante assistir às propagandas eleitorais e contar quantas dessas reportagens foram usadas. Portanto, como concluiu Fernando Henrique Cardoso em seu artigo “Razão e bom senso”, no Estado de S. Paulo deste domingo, “Esperemos 2014”.

CONTIN, A.A. A manipulação e o jornalismo enviesado. Observatório da Imprensa. (São Paulo) Ed. 741. Digital. 2013 Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed741_a_manipulacao_e_o_jornalismo_enviesado

segunda-feira, 18 de março de 2013

Descontrações durante a pesquisa

Hoje dei um primeiro passo na minha pesquisa de campo do mestrado. Para fazer a análise de como as revistas Veja, IstoÉ, Época e Carta Capital noticiaram as privatizações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), terei que "fichar" todas as revistas do período de 1995 a 2003. Um trabalho braçal que já percebi que vai ser cansativo.

Apesar disso, acredito que algumas notícias do passado, além de trazerem a tona algumas pautas interessantes, também são bem engraçadas hoje em dia. Exemplo disso é essa nota de tecnologia publicada na Carta Capital de 16 de outubro de 1996: "roller mouse"!


Pelo menos vou dar risada enquanto caço notícias...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia internacional da hipocrisia midiática



O dia da mulher é o dia da hipocrisia da grande massa. Um dia conveniente para a política e cheio de pautas na mídia. Dia fácil para encher os programas de televisão com uma valorização exacerbada que é feita apenas um dia do ano e amanhã volta tudo ao normal.

Que mulher deve receber os parabéns ou um desejo sincero de felicidade hoje? Aquela mulher que pega uma bandeira da independência, mas chegou até esse falso topo dentro de uma família muito bem estruturada financeiramente? Ou aquela mulher que ainda mora com os pais, passou por escolas particulares e chegou na pós-graduação de uma universidade pública bancada pelos pais ou sem precisar se desdobrar entre filhos e casa?

Os parabéns deveriam ir para aquelas mulheres do passado e não para toda e qualquer mulher do presente. Deve ir para aquela primeira mulher reclamou o direito ao voto; aquela que conseguiu uma vaga numa universidade ou uma vaga de emprego com salários iguais. Deve ir para aquela mulher que hoje que pega dois ônibus para ir trabalhar e deixa para trás três filhos ou netos em casa e a tarde volta para seu segundo emprego não-formal sem receber nenhuma ajuda de seu marido ou de seus filhos. Essa sim é uma mulher que deve ser valorizada nos dias de hoje.

Posso estar tremendamente errado, mas acredito que há uma banalização desses “parabéns, mulher guerreira”. Hoje a vida não é a mesmo da do século XIX e de grande parte do XX. A independência feminina, para a maioria, não é mais conquistada com esforços fenomenais que realmente lhe deem o título de “guerreira”. Me parece fácil adquirir sua independência financeira e pessoal. E essas independências requerem os mesmos esforços tanto para homens quanto para mulheres.

A tecnologia mudou tanto a vida das pessoas e a sociedade evoluiu tanto em alguns pontos que não é mais preciso movimentos sociais nas ruas para se conseguir voto ou emprego. A mulher e o homem trabalhadores simplesmente levantam, com igualdade, e vão a luta nesse sistema capitalista que explora indivíduos sem ver cara nem coração.

Agora, apesar de tanta evolução e sofisticação, ainda tem lares que continuam nos moldes de 100 anos atrás. Há homens que tratam mulheres movidos pelos seus instintos sexuais mais primitivos. Que chegam em casa e não ajudam a lavar sequer a louça que está na pia e, quando pior, que espancam suas mulheres. No lugar de dar parabéns e ficar vangloriando qualidades femininas que são meros clichês, os jornais, televisões e redes sociais deveriam cumprir seu (muitas vezes falso) papel de porta voz da sociedade e de educador e mostrar os casos de mulheres que conseguiram se libertar dos grilhões de um casamento violento e/ou de uma família extremamente tradicional e preconceituosa. Exibir exemplos motiva quem ainda está nessa situação. Mostrar que há um caminho possível e que há meios legais e sociais para que todos tenham uma vida digna – dentro das possibilidades de dignidade que o capitalismo permite – faz parte da obrigação da mídia.

É, infelizmente, impossível mudar a vida da grande maioria quando a mídia continua divulgando a imagem de uma mulher submissa nas novelas e de uma mulher hipócrita nas reportagens especiais no dia de hoje.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Criatividade nordestina

Como se diz: se você viu um shopping, já viu todos! Algo que sempre sinto falta em shoppings de praia é algo da cultura local. Não um restaurante de comida típica e nem uma feira de artesanato, mas sim uma loja com produtos mais sofisticados, personalizados e diferentes. Mas, como disse no começo, só vemos McDonalds, Subway, C&A, Renner, Vivara e etc.

Enfim encontrei uma iniciativa muito legal aqui em Alagoas. No meio de todas aquelas lojas que ficamos cansados de ver em todo e qualquer shopping, encontrei uma loja chamada Freaks. A loja lembra as camisetarias de SP e o site Threadless: eles vendem camisetas e cuecas com estampas personalizadas para o povo nerd, geeks ou sei lá qual o nome dessa tribo.

No Nordeste eles possuem duas lojas até o momento. Uma no Maceió Shopping, antigo Iguatemi, e outra em Aracaju/SE. Segundo a atendente daqui de Maceió as estampas das camisetas são sugeridas até por clientes (assim como o site Threadless). Vi algumas das estampas e achei muito divertidas. Além das camisetas ainda vendem bottons, cuecas, anéis, pingentes e almofadas, além de outros itens que não lembro.

É uma dica que vale a pena conferir e um negócio que eu gostaria de investir quando tiver dinheiro.

Para quem quiser conferir, o site da loja é www.freaks.com.br; facebook.com/usefreaks.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Marechal Deodoro/AL

Como hoje o dia foi cansativo vou deixar as fotos dos patrimônios históricos da cidade de Marechal Deodoro em Alagoas falarem por mim. O passeio longe da praia e muito bonito. São aquelas típicas casas coloridas e muitoas construções antigas e históricas. Além disso, a vista do lago Muçurana (acho que é este o nome) é divina.

Quando eu voltar para meu notebook tento organizar todas as fotos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Siga as dicas...

Se alguém lhe disser: "Entre na água de chinelo por causa das pedras e dos corais do mar de Alagoas", ENTRE!

É redundante dizer que as praias daqui são lindas, já disse isso antes. A água é cristalina e de longe é possível enxergar os lugares onde a profundidade é maior ou menor. Melhor que essa água cristalina é poder enxergar recifes de corais cheios de peixes. Uns óculos adequados e um snorkel são suficientes para ver corais roxos, vermelhos e peixes de várias cores e estampas.

Porém, junto dessas maravilhas estão os ouriços do mar e algumas pedras cortantes. De pé é difícil identiricar se você está olhando para um buraco da rocha ou para um desses ouriços. Mas acredite: é melhor ver de pé e ficar na dúvida! Falo isso porque me deparei com vários ouriços enquanto estava boiando e nadando tranquilamente entre corais, rochas e peixes. Quando me dei conta todo o solo estava cheio de ouriços e como a maré estava baixa meu corpo não devia estar nem a 30 cm do chão. Entrei em desespero, mas não tinha como ficar de pé e sair dali andando. Tampouco eu podia deixar de nadar ou deixar qualquer parte do corpo afundar senão sairia como uma peneira de lá. Nadei rápido pra frente até fugir desse pesadelo.

Mas e pra voltar? Eu havia passado pelos corais e por aquela fazenda de espinhos, mas não tinha ideia de como sair de lá! E para melhorar minha situação eu ainda estava de pé de pato, ou seja, ou eu nadaria ou voltaria andando de ré! Optei por andar de costas porque minha barriga não é das mais saradas para ficar a 30cm de ouriços!

Depois disso tudo ainda resolvi tentar atravessar esses corais descalço para nadar até outro paredão de lava vulcanica que dividia as piscinas naturais da Praia do Francês das ondas fortes do oceano. Até consegui  nadar até o paredão, mas claro que a ideia de ir descalço não deu certo. Em algum momento, mesmo olhando muito bem onde eu pisava, tive a feliz experiência de pisar em um desses ouriços!  Na hora que nadei doeu, na hora que sai do mar também doeu, mas na hora de tirar os espinhos só não doeu poque consegui tirar uns três só, os outros 15 ou 17 continuam no meu pé a espera de uma expulsão pelo meu corpo! Pelo menos são espinhos muito pequenos, mas são quebradiços e qualquer tentativa de tirá-los pode afundar aindA mais. Agora não dói mais, ando normalmente, mas é como se eu estivesse com uma pedra não pontuda no chinelo... Não sei se a explicação é essa, mas é como sinto meu pé ao caminhar.

Moral da história: pé de pato nao ajuda a fugir de ouriços do mar e entrar na água com um chinelo ou galocha é uma ótima ideia!