quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Vestibular da Fuvest para Letras, algumas dicas e orientações



Desde novembro do ano passado (2016), me aventuro no mundinho do YouTube com vídeos sobre minhas leituras. A ideia do canal surgiu quando comecei a estudar sozinho para o vestibular da Fuvest. Estava pleiteando uma vaga no curso de Letras e resolvi falar sobre as leituras das obras obrigatórias cobradas nas provas de Português.

A experiência deu certo e, depois de me tornar um “USPiano”, passei a fazer alguns vídeos sobre “Como é o curso de Letras” (te convido a se inscrever no canal Marca Páginas para acompanhar os vídeos). Para minha surpresa, meus vídeos sobre este tema receberam mais comentários que aqueles de leituras – sinal de que algumas pessoas se interessam (talvez muito) pelo curso. Para ser fiel a este blog, resolvi, portanto, registrar em texto essas primeiras impressões do curso.

Sendo assim, vou tentar colocar alguns tópicos que acho essenciais para quem quer saber como entrar no curso neste primeiro texto. Em um próximo vou falar sobre como é a graduação em letras e minhas impressões sobre o primeiro semestre.

Por onde entrar
Não, não é pela porta! Para entrar no curso de Letras da USP você pode: fazer o vestibular da Fuvest e/ou o Enem. Confesso que eu não sabia que esse curso selecionava por meio do Enem também. Descobri isso só depois que entrei. Portanto, fica um aviso logo de cara: todas as dicas abaixo são para a Fuvest e não para o Enem, ok? Caso haja interesse, posso pesquisar com mais detalhes sobre o ingresso pelo Enem e escrevo em uma próxima oportunidade.

O vestibular
Sem dúvida, essa é a parte que deve tirar o sono de muitas pessoas. Nos vídeos do YouTube recebi mais de um comentário com questão sobre como se preparar para o vestibular.

Eu diria que não há segrede algum, contudo existe um: ler as obras obrigatórias! Muita gente, por inúmeros motivos, deixa de ler os livros indicados pela Fuvest. Sem dúvida que algumas leituras são chatas – como a de Iracema, que eu detesto. Contudo, outras são maravilhosas – como foi com "Capitães de Areia", do Jorge Amado, que infelizmente não está mais na lista; ou "O Cortiço", do Aluísio de Azevedo.

Deixando a defesa da qualidade da leitura de lado, acho importante reforçar que ler todas as obras pode ser um diferencial para a prova. Na verdade não é apenas ler: é necessário estuda-las. Acredite, elas não estão ali de graça ou apenas para infernizar a vida do vestibulando. Cada obra da lista corresponde a uma escola literária e elas são, ouso dizer, as expressões máximas dessas escolas. “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, é o realismo em forma de livro; assim como “O Cortiço” é o naturalismo; “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é a segunda geração modernista; “Sagarana”, de Guimarães Rosa, a terceira geração e assim sucessivamente.

As dicas que eu dou são: leia uma pequena biografia do autor e uma descrição do movimento literário do qual ele fez parte antes de começar a leitura; anote essas informações em um caderno; no mesmo caderno, vá fazendo resumos de cada capítulo do livro: anote quem são os personagens, quais as relações que eles estabelecem entre si e com o ambiente, quais são os pontos altos e baixos do enredo, quem é e como se comporta o narrador; quando terminar de ler, estude suas anotações e, aí sim, busque vídeos no YouTube ou resumos na internet para comparar sua opinião e suas anotações com as de outras pessoas e professores (veja se há algo que você não reparou ou que, talvez, interpretou de uma forma diferente).

Exatas, o terror em forma de continhas
Ainda sobre o vestibular, um outro ponto que sempre surge em comentários e perguntas é sobre estudar Matemática e Física. Quem nasceu para as miçangas, não cuida das contas do caixa, não é mesmo?

Sim, Matemática e Física são o terror em forma de continhas! Contudo, estudar essas duas disciplinas pode também ser um diferencial para sua preparação. “Ah, mas eu sou péssimx nisso!!!!”. Tudo bem, mas então estude o básico. Todas as disciplinas, sem exceção, são cobradas na primeira fase do vestibular da Fuvest. Este é o momento da grande peneira e você precisa garantir uma pontuação mínima para a próxima etapa.

Sendo assim, a dica nesta hora é estudar até onde você consegue. Se você está se preparando sozinhx, tente estudar a teoria em livros do Ensino Médio (você encontra eles facilmente em sebos) ou no YouTube (tem canais excelentes de professores da área; meu preferido, e que me ajudou muito, foi o AulaLivre.net); faça muitos exercícios para fixar o conteúdo; faça resumos sobre os conteúdos que você estudou; refaça exercícios e tudo o mais.

Chegou em um ponto em que não consegue mais avançar sozinho? Talvez seja essa a hora de buscar ajuda de outra pessoa ou de parar por aí. A ajuda é sempre o melhor caminho, contudo, você precisa entender as suas limitações. Não vai adiantar muita coisa você estudar equações trigonométricas se você é como eu e confunde os gráficos do seno com o do cosseno e/ou não consegue decorar aquelas fórmulas infernais. Chegou nesse ponto? Vá estudar outra matéria, mas volte sempre aos exercícios que você já dominou. Fazer sempre exercícios, mesmo que sejam os mesmos que você já fez antes, vai te ajudar bastante a fixar e relembrar o assunto.

História, Geografia e Português
Obviamente que a disciplina com maior peso no vestibular de Letras é a de Português. Contudo, você sabia que História e Geografia também têm um peso maior que o resto? Sim.
Na segunda fase do vestibular da Fuvest, você fará provas em três dias: no primeiro será uma prova de Português, com a famosa redação; no segundo será conhecimentos gerais, ou seja, todas as disciplinas juntas mais uma vez; e no terceiro será História e Geografia.

Você não pode zerar em nenhuma das provas senão será eliminadx automaticamente. Contudo, este não é o momento para ter medo! Particularmente, eu achei a segunda fase do vestibular de 2017 mais fácil que a primeira. A primeira foi terrível! Já a segunda, por conta de sua estrutura (essa que falei acima), foi bem tranquila.

Todas as questões são dissertativas, portanto, é hora de escrever e argumentar. Uma letra boa é um ótimo requisito para que você seja compreendido – por isso que sugeri as anotações das leituras em um caderno, assim você treina a letra também! Além da caligrafia, a estruturação da resposta é muito importante. Escrever de forma clara, sem rodeios e sem encher linguiça é a melhor coisa. Sabe a resposta? Responde. Desconfia que sabe? Responde com suas desconfianças. Não sabe? Ah... aí tenta escrever alguma coisa, vai...

Isso tudo foi para dizer algo importante: não se prenda apenas na leitura das obras e nos exercícios de Exatas, leia conteúdos de História e Geografia também! Anualmente a editora Abril lança os “Guias do estudante”. São apostilas com revisões dos principais conteúdos de cada disciplina. Eu achei essas apostilas ótimas e usei elas realmente como guias: li o tópico e, caso eu tenha ficado com alguma dúvida ou não tenha sentido confiança no quanto sabia sobre o tema, aí sim eu buscava outras leituras. Faça assim, talvez ajude. Deu certo pra mim.

E a redação?
Antes de pensar em estudar redação, entre no edital da Fuvest e veja quais são os critérios de correção dos textos. Isso vai te ajudar a ter um norte sobre como eles são. Com isso em mente, a melhor coisa é praticar. Fiz um vídeo no canal Marca Páginas sobre o livro "Comunicação em prosa moderna", de Othon M. Garcia. Indico essa obra para toda e qualquer pessoa que vai fazer vestibular, trabalhar com texto e linguagem ou fazer concurso. Ele é ótimo e dá dicas valiosíssimas não só sobre a estrutura do texto e de sua composição, mas também sobre como interpretá-lo - e isso é importantíssimo para o vestibular e todas as suas disciplinas!

Quer treinar as redações? Então busque as provas passadas no site da Fuvest e se familiarize com os temas sugeridos. Tente escrever as redações dos anos anteriores, mas tente também inventar novos temas e para praticar sua escrita. Você vai reparar que os temas da Fuvest são um tanto quanto "abstratos". No vestibular que eu fiz o tema era a maioridade do homem. Sabe aquela antiga tela azul do Windows? Sim, eu vi ela na minha frente quando abri a prova. Mas... deu certo. Pensei sobre o tema, fiz um rascunho, estruturei o texto e acho que tirei 70 ou 80 pontos na redação. Ou seja, não é impossível.

Aproveito este tópico para fazer duas propagandas: a primeira é a reiteração do livro do Othon Garcia. Se você tem dificuldades com interpretação e redação, leia aquele livro antes de começar a estudar qualquer coisa. Ele é extremamente didático e fornece exemplos valiosíssimos. Apesar de ser um livro relativamente grande, dedique um tempo para sua leitura porque ela é essencial.

A segunda propaganda é sobre meus serviços de aulas de redação. Não, não fiz todo esse texto só para isso, mas né, a gente precisa trabalhar. Caso você tenha interesse, dou aulas via Skype (ou presencial em São Paulo) sobre redação e nelas planejamos juntos um cronograma de provas e reescritas das redações passadas da Fuvest e de temas inéditos para aprimorar a sua habilidade da escrita. Mais informações em www.indiciumx.com.br.

Estudante de primeira viagem
Uma amiga me mandou uma mensagem dizendo que quer fazer o vestibular da Unicamp para Letras, porém, nunca precisou estudar para nenhuma prova ou vestibular antes. Além disso, ela já passou dos 30 anos e, como sabemos, tantos anos longe do Ensino Médio, muita coisa inútil se comprovou inútil. Porém, é preciso resgatar ou reaprender essas coisas para esquecer mais uma vez depois do vestibular. Sim, é terrível ter que fazer isso, mas é possível.

Vou repetir uma dica minha: AulaLivre.net. Essa escola da região Sul do Brasil, tem uma canal maravilhoso no YouTube. Embora os vídeos sobre as disciplinas sejam bem resumidas e não abracem todo o conteúdo cobrado pelo vestibular, eles têm uma playlist específica sobre "Como estudar" (acesso o link para assistir). Recomendo assistir a todos os vídeos dessa playlist assim que você decidir fazer o vestibular. Neles, o professor Fábio Mender dá dicas sobre como organizar a rotina de estudos; como se concentrar; como revisar; entre outros assuntos muito pertinentes.

Assistiu? Se planejou? Então, como disse nos tópicos anteriores, é hora de ler as obras obrigatórias, fazer o máximo de exercícios de matemática que puder, ler muito sobre História e Geografia e passar. Não, eu concordo que não é fácil, mas é possível, sim! O curso de Letras da USP é um dos mais inclusivos da universidade toda: tem negro, branco, japonês; pessoas que acabaram de sair do Ensino Médio, outras com mais de 40 anos, outras na segunda ou terceira faculdade, outras com doutorado, mestrado e por aí vai. A variedade é gigantesca e maravilhosa, mas isso vai ser tema do próximo texto. =)


Ah, para finalizar: quer mais um incentivo para estudar para entrar no curso de Letras? Então vou te dar dois: anualmente entram 850 alunos no curso de graduação. SIM, 850! É um mar de gente que invade o prédio da Letras anualmente! O segundo motivo é: se você adora literatura, tem muitos tradutores de autores famosos como Homero e Dostoiévski que são ou foram professores da USP! Isso pra mim é sensacional.

Pronto, agora o texto acabou. Abaixo segue meu planejamento para os próximos textos. Caso você tenha alguma sugestão de tema, me diz nos comentários, ok? Muitos dos temas abaixo já foram gravados para o canal Marca Páginas. Sendo assim, te convido para passar lá também. 

Pauta para próximos textos
- A USP, minhas impressões (biblioteca, bandejão, espaço geográfico, acessos e etc);
- O primeiro semestre de Letras: muita gente, pouca interatividade, mas muita leitura!;
- Leituras do primeiro semestre e, mais uma vez, a importância de ler;
- Morar, estudar Letras e trabalhar em São Paulo para quem não é da capital;
- O tal do ranqueamento;

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A difícil procura por emprego

Encontrar um emprego atualmente não está nada fácil. Embora os dados divulgados pelo governo federal deem uma esperança de que “logo será minha vez”, a situação não parece ser tão otimista assim.

Desconfio, quase com certeza, de que o real problema está em algumas áreas específicas. A área de jornalismo parece definhar cada vez mais. Não é a primeira vez que escrevo sobre essa situação, mas a impressão vai se consolidando dia após dia. Uma das evidências que corroboram com essa visão pessimista a respeito das oportunidades de emprego para jornalistas é a quantidade gigantesca e crescente de candidaturas a vagas da área.

Cada vez que uma vaga para “Redator”, “Assessor de Imprensa” ou mesmo para “Jornalista” (embora essa seja uma raridade aparecer), em pouco tempo a concorrência aumenta vertiginosamente. Para não ficar apenas no “achismo”, seguem alguns exemplos:

Em janeiro deste ano, o Conselho Regional de Biologia (CRBio) de São Paulo (1ª Região), divulgou um edital de um concurso público para diversas vagas, entre elas havia uma vaga para jornalista. O salário era de R$ 6.625,21 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além dos “benefícios” como vale refeição, vale transporte e plano de saúde. Era apenas uma vaga, como já dito, porém, 477 profissionais se inscreveram no processo. Essa concorrência só perdeu para o cargo de Auxiliar administrativo, que, segundo o edital, o salário era de R$ 3.292,15. Para o CRBio de São Paulo foram abertas duas vagas e 3.126 pessoas se inscreveram no processo.

Ok, nada de novo, afinal, que concurso não é concorrido ultimamente?

Outro exemplo é uma vaga anunciada no site Infojobs para Analista De Comunicação Jr. A empresa, além de não se identificar no anúncio, também não informou salário, tempo da jornada de trabalho e nem a região de São Paulo onde o trabalho seria desenvolvido. Os únicos requisitos eram: Ensino Superior completo, português avançado (sim, português avançado) e inglês intermediário. Os “benefícios”: vale refeição e vale transporte. Segundo as estatísticas do site, 864 profissionais, provavelmente quase todos jornalistas, se inscreveram.

Um terceiro exemplo, este, porém, sem dados numéricos, foi uma vaga para professor de Jornalismo em uma das unidades do Senac de São Paulo. O processo ocorreu em 2016, mas me lembro que, no dia em que fiz uma das provas da seleção, a coordenadora da unidade comentou que eles haviam recebido muitos currículos, mas muitos mesmo! Não me recordo do valor exato, mas era um número astronômico. Isso se deve, principalmente, ao fato da não exigência de pós-graduação nenhuma para assumir a vaga, mas, mesmo se exigisse no mínimo uma especialização, sem dúvida alguma o número seria enorme.


Ok, não está fácil e nem seria necessários três parágrafos para reiterar a alegação, certo? Certíssimo. Contudo, há outros pontos que a situação de “desempregado” revela com muita força: o desrespeito de algumas empresas ou de seus setores de Recursos Humanos e o oportunismo de sites de vagas.

“Não foi dessa vez!”
Sobre o desrespeito, não parece ser necessário apresentar dados. Quem mandou currículo ultimamente deve ter percebido que as respostas são raríssimas – sim, no superlativo mesmo porque escrever “muito raríssimas”, embora verídico, seria redundante. O candidato envia seu CV por meios virtuais e, na maioria das vezes, nunca saberá se a vaga foi preenchida ou não. Em raros (ou raríssimos) casos, algumas empresas se dão ao trabalho de enviar uma resposta pronta e formal com as seguintes palavras: “Não foi dessa vez!”. A vontade é de responder: “Não foi dessa vez e nem será em uma próxima!!!!”, em parte pela frustração de não conseguir a vaga e em parte pelo ódio que o sentido que a frase tem.

“Não foi dessa vez!”, as vezes seguido de “Continue tentando”, é uma afronta ao candidato. Por quê? Por que nos faz sentir que estamos implorando para fazer parte do quadro de funcionários daquela empresa sensacional que colocou nosso e-mail em uma mensagem automática e disparou para sabe-se lá quantos candidatos recusados.

Uma correção: eu disse “faz sentir...”, mas a expressão mais adequada seria “faz perceber”. A realidade é que muitos candidatos estão sim implorando pela oportunidade. Contudo, o sentido de desrespeito continua. Provavelmente poucas são as pessoas que enviam o currículo para uma empresa com um “sonho” de trabalhar naquela companhia. O que acontece, e fica a dica para as empresas, é que o candidato olha a vaga, o salário (quando este é informado, ou seja, quase nunca), verifica se tem afinidade com as funções descritas (quando são) e manda seu currículo. Claro que isso não é regra. Tenho algumas empresas-dos-sonhos, como costumo chamar, nas quais eu adoraria trabalhar. Fico sempre de olho nas vagas que elas abrem e me candidato assim que tenho conhecimento da oportunidade. Contudo, e isso sim é regra, a necessidade de trabalhar é imposta para a grande maioria das pessoas. Logo, se inscrever em diversas vagas ou distribuir currículos como se distribui folders de ótica na avenida Paulista parece ser a regra e não a exceção.

Um breve comentário ainda neste tópico sobre desrespeito: há outra mensagem que as empresas costumam nos enviar: “Seu perfil não se encaixa na vaga”, ou algo parecido. É claro que não se encaixa, afinal, vocês nem sequer dão a oportunidade de o candidato se apresentar e dizer suas competências e habilidades! Claro que isso pode ser reflexo de um currículo mal formulado, contudo, mesmo seguindo todas as dicas possíveis e imagináveis disponíveis na internet sobre “o currículo ideal”, ainda assim a coisa não anda!

A Enganação encarnada em forma de site
Por fim, os sites de vagas. Nós, desempregados, somos bombardeados com propagandas de vagas em sites de empregos. Eu, sinceramente, já perdi a conta de quantos cadastros eu tenho: Vagas.com; Infojobs; Curriculum; Catho; Emprega Brasil; BNE... a lista é grande. De todos, o único que confio é no Vagas e por conta de dois motivos: em meu último emprego, minha chefe disse que pegava os currículos por lá; e as maiores empresas usam o site e redirecionam o candidato para o Vagas quando ele pesquisa por Carreiras ou “Trabalhe conosco” nos sites institucionais delas. O resto parece ser resto.

Já assinei por três meses o Infojobs e a Catho. Não preciso comentar o resultado péssimo da experiência depois de um texto de três laudas. Os preços são altos e muito contraditórios: como é que um desempregado vai pagar um site para tentar conseguir um emprego? Sem renda ele vai usar que dinheiro? Provavelmente o do FGTS de sua última contratação, mas e quem sequer isso tem mais? Esse tipo de serviço me provoca sensações no limiar do ódio indescritíveis. O pior de tudo é: pagar o site não é garantia de consegui uma colocação no mercado de trabalho! Ok, o site não pode fazer milagre, apenas “destacar o seu CV”. Mas eu só paguei para o meu currículo ficar mais para cima de uma pilha virtual? Sim.


Enfim... desabafo feito, a conclusão é: não está fácil, mesmo com notícias sobre a “recuperação do mercado de trabalho” tão difundidas pela grande imprensa.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Ler ou ser feliz? Uma reflexão sobre "Farenheit 451", de Ray Bradbury

Ler ou ser feliz? Uma reflexão sobre "Farenheit 451", de Ray Bradbury Link para texto sobre o tema no site do Canal Marca Páginas: https://goo.gl/ia1CPF || Contatos || Instagram: http://ift.tt/2qSwuzs Twitter: http://twitter.com/alexcontin E-mail: alex.contin@gmail.com ou canalmarcapaginasoficial@gmail.com Site: http://ift.tt/2s06hlH

June 6, 2017 at 09:00AM

segunda-feira, 5 de junho de 2017

OdS #10 - Por que tenho medo de bolsominion [Mês do orgulho gay!]

OdS #10 - Por que tenho medo de bolsominion [Mês do orgulho gay!] IMPORTANTE: eu apenas citei o perfil deste tal Lucas, assim como mostrei os vídeos que ele curtiu com seu perfil, porque ele não fornece informações sobre si mesmo em seu perfil. Além da foto falsa, a única informação que podemos ver no perfil dele é o nome, que provavelmente é falso. Desta forma, acredito que a exposição aqui feita não é capaz de prejudicar a pessoa do mundo real que está por detrás deste perfil falso. Caso ele tivesse colocado informações reais, eu jamais o exporia da forma como fiz aqui. AVISO: comentários como o do tal Lucas serão ignorados e temos o direito de moderar todo e qualquer comentário feito em qualquer um de nossos vídeos, especialmente aqueles que expressam algum discurso de ódio e violência. O do Lucas foi a primeira e única exceção.

June 5, 2017 at 09:00AM

sexta-feira, 2 de junho de 2017

[Resenha] Eneida de Virgílio - Série Estudos Clássicos (USP)

[Resenha] Eneida de Virgílio - Série Estudos Clássicos (USP) Link para o [Folheando] a Eneida: https://youtu.be/PQEk7yguIlk Link do vídeo do Leonardo Antunes cantando os primeiros versos da Odisseia para você entender como os versos em hexâmetro datílico são/devem ser lidos: https://www.youtube.com/watch?v=E4YswUqEjKo || Contatos || Instagram: http://ift.tt/2qSwuzs Twitter: http://twitter.com/alexcontin E-mail: alex.contin@gmail.com ou canalmarcapaginasoficial@gmail.com Site: www.indiciumx.com.br

June 2, 2017 at 09:00AM

quarta-feira, 31 de maio de 2017

[Resenha] O leopardo - Giuseppe Tomasi di Lampedusa [TAG Maio]

[Resenha] O leopardo - Giuseppe Tomasi di Lampedusa [TAG Maio] Crítica sobre o material complementar da TAG: http://ift.tt/2qAiNUF || Indicações sobre o tema feudalismo: HOBSBAWN: em "A era do Capital" (https://goo.gl/0wj9C3) o autor fala um pouco sobre a ascendência do capitalismo e como o feudalismo ruiu. Ajuda a entender as personagens mais ligadas à burguesia na história dO Leopardo. SWEEZY: "Teoria do desenvolvimento capitalista". DOBB: "A evolução do capitalismo". Os dois autores acima se debruçam sobre o tema com bastante profundidade. No curso de Ciências Econômicas da Unicamp, por exemplo, o aluno estuda a dupla como construções contrastantes sobre o mesmo fenômeno: a transição do feudalismo para o capitalismo. Sobre esse estudo da Unicamp, indico dois textos: * LAZAGNA, Angela: Resenha do 'Balanço do debate: a transição do feudalismo ao capitalismo de Eduardo Mariutti" (https://goo.gl/GbR5E6). Essa é uma resenha de um livro sobre o assunto, publicado pelo Mariutti, que foi meu professor de História Econômica na Unicamp. * MARIUTTI, Eduardo B. "A transição do feudalismo ao capitalismo : um balanço do debate" (https://goo.gl/dFvNeq). Para quem tiver um interesse gigantesco sobre o assunto, essa é a tese de doutorado do Mariutti! Haja interesse, mas a tese é ótima! || Contatos || Instagram: http://ift.tt/2qSwuzs Twitter: http://twitter.com/alexcontin E-mail: alex.contin@gmail.com ou canalmarcapaginasoficial@gmail.com Site: www.indiciumx.com.br

May 31, 2017 at 09:00AM

quinta-feira, 25 de maio de 2017

[Folheando] Quatro cinco um - a revista dos livros! [SEM FALAS!]



A revista "Quatro cinco um" é nova no mercado e chegou com tudo! A proposta, ao que parece, é ser extremamente segmentada, seu tema: LIVROS! Dê uma espiada nessa nova revista junto com a gente! =)

Ansioso pelos próximos números da revista, mas desde já um pouco desapontado com o caráter marketeiro, ao menos das duas únicas matérias sobre poesia. Não sou o maior fã de poesias, mas com a disciplina de Introdução ao Estudo Literário I, ministrada por Roberto Zular no curso de Letras da USP, não tive como reconhecer toda a engenhosidade, complexidade e beleza de um poema.

Aos poucos fui percebendo que tudo aquilo que aprendemos na escola não faz nenhum sentido. Poesia é muito mais que um verso, um conjunto de rimas bonitinhas ou algo escrito de um jeito diferente de uma prosa. É perfeitamente compreensível como as pessoas não gostam e não apreciam poesia, afinal, entrar nela é um trabalho árduo. Passar da leitura linear de "Em minha terra tem palmeiras | Onde canta o sabiá" para uma leitura ritmada e cheia de imagens, infelizmente, não é simples. Entender os lás e os cás, a mistura do leite com o sangue, o olhar de um antinarciso e seja lá o que mais a poesia nos possibilita é algo quase único. Quase, afinal, muita prosa com sabor de poesia prova que a classificação em gênero é tão complexa quanto entender as particularidades de cada um para além da simples diferença entre "verso" e "prosa".

Cenário composto e voltando aos textos sobre poesia da "Quatro cinco um", eles se propõe única e exclusivamente a nos dizer quem são os poetas. Um homem e uma mulher; New York e Canadá; um coração no bolso e apagamentos de si mesmo. São informações ou impressões? O que vale mais na poesia, baseado no que aprendi até então, não é tanto quem a fez, mas os sentidos e imagens que ela possibilita ao leitor, ou não? Sendo assim, ver textos sobre poesia que se limitam a repetir o que a Wikipedia provavelmente já fez com os poetas, me pareceu algo muito... estranho. Mas também como fazer diferente? Aqui me dou licença poética e estúpida de quem está nos primeiros passos: não sei.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Uma crítica sobre a TAG Livros, de um assinante de primeira viagem

A proposta da TAG Livros é genial. A cada mês a equipe seleciona um curador e solicita a ele a indicação de um livro. O associado não sabe o que vai receber e aqui o fator confiança nos curadores e, acima disso, na capacidade da equipe da empresa em selecioná-los, é que faz a diferença. Além disso, o serviço também aposta na elaboração de seu kit: além do livro, em capa dura com um box colecionável e um "mimo" relacionado com o tema do mês, o associado recebe uma revistinha com informações sobre o curador, a obra e outros dados adicionais que, em tese, ajudam na leitura.

Curioso com o livro do kit de maio, indicado por Mario Vargas Llosa, resolvi assinar. O vídeo aqui no YouTube fala de minhas primeiras impressões como um novo assinante e há críticas! A principal é quanto à revista, pois eu esperava muito mais dela.

Apesar da diagramação maravilhosa, a revista da TAG falha nas informações. A pequena biografia de Vargas Llosa são suficientes para entendermos o valor que ele, como curador, tem para o clube de associados. Porém, as coisas param por aí. Em um determinado momento do texto sobre Llosa é citado que o escritor se distanciou do socialismo por conta de sua decepção com a experiência em Cuba. Ok. Pra mim essa é a informação mais relevante do texto e que deveria ter total ligação com a indicação do livro feita por ele!!!! Afinal, Llosa teria lido "O Leopardo", o livro que indicou, antes ou depois dessa indignação? Isso faz toda a diferença para entender o valor que a obra tem para o curador. Se foi antes, a leitura do livro e a inevitável ligação com Llosa seria uma, principalmente por conta da revolução sobre a qual o livro se propõe a tratar e a transformação de uma sociedade alicerçada na igraja e na monarquia; se foi depois, a leitura muda de figura e os ideais liberais do livro saltam aos olhos de maneira mais evidente.

A única resposta que temos sobre o assunto é dada em uma frase: Llosa diz que "O Leopardo" é uma obra genial. Só isso???? Genial por que? por onde? por quando? por sei lá o que mais? Essa falha, pra mim, foi gravíssima porque esperava entrar de cabeça na leitura guiado por um curador ganhador de um prêmio Nobel. A falha, a meu ver, parece ser dos editores da revista que não questionaram Llosa sobre a indicação ou se contentaram apenas com uma frase qualquer ou não conseguiram acesso direto ao escritor e estão usando uma indicação dele para aumentar a visibilidade do grupo.

Neste último caso, sobre usar a imagem de Llosa, a impressão que me fica é que houve o seguinte diálogo (que pode ou não ter sido diretamente com o escritor):
- Sr. Llosa, somos da TAG e gostaríamos que o senhor indicasse um livro para nossos associados?
- Qualquer livro?
- Qualquer um!
- Ah, então coloque "O Leopardo" aí.
- Por que esse?
- Tenho que justificar?
- Seria bom...
- Ah, escreve que ele é uma daquelas obras literárias que aparecem de tempos em tempos e que nos deslubram...
- Obrigado, Sr. Llosa!

Senti falta de uma explicação mais apurada simplesmente porque foi Llosa quem indicou o livro! Por ser ganhador de um prêmio Nobel, a possibilidade de ler algo que ele leu e que tenha influenciado em sua produção realmente é um diferencial que a TAG poderia propagar por toda internet. Contudo, acredito que ficarei sem a resposta às questões que surgiram ao assinar e ao ler a revista.

O segundo ponto que me decepcionou foi a parte "Ecos". A proposta é fornecer informações complementares que ajudam na leitura do livro. Nesta seção, os editores da revista colocaram um mapa (belíssimo, como toda diagramação) com as divisões dos reinos da Itália antes da sua união na nação italiana. Ok, relevante? Sim, afinal o personagem menciona e tramsita por essas regiões. Contudo, a meu ver, a questão da transição do feudalismo para o capitalismo seria mais crucial para o leitor se situar na obra. Um processo conturbado na história, dada a emergência do capitalismo, essa transição é objeto de diversos estudiosos como Dobb, Sweezy e Hobsbawn. Os dois primeiros se debruçam sobre o tema e o terceiro tem uma obra apenas para tratar sobre a formação dos estados nacionais. Imagino que talvez seja demais tratar tudo isso em duas páginas de uma revistinha, contudo, se a proposta é dar informações aos leitores, por que não investir num trabalho mais apurado e de maior valor?

Por fim, mas não menos importante, a revistinha da TAG pareceu ser tão machista quanto o Príncipe, personagem principal do livro "O Leopardo". Por quê? Simplesmente porque o mimo enviado no kit, uma "bandeira" de algodão com fotos de ganhadores do prêmio Nobel de Literatura, mostra que a primeira pessoa latino-americana a ganhar o prêmio foi Gabriela Mistral, escritora chilena, em 1945. UMA MULHER, antes de qualquer outro homem! E mais: em uma área dominada (SIM) por homens até pouco tempo atrás! Ao invés de falar sobre ela, a revista optou apenas por tratar do boom de escritores latino-americanos (TODOS HOMENS) das décadas de 1960 e 1970! Estou exagerando ao criticar a opção da revista por não dar toda a atenção possível à Mistral????? Acho que não.

Conclusão: o primeiro kit me decepcionou um pouco. Estou ansioso para receber o kit de março, que veio com o livro "A Câmara Sangrenta" e mais ainda para o do próximo mês, que virá com uma obra situada na Rússia e nos Estados Unidos. Vamos ver se essa primeira impressão ruim se dissipa ao comparar a revista de maio com as demais.

Vale reforçar: o vídeo feito para o YouTube NÃO É propaganda para o serviço! Eu (Alex) e nós do Canal Marca Páginas não recebemos os kits de forma gratúita.

Para quem quiser mais informações sobre a TAG: https://www.taglivros.com/


quarta-feira, 19 de abril de 2017

"Há muitos homossexuais muito machistas, misóginos, que não percebem que lutamos contra o mesmo 'gigante' (patriarcado)" - Entrevista com Marcella Rosa, autora do livro "Guia Prático do Faminismo: Como dialogar com um machista"

Roubei, descaradamente, esse giphy do blog da Marcella, sim. Sorry, not sorry.

Marcella Abboud, ou Marcella Rosa, ou Professora, ou talvez ‘fêssora’, é Mulher. Antes de qualquer título acadêmico, ser mulher é o que a define, como a orelha do livro a apresenta ao leitor. “Guia Prático do Feminismo: Como conversar com um machista”, lançado pela Letramento em 2016, é, como ela mesma define, um “pedacinho” de sua luta.

Após se formar em Letras pela Unicamp e chegar até ás salas de aula, Marcella se deparou com a condição de suas alunAs inseridas num mundo machista e preconceituoso. Embora ela mantenha um blog (MarcellaRosa.com), o livro foi um convite de seu editor para expandir o conteúdo virtual para o papel.

O livro cumpre com o que diz: é, ao mesmo tempo, um “Guia prático do Feminismo” e uma orientação de “Como dialogar com um machista”. Para mulheres que se interessem pela luta, Marcella dá inúmeras informações sobre as vertentes do feminismo, dados históricos, estatísticos, fontes de leitura e, o que mais é sensacional no livro, ARGUMENTOS ao construir todo o livro na forma de uma conversa entre a autora e um homem extremamente machista, ignorante e que sempre acha que está certo.

Para homens, o buraco é mais embaixo. Ler este livro é um processo quase de autoflagelação. Não é “auto” porque quem dá vários socos no estômago do leitor homem é a própria Marcella. Diga-se de passagem que são socos extremamente necessários! Ao crescermos em uma sociedade machista e patriarcal, independente da orientação sexual, características e pensamentos dessa sociedade estão enraizados em nós, homens. Ler “Guia prático do feminismo: como dialogar com um machista”, portanto, é reconhecer em quais pensamentos estamos errados e aprender a nos policiar cada vez mais com isso.

A entrevista abaixo foi gentilmente concedida pela Marcella no dia 20 de março e está estruturada em duas partes. A primeira são perguntas sobre o livro e sua elaboração. Na segunda parte, propus questões feitas por um segundo personagem: um gay. Muitas vezes, ao ler, ouvir e estudar sobre o feminismo, me deparei com questões do tipo: “Os gays fazem isso também?”. Como não tenho habilidades para invocar Beauvoir e nem dialogar abertamente com Chimamanda Adiche, aproveitei a simpatia e paciência da Marcella para tirar essas dúvidas. Confira os resultados abaixo.

Alex: Quem é seu interlocutor? Que cara ele tem? Ele é branco, hétero, machista? Essa conversa está num bar, num café, num sofá...? Fiquei curioso para saber qual a cara dele e o ambiente que passou pela sua cabeça enquanto você preparava e escrevia o livro.
Marcella: Eu estou trabalhando especialmente com o homem, cis, branco, hétero, sim. Mas, na verdade, eu também estou falando com as minas que precisam de argumento pra discutir com esses caras e não têm... Acho que imaginei um bar, onde quase sempre as nossas falas são cortadas por um cara tosco e bêbado, achando que é o dono da razão.

A: Esse interlocutor que você criou “excreta” umas falas e umas perguntas "absurdas" (a meu ver). Você já ouviu homens falarem e perguntarem isso para você ou para amigas? Você já teve partes dessas conversas (ou ela na íntegra, sem as citações) no ambiente que você imaginou/usou na produção do livro?
M: SIIIIM! e mais de uma vez, querido. Bem mais.

A: Você escreveu na dedicatória que o livro é um “pedacinho da sua luta”. Como foi a decisão de lutar também por meio de um livro?
M: Na verdade, eu escrevia no blog, né? Para que quem não fosse aluno meu pudesse ler também. Mas aí o Henderson (meu editor) me convidou pra expandir isso num livro.

A: Voltando ao interlocutor e as impressões que seu livro passa dele (o homem branco, hétero, machista e também ignorante quanto à causa e à necessidade do feminismo), dá para entender que esse interlocutor é seu público-alvo. A conversa, as perguntas e, principalmente, as desconstruções parecem ser um processo de ensino. Desde o lançamento, você conseguiu atingir esse público/interlocutor? Teve algum retorno da recepção de um homem com essas características?
M: Como esperado, mais mulheres que homens procuram meu livro. Fico feliz, porque me sinto fortalecendo-as para o embate. Uma coisa massa que aconteceu foi as mulheres comprarem o meu livro para dar de presente para namorados e parceiros. Isso me deixou mega feliz. Tive retorno de amigos meus que disseram se sentir mal ao perceber que fazem muitas das coisas que descrevo sem nem se darem conta disso. Recebi agradecimentos muito bonitos de mulheres que viram nos namorados, pós livro, uma mudança de atitude.

Há algumas questões que me intrigam há algum tempo e por isso vou coloca-las na boca/letras de um “segundo interlocutor”. Ele (que vou representar aqui por G, de Gay mesmo) é homem, gay, 30 anos, que se interessa pela causa, lê sobre o assunto, se acha menos ignorante que o primeiro interlocutor, quer falar sobre o assunto, mas não sabe se pode se chamar de feminista. Sendo assim, vamos às perguntas:

G: Só homem hétero é machista ou os homossexuais também são? Há muita diferença entre eles?
M: Há muitos homossexuais muito machistas, misóginos, que não percebem que lutamos contra o mesmo 'gigante' (patriarcado).

G: Mas eu sou praticamente uma mulher de tão afeminada. Quer dizer, posso dizer isso?
M: Não, porque o feminino é uma socialização. Isto é: você não é uma mulher, mesmo tendo trejeitos. Você, sendo homem cis, não pode ser quase uma mulher. Sofre preconceito porque o patriarcado atribui ao feminino o negativo.

G: O Feminismo Liberal “agrega” o homem à causa feminista naquela campanha #HeForShe. O que há de errado então com o “machista feministinha”?
M: É porque ele se diz feminista mas segue fazendo coisas machistas.

G: Sou feminista, simpático à causa ou há algum outro termo que se adeque a mim (ou ainda: depende da vertente)?
M: Varia com a vertente, eu prefiro "pró feminismo".

G: Ainda sobre esse ponto, a Beauvoir diz que: “Foi Léon Richier o verdadeiro fundador do feminismo, criando em 1869 Les Droits de la femme e organizando o congresso internacional desses direitos em 1878” (p. 183 – da edição da Nova Fronteira de 2009). Se um homem “fundou” o feminismo, por que muita feminista hoje diz que homem não pode ser feminista?
M: Porque trabalhamos com o conceito de lugar de fala e protagonismo do movimento. É como pedir para um hétero falar sobre homofobia, sabe?

G: Na mesma obra, a Beauvoir diz que "Mesmo o homem mais simpático à mulher nunca lhe conhece bem a situação concreta" (p. 24). Ok, empatia existe, mas é impossível conhecer a situação concreta de qualquer outrx. Se um homem não poderia ser “feminista” por questões biológicas (ele não é ela), ou mesmo por questões sociais, de gênero, de privilégios, como algumas feministas alegam, não haveria, portanto, espaço para a transcendência da consciência do homem? Eles nunca poderiam abrir os olhos e, um dia, ver o quanto são e foram machistas e opressores? Não seria esse uma parte do resultado da luta do feminismo?
M: Acho que o fato de eles nunca saberem o que uma mulher de fato passa não impede a possibilidade de mudança, porque a empatia é sempre possível, entender a experiência do outro e, acima de tudo, acreditar no que o outro, que sofre, fala.

G: Voltando à minha viadagem: o que você e como “o feminismo” (ou uma das vertentes dele) enxergam as drags?
M: Varia muito. Eu, que sou interseccional, entendo o movimento que há nas drags como algo artístico. Mas olha: isso é uma briga feia entre as vertentes, as radfem são veementemente contra.

G: Eu, homem (independente da orientação sexual) acho que não devo falar “pelas” mulheres, isso seria tomar a voz delas, mas eu poderia falar “em favor” delas (ressaltar a importância da causa, indicar livros, filmes, notícias para colaborar com a conscientização) ou os dois termos dão na mesma?
M: Pode falar para elas, SE, E SOMENTE SE, elas quiserem, pedirem e não estiverem reivindicando protagonismo.


domingo, 16 de abril de 2017

Primeiro o YouTube, agora as demais redes sociais

Logo após o YouTube ser "atacado" pelo Washington Post, a plataforma do neoliberalismo brasileiro, Estadão, publica hoje um editorial curioso. No artigo "Desafios da notícia na internet" (página 3), o texto começa dizendo:

"Em tempos de intenso debate sobre as “notícias falsas” (fake news) que circulam na internet – discutem-se, por exemplo, seus efeitos políticos ou a responsabilidade das redes sociais por sua difusão –, estudo do Pew Research Center, uma das instituições de maior prestígio nos Estados Unidos, revela dados interessantes sobre as tendências de comportamento no consumo das notícias digitais."

Detalhes: "discutem-se [...] a responsabilidade das redes sociais por sua difusão" e "[...] uma das instituições de maior prestígio dos Estados Unidos". O primeiro trecho revela que a grande mídia está de olho na "responsabilidade" das redes e talvez estejam maquinando alguma estratégia para filtrar as “notícias [consideradas por eles] falsas”. O segundo destaque reforça que a pesquisa usada para o editorial é 100% confiável e que o leitor pode assumir todas as informações ali elencadas como a verdade proveniente de uma empresa com "prestígio" (portanto, que nunca dará uma informação falsa).

A pesquisa, segundo o editorial, é interessante e traz resultados relevantes sobre como as pessoas compartilham notícias e como elas se lembram (ou não) das fontes. Contudo, quem encomendou a pesquisa? Quais foram as pessoas que participaram do estudo? Qual o interesse que há por detrás de um estudo como este? Havia uma hipótese a ser comprovada pelo estudo? Se sim, qual era? Enfim, a pergunta certa é: qual o interesse por detrás disso tudo? Estudos e pesquisas estão sempre suscetíveis tanto à ideologia do pesquisador quanto às intenções que balizam as interpretações. Informar que a empresa tem “prestígio” é dar uma garantia ao leitor e dizer que ele não precisa se preocupar com nenhuma dessas questões elencadas acima. “Só acredite nos resultados, caro leitor!”

Além disso tudo, o texto questiona as notícias falsas, assunto que está em pauta hoje em dia: “Ponto importante da pesquisa foi detectar se os consumidores de notícias digitais tinham consciência da fonte de informação.” Uma questão importante aqui não é apenas considerar a “fonte de informação”, mas sim a intenção da notícia, a ideologia que está implícita no texto. Saber a fonte da informação é crucial para identificar se aquele texto tem ou não “credibilidade”, se foi composto por um profissional que sabe o que está fazendo, etc. Contudo, de que adiantaria, por exemplo, ler e compartilhar a notícia de um jornal que manipula tanto quanto uma notícia falsa? De que adianta compartilhar a notícia de um grande jornal se não fornece argumentos isentos e plurais para que o leitor possa debater em suas redes sociais sobre o que pensam do assunto ao invés de apenas reproduzir o discurso que os veículos de comunicação querem que esse indivíduo reproduza e internalize?

É relevante sim debater a questão das notícias falsas, contudo, quando vamos debater a questão das notícias desses grandes veículos de comunicação? Quando vamos começar a questionar o porquê de uma notícia trazer apenas fatos que corroborem com o perfil positivo ou negativo (já que não existe o meio termo) que o texto quis traçar de um economista liberal ou de um político da oposição? Quando vamos olhar para um jornal e questionar quais são as intenções por detrás das notícias que ele publica? Quantos rabos estão presos e quantos “dogmas” do jornalismo foram negados pelo simples gosto do poder de informar/manipular?

A impressão que esse texto permite é de que o jornal está de olho nas redes sociais. Este foco, contudo, não parece ser democratizar a informação, mas sim controlar o que pode estar se desviando da ideologia que ele prega em suas páginas diárias.


domingo, 2 de abril de 2017

Carta ao passado; De 3 de abril de 2017 para 3 de abril de 2002


Você é gay. Não, não pare de ler, não jogue fora ou não apague se isto um e-mail for. Sei que acreditar em um pedaço de papel, palavras escritas ou digitadas e encontradas ao seu acaso pode ser difícil, mas vá até o fim. Aliás, comece a ir até o final de suas leituras desde já.

Eu sou você. Hoje tenho 30 anos e entre todos os devaneios que a vida trouxe, escrever esta carta foi um deles. Talvez ela chegue em um envelope roxo, talvez por uma falha no espaço e tempo cibernético. De qualquer forma estamos aqui, dialogando. A esperança ainda conclama que seja um diálogo, não apenas um registro equivocado de uma madrugada sem sono. Então acredite, ler e entender o que está aqui fará a diferença.

Por que comecei dizendo que você (eu ou nós) é gay? Porque você sabe que é verdade. Apesar de uma escola nova, você ainda vai enfrentar alguns olhares e comentários sussurrados de pessoas de suas salas. O Ensino Médio será melhor que o Fundamental, mas não será de todo fácil. Você vai tentar se encaixar. Com dois meses de aula isso talvez já esteja acontecendo, afinal, ser aceito é quase uma lei aos 15 anos. Mas saiba de uma coisa, desde já: as leis de sua vida serão feitas por você. Sim, talvez com minha ajuda, talvez sem, mas o mais importante é questionar desde já o modelo de sociedade que você tem na cabeça. O modelo que colocaram nas vendas que tampam seus olhos e não te fazem perceber o mais essencial de sua vida.

Ainda em 2002 você vai tentar sair com meninas. Será em vão. Não vai adiantar ir às domingueiras que te convidarão. Eu contei: serão quase 40 foras, um atrás do outro. Sei que você nunca as culpou, mas elas provavelmente veem o que você reluta em enxergar e aceitar. Você vai colocar uma roupa bonita, vai se juntar a três meninos bonitos e, mesmo que não olhe para eles, vai olhar em vão para elas. Se aceitar sua sexualidade desde já, não vai iludir ninguém e nem namorar com uma garota aos 18 anos. Sim, se você ainda pensa em esconder a verdade, haverá uma esperança, mas muito injusta. Depois de um ano você perceberá que sua vida é uma mentira e algo muito ruim virá de brinde com essa descoberta. Portanto, evite e só se aceite.
Levante a cabeça e faça o que você fez de melhor nestes três anos de Ensino Médio: estudar. Você ainda não sabe, mas seus estudos te destacarão logo no próximo ano. Não será em vão e você tem capacidade. Se aceitar sua sexualidade, deixará sofrimento de lado e poderá se dedicar a um bom futuro, sem ressentimentos e mágoas para mim, aqui em 2017.

Quanto a estudar, nunca duvide que você é capaz. Eu optei por estudar jornalismo. Acho que fiz uma boa escolha, embora não haja muitos empregos para essa área hoje em dia. O jornalismo brasileiro é ruim, é dominado por forças políticas que nada querem para o povo, só do povo. Você entenderá a diferença.

Não deixe de fazer essa escolha. Pode ser que com essa carta algo mude, mas não deixe de se dedicar à palavra, à leitura, à mensagem. Esses serão instrumentos de grande valia no seu futuro. Te darão um prêmio, talvez mais de um. Te levarão para outro país, talvez para outros mais. Te darão força para continuar, talvez para fazer isso por outros também.

Não se afaste de grandes amigos. Nos seus próximos 15 anos muitas pessoas passarão pela sua vida, mas poucos continuarão até o meu presente. Três desses amigos você já conhece. Amigas na verdade e você sabe quem são, não? Talvez não, mas saberá. Uma delas voltará no seu próximo ano. Estudarão juntos mais uma vez. As outras duas só mais próximo de meus dias, mas talvez seja tarde para aproveitar amizades tão verdadeiras. Uma se mudará e a outra precisará muito do suporte de amigos, talvez inclusive do seu, caso esteja presente no momento de maior tristeza dela. Não negue seu ombro, não afaste suas lágrimas. Chorar é coisa de homem sim, até Aquiles chorava, por que você não pode? Ah, não me lembro se você conhece Aquiles com 15 anos, mas trate de conhecer, me ajudará muito!

Sim, faltaram duas amigas. Essas, seu futuro próximo te apresentará. Em um primeiro momento talvez você não goste delas, mas o tempo, aqui trapaceado, te mostrará um grande valor nas duas. Uma delas, inclusive, também precisará do seu ombro. Com ela você esteve presente, mas talvez poderá evitar que o sofrimento exista para quem em duas rodas anda e diz amar. Fica a dica, você saberá identificar. Sobre as duas aqui citadas, vale, contudo, uma ressalva. Eu as conheci, mas talvez você não as conheça, para minha grande infelicidade. Estudei em uma faculdade muito “simples” logo após sair do Ensino Médio. Você não deveria fazer o mesmo, você tem capacidade para mais. Não acredite quando disserem que faculdade pública não é para alunos de escola pública. Tive o grande prazer de conhecer professoras excelentes naquela faculdade, mas na soma final, a balança pendeu para a inércia à qual estudantes do estado estão fadados e estarão cada vez mais: ensino particular de pouca qualidade.

Falando em ensino, provavelmente esta será uma de suas bandeiras. Se olhar para seu passado recente, quase longínquo pra mim, verá uma lousa e várias cores de giz. Verá palavras e contas; desenhos e esboços. Verá que sua única aluna, sua irmã, talvez seja o anúncio de algo que seu futuro te reserva. Sendo justo e sincero, professor hoje não vale nada aos olhos do poder público. Se seguir o caminho do jornalismo, terá oportunidade de conhecer sindicalistas e a luta pela valorização da profissão. Verá quão renegados são aqueles que te inspiraram até seu presente, mas em nada o futuro deles mudará. Talvez mude se esta carta chegar em suas mãos. Não mudará pelas suas, no entanto, mas pelas mãos de outros que cartas enviarão ao passado; que poderão fazer grande diferença para a situação quase deplorável em que estamos hoje em dia.

Por fim, porém mais importante que tudo, nunca se afaste demais de sua família. É tarde para salvar algumas mudanças, que virão para o bem e que em breve acontecerão, mas é cedo para diminuir a distância entre você e sua mãe. Nunca tire a razão dela enquanto adolescente for. Ela só quer uma única coisa: seu bem. Então confie, confie no que ela tem para te dizer, no quanto ela tem para te doar e reconheça. Estou aqui, próximo do aniversário de 60 anos dela, mas deprimido. Gostaria de poupar algumas palavras que foram ditas e alguns atos mal calculados. Gostaria de ter feito uma grande festa para ela em nosso aniversário de 30 anos, afinal, foram 30 anos que ela é mãe. Mas não pude. Não pude em nossos 30 anos e não pude nos 60 anos dela. Talvez presentes não sejam nada além de mercadorias, mas você perceberá que o orgulho é tudo. O sorriso e o abraço de comemoração é, na verdade, mais que tudo. E hoje você está longe. Está tão distante quanto poderia e não acredita que ela pode ser seu porto seguro e te amparar nos momentos extremamente difíceis que seu futuro te aguarda, caso tudo ocorra como ocorreu. Eu estou longe. Com orgulho, talvez, para longe dela eu fui. Orgulho para ela, orgulho para nós. Mas longe é a palavra de maior poder, quase destrutivo, para quem ama de verdade, para quem sente saudade, para quem gostaria de mandar uma carta para o passado e dizer: não se afaste, não a decepcione, não deixe de confiar e, principalmente, de amar. 

domingo, 19 de março de 2017

Um abraço feliz



O que é felicidade, alguém responde? Não? Então eu mesmo vou tentar definir em algumas palavras.

Felicidade é muita coisa. Pode ser muita, mas pode ser pouca. Pode ser sempre ou sempre que possível. Pode ficar escondida ou estampada na cara para quem quiser ver.

Felicidade pode ser um momento. É aquele momento no qual você está bem perto de pessoas que te trazem boas energias, boas risadas e ótimas memórias da infância.

Felicidade é estar ao lado de amigas ou amigos e estar feliz junto deles; Compartilhar algo indescritível e externar ele num abraço. É desejar felicidades, mais felicidade para quem já está transbordando alegria no dia do seu casamento. 

Felicidade é apertar bem forte aquela amiga de infância num mix de despedida e de boas vibrações para a nova vida. É fazer tudo isso ao lado de outras duas amigas e sentir que a felicidade transborda.

Bom, felicidade é, portanto e também, ter amigos. Simples assim.

segunda-feira, 13 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Segundo Sexo (VOl. 1) de Simone de BEAUVOIR - Dia Internacional da mulher


O que um homem pode entender do feminismo? Realmente NADA. Nós (homens) podemos ler, podemos nos simpatizar, podemos defender os direitos das mulheres, mas entender a luta, o sofrimento, o preconceito, o medo de ser mulher em uma sociedade cheia de "macho escroto", isso NUNCA vamos entender.

Não é sem motivo que Beauvoir diz: "Mesmo o homem mais simpático à mulher nunca lhe conhece bem a situação concreta" (p. 24 do livro publicado pela Editora Nova Fronteira).

Desejo para todas as mulheres uma luta cada vez mais com resultados positivos e toda a felicidade do mundo para nunca abaixar a cabeça frente a essa sociedade opressora!

O fichamento abaixo é resultado da minha seleção pessoal sobre os temas que mais me marcaram ou que são úteis aos meus estudos. Tentei colocar uma hashtag para cada citação para definir o tema central daquele trecho. Quando coloco #Filosofia, por exemplo, considero que a citação abraça mais a natureza humana e um pensamento filosófico; com #Economia marco os trechos que estão relacionados às diferenças no mercado de trabalho e as relações que a Beauvoir faz com a situação da mulher com o trabalho em geral (dentro e fora de casa ou dentro e fora da indústria, como preferirem); as outras hashtags são autoexplicativas, certo?

Ao final de cada citação coloquei a página de onde foi retirado o trecho. Para trabalhos acadêmicos que seguem as normas da ABNT, essas referência deve ficar assim: (BEAUVOIR, 2009, p. x) ou (BEAUVOIR, 2009: x) substituindo, obviamente, o 'x' pelo número da página.

Por fim, devo esclarecer que o fichamento ainda não está completo e que, mais uma vez obviamente, não dá conta da riqueza de informação que o livro da Beauvoir tem. Recomendo fortemente a leitura da obra na íntegra e não apenas frases soltas e descontextualizadas aqui no blog ou pela internet.

Referência: BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.




Introdução

#Economia
O senhor e o escravo estão unidos por uma necessidade econômica recíproca que não liberta o escravo. É que, na relação do senhor com o escravo, o primeiro não expõe a necessidade que tem do outro; ele detém o poder de satisfazer essa necessidade e não a mediatiza; ao contrário, o escravo, na dependência, esperança ou medo, interioriza a necessidade que tem do senhor; a urgência da necessidade, ainda que igual em ambos, sempre favorece o opressor contra o oprimido: é o que explica que a libertação da classe proletária, por exemplo, tenha sido tão lenta. Ora, a mulher sempre foi, senão a escrava do homem, ao menos sua vassala; os dois sexos nunca partilharam o mundo em igualdade de condições; e ainda hoje, embora sua condição esteja evoluindo, a mulher arca com um pesado handicap. (p. 21)

Economicamente, homens e mulheres constituem como que duas castas; em igualdade de condições, os primeiros têm situações mais vantajosas, salários mais altos, maiores possibilidades de êxito do que suas concorrentes recém-chegadas. Ocupam na indústria, na política etc., maior número de lugares e os postos mais importantes. Além dos poderes concretos que possuem, revestem-se de um prestígio cuja tradição e educação da criança mantém: o presente envolve o passado e no passado toda a história foi feita pelos homens. (p. 21)

#Filosofia #Outro
Efetivamente, ao lado da pretensão de todo indivíduo de se afirmar como sujeito, que é uma pretensão ética, há também a tentação de fugir de sua liberdade e de se constituir em coisa. É um caminho nefasto porque passivo, alienado, perdido, e então esse indivíduo é presa de vontades estranhas, cortado de sua transcendência, frustrado de todo valor. Mas é um caminho fácil: evitam-se com ele a angústia e a tensão da existência autenticamente assumida. O homem que constiui a mulher como o Outro encontrará, nela, profundas cumplicidades. Assim, a mulher não se reivindica como sujeito porque não possui meios concretos para tanto, porque sente o laço necesário que a prende ao homem sem reclamar a reciprocidade dele, e porque, muitas vezes, se compraz no seu papel de Outro. (p. 22)

#Economia
No século XIX, a querela do feminismo torna-se novamente uma querela de sectários; uma das consequências da revolução industrial é a participação da mulher no trabalho produtor: nesse momento, as reivindicações feministas saem do terreno teórico, encontram fundamentos econômicos; seus adversários fazem-se mais agressivos. Embora os bens de raiz se achem em parte abalados, a burguesia apega-se à velha moral que vê, na solidez da família, a garantia da propriedade privada: exige a presença da mulher no lar tanto mais vigorosamente quanto sua emancipação torna-se verdadeira ameaça; mesmo dentro da classe operária os homens tentaram frear essa libertação, porque as mulheres são encaradas como perigosas concorrentes, habituadas que estavam a trabalhar por salários mais baixos. A fim de provar a inferioridade da mulher, os antifeministas apelaram não somente para a religião, a filosofia e a teologia, como no passado ainda para a ciência: biologia, psicologia experimental etc. (p. 24)

#Economia e #Paternalismo
[...] há profundas analogias entre a situação das mulheres e a dos negros: umas e outros emancipam-se hoje de um mesmo paternalismo, e a casta anteriormente dominadora quer mantê-los "em seu lugar", isto é, no lugar que escolheu para eles; em ambos os casos, ela se expande em elogios mais ou menos sinceros às virtudes do "bom negro", de alma inconsciente, infantil e alegre, do negro resignado, da mulher "realmente mulher", isto é, frívola, pueril, irresponsável, submetida ao homem. Em ambos os casos, tira seus argumentos do estado de fato que ela criou. (p. 25)

#Filosofia
Um dos benefícios que a opressão assegura aos opressores é de o mais humilde destes se sentir superior: um "pobre branco" do sul dos Estados Unidos tem o consolo de dizer a si próprio que não é "um negro imundo", e os brancos mais ricos exploram habilmente esse orgulho. Assim também o mais medíocre dos homens julga-se um semideus diante das mulheres. (p. 26)

#Machismo
[...] ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso do que o homem que duvida de sua virilidade. Os que não se intimidam com seus semelhantes mostram-se também muito mais dispostos a reconhecer na mulher um semelhante. (p. 26)

#Machismo
Mesmo o homem mais simpático à mulher nunca lhe conhece bem a situação concreta. (p. 28)

#Filosofia (definição da perspectiva do livro)
A perspectiva que adotamos é a da moral existencialista. todo sujeito coloca-se concretamente através de projetos como uma transcendência; só alcança sua liberdade pela sua constante superação em vista de outras liberdades; não há justificativa da existência presente senão sua expansão para um futuro indefinidamente aberto. Cada vez que a transcendência cai na imanência, há degradação da existência em "em si", da liberdade em facticidade; essa queda é uma falha moral, se consentida pelo sujeito. Se lhe é infligida, assume o aspecto de frustração ou opressão. Em ambos os casos, é um mal absoluto. Todo indivíduo que se preocupa em justificar sua existência sente-a como uma necessidade indefinida de se transcender. (p. 30)

primeira parte Destino

1 Os dados da biologia

#Patriarcado
Com o advento do patriarcado, o macho reivindica acremente sua posteridade; ainda se é forçado a concordar em atribuir um papel à mulher na procriação, mas admite-se que ela não faz senão carregar e alimentar a semente viva: o pai é o único criador. (p. 40)

[...] se podemos dizer que entre os animais superiores a existência individual se afirma mais imperiosamente no macho do que na fêmea, na humanidade as "possibilidades" individuais dependem da situação econômica e social. (p. 68)

2 O ponto de vista psicanalítico

#Psicologia
O imenso progresso que a psicanálise realizou na psicofisiologia foi considerar que nenhum fator intervém na vida psíquica sem ter revestido um sentido humano; não é o corpo-objeto descrito pelos cientistas que existe concretamente e sim o corpo vivido pelo sujeito. A fêmea é uma mulher na medida em que se sente como tal. (p. 71)

3 O ponto de vista do materialismo histórico

#Filosofia
A humanidade não é uma espécie animal: é uma realidade histórica. A sociedade humana é uma antiphisis: ela não sofre passivamente a presença da Natureza, ela a retoma em suas mãos. Essa retomada de posse não é uma operação interior e subjetiva; efetua-se objetivamente na práxis. [...] Ela reflete uma situação que depende da estrutura econômica da sociedade, estrutura que traduz o grau de evolução técnica a que chegou a humanidade. (p. 87)

#Economia #Trabalho
[...] o manejo de numerosas máquinas modernas não exige mais do que uma parte dos recursos viris. Se o mínimo necessário não é superior às capacidades da mulher, ela torna-se igual ao homem no trabalho. Efetivamente, pode-se determinar hoje imensos desenvolvimentos de energia simplesmente apertando um botão. (p. 88)

#Patriarcado
Com a descoberta do cobre, do estanho, do bronze, do ferro, com o aparecimento da charrua, a agricultura estende seus domínios. Um trabalho intensivo é exigido para desbravar florestas, tornar os campos produtivos. O homem recorre, então, ao serviço de outros homens que reduz à escravidão. A propriedade privada aparece; senhor dos escravos e da terra, o homem torna-se também proprietário da mulher. Nisso consiste "a grande derrota histórica do sexo feminino". Ela se explica pelo transtorno ocorrido na divisão do trabalho em consequência da invenção de novos instrumentos. "A mesma causa que assegura à mulher sua autoridade anterior dentro de casa, seu confinamento doméstico, essa mesma causa assegurava agora a preponderância do homem. O trabalho doméstico da mulher desaparecia, então, ao lado do trabalho produtivo do homem; o segundo era tudo, o primeiro um anexo insignificante." O direito paterno substitui-se então ao direito materno; a transmissão da propriedade faz-se de pai a filho e não mais da mulher a seu clã; É o aparecimento da família patriarcal baseada na propriedade privada. (p. 88-89)

#Economia #Socialismo
Deste modo, o destino da mulher e o socialismo estão intimamente ligados, como se vê igualmente na vasta obra consagrada por Bebel à mulher. "A mulher e proletariado", diz ele, "são ambos oprimidos". É o mesmo desenvolvimento da economia a partir das modificações provocadas pelo maquinismo que os deve libertar um e outro. O problema da mulher reduz-se ao de sua capacidade de trabalho. Forte na época em que as técnicas se adaptavam às suas possibilidades, destronada quando se tornou incapaz de explorá-las, ela volta a encontrar no mundo moderno sua igualdade com o homem. São as resistências do velho paternalismo capitalista que, na maioria dos países, impedem que essa igualdade se realize; ela o será no dia em que tais resistências se quebrarem. (p. 89)

#Economia #Filosofia
Se a relação original do homem com seus semelhantes fosse exclusivamente uma relação de amizade, não se explicaria nenhum tipo de escravidão: esse fenômeno é consequência do imperialismo da consciência humana que procura realizar objetivamente sua soberania. Se não houvesse  nela a categoria original do Outro, e uma pretensão original ao domínio sobre o Outro, a descoberta da ferramenta de bronze não poderia ter acarretado a opressão da mulher. (p. 92)

#Violência #Machismo
Viola-se mais profundamente a vida de uma mulher exigindo-se dela filhos do que regulamentando as ocupações dos cidadãos: nenhum Estado ousou jamais instituir o coito obrigatório. [...] Não seria possível obrigar diretamente a mulher a parir: tudo o que se pode fazer é encerrá-la dentro de situações em que a maternidade é a única saída; a lei ou os costumes impõem-lhe o casamento, proíbem as medidas anticoncepcionais, o aborto e o divórcio. (p. 93)

segunda parte História

... ainda falta copiar muuuuuita coisa aqui. Logo estará completo, prometo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Opinião de Segunda #5: Universidade pública é possível SIM!

Opinião de Segunda #5: Universidade pública é possível SIM! O objetivo deste vídeo é para incentivar as pessoas que acham que universidade pública é só para ricos e que os pobres precisam ficar em faculdades particulares ruins, as famosas "uniesquinas". Estude que é possível entrar, SIM!

February 27, 2017 at 09:00AM

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

HQ: Mulher-Maravilha Terra Um + HQs para ler este ano

HQ: Mulher-Maravilha Terra Um + HQs para ler este ano Esse HQ é MARAVILHOSO! Ele ainda está nas bancas e isso não é propaganda paga para a Panini, é propaganda gratuita mesmo porque realmente vale muito adquirir! Se você é fã da MM, me diz o que você achou dessa edição? Você gostou tanto da arte quanto eu?

February 24, 2017 at 09:00AM

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"O circo do dr. lao" de Charles Finney - um livro de R$ 5,00

"O circo do dr. lao" de Charles Finney - um livro de R$ 5,00 Como disse no vídeo, este é um livro que encontrei naquelas lojas que vendem todos os livros por R$ 5 ou R$ 10. Se você já se deparou com esse livro e não comprou por saber se é bom ou não, descubra aí... ;)

February 22, 2017 at 02:47PM

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Projeto Marx & Engels # 1: "Crítica da filosofia do direito de Hegel" - Marx (parte 1)

Projeto Marx & Engels # 1: "Crítica da filosofia do direito de Hegel" - Marx (parte 1)

Finalmente o primeiro vídeo do projeto de leitura de Marx & Engels (com um dia de atraso, mas está valendo). Começamos com a obra "Crítica da filosofia do direito de Hegel", escrita em 1843 por Marx e publicada pela Boitempo em 2010 (2ª edição).

O vídeo ficou MUITO grande porque fiz uma apresentação sobre quem foi Marx e também sobre o contexto da obra. Além disso, resolvi dividir a leitura. Neste vídeo comento apenas até a página 72 da edição da Boitempo. O restante virá na próxima semana, ok?

Não se esqueça do nosso discurso de sempre: se gostou, dê seu like; se inscreva no canal; e, principalmente: COMENTE, por favor. Diga o que você achou da estrutura do vídeo e vamos discutir a obra de Marx para melhor entendermos seu conteúdo.

|| Livros comentados neste vídeo:
MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2010.

LÖWY, Michael. A teoria da revolução no jovem Marx. tradução Anderson Gonçalves, 1. ed., ampl. e atual. São Paulo: Boitempo, 2012.

NETTO, José Paulo (org.). O leitor de Marx. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2012.

|| Sugestões de textos e artigos sobre o tema:

Arquivo Marxista na Internet
http://ift.tt/2ktFCJE

História da Filosofia Escrito por Historiadores do Instituto de Filosofia da Academia de Ciências da URSS Capítulo V - O Idealismo Clássico Alemão
http://ift.tt/2kTO2b3

Dicionário político Hegel, Georg Wilhelm Friedrich
http://ift.tt/2ktwAfA

A ruptura de Marx com Hegel: Critica da filosofia do direito de Hegel Alessandro de Moura, doutor em Ciências Sociais pela Unesp
http://ift.tt/2kTPCJT

Tradutor de 'O capital' explica os desafios enfrentados na versão do texto de Karl Marx Rubens Enderle
http://ift.tt/2ktmHOZ

|| Redes sociais e contatos:
Facebook do canal: http://ift.tt/2gjgq2O

Instagram: @canalmarcapaginasoficial

Contato por e-mail: canalmarcapaginasoficial@gmail.com
Contato do Alex: alex.contin@gmail.com

February 1, 2017 at 08:11PM

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Grande Sertao: Veredas de Guimarães Rosa (sem E com spoilers)

Grande Sertao: Veredas de Guimarães Rosa (sem E com spoilers) Se você não quer spoilers, fique tranquila ou tranquilo, eu dei um tempo para você sair do vídeo antes de falar. Não tinha como eu não falar do livro sem falar desses spoilers porque são surpreendentes!!! Como disse no vídeo, indico a leitura mas saiba que ela é bem difícil. A linguagem usada pelo Guimarães Rosa é surpreendente. Não consigo imaginar como é possível construir um livro, que na verdade é um diálogo (praticamente monólogo), todo baseado na linguagem oral dos sertanejos brasileiros da região de Minas Gerais, Bahia e Goiás. É realmente sensacional, porém, bem difícil e em alguns momentos cansativo. Me diga o que você achou do livro e se você também teve dificuldade para ler? Quero muito saber a opinião de outros leitores deste clássico da literatura brasileira. Se não ficou claro no vídeo: eu AMEI a leitura, embora tenha achado ela muito complicada e a questão do Diadorim tenha me incomodado um pouco...

January 27, 2017 at 12:00PM

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Claro Enigma (Drummond) & No longe dos Gerais (N. Cruz)

Claro Enigma (Drummond) & No longe dos Gerais (N. Cruz) Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade Companhia das Letras (2012) Literatura Cásper - Claro Enigma Profª Drª Mei Hua Soares https://www.youtube.com/watch?v=SsLt_JNh0u4 No longe dos Gerais - Nelson Cruz Cosac & Naify (2004) Atualizações do projeto de leitura de Marx & Engels: Projeto de Leitura Marx & Engels A teoria da revolução no jovem Marx - Michael Löwy Boitempo (2015) O leitor de Marx - José Paulo Netto (org.) Civilização Brasileira (2012)

January 26, 2017 at 01:04AM

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

[Resenha] Vidas Secas, de Graciliano Ramos | Projeto USP 2017


"Vidas secas" é um livro. Uma dessas coisas cheia de papel. Quem escreveu esse negócio foi um tal de Graciliano Ramos, um senhor igual o Seu Tomás da bolandeira. Esse Seu Graciliano é cheio de palavras e conseguia falar bonito com as pessoas. Até por favor ele devia pedir, mas isso não é certo, tem que mandar, não pedir favor.

Seu Graciliano da Vidas Secas deve ter uma cama boa. Igual aquela que Sinha Vitória quer. Sinha Vitória não aguenta mais dormir na cama de vara por causa de um nó que tem bem no meio dela. Eu e ela temos que dormir cada um de um lado, senão dói as costas.

Me disseram que Seu Graciliano estudou na escola do Modernismo. O que seria isso? Se o filho mais velho ouvisse essa palavra "Modernismo" ia achar mais bonita que "inferno", certeza. "Modernismo". Esse filho é um bicho curioso. Nem sabe falar, mas fica fazendo perguntas! Por isso que toma uns cascudos na cabeça e sai emburrado como um boi contrariado. Cascudo na cabeça também toma quem assiste ao vídeo e não se inscreve!

Esse Seu Youtubil deixa as coisas tão fáceis. É só clicar no botão de se inscrever. Não precisa de nada mais e ninguém vai pisar no seu pé e te botar na cadeia como fez o maldito soldado amarelo. Esse soldado deve estar lá, seco que nem o mandacarú em tempo de seca, procurando água no meio do sertão. Vontade de dar cabo nele, mas governo é governo.

Então, você aí, se inscreve. Escreve também um comentário para dizer o que você achou da seca nesse sertão e da Baleia, que Deus a tenha. I created this video with the YouTube Video Editor (http://www.youtube.com/editor)

January 5, 2017 at 12:00PM

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

[Resenha] O Cortiço, de Aluísio de Azevedo | Projeto USP 2017



Para quem assistiu ao vídeo de "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, já foi apresentado à escola literária do Realismo. Este livro, "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo, é contemporâneo de Machado e tão bom quanto (senão melhor?).

Publicado em 1890, "O Cortiço" faz parte do Naturalismo. Ué... não era realismo, Alex? Sim e não. O ano de 1881 foi marcado tanto pelo surgimento do Realismo quanto do Naturalismo. Este teve como marco inicial na literatura brasileira a obra "O Mulato", também do Azevedo. A USP, no entanto, cobra "O Cortiço" em sua leitura obrigatória e é fácil de entender o porquê.

No vídeo eu li um trecho de meus estudos sobre a escola literária e naquele texto foi dito como o Naturalismo explora os vícios e os defeitos do homem, reduzindo este ao seu caráter animalesco. "O Cortiço" é isso e muito mais! A coletividade está presente assim como as análises psicológicas, a influência do meio no indivíduo e muito, muito mais!

O final, gente, é SENSACIONAL e muito marcante. Mas não é só o final não que é marcante: o "fim" de Pombinha também é genial!!!! Você já leu "O Cortiço" e lembra como foi o fim que Aluísio de Azevedo deu para essa "florzinha" doce e inocente???? Se sim, o que você achou? Te surpreendeu também? Genial, não é? A crítica feita a sociedade carioca do final do século XIX é muito ferrenha.

A visão que o autor tem do que é ser brasileiro pode até irritar um pouco, mas será que ela é exagerada? Como mencionado no vídeo, o Naturalismo é caracterizado por uma visão de "fora para dentro", ou seja, o meio influenciando o homem - e é justamente isso que veremos ao longo de quase todo o livro. Concorda? Assim como "Memórias póstumas...", de Machado, "O Cortiço" de Azevedo é uma leitura essencial para aquelas pessoas que gostam de enxergar a sociedade sem a fantasia e as cores em tons pastéis do romantismo.

Portanto: LEIA!!!!!! E depois me diga o que você achou, combinado?

 I created this video with the YouTube Video Editor (http://www.youtube.com/editor)

January 4, 2017 at 12:00PM