segunda-feira, 23 de março de 2009

Brasil não deve crescer, diz Fiesp

Para presidente de entidade, o pior da crise ainda não chegou
22 março 2009

A crise ainda não foi dimensionada e a perspectiva lógica para o Brasil é de estagnação do crescimento. As afirmações são do presidente da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Durante o evento Ação Global, promovido pelo Sesi, ontem, na Centro Municipal de Eventos, Skaf falou sobre o Produto Interno Brasileiro (PIB), a produção industrial e o difícil crescimento do País este ano.

Em entrevista coletiva, o presidente da Fiesp expôs números e perspectivas sobre a dificuldade do crescimento positivo do Brasil este ano. Segundo ele, para ter um crescimento de 0% em 2009, o Brasil terá que ter uma produção igual a de junho de 2008, época em que a economia estava bem aquecida. Os dados dependem dos números do PIB do primeiro trimestre deste ano.

Alegando ter uma postura realista, Skaf explicou que a possibilidade é que o PIB feche com uma queda de 0,5% neste primeiro trimestre. "Nesse caso, o País terá que registrar um crescimento de 1,4% nos próximos três trimestres de 2009 para conseguir fechar o ano com um crescimento de 0%."

O pior da crise, segundo ele, ainda não passou. "Gostaria muito de pensar que o pior da crise já passou, mas os países grandes que detêm a maior parte do PIB mundial ainda vão piorar esse ano e não dá para pensar que o mundo vai ruim e o Brasil não", diz.

Ele ainda defendeu que é preciso atitudes mais fortes para ajudar na superação da crise. Segundo Skaf, a taxa básica de juros do País poderia ficar entre 7% e 8% e o corte autorizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de 1,5% foi muito pouco frente às necessidades do País. "Juros altos contribuem para aumentar o desemprego", explica.

INDÚSTRIA
Na questão da indústria, a situação não é melhor que a do PIB. A queda da produção industrial nos primeiros meses de 2009 é preocupante. Para também registrar um crescimento de 0%, ou seja, ficar no mesmo patamar de 2008, as indústrias terão que ter um aumento de 35,9% da sua produção até dezembro .

Skaf diz que os setores que mais sofreram com a crise foram os que dependem de crédito para financiar a produção. "A crise veio ao Brasil através do sistema financeiro, provocou queda no PIB e o corte de 1 milhão de postos de trabalho em todo o Brasil", comenta.

Félix reclama de queda de repasses
Durante a entrevista de Skaf, quem aproveitou para se justificar foi o prefeito de Limeira Silvio Félix (PDT).

Félix afirmou que a crise aumentou as responsabilidades da prefeitura. Com as dificuldades financeiras passadas pela população, muitas pessoas migraram dos serviços particulares para o público. "As responsabilidades da prefeitura aumentaram em 20%, são as 25 mil pessoas que vieram para o Sistema Único de Saúde (SUS) e aquelas que foram para as creches públicas", comentou.

Além desse fator, Félix também reclamou do pouco repasse de verbas da União. "A crise reflete na redução de verbas que vem para o município", indaga. Skaf fez coro com o chefe do executivo municipal dizendo que apenas um terço de toda a arrecadação nacional é destinada para os estados e para os municípios.

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