quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tudo eu, tudo eu...

Você está com dor de barriga e não consegue comprar um remédio? Eu sei quem é a culpada.

Você quer trocar aquela geladeira que está com a porta toda estourada e por mais um mês vai deixar o plano para o próximo pagamento? Eu já sei de quem é a culpa.

Você está estressado e não sai mais para cinemas ou loca algum DVD? A culpada é a mesma.

Tudo virou culpa da crise. Sem dúvida alguma, ela afetou a economia de forma generalizada, mas muitos colocam a culpa nela, sem uma boa justificativa. Os comentários que circulam são justamente esses. Muitas pessoas estão usando como desculpa os efeitos da crise para demitir funcionários e tentar lucrar um pouco mais com um pouco menos de custos.

A folha de pagamentos da empresa é, claro, uma das afetadas. Essa semana a Caterpillar, multinacional instalada em Piracicaba, conseguiu um acordo com os funcionários. Por unanimidade, os trabalhadores do setor administrativo e da linha de produção irão trabalhar quatro e cinco dias na semana, respectivamente, a partir de março. A medida, embora tenha sido acordada por três meses, a expectativa da empresa é que consiga recuperar-se e fazer com que os colaboradores voltem para as máquinas e escritórios já em abril.

Após a recusa do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira de fechamento de um acordo parecido para os trabalhadores da ArvinMeritor, os sindicalistas piracicabanos deram exemplo de bom senso e preocupação com os trabalhadores da cidade. SÓ QUE, há uma diferença fundamental entre os dois casos. De acordo com o assessor de imprensa do sindicato de Piracicaba a empresa mostrou documentos oficiais que comprovaram a queda da produção desde que as negociações começaram.

O Jornal de Piracicaba noticiou o fato esta quarta (4). A notícia dava conta de que a negociação durou uma semana. Mais uma vez a medida foi tomada para evitar demissões, que inclusive já tinham sido anunciadas pela multinacional antes de o acordo começar as discussões.

Já em Limeira é possível, agora, ficar em cima do muro. Que o sindicato foi radical ao negar a proposta do sindicato isso não há dúvidas. De acordo com todas as notícias que foram publicadas, a negociação acabou com a recusa do sindicato em aceitar os 20% de redução salarial e 40% da jornada de trabalho - o que corresponde a dois dias da carga horário dos trabalhadores.

A Caterpillar propôs 20% a menos na jornada. O acordo foi fechado com um pouco menos da metade. E em Limeira? Foi proposto uma carga maior que a que a empresa queria que seus funcionários trabalhassem? O sindicato só fala que não volta atrás por que NÃO ACEITA REDUÇÃO DE SALÁRIO. Eles recusaram, mas deram outras ideias ou alternativas para a empresa? Em um informe publicitário que circulou na semana passada, o sindicato falou que a empresa não deixou que realizassem assembleias em negociações anteriores, mas nada falou se tentou ou não ouvir os seus sindicalizados. Atacou, mas não esclareceu.

Já a empresa, apesar de atender a imprensa, colocar três funcionários junto do diretor de Recursos Humanos para esclarecem sua posição, não deu a devida prova de que realmente precisava realizar tal medida. Uma coisa é fato, quando se quer convencer alguém a vir para o seu lado, o máximo de argumenos que se usar, melhor. Mostrar documentos, balanços ou qualquer outro tipo de dado que comprovasse que os pedidos não são suficientes para cinco dias de produção seria um cheque-mate para a opinião pública e não teria deixado os trabalhadores com posições distintas, como o sindicato alega.

Ok, dois lados, duas justificativas. Sindicato versus Meritor, e na plateia trabalhadores, familiares e empresários esperançosos por um final feliz. De um lado uma posição política ferrenha e antiquada, do outro interesse no lucro.

Não que isso seja uma luta de boxe, até por que se fosse estaria num intervalo muito prolongado e os próximos golpes podem sair para fora do ringue. Quando se pronunciou para o público, a ArvinMeritor disse que "forçosamente" irá adotar medidas para conter os gastos. As demissões não são descartadas. Nem na Caterpillar estão, mesmo com o acordo. O que vem na próxima página.

Um comentário:

Guilherme Lotufo disse...

Infelizmente limeira conta com um sidicato dirigido pelo PT da ala "radical". Não querem e nem pensam em propor nada, apenas querem reclamar e protestar!!!

Amam Fidel, idolatram Hugo Chavez. Lamentavelmente em limeira, contamos pessoas com pensamentos tão atrazados como estes, que por sinal, estão todos com seus empregos garantidos, além de bolsas e cartões corporativos, já que o PT, todo mundo conheceu como funciona. Protestar e debater, só da porta da rua pra fora, porque em casa, todos estão cada vez mais ricos, explorando o pobre empregado que depende de salário para sustentar família e não conta com bolsas nem cartões.

Enquanto houver membros do PT em sindicatos em limeira, nunca haverá negociações "ponderadas", tentando ser racionais e buscando soluções que não afetem tantos aos empregados.

E é este o motivo que fará ainda esta empresa a sair de Limeira. Mais uma vez, limeira perderá... e depois escutaremos o PT e o sindicato dizendo que limeira parou no tempo, e estarão protestando contra a falta de investimentos na cidade.

Até quando esta velharia e museu políticio ideológico estará entranhado em nossa sociedade? Onde eles não estão presentes, os empregos estão crescendo.

Só nos resta esperar que todos os funcionários não se esquemcam de quem está causando a perda de seus empregos, na hora da eleição!!!!