quinta-feira, 17 de maio de 2012

Keynes em tópicos por ele mesmo

Devo ter comentado que tudo me pareceu mais agradável que estudar Keynes, mas, apesar de ainda não ter acabado de ler todos os capítulos indicados na aula de Macroeconomia, vou tentar colocar os principais pontos e definições que ele faz em sua Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.

Desempregos admitidos para os economistas clássicos:

Desemprego voluntário: “devido à recusa ou incapacidade de determinada unidade de mão-de-obra em aceitar uma remuneração equivalente à sua produtividade marginal, em virtude da legislação, dos costumes sociais, de uma coligação para efeitos de contrato coletivo de trabalho, ou ainda, da lentidão a adaptar-se às mudanças ou, simplesmente, em consequência da obstinação humana.” (p. 36)


Desemprego friccional: imperfeições que são obstáculo para o pleno emprego, como exemplifica Keynes essas barreiras podem ser: desproporção dos recursos especializados, atrasos decorrentes de mudanças imprevistas;

         Determinação do emprego na Teoria Clássica
Para os economistas clássicos o volume de emprego determinado pelo ponto de intersecção entre as curvas de demanda e de oferta, ou seja, entre o quanto o capitalista quer vender e o quanto o trabalhador cobra para ter o desprazer de trabalhar. Isso pressupõe que tanto trabalhador quanto capitalista têm condições iguais de determinar o nível de emprego

Porém, ele mostra que isso não é válido e faz duas objeções: 1ª) quanto ao comportamento dos trabalhadores – ele considera que é impossível que um trabalhador desempregado se recuse a um emprego só porque houve redução de salários reais; 2ª) é contestada a hipótese de que o nível geral dos salários reais é determinado pelas negociações salariais já citadas – Keynes diz que são “outras forças que primordialmente determinam o nível geral dos salários reais” (p. 42). Frente a essa oposição aos clássicos ele afirma:


“Há desempregados involuntários quando, na eventualidade de uma ligeira elevação dos preços dos bens salariais relativamente aos salários nominais, tanto a oferta agregada de mão-de-obra disposta a trabalhar pelo salário nominal corrente como a procura agregada da mesma ao dito salário sejam superiores ao volume de emprego existente.” (p. 44) 


Custo de fatores: montantes pagos pelos empresários aos fatores de produção por seus serviços habituais; É também considerado a renda dos fatores de produção;
Custo de uso: montantes que o empresário paga a outros empresários pelo o que ele compra, “juntamente com o sacrifício que faz utilizando o seu equipamento em vez de o deixar ocioso” Keynes diz em na terceira nota de rodapé que esse custo depende do grau de integração da indústria e da importância das compras que os empresários realizam entre si.
Lucro ou renda do empresário é “a diferença entre o valor da produção resultante e a soma do custo de fatores e do custo de uso.
Renda total ou renda agregada do emprego oferecido pelo empresário é custo de fatores + lucro, é também chamada de produto do determinado nível de emprego considerado.

O volume de emprego depende do nível de receita que os empresário esperam receber da correspondente produção. “O volume de emprego é determinado pelo ponto de interseção da função demanda agregada e da função da oferta agregada [dadas a condições de produtividade específicas], pois é nesse ponto que as expectativas de lucro dos empresários serão maximizadas.” (p. XX)

- expectativas de curto prazo: relaciona-se com o preço que um fabricante pode esperar obter pela sua produção “acabada”, no momento em que se compromete a iniciar o processo que o produzirá, considerando que os produtos estão acabados quando prontos para serem usados ou vendidos a outrem; expectativas relativas ao custo da produção em diversas escalas e expectativas relativas ao produto da venda desta produção;
- expectativas de longo prazo: refere-se ao que o empresário pode esperar ganhar sob a forma de rendimentos futuros, no caso de comprar produtos acabados para os adicionar a seu equipamento de capital.
- propensão a consumir é o consumo medido em unidades de salário (Cw) em função da renda medida em unidades de salário (Yw):
Cw = X(Yw) ou C=W.X(Yw)
“O montante que a comunidade despende com o consumo depende, evidentemente: i) em parte, do montante do seu rendimento; ii) em parte, das outras circunstâncias objectivas atinentes; e, iii) em parte, das necessidades subjectivas, propensões psicológicas e hábitos dos indivíduos que a compõem, bem como dos princípios que governam a repartição do rendimento entre eles (que podem sofrer alterações com o aumento da produção).” p. 108



            - Lei psicológica fundamental:  diz que “os homens estão dispostos a aumentar o seu consumo quando o seu rendimento cresce, embora não no mesmo grau em que aumenta o seu rendimento” (p. 113), ou seja, as variações de Cw e Yw terão sempre o mesmo sinal, mas ΔCw é sempre menor que a ΔYw. Por isso ocorrer, Keynes considera que a poupança deve crescer, uma vez que nem toda renda acrescida será consumida. Ocorre também variações de iguais valores, mas proporções diferentes entre a poupança e a renda medida em salários.


          - multiplicador: “estabelece uma relação precisa entre o emprego e o rendimento agregados e o fluxo de investimento” (p. 128). “O multiplicador diz em que proporção terá de aumentar o emprego para provocar um acréscimo no rendimento real suficiente para induzir o público a realizar uma poupança adicional, e é função das suas propensões psicológicas” (p. 132)

        - Eficiência Marginal do Capital. “Mais precisamente, defino a eficiência marginal do capital como sendo a taxa de desconto que faria com que o valor presente da série de anuidades dadas pelos rendimentos esperados desse capital durante toda sua existência fosse exatamente igual ao seu preço de oferta” (p. 147) Quando há muitos investimentos num mesmo setor, EMgK tende a diminuir porque a oferta nesse setor aumenta muito diminuindo a expectativa de rendimento e também porque a pressão da demanda pelos bens de K desse setor faz com que aumente o seu preço.


        - "Risco do empresário ou mutuário e surge das dúvidas que o mesmo tem quanto à probabilidade de obter efetivamente a retribuição prospectiva que espera. Quando alguém arrisca o próprio dinheiro, esse é o único risco que é pertinente.” (p. 154);

        - Risco do mutuante: “Este pode dever-se ou a um risco moral, isto é, um inadimplemento voluntário ou qualquer outro meio, eventualmente lícito, de fugir do cumprimento da obrigação, ou à possível insuficiência da margem de segurança, isto é, um não cumprimento involuntário causado por uma expectativa malograda.” (p. 155)



        - estado da expectativa a longo prazo“o nosso método habitual consiste em tomar a situação actual e projectá-la para no futuro, modificando-a apenas na medida em que tenhamos razões mais ou menos precisas para esperarmos uma alteração” (p. 158)

        - estado de confiança: O estado da expectativa a longo prazo depende também da confiança com que é feita o prognóstico, ou seja, “da maior ou menor convicção com que encaramos a eventualidade de o nosso melhor prognóstico se revelar rendondamente falso” (p. 158) – também chamado de estado de confiança. Sua importância está no fato de que ele afeta a curva da EMgK.

        - Convenção: “A essência desta convenção (...) reside em pressupor que o estado de coisas existentes continuará por tempo indefinido, a não ser que tenhamos razões específicas para esperar uma mudança” (p. 161)

        - Especulação é a “atividade que consiste em prever a psicologia do mercado” e a medida que progride a organização dos mercados de investimento, aumenta o risco de um predomínio da especulação.

        - Animal Spirit: “Na maior parte dos casos, provavelmente, quando decidimos fazer algo positivo cujas consequências finais só produzem os seus efeitos passado muito tempo, só o fazemos impelidos pelos espíritos animais – por um impulso espontâneo para agir, em vez de não fazer nada –, e não em consequência de uma média ponderada de benefícios quantitativos multiplicados pelas respectivas probabilidades quantitativas” (p. 169)

        - Taxa de Juro: “Com efeito, em si, a taxa de juro mais não é do que o inverso da relação existente entre uma soma de dinheiro e o que se pode obter desistindo do controlo sobre esse dinheiro em troca de uma dívida, por um prazo determinado (...) (é) a recompensa da renúncia à liquidez (...) É o preço que estabelece o equilíbrio entre o desejo de manter a riqueza em forma líquida e a quantidade de moeda disponível” (p. 174-5)

        - Motivações para um agente preferir a liquidez: transação, precaução e especulação.

        - Relação causal entre taxa de juros e oferta de moeda: “Regra geral, podemos supor que a curva da preferência pela liquidez que relaciona a quantidade de moeda com a taxa de juro é uma curva contínua ao longo da qual a taxa decresce à medida que a quantidade de moeda aumenta.” (p. 178)

        Taxa de Juros para a Teoria ClássicaA tradição clássica considera a taxa de juro o “fator que leva ao equilíbrio entre a procura de investimentos e a disponibilidade para poupar” (p. 182) A poupança é a oferta de recursos e o investimento é a demanda por recursos, sendo assim a taxa de juro é o fator que torna os dois fatores iguais. Essa taxa é ficada no ponto em que ocorre essa igualdade.



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