terça-feira, 13 de outubro de 2009

VIDA REAL - Na frente das carteiras


Numa tarde de dia de semana, com shots azul marinho e na camiseta branca o mapa do Brasil seguido do nome do país, cadernos e estojos na mochila ainda pequena, e uma vontade enorme de voltar para o carro, para debaixo das asas da mãe. Depois de passos curtos na praça em frente à escola, olhos marejados, vendo lá longe aquela bancária apressada atrás do volante, o que vinha pela frente eram 15 anos sentado em carteiras escolares. Ainda está claro na memória o primeiro dia do Ensino Fundamental.

O dia em que várias crianças com menos de dez anos, sentadas nas carteiras amarelas da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau "Brasil", estavam ansiosas pelas aulas da primeira série. Com lápis novos, cadernos limpos, e o material indicado na lista dada pela secretaria da escola e a vontade era de aprender. Como flashes de filmes, vêm à memória a imagem de várias crianças sentadas em seus novos lugares, algumas distribuindo fotos até do cachorro em cima da mesa, porta-lápis e estojos, ou organizando as canetas de cores diferentes ao lado dos lápis pretos e apontadores de caixinha. Ainda nesse ambiente, na porta da classe a professora conversava com uma outra pessoa e ouvia o pedido de mais de um aluno para que a aula começasse logo.

Das carteiras para a frente delas. Depois de debutar na escola e na faculdade e conseguir o diploma de jornalista, passo diariamente pela experiência de contar com a ansiedade de diversas crianças. No lugar de aprender a escrever e a ler, essas meninas de sete a 10 anos, querem mesmo é sair dançando como grandes bailarinas brasileiras, como a Barbie um um de seus filmes ou como aquelas personagens principais dos balés de repertório que assistem durante o curso de dança no Centro Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura. Independente da disciplina, lugar ou da estrutura da sala de aula, ser professor é lidar todos os dias com o futuro de seres que colocam na figura do educador a confiança e a crença de que serão esses profissionais que os levarão a ser alguém algum dia.

As adversidades aparecem junto do meio social na qual a escola está inserida ou da vida que os alunos têm fora da classe. Muitas crianças levam a violência que sofrem e presenciam em casa para dentro da sala de aula ou se dispersam em conversas e brincadeiras infantis - afinal estão juntas de outras crianças e este parece ser um momento em que podem ser o que são e não conviver com a realidade à qual precisam enfrentar. Ser professor hoje em dia parece ser uma batalha pela atenção das crianças, ou uma manutenção constante do amor pela licenciatura. Independente do que se leciona, todo professor contribui para um cidadão do futuro. Parabéns a todos os professores.

Um comentário:

Mr. Bruno Pacolla disse...

Ser professor, nos dias de hoje, é ser um mediador do conhecimento, amigo e educador. Profissão tão linda, pouco reconhecida e mal paga.