segunda-feira, 18 de março de 2013

Descontrações durante a pesquisa

Hoje dei um primeiro passo na minha pesquisa de campo do mestrado. Para fazer a análise de como as revistas Veja, IstoÉ, Época e Carta Capital noticiaram as privatizações durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), terei que "fichar" todas as revistas do período de 1995 a 2003. Um trabalho braçal que já percebi que vai ser cansativo.

Apesar disso, acredito que algumas notícias do passado, além de trazerem a tona algumas pautas interessantes, também são bem engraçadas hoje em dia. Exemplo disso é essa nota de tecnologia publicada na Carta Capital de 16 de outubro de 1996: "roller mouse"!


Pelo menos vou dar risada enquanto caço notícias...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia internacional da hipocrisia midiática



O dia da mulher é o dia da hipocrisia da grande massa. Um dia conveniente para a política e cheio de pautas na mídia. Dia fácil para encher os programas de televisão com uma valorização exacerbada que é feita apenas um dia do ano e amanhã volta tudo ao normal.

Que mulher deve receber os parabéns ou um desejo sincero de felicidade hoje? Aquela mulher que pega uma bandeira da independência, mas chegou até esse falso topo dentro de uma família muito bem estruturada financeiramente? Ou aquela mulher que ainda mora com os pais, passou por escolas particulares e chegou na pós-graduação de uma universidade pública bancada pelos pais ou sem precisar se desdobrar entre filhos e casa?

Os parabéns deveriam ir para aquelas mulheres do passado e não para toda e qualquer mulher do presente. Deve ir para aquela primeira mulher reclamou o direito ao voto; aquela que conseguiu uma vaga numa universidade ou uma vaga de emprego com salários iguais. Deve ir para aquela mulher que hoje que pega dois ônibus para ir trabalhar e deixa para trás três filhos ou netos em casa e a tarde volta para seu segundo emprego não-formal sem receber nenhuma ajuda de seu marido ou de seus filhos. Essa sim é uma mulher que deve ser valorizada nos dias de hoje.

Posso estar tremendamente errado, mas acredito que há uma banalização desses “parabéns, mulher guerreira”. Hoje a vida não é a mesmo da do século XIX e de grande parte do XX. A independência feminina, para a maioria, não é mais conquistada com esforços fenomenais que realmente lhe deem o título de “guerreira”. Me parece fácil adquirir sua independência financeira e pessoal. E essas independências requerem os mesmos esforços tanto para homens quanto para mulheres.

A tecnologia mudou tanto a vida das pessoas e a sociedade evoluiu tanto em alguns pontos que não é mais preciso movimentos sociais nas ruas para se conseguir voto ou emprego. A mulher e o homem trabalhadores simplesmente levantam, com igualdade, e vão a luta nesse sistema capitalista que explora indivíduos sem ver cara nem coração.

Agora, apesar de tanta evolução e sofisticação, ainda tem lares que continuam nos moldes de 100 anos atrás. Há homens que tratam mulheres movidos pelos seus instintos sexuais mais primitivos. Que chegam em casa e não ajudam a lavar sequer a louça que está na pia e, quando pior, que espancam suas mulheres. No lugar de dar parabéns e ficar vangloriando qualidades femininas que são meros clichês, os jornais, televisões e redes sociais deveriam cumprir seu (muitas vezes falso) papel de porta voz da sociedade e de educador e mostrar os casos de mulheres que conseguiram se libertar dos grilhões de um casamento violento e/ou de uma família extremamente tradicional e preconceituosa. Exibir exemplos motiva quem ainda está nessa situação. Mostrar que há um caminho possível e que há meios legais e sociais para que todos tenham uma vida digna – dentro das possibilidades de dignidade que o capitalismo permite – faz parte da obrigação da mídia.

É, infelizmente, impossível mudar a vida da grande maioria quando a mídia continua divulgando a imagem de uma mulher submissa nas novelas e de uma mulher hipócrita nas reportagens especiais no dia de hoje.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Criatividade nordestina

Como se diz: se você viu um shopping, já viu todos! Algo que sempre sinto falta em shoppings de praia é algo da cultura local. Não um restaurante de comida típica e nem uma feira de artesanato, mas sim uma loja com produtos mais sofisticados, personalizados e diferentes. Mas, como disse no começo, só vemos McDonalds, Subway, C&A, Renner, Vivara e etc.

Enfim encontrei uma iniciativa muito legal aqui em Alagoas. No meio de todas aquelas lojas que ficamos cansados de ver em todo e qualquer shopping, encontrei uma loja chamada Freaks. A loja lembra as camisetarias de SP e o site Threadless: eles vendem camisetas e cuecas com estampas personalizadas para o povo nerd, geeks ou sei lá qual o nome dessa tribo.

No Nordeste eles possuem duas lojas até o momento. Uma no Maceió Shopping, antigo Iguatemi, e outra em Aracaju/SE. Segundo a atendente daqui de Maceió as estampas das camisetas são sugeridas até por clientes (assim como o site Threadless). Vi algumas das estampas e achei muito divertidas. Além das camisetas ainda vendem bottons, cuecas, anéis, pingentes e almofadas, além de outros itens que não lembro.

É uma dica que vale a pena conferir e um negócio que eu gostaria de investir quando tiver dinheiro.

Para quem quiser conferir, o site da loja é www.freaks.com.br; facebook.com/usefreaks.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Marechal Deodoro/AL

Como hoje o dia foi cansativo vou deixar as fotos dos patrimônios históricos da cidade de Marechal Deodoro em Alagoas falarem por mim. O passeio longe da praia e muito bonito. São aquelas típicas casas coloridas e muitoas construções antigas e históricas. Além disso, a vista do lago Muçurana (acho que é este o nome) é divina.

Quando eu voltar para meu notebook tento organizar todas as fotos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Siga as dicas...

Se alguém lhe disser: "Entre na água de chinelo por causa das pedras e dos corais do mar de Alagoas", ENTRE!

É redundante dizer que as praias daqui são lindas, já disse isso antes. A água é cristalina e de longe é possível enxergar os lugares onde a profundidade é maior ou menor. Melhor que essa água cristalina é poder enxergar recifes de corais cheios de peixes. Uns óculos adequados e um snorkel são suficientes para ver corais roxos, vermelhos e peixes de várias cores e estampas.

Porém, junto dessas maravilhas estão os ouriços do mar e algumas pedras cortantes. De pé é difícil identiricar se você está olhando para um buraco da rocha ou para um desses ouriços. Mas acredite: é melhor ver de pé e ficar na dúvida! Falo isso porque me deparei com vários ouriços enquanto estava boiando e nadando tranquilamente entre corais, rochas e peixes. Quando me dei conta todo o solo estava cheio de ouriços e como a maré estava baixa meu corpo não devia estar nem a 30 cm do chão. Entrei em desespero, mas não tinha como ficar de pé e sair dali andando. Tampouco eu podia deixar de nadar ou deixar qualquer parte do corpo afundar senão sairia como uma peneira de lá. Nadei rápido pra frente até fugir desse pesadelo.

Mas e pra voltar? Eu havia passado pelos corais e por aquela fazenda de espinhos, mas não tinha ideia de como sair de lá! E para melhorar minha situação eu ainda estava de pé de pato, ou seja, ou eu nadaria ou voltaria andando de ré! Optei por andar de costas porque minha barriga não é das mais saradas para ficar a 30cm de ouriços!

Depois disso tudo ainda resolvi tentar atravessar esses corais descalço para nadar até outro paredão de lava vulcanica que dividia as piscinas naturais da Praia do Francês das ondas fortes do oceano. Até consegui  nadar até o paredão, mas claro que a ideia de ir descalço não deu certo. Em algum momento, mesmo olhando muito bem onde eu pisava, tive a feliz experiência de pisar em um desses ouriços!  Na hora que nadei doeu, na hora que sai do mar também doeu, mas na hora de tirar os espinhos só não doeu poque consegui tirar uns três só, os outros 15 ou 17 continuam no meu pé a espera de uma expulsão pelo meu corpo! Pelo menos são espinhos muito pequenos, mas são quebradiços e qualquer tentativa de tirá-los pode afundar aindA mais. Agora não dói mais, ando normalmente, mas é como se eu estivesse com uma pedra não pontuda no chinelo... Não sei se a explicação é essa, mas é como sinto meu pé ao caminhar.

Moral da história: pé de pato nao ajuda a fugir de ouriços do mar e entrar na água com um chinelo ou galocha é uma ótima ideia!

Papel de parede

Vai me dizer que este não é um papel de parede inspirador? Melhor ainda é quando a foto é feita por você.

Fotos fáceis

Depois de um semestre turbulento com direito a 24 créditos na graduação e um processo seletivo para o mestrado do Labjor, finalmente um descanso merecido!

A Praia do Francês, na cidade alagoana de Marechal Deodoro, e as praias da capital Maceió, são lugares incríveis pela facilidade que se tem de tirar fotos dignas de cartões postais. Para qualquer lugar que se aponte a lente da câmera não há erros, se a imagem não sair embaçada e sem foco, com certeza terá uma daquelas imagens para se colocar no papel de parede do computador ou do celular.

Nessa época de carnaval alguns turistas podem até estragar essas paisagens co a porquice que lhes é habitual, mas hoje mesmo vi um gari da prefeitura recolhendo a falta de educação alheia.

Ficam alguns registros que fiz por aqui:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Duas revoltas, uma resposta e um comentário pessoal

Me revoltei com esta entrevista, mas ao mesmo tempo ela me fez admirar ainda mais a Marília Gabriela:



Hoje comentei sobre este vídeo no meu estágio e me deparei com duas das quatro pessoas da sala com a opinião exatamente igual à deste pastor. Ouvi: dois homens e duas mulheres "não é normal" e dois homens e duas mulheres não são capazes de criar uma criança porque não vão ter a presença/papel/educação do pai e da mãe. Desisti de discutir depois de alguma relutância...

A caminho do ponto de ônibus parei com uma colega do trabalho na cantina da Faculdade de Educação e uma professora que estava num intervalo de banca ouviu nossa revolta e me indicou esse vídeo:



Fiz questão de comentar:

"É incrível como o medo de uma mudança na sociedade faz pessoas não esclarecidas a correrem para as palavras da bíblia e usar um texto antigo e não atualizado para explicar o século XXI !!!! Defender este tipo de visão pautada apenas na religião contribui e muito para a permanência do machismo e da violência contra gays! A sociedade muda, os gays estão ganhando espaço, estão adquirindo mais direitos e respaldo legal: isso amedronta conservadores que usam falsos estudos como o tal pastor!!!

"Adorei sua resposta Eli! Infelizmente encontrei dois colegas de trabalho com a mesma visão do pastor Silas. Achava que pessoas deste tipo estariam longe de mim, mas estavam ao meu lado todo esse tempo. Uma dessas pessoas, inclusive, riu quando citamos Freud dizendo que ele se drogava e por isso não tinha credibilidade suficiente. O engraçado é que o pastor, antes dessa conversa preconceituosa, sequer disse qual era o uso do dinheiro de seus fieis e caiu em contradição com a sua ""prosperidade""!"

Realmente o mundo está mudando e algumas barreiras estão sendo fortemente combatidas e quebradas. A oposição conservadora e amedrontada vai continuar, mas acredito que não há mais volta. Ninguém vai tirar os direitos adquiridos pelos gays pelo mundo sem encarar acusações de tirania e intolerância; e todos vão ver crianças criadas por essas novas famílias muito bem colocadas na sociedade. São minhas esperanças e minhas crenças para o futuro, um futuro que quero ver e defender com unhas e dentes até quando puder.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Novo blog

Sei que eu deveria estar focado em revisões de projetos, novas bibliografias e artigos para o mestrado, mas resolvi tentar fazer mais um blog. Desta vez sobre minha dificuldade para emagrecer! Olha que novidade! Hahahahahah

Segue o link para quem se interessar: Uma Dieta atrás da outra


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

"Discurso comunista do passado..."

Pude perceber hoje, por meio do Jornal da Cultura, a imagem que uma certa elite tem de discursos comunistas ou socialistas. Toda e qualquer afirmação que vá contra o livre mercado e todas as consequências que esse liberalismo excessivo tem para a economia e, principalmente,  para a sociedade não é visto como bons olhos.

As notícias do Jornal estavam sendo comentadas por dois professores da USP: um de filosofia, Vladimir Safatle, e uma de Direito Internacional, Maristela Basso. Infelizmente assisti só os dois últimos blocos do jornal, mas pareceu que os debates estavam acalorados durante todo o telejornal.

Foi após uma  reportagem sobre os problemas que o Brasil está enfrentando com o apagão devido à crise no setor de energia que minha afirmação do primeiro parágrafo ficou evidente. A reportagem mostrou alguns  empresários de São Paulo que enfrentaram prejuízos por conta da falta de energia nos últimos meses, seguida por uma outra matéria sobre uma reunião com representantes das concessionárias de energia e as medidas tomadas pelas empresas para remediar os transtornos.

O comentário

Comentando que há um descompasso entre a visão dos usuários e do governo, o professor Safatle, entrou na discussão sobre o problema dos lucros exorbitantes das concessionárias, que enviam grande parcela do dinheiro para as matrizes e deixam de investir no Brasil. A professora de Direito Internacional até fez um certo coro com ele na crítica de falta de investimentos na rede nacional, mas defendeu o lucro das empresas como um 'direito adquirido'.

O problema do lucro

O debate se aqueceu mesmo quando o professor começou a aprofundar a discussão sobre o lucro comentando uma pesquisa feita (provavelmente pela USP) sobre o preço do automóvel brasileiro e os lucros exorbitantes desse setor enviados para o exterior o que daria um caráter até de "exploração". Foi ai que a professora proferiu a máxima liberal ao dizer que a fala do professor de filosofia era "um discurso comunista do passado".

Vendas e mordaça

A afirmação da professora Maristela - que posteriormente até se colocou conta o novo sistema de cotas para as universidades públicas paulistas por não se basear na meritocracia à lá Estados Unidos -, mostra o quanto o liberalismo parece cegar uma elite e uma pseudo-elite preocupada em sempre manter sua renda a qualquer custo.

Estamos numa sociedade totalmente baseada no consumo, quando cada indivíduo é tudo o que possui, mesmo sem conhecimento útil algum e pouco valor para uma educação de qualidade (como comentei em posts passados).  Um consumismo exacerbado abre todas as oportunidades favoráveis para aumentar cada vez mais os lucros dessas empresas que fazem do parque industrial brasileiro um parque de diversão de renda fácil e exploração velada para todos.

Negar que há rendimentos excessivos e classificar um discurso que se preocupa com o grau de exploração da sociedade como "antigo", a meu ver, é negar totalmente o bem-estar e a qualidade de vida da grande massa da população e privilegiar aqueles poucos pertencentes à classe dominante que decide onde, como e quando o dinheiro deve ser aplicado. Decisões, inclusive, que têm até o poder de deixar uma economia na condição totalmente dependente não permitindo um desenvolvimento mais eficaz que depende de uma infraestrutura forte e confiável.

De todas as aulas de economia política e desenvolvimento econômico o que mais ficou de importante sobre esse "discurso comunista antigo" é que ele não serve apenas para defender um modelo de economia comunista ou socialista, ele serve também para mostrar aos capitalistas cegos e fanáticos que há um lado que é preciso ser pensado e este lado é a sociedade, os trabalhadores, a classe média baixa, os pobres, aqueles que passam fome, que não desfrutam de saneamento básico, saúde e educação com qualidade. Infelizmente estes temas são apenas políticos e entram nas agendas de debates apenas eleitorais. Quando não estão por detrás de votos e conquista de eleitores se tornam um empecilho "antigo comunista" soando como um mosquito irritante numa noite tranquila.

Em tempo: vale dizer que uma parte da crítica da professora Maristela foi extremamente justa quando ela falou que o governo não faz todos os investimentos com os tributos que arrecada. Mas o conjunto de suas palavras pareceu muito mais que se ela continuasse a falar defenderia a privatização até da administração pública para garantir a eficiência dos recursos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Etanol, propaganda e consumismo



 Não é sem motivo que estão chovendo propagandas sobre o uso do etanol combustível na televisão aberta brasileira. Um artigo do professor da USP José Goldemberg na página 2 do jornal O Estado de S. Paulo sobre a crise energética no Brasil deixa claro o que levou uma campanha tão forte para o público. Numa era em que ter automóvel parece ser muito mais uma necessidade social que real, a quantidade de carros circulando diariamente justifica a intensidade da campanha disparada pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

No artigo do Estadão, Goldemberg mostra os problemas dessa crise e o dado mais expressivo é a queda da produção, que caiu de 27 bilhões de litros por ano para 22 bilhões em 2012. Uma queda como esta parece preocupar o setor e justificar muito bem a campanha. Todas as vezes que assisto a esses comerciais os vejo quase como uma lavagem cerebral. É fato que ultimamente o preço do etanol parece não compensar tanto frente ao da gasolina - motivo para a alta desse preço também é exposta no artigo e envolve os preços dos fertilizantes usados nas lavouras de cana. Mesmo assim, a campanha está lá e parece mostrar um outro lado do combustível... o lado da geração de empregos e movimentação da economia. O discurso do comercial é claramente de fundo econômico e pouco importa as "qualidades" do combustível renovável.

E o que mais me chamou a atenção é o público alvo desta propaganda que envolve até crianças. O vídeo que selecionei para ilustrar essa matéria é justamente um dos que mais vi circular na mídia nestas últimas semanas. O ator Lucio Mauro Filho convence a motorista a abastecer seu carro com etanol por meio das duas crianças do banco traseiro. As vezes é útil assistir aos comerciais pensando em quais são as mensagens e quais são os públicos às quais elas se destinam. No conjunto, os comerciais da Unica parecem atirar para todos os lados para tentar reverter a crise do setor.

Hábitos de consumo

Enquanto o setor de energia discute a crise, acho que um outro tema deveria ser revisto: os hábitos de consumo dos brasileiros. O que parece acontecer hoje é que as pessoas não têm mais carros porque precisam fazer longas viagens a trabalho ou precisam dele para transportar os filhos e tudo o mais, ou seja, necessidades reais.

Basta olhar um grupo de jovens que acabaram de sair da adolescência e contar quantos deles possuem seus carros próprios para comprovar que ter um carro é como um bilhete de aceitação social, uma forma de garantir a inclusão num grupo chamado "classe média em ascensão" que consegue ter este bem, não importa quanto dinheiro perca, quantos meses tenham que pagar e nem quantas oportunidades de investimento abrem mão apenas para poderem desfilar por ai com o tal 'possante'.

Já presenciei casos de parentes que não tinham sequer perspectiva de fazer um curso superior, mas investiam o dinheiro que não tinham para garantir um carro, mesmo que usado. A necessidade não era real, mas sim apenas para a pessoa poder se inserir neste tal grupinho.

Enquanto isso, nosso trânsito vai ficando cada vez mais atolado e complicado e não se dá a devida atenção a alternativas de transporte coletivo. Melhorar o transporte público, ressuscitar a malha ferroviária para passageiros, pensar na construção de metrôs em cidades com grande crescimento e melhorar aqueles que já existem na capital... pouco parece ser pensado nestes assuntos afinal na nossa sociedade consumista o individual está sempre acima do coletivo e o meio ambiente não passa de discurso da moda que vai e vem das pautas e das rodinhas de bate-papo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Balé e tecnologia

Há tempos que não parava tudo para assistir a um vídeo de dança. Esta semana resolvi baixar alguns vídeos inspirado no programa do Cinemark com balés do Royal durante os próximos meses e me surpreendi com o primeiro que assisti.

"Alice no País das Maravilhas", uma produção do The Royal Ballet, coreografado por Christopher Wheeldon é uma produção excelente. Parei de acompanhar há um tempo, mas pelo jeito o balé clássico não é mais como antigamente. Esta produção de 2011 mistura muita tecnologia, efeitos de cena muito interessantes e vários toques de humor. A melhor parte é que incluíram um show de sapateado no meio, justamente o Chapeleiro Maluco (adoro sapateado).



Quando comecei a assistir fiquei intrigado para saber como fariam as transformações de tamanho da Alice e o que vi achei muito bem bolado. Com efeitos de projeção de imagens e uma caixa em foma de uma sala cheia de portas pequenas a produção do Royal conseguiu fazer a primeira bailarina Lauren Cuthbertson encolher e crescer no palco de uma forma muito criativa.


Os toques de humor são excelentes também. O balé consegue ser leve e bem coreografado e não compete com a tecnologia usada na apresentação, cada um no seu ritmo certo. Para quem gosta, é um vídeo que vale a pena assistir para sair um pouco daquelas produções de sempre.

"A imaginação econômica" (A Grand Pursuit)



Aproveitando o embalo nos posts, resolvi escrever sobre um livro que estou lendo: "A imaginação econômica: gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história" de Sylvia Nasar. Não tenho a capacidade crítica de um especialista para criticar, mas achei que o subtítulo força um pouco a barra. No entando, o livro é bem interessante como uma obra para se olhar a economia política através dos bastidores.

Nasar não se foca apenas nas teorias de Marx, Keynes, Schumpeter e outros nomes fortes da economia, mas também vai traçando uma sequência cronológica de fatos das vidas destes e de outros autores aliando vidas pessoais, acadêmica e política de cada economista, acontecimentos na política e economia mundiais e as teorias propostas por estes grandes nomes da economia no contexto exato em que cada "imaginação econômica" ganha seus adeptos.

Ainda não sei ao certo, mas dizer de gênios que mudaram a história pareceu-me um pouco forçado demais, uma vez que alguns dos nomes que Nasar cita sequer passou pela boca de algum professor de Economia nestes dois anos de curso. Entretanto, como acabei de dizer, SÓ foram dois anos e História do Pensamento Econômico é uma matéria que tarta para chegar, portanto, minha crítica é totalmente infundada. Além disso, retomei a leitura apenas agora. Como comentei no post anterior, este semestre foi cheio o suficiente para ocupar uma grande parte do meu tempo.

Enfim, vale a dica para quem quer ler algo sobre economia que não sejam modelos, teorias e estatísticas. O livro de Nasar consegue traçar um tripé muito legal entre vida, contexto e teoria de cada autor e esses fatos ajudam muito a visualizar quais foram as influências que cada autor teve ao ter a tal ideia brilhante para suas teorias que "mudaram a história".

Para mais informações sobre o livro e sobre a autora, consultar o site da Cia das Letras.

Mais um semestre... mais um balanço.

Mais um semestre se vai e com ele volta aquela sensação de que eu não escrevi tanto quanto gostaria aqui no blog! E olha que assunto não faltou... Porém, de certa forma, acabei deixando de lado o blog de propósito para perseguir o objetivo de conseguir estudar com qualidade para todas as matérias. A meta de ficar com média 8 em todas as matérias chegou perto até agora, mas ainda faltam notas. O resultado positivo é que esse semestre foi realmente interessante...

Uma das matérias mais interessantes na qual me matriculei neste semestre foi Formação Econômica do Brasil I (CE491), com o professor Fábio Campos. Se minha memória não foi prejudicada com as noites em claro, devo ter publicado um texto aqui no blog sobre alguns dos temas dessa disciplina. O mais interessante, e até certo ponto, revoltante, é a do patrimonialismo brasileiro, essa herança de nossos colonizadores que parece não se desligar das classes que se mantém no poder até hoje. Junto a isso, toda essa estrutura de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que tanto é citado por Mino Carta em seus artigos no Carta Capital. Não é sem motivo que Carta vive se referindo à casa grande ou aos coitados da senzala, afinal, muito daquela ideologia arcaica ainda não foi superada por aqui.

Outras disciplinas interessantes foram, em conjunto, Macroeconomia 2 (CE472) e Métodos de Análise Econômica 3 (CE342). A primeira, com o professor Rogério Andrade, teve o objetivo de apresentar o tão conhecido modelo IS-LM e AS-AD na visão da Nova Síntese Neoclássica. Apesar de o curso não se descolar muito do manual Macroeconomia de Olivier Blanchar, tomar contato pela primeira vez com a construção desses modelos é muito interessante por permitir visualizar as importâncias de políticas fiscais (alterações nos gastos do governo ou nos tributos) e de políticas monetárias (quantidade de moeda que o Banco Central coloca em circulação na nossa economia) e como as duas se conversam e promovem o equilíbrio entre mercados é muito bonito. Porém, a realidade deste modelo ficou para outro momento (uma falha do curso, infelizmente). É perceptível que o modelo e a realidade não andam de mãos juntas por cima do arco-íris, mas vale usar os conceitos para pensar um pouco o que é feito pelo governo e o que é divulgado pela imprensa.

Pegando o gancho da imprensa (que vai render o próximo post/artigo) a segunda matéria que citei (Métodos 3) fez um esforço de construção dos "arcabouços teóricos", ou seja, as 'escolas' de pensamento dentro da economia que propiciaram a construção do modelo de metas de inflação brasileiro. A disciplina, ministrada pela professora Ana Rosa Sarti, mostrou a evolução dessas escolas da macroeconomia desde Keynes e os keynesianos, Friedman e o monetarismo, até os novos clássicos, síntese neoclássica e etc. O interessante de toda essa construção da disciplina foi verificar a importância que se dá à inflação no país e o quanto o Banco Central brasileiro persegue ou se distancia da teoria em favor da prática.

Além destas disciplinas, uma outra disciplina infelizmente deixou a desejar esse semestre: Microeconomia 2 (CE362). Na verdade, as duas matérias de microeconomia que foram ministradas este ano para nossa turma revela uma fraqueza da Unicamp: falta de professores. Sem tirar os méritos do aluno de doutorado que ficou responsável pelas duas disciplinas durante estes semestres, a questão que fica evidente é que a universidade precisa voltar a pensar na quantidade de professores que estão na ativa. A área de microeconomia do Instituto de Economia da Unicamp carece de professores, por conta disso, a atribuição de aulas se parece mais com um grande quebra-cabeças com muitas peças faltando e sempre se opta por peças coringas que são alunos de doutorado do instituto. Esta é uma ótima oportunidade de aprendizado para o aluno de doutorado, mas parece não haver a percepção de que, enquanto o doutorando aprende, o graduando desaprente, por assim dizer. Não houve este semestre um acompanhamento pelo professor responsável pela área do conteúdo que era passado aos alunos de microeconomia 1 e 2 (no período noturno). Durante os dois semestres o "professor" simplesmente copiava o conteúdo de alguns slides impressos que ele tinha em mãos, explicava pouco a teoria e um pouco mais a resolução dos exercícios - afinal, suas provas se resumiam à exercícios com números cabulosos e até com elaborações erradas de questões! Enfim... um pouco vergonhoso para uma universidade do tamanho e do gabarito da Unicamp (e parece que o problema não é só da economia).

Mais uma vez aproveitando o gancho, outra matéria que é o oposto daquilo que acabei de comentar foi Estatística para Experimentalistas (ME414), oferecida pelo Instituto de Matemática e Estatística. Até agora eu sinceramente não entendi se eu tive aula com um professor concursado e um aluno de doutorado ou se foram dois alunos de doutorado... o fato é que a preocupação destes dois professores (desta vez sem aspas) foi incrível. Esta é a segunda (ou terceira vez) que tentei aprender estatística, mas agora consegui entender todo o conteúdo com muita clareza - e o melhor: vi muita utilidade no que foi passado. Apesar da falta de interesse de grande parte dos alunos que estavam na sala apenas para registrar presença, os dois professores formaram uma excelente dupla e sempre se mostravam preocupados se todos estavam entendendo claramente a matéria. Foi um curso ótimo de exatas (por mais que eu odeie exatas!!).

E por fim, mas não menos importante, a matéria de Economia Política 2 (CE405) foi um intensivo dO Capital de Marx. Passamos pelos capítulos essenciais dos três livros da obra com o professor Sérgio Prado. Prado bem queria se aposentar e dar esta disciplina como a última de sua carreira, mas a falta de professores (de novo ela) o fez ficar por mais um semestre no instituto e ministrar História do Pensamento Econômico para outra turma, que não a minha. Apesar de seu jeito rabujento de ser, as aulas foram ótimas. O mais incrível foi sua preocupação com a qualidade de nossas leituras e de nosso aprendizado. O professor usava slides para condensar o conteúdo dos capítulos propostos e indicava as partes mais importantes para ler e se atentar. Provas condizentes com o conteúdo, correção justa e até um pouco de bom humor em algumas aulas garantiram uma visualização da principal obra de Marx muito satisfatória e, sinceramente, um pouco de tristeza por ser apenas neste curso que Marx foi visto com tanto aprofundamento. (Sei que existe uma disciplina eletiva do professor Plínio sobre Marx, mas esta não está no catálogo para o primeiro semestre de 2013, infelizmente).

Enfim... acho que deu para perceber que foi um semestre intenso. Fazer quatro créditos a mais que o normal não foi fácil, mas foi muito enriquecedor. Fica aquele desejo/sonho de não precisar trabalhar e me dedicar exclusivamente aos meus estudos, mas as férias estão ai, a pilha de livros me aguarda e nos próximos semestres talvez eu consiga realizar esse tão esperado sonho com a bolsa Fapesp e meu curso de mestrado =D

Vou tentar publicar no 4shared os arquivos de resumos e listas de exercícios das disciplinas aqui relatadas... quando eu fizer, coloco o link em um post.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Percalços da educação: os alunos e o colegialzão



Todos apontam sérios problemas da educação brasileira. Quer seja pública ou privada, sempre há alguma crítica às instituições e organizações. Apesar disso, não me deparei ainda com apontamentos sobre o "estudante" de hoje.

Há meses venho observando ou ouvindo reclamações sobre o comportamento e de alguns alunos da Unicamp. Quase terminando o segundo ano de Ciências Econômicas, um apontamento ficou claro numa dimensão muito complicada: alguns alunos (provavelmente grande parte, mas não quero generalizar) estão numa universidade pública com o nível da Unicamp única e exclusivamente para obter o diploma, conseguir um nome no currículo e ficar rico. E como o diploma é o fim, os meios para se chegar a ele pouco importam... esses meios têm, na verdade, significado tão pequeno que chega ao ponto da falta de respeito com os espaços e direitos alheios.

Um primeiro indício desse comportamento é a posição que esses alunos têm frente ao conteúdo proposto pelas disciplinas do curso. "Isso vai cair na prova? Não? Então não quero nem estudar", frase proferida por uma aluna em sua segunda graduação. As teorias são única e exclusivamente lidas e decoradas com a finalidade de se obter uma boa nota em provas. Esse conteúdo não serve para ser mastigado, digerido e chegar à uma massa cinzenta para formar um raciocínio crítico quanto ao papel desses indivíduos frente à sociedade. Ler Karl Marx, por exemplo, tem como única utilidade tirar uma boa nota nas provas da disciplina de Economia Política. Qualquer crítica às leis de produção e reprodução do capital, da forma como esse capital se distribui na sociedade, como a classe trabalhadora é explorada pela classe capitalista para dessa relação surgir os lucros e todos as outras críticas relevantes desse pensador não fazem sentido algum senão tiver que ser decorado e vomitado nas folhas das avaliações.

A mesma coisa acontece com todas as disciplinas. Na ânsia de receber conteúdo (sequer dá para usar o verbo aprender) para tirar boa nota, a proposta pedagógica e lógica das disciplinas que formam a grade do curso é perdida... uma disciplina não é jogada a toa num catálogo. Pressupõe-se importante que um profissional saiba este ou aquele assunto e, mesmo que sequer irá trabalhar com isso, pelo menos que ele tenha tido um contato com o assunto para poder relacionar temas semelhantes se um dia for necessário. Não é só porque quis seguir carreira no jornalismo impresso diário que eu não tenho que saber como são as áreas de radio, tv e assessoria de imprensa; ou se quiser a área de história econômica, não me é dispensável estudar estatística, cálculo e econometria para um dia elaborar um modelo econômico ou avaliar populações e rendas quando necessário, por exemplo.

Um segundo indício desse comportamento têm ficato também evidente nas últimas semanas e é totalmente ligado ao anterior: as conversas em sala. Pressupõe-se que todos que estejam dentro de uma sala de aula de uma universidade pública estão ali por livre e espontânea vontade, têm o mérito de terem sua formação financiada por dinheiro público e, acima disso, devem ter como interesse comum adquirir uma formação de qualidade, afinal escolheram o caminho público da formação superior (um caminho que não é fácil e carrega consigo muita responsabilidade). Porém, isso é mera teoria e pura divagação minha. Hoje a quantidade de alunos que entra na sala com interesse muito próximo de zero é gigantesca e esse comportamento parece não ser exclusivo do curso que eu faço.

Já  ouvi reclamações inúmeras vezes de colegas de classe que fazem disciplinas com outras turmas de outros cursos e relatam a falta de respeito do aluno para com o professor neste quesito conversa. A Unicamp é uma área livre para alunos, professores, funcionários e interessados. Ninguém é arrastado até uma disciplina sem necessidade. E, por mais que o currículo exija disciplinas com as quais o aluno não se identifica, elas precisam ser cursadas e concluídas com nota e "presença" mínimas. O problema é que ao considerar todas essas variáveis, alguns alunos se prendem à sala de aula e fazem das carteiras e cadeiras balcões e banquetas de bar onde ficam a discutir as últimas novidades com os companheiros de "breja". Isto é no mínimo desnecessário, na média falta de respeito com o professor e no máximo uma falta de respeito com outros colegas de classe que estão valorizando o dinheiro público e tentando aprender o conteúdo da melhor forma possível.

Isto ocorre em salas de outros cursos, mas eu reparo principalmente na minha sala e numa turma específica de uma disciplina de exatas, oferecida por outro instituto da Unicamp e que reúne alunos de três cursos diferentes. Há alguns dias o nível de conversa beira o ridículo. Há aqueles que conversam sobre futebol; sobre a viagem do final de semana; sobre a roupa de marca que comprou; ou sobre problemas conjugais; há também aqueles que discutem a matéria dada a aula inteira com o colega do lado ou que usam a aula para resolver exercícios de outra disciplina e ficam tirando dúvidas com o vizinho como se estivessem em aulas ou monitorias particulares sozinhos numa sala de estudos. Ou falta o bom senso, ou a educação, ou uma clara noção de coletividade. Conversar ou cochichar atrapalha o raciocínio do professor e a concentração dos demais alunos. E inclusive parece ser difícil enxergar esse problema de forma clara...

Acredito que o assunto renderia ainda longos e extensos parágrafos cheios de indícios e comportamentos inadequados de alunos dessa rede pública, mas não vou me estender. O fato é um só: aprender para evoluir criticamente já não é o objetivo da grande maioria! (Ou será que esse nunca foi e só agora me dei conta disso?)