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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Vamos pensar um pouco em como lemos uma entrevista? Vamos!!!

Em geral, as entrevistas dão muito mais voz ao entrevistados que as simples notícias e reportagens. Estas só citam suas fontes (os profissionais escolhidos) para confirmar, analisar ou, embora com menos frequência, contrapor a ideia dominante do texto. ", disse"; ", afirmou"; ", assegura"; ", explica". Toda fala de uma fonte, geralmente é acompanhada de um verbo que dá o tom e enfatiza a importância daquela declaração para o texto.

Nas entrevistas, contudo, o tom é dado de uma forma totalmente diferente: ele está na apresentação do texto ou na formulação das perguntas. Geralmente os primeiros parágrafos servem tanto para apresentar quem é o entrevistado, como também para dar uma ideia geral do pensamento, ideia ou ideal que esse profissional segue ou expressa. Já as perguntas mostram o outro lado da moeda: o do jornalista que conduz a entrevista ou do veículo no qual o diálogo é publicado. É possível ver, por exemplo, a preparação do profissional ou a disposição dele de obter informações que podem beneficiar ou até "prejudicar" o entrevistado.

A entrevista com o presidente da Usiminas, o engenheiro metalúrgico Sergio Leite, publicada hoje (31/10)  no Correio Brasiliense, serve de exemplo para observar o comportamento do jornalista. Embora não seja explicitada a condição imposta ao diálogo, em três momentos o entrevistador perde importantes pontos que poderiam contradizer o entrevistado e até o programa econômico do próximo governo. É bom salientar que por "condição imposta ao diálogo" quero dizer que a entrevista pode ter sido comprada pela Usiminas para destacar sua magnitude e capacidade de recuperação; pode ter sido um "brinde" ao anunciante do jornal; pode também ser uma ressalva à importância de se olhar para a indústria e à infraestrutura do Brasil num cenário no qual Paulo Guedes critica a indústria brasileira; pode também ter sido cortada pelo editor chefe do jornal a fim de garantir uma boa relação com a empresa; entre outras mil possibilidades.

Sendo assim, quando lemos uma entrevista, devemos ficar atentos à formulação das perguntas. Elas podem só ser um subsídio para conduzir o que o entrevistado quer falar ou um confronto intelectual para trazer a transparência e mais informações para a conversa. Olha só esses exemplos retirados da entrevista selecionada:

Correio Brasiliense (CB): Quais são os problemas centrais que o novo governo deve atacar?
Sergio Leite (SL): Nós temos problemas sérios no campo da saúde, da educação e da infraestrutura. Enfrentar os desafios nessas três áreas passa por uma grande capacidade de gestão e de investimentos. Na parte de gestão, precisamos fazer uma reforma profunda no Estado brasileiro e trazê-lo para a dimensão que ele precisa, com ajustes das contas públicas. É preciso essencialmente voltar ao superavit primário e começar um processo de regularização das contas públicas. Esse processo deve levar em consideração também a reforma da Previdência e a reforma fiscal. Reforço: neste momento, devemos reduzir ao máximo os gastos com a máquina governamental.

Leite diz que precisamos de gestão e investimentos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, certo? Ele diz que o caminho é regular as contas da máquina pública, levando em consideração as reformas fiscal e da Previdência. Ele não diz, contudo, sobre como os investimentos poderiam ser feitos. Aliás, a pergunta que fica é: "Como poderiam ser feitos investimentos na educação e saúde para acabar com o problema nessas áreas, se há um limite para gastos do governo (a PEC do Teto de Gastos)?" Ele aponta e explica um caminho (da gestão) e só menciona o outro (dos investimentos). Frente à essa resposta vaga, o que o repórter pergunta na sequência? Veja: "Os problemas são, de fato, monumentais. O Brasil vai conseguir sair rapidamente da crise?" e "O senhor chegou a se encontrar com o presidente eleito, Jair Bolsonaro?". Em nenhuma das duas respostas ele fala sobre como poderiam ser feitos os investimentos e o tema passa batido.

Outro ponto no qual o jornalista perde uma oportunidade incrível:

CB: O maior competidor da indústria brasileira do aço é a China, certo?SL: Sim, mas na China nós não competimos contra empresas, mas contra um Estado. Trata-se de um Estado que não é uma economia de mercado, que não remunera adequadamente sua mão de obra, que não remunera adequadamente o capital e em que a prática do subsídio está presente na indústria. Ou seja, é uma concorrência desleal. Esse posicionamento da China gerou reação dos Estados Unidos. Por sua vez, a decisão protecionista do presidente Trump desencadeou uma série de reações na Europa, África e Ásia. A única região que não aplicou medidas para fazer frente a essa decisão de Trump foi a América Latina. Por isso, eu digo que é preciso fazer uma reflexão: faz sentido o Brasil ser um país liberal nas suas relações comerciais num mundo notadamente protecionista?

Reparem na última declaração de Leite. O jornalista poderia pegar essa declaração como um gancho e questionar: "Por que é preciso avaliar se faz sentido ser um país liberal?"; ou "Qual o risco para o Brasil de adotar uma política liberal frente a um cenário internacional protecionista?"; ou "Quais os entraves que uma economia liberal enfrentaria numa concorrência internacional protecionista?". O que o jornalista pergunta? Isso aqui: "Apesar da crise dos últimos anos, a Usiminas vem de uma série de resultados financeiros sólidos, voltando inclusive a operar no azul. Como isso foi possível?", tirando o foco do cenário internacional e do programa liberal de Paulo Guedes e voltando a focar no quão maravilhosa é a capacidade de Sergio Leite de reerguer a Usiminas. Esse tipo de fuga do assunto é totalmente estratégico, afinal, a resposta poderia comprometer as relações da Usiminas com o governo fascista ou comprometer o Correio Brasiliense e transformá-lo na próxima Folha de S.Paulo.

Para acabar, um último jogo de pergunta e resposta mal aproveitado:

CB: A Usiminas é um caso especial, já que ela tem acionistas japoneses e ítalo-argentinos e uma gestão brasileira. Como é trabalhar com múltiplas nacionalidades?SL: É um desafio e uma experiência extraordinária. Temos na Usiminas três forças: os brasileiros, que somam a maior parte da força de trabalho, os ítalo-argentinos e os japoneses. Tenho uma relação sólida com todos os grupos, porque o trabalho foi sempre o de buscar integração e equilíbrio. Atravessamos um período grande de conflito acionário, mas conseguimos unir as forças dentro da empresa. No “Grupo dos 10”, tenho profissionais que representam o acionista ítalo-argentino, outros que representam o acionista japonês, e os que fazem parte da força de trabalho brasileira. Durante mais de um ano e meio, conseguimos trabalhar de forma integrada, unida e pacífica. Conseguimos inclusive selar um novo acordo de acionistas, que trouxe a paz. Hoje, vivemos um cenário muito positivo. Estamos todos de mãos dadas trabalhando para construir o presente e o futuro da Usiminas.
   
Qual é a questão aqui? Claro: "Como ficariam as relações da Usiminas com a Argentina, se Paulo Guedes já deixou claro que pode não dar preferência aos países vizinhos e ao MercoSul  para priorizar as relações com os Estados Unidos?". O jornalista entra nesse ponto? Claro que não. Ele, na verdade, até faz uma pergunta que poderia levar a esse questionamento das relações com os países sul americanos, mas ela é mais focada na gestão da Usiminas: "Como está o plano de investimentos da empresa? Diante da melhoria dos resultados, os planos foram ampliados?" e o assunto morre.

Com esses três assuntos negligenciados é possível reforçar que as entrevistas mostram, e muito, a capacidade ou disposição que o veículo de comunicação tem para o diálogo. Como comentei anteriormente, as entrevistas podem ser só mais um negócio da área comercial do jornal, porém, se é assim, ela não cumpre com seu papel de questionar e esclarecer pontos importantes do cenário politico e econômico. Sem isso, as entrevistas se resumem a "puxar saco" da empresa, profissional ou anunciante.

domingo, 25 de agosto de 2013

Reflexões sobre crítica heterodoxa e o jornalismo econômico


Recentemente me peguei pensando em como a crítica ou o pensamento crítico de esquerda enxerga o Brasil, crítica ou pensamento crítico estes sintetizados em algumas das disciplinas de graduação do Instituto de Economia da Unicamp. Conhecido por seu caráter heterodoxo e mais humano que exato, o curso traz para os alunos algumas abordagens que, segundo professores, não são vistas em qualquer curso de economia no Brasil.

O exemplo mais patente que tenho do sexto semestre de curso é a discussão sobre economia industrial, tema chave da disciplina de Microeconomia 4 na qual toda a construção neoclássica é deixada de lado e autores como Labini, Bain, Steindl, entre outros, surgem mostrando, por exemplo, como não basta discutir a formação de preço por meio de contas exatas e 100% previsíveis, como prega a corrente ortodoxa. No lugar de cruzar curvas de oferta e de demanda para determinar o preço, ou mesmo ao invés de acreditar que o mercado capitalista é atomizado (com grande número de empresas) e que a entrada de mais uma não prejudica as demais, pintando um cenário pacífico de rivalidade zero e harmonia mil, a crítica heterodoxa mostra que a história por detrás da estrutura do setor é importante. Esses pensadores vão colocar o dedo na ferida: na margem de lucro, pouquíssimo questionada no mundo real.

Voltando um pouco nas disciplinas dos outros semestres e lembrando uma conversa que tive com amigos, discutimos no curso a formação econômica do Brasil não apenas com base nas estimativas, nos dados históricos e estatísticos passados. A construção economia brasileira é vista também pelo lado social, pelo lado das relações de força, de poder, de interesses. Não é possível entender a vida hoje sem olhar para o passado e constatar que há traços fortíssimos da Casa Grande e da Senzala ainda hoje. As relações de poder são reafirmadas todos os instantes na mídia e no cotidiano do brasileiro. Raras são as pessoas que no seu primeiro estágio ficam constrangidas quando a faxineira do escritório questiona se ela pode limpar sua mesa e pensa na distância entre elas, isso dado que nos é colocado como normal, como necessário, como parte de nossa vida. Vide o tamanho das discussões que a legislação para regularizar empregadas domésticas causou na mídia.

Com essa bagagem de leitura e discussão (ainda pequena, mas crescente) me peguei questionando a mim mesmo e a meus colegas sobre a visão estritamente de esquerda colocada por alguns professores na construção da economia brasileira. Conflitando com o que aprendi no jornalismo sobre imparcialidade, multiplicidade de vozes e demais conceitos relacionados, cheguei a pensar que fosse talvez necessário haver leituras sobre o que o pensamento ortodoxo defende sobre a formação de nossa economia e de nossa história. Um amigo chegou a comentar que a articulação de defensores do pensamento ligado ao mainstream é muito fraca e pouco estruturada. Esse ponto fica mais que claro quando começamos a fazer a crítica à microeconomia neoclássica, mas outro ponto também é importante e deve ser considerado: a crítica heterodoxa já traz em si a visão de mundo ortodoxa. Criticar o homem cordial, os interesses da burguesia agrária e cafeeira contra a industrialização brasileira, a recusa da elite brasileira contra a reforma agrária, a distribuição de renda, a exploração do trabalhador, a busca incessante pelo lucro na economia capitalista, a recusa de se rever a margem de lucro das empresas, entre tantos outros pontos, já nos faz pensar em como é esse pensamento ortodoxo, em como é a realidade brasileira ou capitalista que cada autor enxergou ao defender seu ponto de vista e a realidade que enxergamos até hoje. O esforço de um crítico heterodoxo parece ser redobrado porque ele precisa enxergar o que já está cristalizado na opinião pública e tentar conquistar as mentes e abrir novos horizontes a fim de colocar uma semente que faça as pessoas pensarem fora de sua zona de conforto e passar a questionar o mundo a sua volta.

Da economia para a crítica ao jornalismo econômico, fica evidente a não aplicação desse raciocínio na mídia brasileira. É mais do que conhecido que a crítica de esquerda tem pouca ou quase nenhuma voz. Sendo assim, a crítica fica restrita a visão de direita com raízes fortes num pensamento ortodoxo. Essa crítica da mídia, contudo, nega uma função básica do jornalismo que é a multiplicidade de vozes, ou seja, dar voz a todos os lados envolvidos no assunto abordado. Isto está por trás do mito da objetividade e da pregação a favor da imparcialidade do jornalismo. Mito este que cai por terra fácil quando questionado, mas que está aí para talvez tentar sustentar a imparcialidade da mídia. E por imparcial não significa que o veículo precisa deixar de levantar a bandeira de um partido ou de outro. Significa que é preciso ser honesto com o leitor e apresentar os argumentos distintos e conflitantes que estão por detrás de uma política fiscal, monetária; de redistribuição de renda ou de acesso à educação superior.

A crítica ortodoxa parece ser contra todo e qualquer argumento que não lhe é familiar. Faz isso sem ao menos tentar mostrar qual é a construção feita pelos seus opositores. E se isso é verdade no campo das ideias, se materializa com força na pratica do jornalismo econômico. Essa afirmação fica clara quando se tenta ler um jornal que aponta que o mercado de trabalho está aquecido e que é preciso cortar postos de trabalho para desacelerar a inflação. Ou este mesmo jornal que dá as mãos às instituições que reúne as cabeças dos principais bancos e passa a defender que a queda dos juros básicos (Selic) é ruim para a economia brasileira. Pior ainda são as abordagens sobre a apreciação do câmbio sem ao menos considerar as ações dos Estados Unidos nessa escalada do dólar para preservar interesses maiores de uma parcela minúscula da sociedade e mostra um Banco Central brasileiro incompetente ou dirigentes da política monetária brasileira alheios e despreocupados com a realidade do lado de fora da caixinha.

Ainda não me deparei com uma afirmação que diga ser condenável um veículo de comunicação se aliar a uma corrente política ou econômica e também não acho que seja. O problema, contudo, é quando esta aliança é feita sem maiores esclarecimentos aos leitores e a palavra passa a ser um instrumento de manipulação poderosíssimo nas mãos desses interesses e interessados. Sem tempo para refletir sobre o mundo que as cercam, as pessoas não param para refletir sobre as informações que recebem. A prova disso são as pesquisas sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. Do mar de gente que toma metrô todos os dias, que dirige nas estradas ou ruas, e trabalha no mínimo oito horas por dia, quantos são aqueles que, em primeiro lugar, leem um jornal e, sem segundo, leem mais de um jornal para contrapor as informações que obtiveram no primeiro? Mais ainda: quem é que lê um jornal com pensamento de direita e tenta se informar numa revista ou outro veículo de esquerda para conflitar os argumentos?

Dos leitores aos mensageiros, que jornal expõe um debate claro e imparcial nas suas páginas? Basta fazer um levantamento sobre quais as fontes primárias consultadas para se fazer as reportagens do noticiário econômico e quem são os articulistas que assinam as colunas diárias. Numa matéria sobre a taxa básica de juros, por exemplo, o grosso dos consultados são ligados aos bancos e consultorias. Tudo bem que a tal taxa afeta primordialmente o setor bancário, mas qual o lugar do debate contra o pensamento dos bancários e especuladores? Os interesses deles são sempre claros, vide o ódio que eles sentiram quando a presidência da República resolveu enfrentar o setor com o choque da Selic diminuindo de dois para um dígito a taxa básica e a reação nos e dos jornais que estão ligados a estes interesses.


Uma crítica de esquerda consegue te mostrar como é a realidade, o porquê dela ser assim e como ela poderia ser melhor numa única mensagem. A crítica da direita consegue reafirmar que a realidade é aquilo, e tão somente aquilo, que eles acreditam, usando porquês que manipulam as palavras com a finalidade de omitir ou desacreditar todo e qualquer argumento que não esteja na mesma sintonia de seus interesses. E o jornalismo econômico da grande mídia? Vai junto neste bonde, claro.

domingo, 21 de abril de 2013

Contradições entre o quê e quem fala


O jornalismo deste final de semana trouxe a contradição aos leitores de O Estado de S. Paulo e telespectadores do Globo Esporte. No primeiro, informações diferentes apareceram no editorial do jornal e na coluna da jornalista Suely Caldas, duas visões diferentes com caráter de informação em duas páginas da mesma edição. Já na televisão a contradição se dá entre a programação geral da emissora carioca e uma reportagem sobre a situação de um ginasta olímpico.

Vale parar um pouco depois de ler e assistir às reportagens divulgadas e televisionadas por estes veículos e contrapor as informações e a história de quem é que está falando.

No jornalismo esportivo

Parece ser senso comum que brasileiro gosta apenas de futebol. Afinal, qual é o esporte considerado paixão nacional e qual é o esporte que mais recebe espaço na cobertura do jornalismo esportivo? O futebol tem espaço garantido as quartas-feiras na programação da Globo e provavelmente sempre terá espaço quando precisar, vide as transmissões dos jogos da seleção brasileira. Sem querer ir contra essa paixão dos brasileiros pelo futebol, acho que colocar esse esporte ao lado de qualquer outro é humilhar esse qualquer outro quando se trata de medir a atenção que eles recebem na mídia.

Partindo dessa constatação é muito contraditório ver a emissora que deixou de transmitir as Olimpíadas de Londres de 2012 fazer uma reportagem no domingo pela manhã mostrando as situações precárias de treino de um ginasta olímpico, medalhista de ouro naquela competição. Ressalva: uma reportagem curtíssima se comparada com a que mostra vida de um jogador de futebol brasileiro que faz sucesso na Europa e tem até peruca loura que imita seus cabelos a venda no mercado. O ginasta da reportagem é Arthur Zanetti e a emissora mostrou como o atleta treina hoje em dia depois de ter recebido medalha de ouro em 2012.

A primeira reflexão é realmente a indignação de ver alguém que conquistou uma medalha importante para o Brasil ter que treinar sem as condições mínimas para tentar repetir o feito nas olimpíadas aqui no país. A segunda, no entanto, é ver que quem fala do problema, de certa forma, ajuda a criar o mesmo problema. Tenho a impressão de que se a Rede Globo tratasse a ginástica olímpica, o volei, o basquete, ou qualquer outro esporte com a mesma intensidade que trata o futebol, não só a visibilidade dessas modalidades aumentariam, mas também o volume de patrocínios que eles recebem. Pra mim a lógica parece fácil: visibilidade do esporte traz patrocínios que significa visibilidade para o patrocinador. Afinal, basta reparar nas quadras e nas camisas dos times de futebol: não são pequenas empresas que estão estampadas ali, são? E o que mais as empresas querem nessa lógica capitalista são grandes e exorbitantes lucros. “Pouco importa a forma como obtê-lo, mas se usar o esporte ajuda a promover a marca e traz algum reconhecimento à empresa, então usemos”, parece pensar o dono do dinheiro brasileiro.

Aqui ainda vale resgatar o texto publicado no Observatório da Imprensa do jornalista Thiago Forato: “A intenção da emissora é quebrar o monopólio?” (edição 706 de 7 de julho de 2012). Ao discutir a aquisição dos direitos de transmissão das Olimpíadas de Londres pela Rede Record, o autor diz algo que se parece verdade pura quando se trata de jogos olímpicos: “Entre novela e Olimpíada, certamente a emissora carioca escolheria a primeira opção, privando a maioria da população de acompanhar os jogos olímpicos.

No jornalismo econômico

A outra contradição está no jornalismo econômico. O editorial do jornal O Estado de S. Paulo traz, para variar, mais um ataque à presidente Dilma Roussef: “Dilmês castiço”. Quase no mesmo tom está o texto da colunista do caderno Economia & Negócios, Suely Caldas: “Autonomia do BC – agora vai?”. Apesar das semelhanças e dos ataques ao governo petista, os dois textos trazem duas interpretações sobre um mesmo assunto que geram informações diferentes.

Ambos relembram o desconforto gerado pela presidente no dia 27 de março quando ela falou sobre inflação em entrevista coletiva aos jornalistas que acompanhavam o encontro dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Durban, na África do Sul. Naquela ocasião as edições dos veículos anti-governo deram mais ênfase ao começo e ao final da fala da presidente e ignoraram todas as outras palavras da presidente sobre o esforço do governo contra a inflação. A interpretação das palavras de Dilma gerou alvoroço no mercado financeiro devido às expectativas quanto à Selic. Frente à repercussão a presidente convocou os jornalistas e disse que sua fala fora manipulada, sem dizer, no entanto, quem manipulou suas palavras.

Resgatado o cenário, o editorial do último domingo (21 de abril) O Estado de S. Paulo afirmou: “(...) Imediatamente, a declaração causou nervosismo nos mercados em relação aos juros futuros, o que obrigou Dilma a tentar negar que havia dito o que disse. E ela, claro, acusou os jornalistas de terem cometido uma ‘manipulação inadmissível’ de suas declarações, que apontavam evidente tolerância com a inflação alta – para não falar da invasão da área exclusiva do Banco Central.” (página A3 do jornal). Já a colunista Suely Caldas afirma: “Efeito imediato, a taxa de juros no mercado futuro despencou. Irritada, ela acusou agentes do mercado de manipularem suas palavras. Se tivesse ficado calada, nada disso teria acontecido, o mercado não teria motivo nem respaldo para criar volatilidade, instabilidade.” (página B2). Afinal, quem manipulou? Eu, leitor, fiquei confuso.

Essa contradição mostra diferentes olhares influenciados pela visão política de quem escreveu o texto. É teorizado que a formação profissional e cultural influencia na forma como o jornalista vê, avalia e escreve sobre um determinado assunto e como o jornal transmite as informações aos leitores. Teoria essa que quebra os discursos de objetividade. Essas visões ficam completamente expostas, claro, num artigo opinativo. O perigo, porém, está na forma como essas elas são usadas. A cobertura sobre a declaração da presidente no dia 28 de março foi extensiva. Quando o Valor Econômico deu apenas uma página, O Estado de S. Paulo publicou várias análises e entrevistas numa demonstração clara de desafeto com o governo e/ou com sua política econômica.

Como tentei expor no artigo anterior no Observatório da Imprensa (“Amanipulação e o jornalismo enviesado” de 9 de abril, edição 741) o jornalismo econômico está mais político que econômico. Um professor de economia da Unicamp me disse, na semana do dia 1º de abril, que os ataques ao governo estão intensos mostrando um uso político desse noticiário. Ele concorda que a Dilma não deveria ter respondido a questão do jornalista, mas não porque ela não sabe o que diz, mas sim porque qualquer afirmação que ela desse seria usada contra ela mesma, não no tribunal, mas na imprensa e, claro, nas eleições!

CONTIN,A. Alex. Contradições entre o quê e quem fala.Observatório da Imprensa (São Paulo), ed. 743. p. Digital, 2013. 

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Ilustração de como a Globo trata a Ginástica Olímpica:


Ou seja: não trata!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A manipulação e o jornalismo enviesado


Será que a acusação da presidente Dilma Rousseff (PT) de que suas palavras foram manipuladas está tão errada assim? Analisar o caso e o atual jornalismo econômico traz reflexões que ultrapassam a falta de contexto que é prática nos grandes jornais.
Na quarta-feira (27/3), durante o V Cúpula dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Durban, na África do Sul, a presidente concedeu uma entrevista coletiva a vários repórteres brasileiros que lá estavam acompanhando os debates dos presidentes dos cinco países. Após falar sobre dificuldades, realizações e desafios do bloco, um jornalista do Valor PRO (identificado pelo jornal Valor Econômico na edição do dia 28) questionou a presidente sobre o impasse entre crescimento, inflação e mercado de trabalho aquecido. Antes de ver a resposta da presidente, vale uma contextualização.
Nos dias anteriores – isso considerando antes e depois do dia 27 – foram publicadas várias reportagens na grande imprensa sobre o mercado de trabalho aquecido. São diversas visões sobre a relação inflação e taxa Selic. Os porta-bandeiras da necessidade urgente de aumento da taxa básica de juros e/ou aumento do desemprego são os jornais O Estado de S. Paulo e, em menor grau, a Folha de S.Paulo e também o Valor Econômico, que parece ter uma racionalidade um pouco mais pé no chão em todo esse caso.
Independência do Banco Central
Além das discussões sobre a relação desemprego e inflação, os jornais das últimas semanas trouxeram outras pautas. Todo e qualquer ato da presidente Dilma vira pauta. Nada mais natural no ponto de vista jornalístico. Mas o que parece ser forçado nestes últimos dias é a quantidade de vezes que inflação e taxa de juros é citada por esses jornais durante a semana. Quer seja em artigos opinativos, colunas, editoriais e reportagens, os jornais paulistas estão aproveitando o cenário econômico para o que parece ser uma desmoralização da presidente Dilma, mesmo frente às pesquisas que mostram a aceitação de seu governo.
Eis que, frente a todo esse cenário que foi (e vem sendo) construído pela imprensa e seus analistas, a presidente respondeu à pergunta do repórter do Valor e todo o bafafá começou naquela semana. Vou me ater a dois pontos: a questão do ministro da Fazenda e o debate sobre a inflação e a declaração sobre o não comprometimento do crescimento da economia.
De acordo com a transcrição, o áudio e o vídeo da entrevista coletiva disponibilizados pelo Blog do Planalto, a pergunta foi: “(...) É sobre os Brics, é porque a senhora está falando muito da questão do crescimento, da importância que os países têm de manter o crescimento. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil, que é um dos principais dos países dos Brics, está se falando muito da necessidade de talvez conter... medidas que reduziriam o emprego, que estaria fazendo pressão inflacionária. O que a senhora acha desse tipo de...?”
Aí começa o problema, as versões e interpretações. A presidente começa sua resposta alegando que “geralmente, nas questões específicas sobre inflação, eu deixo para ser falado pelo ministro da Fazenda”, mas que adiantaria algumas questões aos jornalistas lá presentes. Já de cara essa frase, usada, abusada e criticada pelos jornais, deu argumentos àqueles que insistem que o Banco Central (BC) não é independente. A questão da independência do Banco Central provém de um arcabouço teórico na economia que preza pela relação mínima entre os dirigentes do “banco dos bancos” (como é conhecido o BC) e as políticas arbitrárias do governo em poder. Ou seja, é desejável que o BC não seja usado partidariamente pelo poder Executivo para fazer da política econômica um instrumento de campanha e deixá-la ao sabor do vaivém presidencial.
Cesta básica e folha de pagamento
Atenho-me apenas numa análise do discurso e da prática do jornalismo e não dos aspectos econômicos que envolvem a questão, é possível ver que a frase foi totalmente tirada do contexto quando transmitida para o público. Primeiro porque a pergunta foi feita num local não propício para essa discussão: a própria Dilma disse que queria responder questões sobre o encontro dos BRICS e não sobre a situação brasileira. E, na minha interpretação, a presidente queria apenas deixar que o ministro da Fazenda falasse sobre o assunto, sendo ele o porta-voz do governo para assuntos como o que foi questionado – afinal, quantas vezes se vê Guido Mantega discursando sobre economia? No entanto, a simples frase da presidente foi assunto suficiente para o jornal O Estado de S. Paulo abrir um quadro na primeira página do caderno “Economia & Negócios”, no dia 28 de março, falando dos deslizes da Dilma durante o encontro dos países emergentes.
Além dessa primeira frase da Dilma, outra foi amplamente criticada: “Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende? Eu vou acabar com o crescimento do país. Isso daí está datado, isso eu acho que é uma política superada.” Segundo os jornais do dia seguinte, a frase da presidente gerou um mal-estar no mercado financeiro. Os agentes que agem a partir de expectativas quanto ao futuro dos juros para vender e comprar ações ou títulos, interpretaram que não haveria aumentos na taxa Selic.
A frase, assim como a anterior, também foi tirada fora do seu contexto. Antes de falar sobre esse receituário, a presidente havia citado as medidas que seu governo está adotando para tentar conter a inflação. Ela inclusive citou medidas no campo da Educação que têm como objetivo aumentar a quantidade de mão-de-obra capacitada no Brasil – uma constante no discurso de empresários quanto às dificuldades para a produção. Também citou desonerações na cesta básica e da folha de pagamento – outra constante da crítica quanto às altas taxas brasileiras que aumentam os custos da produção. Mas e ai? Quem citou essas justificativas?
Jornalismo econômico e política
Além disso, e vale a pena citar, a presidente concluiu sua resposta dizendo que o fato de achar o tal receituário ultrapassado “(...) não significa que o governo não está atento e, não só atento, acompanha diuturnamente essa questão da inflação. Nós não achamos que a inflação está fora de controle, pelo contrário, achamos que ela está controlada e o que há são alterações e flutuações conjunturais. Mas nós estaremos sempre atentos.” É possível dizer que o governo nega a inflação, afirmação usada por articulistas da imprensa, frente a uma fala dessa?
O mais interessante ao analisar o discurso desses jornais é construir uma grande história, com começo, meio e fim, como propõe Luiz Gonzaga Motta no artigo “A análise pragmática da narrativa jornalística”. Reunindo todas as reportagens que relacionam aumentos das variações de preços e taxa Selic é possível construir como os jornais se colocam frente à inflação. É considerável a quantidade de reportagens e artigos que falam que o mercado de trabalho é um dos principais fatores da inflação e que é preciso aumentar o desemprego para conseguir encaixar a economia lá na curva de Philips que relaciona inflação alta e taxas de desempregos baixa e vice-versa.
Neste jornalismo que usa a bandeira da objetividade mas veste a camisa da ideologia político-partidária, é lei focar apenas nos aspectos negativos da fala da presidente e lotar as páginas com angulações pessimistas sobre números da economia. Em conversa com um professor de economia da Unicamp, questionei como ele viu o caso. De cara, o professor disse que a presidente não deveria ter respondido a pergunta. Mas qualquer resposta dela seria o suficiente para a imprensa fazer o mesmo showrnalismo que fez.
“Esperemos 2014”
Ele ainda me explicou que o governo petista vem de uma atuação presidencial sem muitas brechas para a crítica da imprensa. Segundo ele há dez anos que a imprensa não conseguia criticar fortemente o PT como vem fazendo nestes últimos meses. De repente, frente a todo o cenário de reflexos de crise, baixo crescimento, entre outros assuntos, uma linda brecha se abriu e em um dos melhores momentos: véspera de eleição. É um uso político do jornalismo econômico.
Refletindo sobre as palavras desse professor e voltando os olhos para o jornalismo econômico feito pelos principais jornais paulistas, é possível identificar claramente um discurso contra o atual governo. Parece que esse jornalismo está em função da crítica que irá ser usada nas próximas eleições presidenciais. Vai ser interessante assistir às propagandas eleitorais e contar quantas dessas reportagens foram usadas. Portanto, como concluiu Fernando Henrique Cardoso em seu artigo “Razão e bom senso”, no Estado de S. Paulo deste domingo, “Esperemos 2014”.

CONTIN, A.A. A manipulação e o jornalismo enviesado. Observatório da Imprensa. (São Paulo) Ed. 741. Digital. 2013 Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed741_a_manipulacao_e_o_jornalismo_enviesado

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O PIB cresceu pouco, ok, mas e a contextualização?

Não é raro ver algumas críticas ao noticiário econômico e muitas delas são recorrentes e mesmo assim a linguagem dessas editorias continuam na mesma armadilha do economês. Acabei de ler uma notícia no site do Estadão e no final da leitura, algumas perguntas básicas ficaram sem resposta nenhuma.

A notícia é sobre o PIB: PIB foi afetado por investimento baixo e indústria fraca, dizem economistas e estava em destaque na página de Economia do Estadão à meia noite deste sábado. Primeira pergunta que vem logo do lead: quem informou o PIB? É uma informação básica e todos sabem? A resposta é não, o leitor leigo não é obrigado a saber quem divulga e mede o PIB - esta é uma informação que não tomaria mais que uma linha. Uma notícia publicada antes dava essa informação na linhafina: "Segundo o IBGE, o PIB brasileiro foi de R$ 1,1 trilhão no segundo trimestre, com destaque para o setor agropecuário". Porém a crítica: a notícia anterior é a anterior, certo? Escrever cinco palavras e uma sigla completaria a informação e poderia até ser colocado um link para a tal notícia anterior.

 Segundo ponto é sobre a contextualização com os acontecimentos recentes. O foco da matéia era o efeito do baixo investimento e da indústria fraca. Antes de mais nada, baixo investimento privado ou público? Além disso, onde foi parar a informação da baixa na taxa Selic feito esta semana e a política fiscal do governo, ou seja, os cortes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que foram anunciados também recentemente? Também são informações relevantes e que têm total ligação com a indústria e com o consumo das famílias, mas que sequer foi mencionado em parágrafo algum.

E além do problema da falta de explicação e da contextualização, vem o economês. Uma coisa que é facilmente observável é o fato de os repórteres reproduzirem as falas dos economistas sem sequer interpretar a informação e deixá-la mais clara para o leitor leigo. É um jogo de copia e cola. Em dois parágrafos há jargões e expressões típicas de economistas que podem prejudicar o bom entendimento do leitor, como os listados abaixos:

1) "Segundo o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, o lado da demanda dentro do PIB está sendo minado pela baixa Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que caiu 0,7% na comparação com o primeiro trimestre deste ano e 3,7% perante o segundo trimestre de 2011."

Primeiro: o que é o lado da demanda? Segundo: o que é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)? Terceiro: o que representa essa queda de 0,7%, o que aconteceu, por que, quem é o responsável?

2) "Pelo lado da oferta, diz Rochlin, o PIB no período continuou sendo prejudicado pela anemia do setor industrial, que deu uma contribuição negativa para a conta do período, con retração de 2,5% perante os primeiros três meses deste ano. Na mesma base comparativa, o recorte da indústria de transformação apontou um tombo de 5,3%. Na avaliação do professor, o resultado ruim no setor continua sendo justificado pelo câmbio desfavorável, especialmente nos segmentos exportadores."

Primeiro: con? Segundo: o que é o lado da oferta? Terceiro: essa "anemia do setor industrial" continuou prejudicando; desde quando ela prejudica e por quê? E quarto: por que o câmbio desfavorável prejudica a economia?

Coloco minhas mãos para o alto para a arma que podem me apontar: ok, se forem explicar tudo, expressão por expressão, frase por frase, a notícia vira um livro. Será que isso aconteceria mesmo? Algumas informações podem ser resumidas com poucas palavras e deixariam a notícia tão mais clara e de fácil entendimento. O problema nisso é: a quem essa mensagem é escrita? Por que não ensinar um milésimo de economia no jornalismo e mostrar à população qual o sintoma da "anemia" que afeta o PIB também? Afinal, anemia do setor e indústria fraca é a mesma coisa mesmo?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma posição interessante...

Ethevaldo Siqueira, jornalista e blogueiro do Estadão, publicou no último dia 7 um texto afirmando sua posição a favor do diploma de jornalismo para a atuação destes profissionais, mas contra alguns posicionamentos ideológicos que há nessa área. Particularmente concordo com a ideia e achei dois pontos bem interessantes que não dá para contrariar:

A primeira é esta e sempre falo isso a quem pensa em fazer jornalismo:

"Cursei uma escola de bom nível, mas, afirmo-lhes, sem medo de errar, que, isoladamente, sem o complemento de outros cursos, muito mais específicos e profundos, o curso de jornalista que a USP (ou qualquer outra universidade brasileira) me poderia proporcionar não me permitiria exercer a profissão nem especializar-me nas áreas em que atuo (Jornalismo Científico e Tecnológico)."

Na minha opinião o curso de jornalismo prepara sim profissionais para cobrir qualquer tipo de assunto, mas isso é insuficiente ao extremo. Sai do curso de jornalismo em 2008 com um vazio enorme, afinal podemos escrever sobre tudo mas não entendemos, com profundidade, nada. O curso nos prepara para entender a mídia, o mercado e a prática jornalística. Aprendemos todas as teorias que são elaboradas acerca do tema, todas as outras teorias da comunicação e passamos por quase todas as atividades jornalísticas do mercado. Porém, é só.

Com esse vazio enorme resolvi me especializar em economia. Além do curso Master em Jornalismo Econômico, que é caríssimo e totalmente fora do meu orçamento de recém-formado, não encontrei nenhum outro curso de pós-graduação específico em jornalismo econômico. Se existir ele está bem escondido, mas é difícil de encontrar um curso que possibilite um bom entendimento da economia com toda sua complexidade e que dê uma base sólida para o jornalista afirmar o que é determinado conceito sem patinar na defesa daquilo que escreveu. Pior ainda é ele se defender apenas usando a explicação da sua fonte... a falta de conhecimento e especialização faz do jornalista refém de sua fonte. É ai que mora o perigo na economia porque, como vemos em alguns cursos da graduação de economia, algumas teorias e manifestações de economistas estão carregadas de ideologia (com um fundinho de manipulação...).

Enfim... sem nenhuma pós disponível, resolvi (como já falei aqui antes) encarar mais uma graduação, desta vez em Ciências Econômicas, na Unicamp - nada melhor para entender economia! Agora só me falta voltar à uma redação para começar a colocar em prática todas as pautas que me passam pela cabeça enquanto estou no banco da Unicamp.

E o segundo trecho que escolhi do texto do Ethevaldo Siqueira foi este que, aliás, dispensa comentários adicionais:

"O bom jornalista é aquele que nunca deixa de estudar, de ler, de atualizar-se, de aprofundar-se em sua especialidade, em aprimorar seu estilo, sua linguagem e sua cultura. Seu sucesso profissional não dependerá em nada daquele diploma que a faculdade lhe deu, se ele não fizer sua lição de casa, voltar outras vezes para a sala de aula, participar de seminários, conferências e congressos."
  
Pra quem quiser o post: A favor da Fenaj e do diploma