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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Limeirenses produzem vídeos com técnica stop motion


Oficina Carlos Gomes apresenta resultado de curso com quatro sessões diárias

Quem já assistiu ao filme "A Fuga das Galinhas", animação dirigida por Peter Lord e Nick Park, deve ter se perguntado como aqueles animais feitos de massinha ganham vida, falam e interagem entre si. A técnica parece ser difícil, mas segundo a publicitária Priscila Peres, 23 anos, "dá até pra fazer em casa", confessa.

Ela e outros 15 alunos participaram da oficina de animação usando a técnica chamada "stop motion". Quem coordenou o curso foi o professor e publicitário Renato Fabregat. A oficina fez parte da programação do segundo semestre deste ano da Oficina Regional Cultura Carlos Gomes, projeto do Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o oficineiro, a técnica é simples, porém trabalhosa. "Os alunos aprenderam na oficina desde a produção e o roteiro até algumas dinâmicas em grupo para que entendessem o conceito do stop motion", explica.


A publicitária Priscila Peres usou até a irmã nas animações

Quem dá a melhor definição para o que é a animação feita com a técnica ensinada por Fabregat é o contador de histórias Eduardo Abreu, 28: "ë uma animação a partir de fotografias". Ele, que além da contação de histórias também trabalha com artes cênicas, procurou a oficina para poder divulgar seu trabalho na Internet. "é bem divertido e prazeroso porque trabalha com a técnica aliado à criatividade de cada um", diz Priscila e complementa: "quando não temos o contato nem imaginamos como são feitas as animações, mas é fácil e eu fi até em um aniversário da minha família", ri.

Os desenhos são feitos cena a cena, ai está a engenhosidade da técnica. Para construir a animação de qualquer objeto - "até um prego ganha vida", comenta Priscila - é preciso fazer fotografias de cada movimento que o personagem da animação vai realizar. " O lance é manipular o objeto para ele ficar orgânico, para ele ganhar vida", diz Abreu. No final da oficina, segundo Fabregat, foram produzidos 14 animações. Até a última quinta-feira, nenhum dos alunos chegou a ver o resultado de seus trabalhos. Todos foram apresentados no lançamento do DVD com os trabalhos a noite, na sede da Oficina Carlos Gomes, no Palacete Levy. Segundo o oficineiro responsável pelo curso, o resultado foi surpreendente. "Algumas pessoas vieram até o curso com um conhecimento maior que outras, mas no final da oficina o nível de todos os alunos ficou igualado e muito bom", disse.


Já o contador de histórias, Eduardo Abreu, optou pelo humor para divulgar seu trabalho

De tão fácil que foi aprender a técnica, Priscila chegou a produzir três animações. Para elas usou até sua irmã e como cenário, o Parque da Cidade. No outro, quando estava em uma festa de aniversário, chamou duas crianças que estavam bagunçando no local e produziu junto com elas uma corrida de cadeiras. Já o terceiro, usou um carrinho de brinquedo e peças do brinquedo Lego para montar o filme. Já o contador de histórias usou do humor para produzir sua animação. "Fiz a história de um peixinho que contava as bolhas que fazia. Mas só isso não ficou engraçado e eu queria algo que fizesse as pessoas rirem. Contei a história para uma criança que conheço e ela não riu. Sua mãe contou a mesma história e no final, depois que o peixinho não conseguia mais fazer nenhuma bolhinha e ficou desesperado, ele soltou um 'pum', ai a criança adorou e usei a ideia na minha animação".

A exibição dos resultados da oficina encheu o salão principal da Oficina Carlos Gomes. As animações que foram produzidas aos sábados durante dois meses estão sendo exibidas para o público interessado. De acordo com a coordenação da oficina, os vídeos têm horários fixos para serem exibidos. As sessões vão até o dia 26, próxima quinta-feira em quatro horário: às 9h, 10h30, 14h e 15h30. As escolas que quiserem agendar horários para assistirem à produção, podem entrar em contato pelo telefone 3442-9857 ou pelo e-mail carlosgomes@assaoc.org.br



Durante o escurinho das exibições das animações, foi possível ver trechos de alguns dos vídeos produzidos pelos alunos do professor Fabregat. Alguns dos participantes da oficina recorreram à imagem clássica do filme "2001, Uma Odisseia no Espaço", do diretor Stanley Kubrick e no lougar dos primatas e dos pedaços de árvore, o símbolo da marca Kipling e um prego. A criatividade é o mais interessante ao assistir aos vídeos dos limeirenses. Fazer os vídeos também deve parecer coisa de crianças. Ao posarem para as fotos que colocamos aqui no blog, Eduardo Abreu e Priscila, ao manipular os objetos inanimados pareciam que voltaram à infância com o diferencial de, desta vez, poderem dar vida aos brinquedos que manipulam.

Vou caçar um vídeo para colocar aqui... quando conseguir posto novamente. Parabéns aos alunos e ao professor Fabregat. Pelo pouco que consegui ver, todos esbanjaram criatividade!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fotografias pensadas e intertextualidade nas imagens


Oficina Cultural Carlos Gomes abre exposição sobre fotografia contemporânea
por Alex Contin

Entre imagens pensadas, coloridas ou monocromáticas, pelo menos cinco fotógrafos e expositores registraram algumas fotos na inauguração de mais uma exposição na Oficina Cultural Regional Carlos Gomes. No começo da noite de ontem, o professor de fotografia e oficineiro Rogério Entringer e seus alunos apresentaram o resultado da oficina de Técnicas e Teorias na Fotografia Contemporânea. O curso que durou cerca de dois meses, entre setembro e outubro deste ano, concluiu suas atividades com 15 alunos, a maioria fotógrafos e artistas plásticos.

Encontros de amigos e familiares, ou pessoas desconhecidas em rodas de conversas eram suficientes para registrar com as várias lentes, objetivas e flashes o momento em que todos se reuniram para observar a intertextualidade nas fotografias ali expostas. Por intertextualidade das imagens produzidas como resultado da oficina coordenada por Entringer, entende-se, um pensar a foto ao apertar o disparador da câmera fotográfica. Segundo o próprio oficineiro, a proposta trazida por ele da Europa e dos Estados Unidos é inédita na região. “As fotografias são propositais e fazem diálogo com outras artes como o cinema, a música, a artes plásticas e a escultura”, define. No texto de apresentação da mostra, Entringer explica:

"O fazer fotográfico hoje é conceito, referências e intertextos. Tende se destacar da mesmice proporcionada pela abundância de imagens na velocidade do mundo contemporâneo e global. Diante disso, só há a possibilidade de ir para frente, experimentar, expectador transformado em participador, o fotográfico como proposições de práticas ou descobertas apenas sugeridas em aberto, na qual a invenção de um click propõe uma outra invenção em quem observa a imagem. Assim surgiu a mostra, produções e intertextos com a literatura musical, história da arte e da fotografia, artes plásticas, cinema, teatro entre outras esferas."

Nenhuma imagem, conforme explica o professor, é feita ao acaso e sem um propósito. Uma das imagens que estão expostas na sala dois Palacete Levy até o dia 24 deste mês chama atenção não só pela cor, mas pela construção da fotografia. Um modelo na pose da escultura “O pensador” de Salvador Dali, sentado em um vaso sanitário que faz referência ao urinol de Marcel Duchamp e comendo uma banada coberta de tinta azul que, além de lembrar as artes plásticas e a arte pop de Andy Warol. Além dos três artistas que o fotógrafo Nelson Shiraga usou como referência para sua imagem, outros ainda constavam em uma única fotografia dentro de um banheiro revestido por azulejos cor-de-rosa.


A arquiteta e artista plástica Paula Pittia usou o cubismo analítico para fazer seu auto-retrato

“A idéia é o subjetivo, destacar as imagens pensadas e fazer com que o observador também pense ao olhar as imagens expostas uma vez que a fotografia hoje em dia é banal”, critica e explica Entringer. As aulas, assim como o próprio nome da oficina revela, trouxe a teoria e a prática deste “novo jeito de fazer fotografia”. Artista plástica e arquiteta limeirense, Paula Pittia, tem três fotos expostas no local. A primeira faz uma desconstrução de seu auto-retrato relembrando o cubismo, e as outras duas trazem fotografias de pássaros que juntos formam imagens de borboleta. Para a artista, que também é professora de História da Arte, a idéia de integrar fotografia e artes plásticas foi interessante. “Trabalho com arte há 15 anos e no ultimamente me interessei mais pela arte contemporânea e comecei a trabalhar com algumas fotografias nos meus últimos trabalhos, por isso a oficina foi bem útil pra mim”, comenta.


Cacá Dominiquine: "a oficina muda muito a forma de ver a fotografia"

Já a fotógrafa de Campinas, Cacá Dominiquini, expõe dois auto-retratos. Se você já ligou o timer da câmera fotográfica, saiu correndo, fez pose, arrumou o cabelo e falou xis, Cacá parece ser especialista. Nas duas imagens que fazem parte da exposição da Oficina Carlos Gomes, Dominique utilizou como elemento intertextual a música da rockeira baiana Pitty, Admirável Chip Novo, para retratar um momento em que passou por uma “desconfiguração de seu sistema” após o nascimento de sua filha, e na segunda as imagens as pin-ups serviram de inspiração e referência para a foto que Cacá fez sentada em uma escada. “Fiz a oficina para buscar mais referências para meu trabalho e também para enriquecê-lo”, diz.

A noite de lançamento também contou com a presença de fotógrafos limeirenses que foram conferir o resultado. Entre eles J. B. Gimenez e J. F. Pacheco. Na opinião dos profissionais, a exposição contribui para a cultura da cidade e traz um novo olhar para as fotografias que hoje está sem um sentido definido e qualquer pessoa com uma máquina digital pode fazer. “As fotos ampliam a percepção das pessoas, fotografar dá um novo olhar para quem fotografa”, fazem coro.

Coordenador da Oficina, Robson Trento, comenta que este é mais um resultado dos cursos que o projeto mantido pelo Governo do Estado realiza em Limeira. “Esse não é só um trabalho de fotografia, mas sim um trabalho nas artes visuais que também forneceu para os alunos um aprofundamento teórico sobre o tema”, diz.
A exposição deve ficar aberta ao público até o dia 24 de novembro. Até lá é possível passar pelo prédio rosado do Largo da Boa Morte e treinar o subjetivo nas imagens expostas pelos alunos de Entringer.

Entringer, em seu texto, conclui:

"Diante disso tudo se pode concluir que o resultado do processo ensino-aprendizagem nessa oficina foi a produção de imagens que evidenciam a fotografia como sendo signos que representam linguagens, e que relacionam o fazer fotográfico a um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer matéria vivível ou vivida."




ENTRE ATOS

Quem esteva na abertura da exposição


Paula Pittia, Mariana Alcantara, Roberta Fioroni, Daniele Siqueira e Caca Dominiquine


J. B. Gimenez, J. F. Pacheco e Alessandra Ferreira


Robson Trento, Nicolina Petto e Lizete Pittia