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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Canal novo!! Marca páginas já está no YouTube para falar de "Terra Sonâmbula" do Mia Couto

Este ano entrei em uma nova-velha empreitada: mais um vestibular e (se der tudo certo) mais uma graduação. Desta vez escolhi cursar Letras para seguir meu objetivo de ser professor. Apesar das graduações em Jornalismo e Economia e do mestrado pelo Labjor da Unicamp, ainda não consegui chegar até uma sala de aula. Sendo assim, por que não adotar uma outra estratégia, não é mesmo?

Pois bem, o que é o Marca Páginas? É e será um canal para falar sobre livros. Vou tentar cumprir também com um objetivo pessoal de "desmistificar" a economia por meio deste canal, mas ainda vou pensar bem na estrutura para tornar o projeto bem redondo.

A história do canal, bem resumida, é a seguinte: estudando para o vestibular li Terra Sonâmbula do Mia Couto. Fiquei mais que apaixonado pelo livro e queria falar pra todo mundo sobre esse livro incrível. Fui procurar informações sobre ele no YouTube e encontrei o canal da Tatiana Feltrin. O canal dela é antigo já, mas não o conhecia. Por gostar muito do jeito dela e por precisar falar sobre o livro do Mia Couto, resolvi criar o Marca Páginas.

Com o tempo o canal vai adquirir sua forma e linguagem próprias. Projetos não faltam e quem sabe não consigo retomar este blog abandonado para fazer um mix entre textos, leituras e vídeos?

Então, apresento a todas e todos, meu canal Marca Páginas:


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Resposta ao comentário: o caso da laranja

Recebi um comentário no vídeo sobre Balanço de Pagamentos do Brasil no vlog "Vou ter que desenhar?".

Luiz Rodrigues disse:

" Estava indo tão bem... Escorregou na laranja. E feio. Brasil não exporta laranja e sim suco de laranja! Erro trivial? Não! Invalida toda a argumentação. FCOJ, o suco, é commodity. Tomador de preço no mercado. Já a laranja "in natura" pode ser algo especial. O Brasil importa laranjas especiais de Israel, Espanha e Uruguai. (uia! tapuia!). Por fim, os EUA são grandes exportadores de suco de laranja. Raramente importam do Brasil. Concorrem conosco nos grandes mercados. Especialmente na Europa."

Antes de mais nada obrigado pelo comentário! Ainda dando meus primeiros passos é importante receber um alerta como este para ficar mais atento nos próximos vídeos.

A questão da laranja

Acredito que realmente eu tenha "escorregado na laranja", como o Luiz disse. Contudo, não acho que isso invalide minha argumentação. O Brasil é sim grande exportador de commodities e, apesar de isso ter seu aspecto positivo para a nossa economia, a crítica coloca esse fato mais para o lado oposto. Como disse no vídeo, exportar commodities e não bens industrializados é um ponto de nossa economia que deveria ser superada. "Perdemos o bonde da indústria química e da microeletrônica", como acho que mencionei nos comentários finais e até hoje parece que não recuperamos.

Os dados comprovam. Segundo os dados consolidados de 2013 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, dentre os principais itens exportados pelo Brasil estão minério, complexo de soja, carnes, açúcar e etanol, papel e celulose, café, entre outros. Há também material de transporte químicos, maquinas e equipamentos e equipamentos elétricos, mas basta comparar com as importações para ver seus pesos.


Acredito que a tabela abaixo seja autoexplicativa para a comparação que eu quero fazer, mas vale citar que importamos equipamentos mecânicos, equipamentos elétricos e eletrônicos, automóveis e partes, farmacêuticos e etc.


Agora focando exclusivamente na laranja, vou usar dados do Ministério da Agricultura:

"Setor altamente organizado e competitivo, a citricultura é uma das mais destacadas agroindústrias brasileira. Responsável por 60% da produção mundial de suco de laranja, o Brasil é também o campeão de exportações do produto. (...) São colhidas, anualmente no País, mais de 18 milhões de toneladas de laranja ou cerca de 30% da safra mundial da fruta." (Fonte: Ministério da Agricultura > Vegetal > Culturas > Citrus)
"Cerca de 50% da produção mundial de laranja e 80% da brasileira resultam em sucos industrializados. O principal comprador da bebida brasileira é a União Européia que aumenta significativamente o percentual de importação anualmente. A maior parte das importações mundiais, 85%, é absorvida por apenas três mercados: Estados Unidos, União Europeia e Canadá." (Fonte: Ministério da Agricultura)

As informações acima mostram a validade do comentário do Luis e dão mais algumas informações úteis.

Gostaria, então, de me desculpar pelo equívoco no vídeo e reforçar que meu argumento era para dizer que, como está colocado lá, não fazemos parte da cadeia global de produção e nos limitamos a exportar muito mais commodities que produtos industrializados, o que nos traria mais vantagens no comércio internacional.

Fontes:
Balança Comercial com dados agregados de 2013 - Secretaria de Comércio Exterior / Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Balança Comercial brasileira de março


Já no acumulado do ano, as vendas para o exterior totalizam pouco mais que 49 bilhões de dólares, mas esse número é 4,1% menor que o registrado no primeiro trimestre do ano passado (US$ 847,3 milhões)  quando considera-se a média diária. (em 2014 foi de US$ 812,9 milhões). As importações também diminuíram em relação à comparação da média diária nos dois anos, uma queda de 2,2% (US$ 912,5 milhões em 2014 e US$ 933,2 milhões em 2013). Ainda considerando o acumulado do ano, compramos  US$ 55,660 bilhões, o que nos dá um resultado negativo.

O bem que mais pesa nas compras do Brasil é ainda o petróleo e seus derivados. A conta desse bem representa 75% do saldo negativo do primeiro trimestre de 2014. Contudo, especialistas do governo esperam que essa conta melhore com o aumento da produção de petróleo no Brasil, especialmente com o pré-sal.

Outros dados: o trimestre teve recorde na venda de soja em grão, de carne bovina in natura e de couro e peles. Esses três grupos tiveram crescimento de, respectivamente, 84,4%, 14,7% e 27,3% em relação ao ano passado, 2013. Vale uma observação nesse ponto: dá para reparar o que há de comum entre ele? São todos produtos não industrializados, certo? Ou seja, exportamos commodities, produtos que não passam pela indústria brasileira, mas sim são vendidos para outros países processarem e transformar esses produtos e vender com valor maior para o mercado nacional e internacional. 

Há quem ache que o país deveria se especializar apenas nesses produtos, mas existe um problema aí. Focar nos produtos da agricultura e pecuária não gera tanto emprego quanto uma indústria. Sendo assim, o Brasil precisa focar no seu setor produtivo e incentivar a instalação e criação de empresas nacionais que consigam produzir bens industrializados para exportar. O que falta para isso? Vontade? Disposição política? Quebra do comprometimento com os interesses dessa grande classe capitalista agropecuária? Difícil hein...

Mais um dado sobre nosso comércio internacional: os principais países compradores de nossos produtos são China, Estados Unidos, Argentina, Países Baixos e Japão. Contudo, as perspectivas para o comércio internacional não são boas. A Argentina passa por uma situação difícil de sua economia. Inflação alta e as mobilizações populares mostram um forte descontentamento com a condução da política econômica. O Brasil até tem tentado negociar incentivos para o comércio com o vizinho, mas a situação ainda parece complicada. 

Já a China, a primeira naquela lista de compradores dos nossos produtos, anunciou semana passada que não deve cumprir com a meta de crescimento desse ano.  A meta deles é de 7,5%, mas o governo anunciou que o crescimento pode ser um pouco maior ou menor que esse número. As exportações chinesas caíram 6,6% em março e as importações recuaram 11,3%. Essa desaceleração da China deve contribuir para manter em queda o preço das commodities nos próximos dois anos, segundo o FMI. Com tudo isso, o FMI ainda prevê dificuldades para a América Latina, que deve continuar na marcha lenta.



Mais dados:

O trimestre teve recorde nos embarques de soja em grão (US$ 4,551 bilhões, e aumento de 84,4% em relação ao mesmo período de 2013); de carne bovina in natura (US$ 1,345 bilhão; crescimento de 14,7%) e de couros e peles (US$ 700 milhões; crescimento de 27,3%), entre outros. 

Os principais países de destino das exportações, no acumulado do ano, foram China (US$ 9,6 bilhões); Estados Unidos (US$ 5,8 bilhões); Argentina (US$ 3,6 bilhões); Países Baixos (US$ 2,9 bilhões); e Japão (US$ 1,5 bilhão). E os principais países de origem das importações brasileiras foram: China (US$ 9,7 bilhões); Estados Unidos (US$ 8,8 bilhões); Alemanha (US$ 3,5 bilhões); Argentina (US$ 3,3 bilhões) e Coreia do Sul (US$ 2,4 bilhões).

Fontes:
"Balança comercial de março tem superávit de US$ 112 milhões" - Portal Brasileiro de Comércio Exterior