Ethevaldo Siqueira, jornalista e blogueiro do Estadão, publicou no último dia 7 um texto afirmando sua posição a favor do diploma de jornalismo para a atuação destes profissionais, mas contra alguns posicionamentos ideológicos que há nessa área. Particularmente concordo com a ideia e achei dois pontos bem interessantes que não dá para contrariar:
A primeira é esta e sempre falo isso a quem pensa em fazer jornalismo:
"Cursei uma escola de bom nível, mas, afirmo-lhes, sem medo de errar, que, isoladamente, sem o complemento de outros cursos, muito mais específicos e profundos, o curso de jornalista que a USP (ou qualquer outra universidade brasileira) me poderia proporcionar não me permitiria exercer a profissão nem especializar-me nas áreas em que atuo (Jornalismo Científico e Tecnológico)."
Na minha opinião o curso de jornalismo prepara sim profissionais para cobrir qualquer tipo de assunto, mas isso é insuficiente ao extremo. Sai do curso de jornalismo em 2008 com um vazio enorme, afinal podemos escrever sobre tudo mas não entendemos, com profundidade, nada. O curso nos prepara para entender a mídia, o mercado e a prática jornalística. Aprendemos todas as teorias que são elaboradas acerca do tema, todas as outras teorias da comunicação e passamos por quase todas as atividades jornalísticas do mercado. Porém, é só.
Com esse vazio enorme resolvi me especializar em economia. Além do curso Master em Jornalismo Econômico, que é caríssimo e totalmente fora do meu orçamento de recém-formado, não encontrei nenhum outro curso de pós-graduação específico em jornalismo econômico. Se existir ele está bem escondido, mas é difícil de encontrar um curso que possibilite um bom entendimento da economia com toda sua complexidade e que dê uma base sólida para o jornalista afirmar o que é determinado conceito sem patinar na defesa daquilo que escreveu. Pior ainda é ele se defender apenas usando a explicação da sua fonte... a falta de conhecimento e especialização faz do jornalista refém de sua fonte. É ai que mora o perigo na economia porque, como vemos em alguns cursos da graduação de economia, algumas teorias e manifestações de economistas estão carregadas de ideologia (com um fundinho de manipulação...).
Enfim... sem nenhuma pós disponível, resolvi (como já falei aqui antes) encarar mais uma graduação, desta vez em Ciências Econômicas, na Unicamp - nada melhor para entender economia! Agora só me falta voltar à uma redação para começar a colocar em prática todas as pautas que me passam pela cabeça enquanto estou no banco da Unicamp.
E o segundo trecho que escolhi do texto do Ethevaldo Siqueira foi este que, aliás, dispensa comentários adicionais:
"O bom jornalista é aquele que nunca deixa de estudar, de ler, de atualizar-se, de aprofundar-se em sua especialidade, em aprimorar seu estilo, sua linguagem e sua cultura. Seu sucesso profissional não dependerá em nada daquele diploma que a faculdade lhe deu, se ele não fizer sua lição de casa, voltar outras vezes para a sala de aula, participar de seminários, conferências e congressos."
Pra quem quiser o post: A favor da Fenaj e do diploma
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 1 de novembro de 2009
Diploma de jornalismo
Circula na Câmara dos Deputados, em Brasília, a Proposta de emenda à Constiuição 386/09. De autoria do petista Paulo Pimenta (RS), o documento volta a estabelecer a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, estava na pauta de votação do último dia 28, mas por conta de outros assuntos não foi aprovado.
Depois que o Supremo Tribunal Federal acabou com essa exigência para o exercício da profissão, em junho deste ano, por entender que a obrigatoriedade de um curso superior feria a liberdade de expressão prevista na Constituição. Desde então, o Ministério do Trabalho não tem mais emitido nenhum registro de jornalista, o famoso e almejado MTB.
Quem se formou ano passado e demorou para dar entrada no pedido do documento em alguma delegacia regional do ministério pelo jeito vai ter que sentar e esperar pelo desenrolar da história para conseguir ser registrado como profissional formado e habilitado a assinar sua própria matéria. A informação é confirmada até pelo Sindicato dos Jornalistas que comentou que nem em São Paulo estariam autorizando a emissão do número de registro junto ao Ministério do Trabalho. É protocolar um pedido e esperar.
Pesquisando na internet sobre o assunto encontrei alguns links interessantes para quem quiser acompanhar o caso:
Jornalistas Diplomados - este é um blog que acompanha o assunto com notas sobre o andamento da PEC que retorna a obrigatoriedade;
PEC 386/09 - Proposta do deputado Paulo Pimenta (PT);
Parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) sobre a PEC - último andamento do documento na Câmara até a publicação deste texto;
Em conversas com colegas da profissão, o que se diz nos bastidores é que a proposta deve ser aprovada e no máximo 60 dias o presidente Lula sancione a lei. Que assim seja...
Para acompanhar o andamento da PEC, basta acessar o site da Câmara dos Deputados, procurar o link "Projetos de Lei e Outras Proposições" e preencher o formulário de pesquisa selecionando "PEC" e informar o número do documento e o ano de apresentação. Tentei copiar o link da página, mas não consegui... Acho que dá para entrar por aqui.
Depois que o Supremo Tribunal Federal acabou com essa exigência para o exercício da profissão, em junho deste ano, por entender que a obrigatoriedade de um curso superior feria a liberdade de expressão prevista na Constituição. Desde então, o Ministério do Trabalho não tem mais emitido nenhum registro de jornalista, o famoso e almejado MTB.
Quem se formou ano passado e demorou para dar entrada no pedido do documento em alguma delegacia regional do ministério pelo jeito vai ter que sentar e esperar pelo desenrolar da história para conseguir ser registrado como profissional formado e habilitado a assinar sua própria matéria. A informação é confirmada até pelo Sindicato dos Jornalistas que comentou que nem em São Paulo estariam autorizando a emissão do número de registro junto ao Ministério do Trabalho. É protocolar um pedido e esperar.
Pesquisando na internet sobre o assunto encontrei alguns links interessantes para quem quiser acompanhar o caso:
Jornalistas Diplomados - este é um blog que acompanha o assunto com notas sobre o andamento da PEC que retorna a obrigatoriedade;
PEC 386/09 - Proposta do deputado Paulo Pimenta (PT);
Parecer da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) sobre a PEC - último andamento do documento na Câmara até a publicação deste texto;
Em conversas com colegas da profissão, o que se diz nos bastidores é que a proposta deve ser aprovada e no máximo 60 dias o presidente Lula sancione a lei. Que assim seja...
Para acompanhar o andamento da PEC, basta acessar o site da Câmara dos Deputados, procurar o link "Projetos de Lei e Outras Proposições" e preencher o formulário de pesquisa selecionando "PEC" e informar o número do documento e o ano de apresentação. Tentei copiar o link da página, mas não consegui... Acho que dá para entrar por aqui.
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