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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Vida Universitária: do batismo ao diploma

Texto feito para a Revista VU (www.vidauniversitaria.com.br)em fevereiro de 2010

Tudo começa com algumas brincadeiras de criança ou uns meses antes da inscrição no vestibular. Algumas pessoas já sabem o diploma que querem pregar na parede desde pequenas, enquanto outras dividem seus pensamentos entre duas ou mais opções, mas todos que se matriculam num curso do Ensino Superior sabem que estão entrando em uma nova fase: a vida universitária. São trabalhos, livros, resumos, professores, prazos de entrega, provas, testes, xérox, biblioteca, grupos de estudo e responsabilidades de um lado e festas, azaração, vida independente, república, balada, cerveja, paqueras, saídas, ficadas, gargalhadas, fofocas, roncos e diversão do outro.

A Vida Universitária une o melhor de dois mundos em uma idade na qual a maioria dos estudantes está com hormônios e agitação à flor da pele. Apesar de um momento em que tudo se torna novo de novo, a responsabilidade dos estudos se funde com o sentimento único que um universitário sente durante quatro ou cinco anos. Sentimento de mudança que engloba muita correria, pouco dinheiro, novas amizades, contatos profissionais, visão de mercado, perspectiva de futuro e uma quase estratégia de guerra para se dar bem na carreira escolhida.



Hoje fiosioterapeuta formado pela Faculdade Anhanguera e estudante de uma especialização na Unicamp em Campinas, Rogério Bernardo, de 31 anos, já passou pela experiência. A estudante de Gestão de Agronegócios da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp em Limeira, Lucinéia Aparecida Vicelli, 22, está no segundo ano dessa vida. E a bixete do curso de Administração do Isca Faculdades, Franciele Fernandes, 19, acabou de conhecer alguns dos professores e colegas dos próximos oito semestres de estudos. Apesar de estarem em níveis de experiência diferentes, os três fazem coro quando definem a vida universitária como um momento de independência, amadurecimento e preparação. Resumindo nas palavras de Bernardo: “Uma das melhores fases da vida, que vale qualquer esforço”.


O batismo dessa vida parece ser o famoso trote, época em que as papelarias devem vender ainda mais as tintas guaches. Franciele, que passou pela mãos dos veteranos de seu curso achou a sensação maravilhosa. “É estranho porque a atenção parece que é toda para você. Fiquei supersuja de tinta mais foi muito divertido e saudável, além disso é um jeito fácil de ter contatos com pessoas que ainda não conhecemos”, conta a bixete. Contatos esses que devem durar pelo menos 48 meses. Além de todo o esforço para acompanhar as aulas e estudar em horários antes inimagináveis, a vida em um curso superior é um dos momentos para se fazer grandes amizades. “Acredito que pelo fato que você vai passar no mínimo quatro anos na faculdade, as amizades que você faz tem um peso maior, tanto com professores como com os amigos de classe”, opina. “É possível fazer amizades verdadeiras e que mesmo a distância e os compromissos da vida moderna serão sempre lembradas”, completa Lucinéia.

Além dos amigos das salas de aula, outros universitários ainda encontram a independência que tanto sonharam: a república. Uma nova casa, mobiliada ao gosto dos habitantes, convivência com gente que nunca se viu antes, compras, limpeza e arrumação. Algumas vezes a fórmula universitário mais universitário parece resultar em festa. Apesar de estudantes enxergarem a vida universitária como um momento de pura diversão, as responsabilidades que a matrícula em uma instituição de ensino superior traz exige cautela na hora de “encher o pote”. Bernardo, que entrou na faculdade aos 26 anos, já não era mais atraído pela vida boêmia que acompanham essa vida. “Quando entrei na faculdade estava muito focado em estudar e poder aprender o máximo possível, já possuía maturidade para separar o que realmente precisava e podia esperar, além disso festas e bares já não me atraíam mais”, relembra.

O foco do fisioterapeuta o levou para dois congressos e a um simpósio em apenas dois anos. Aproveitando esses anos nos quais são permitidos erros, elogiados os acertos e incentivadas as experimentações dentro da faculdade, Bernardo entrou para o projeto de iniciação científica da faculdade. Em 2007 participou do Congresso Internacional de Iniciação Científica (Conic) em Sorocaba, e em 2008 da nova edição do mesmo evento, em Botucatu e no Simpósio Internacional de Iniciação Científica da Universidade de São Paulo. Andando por qualquer faculdade, seja ela pública ou particular, os quadros de aviso sempre exibem umas cartas ou outro de prêmios e concursos. São apenas quatro anos para experimentar o leque de possibilidades de cada profissão e as notas no final de cada semestre servem como medida para a coragem de inovar ou a inércia de esperar o papel chamado diploma. Fazer um curso superior não é uma folha de sulfite com dois lados e totalmente descartável depois de se rabiscar todo o espaço branco. Vida universitária pode ser um rolo enorme de papel pronto para ser trabalhado e depois guardado na gaveta chamada aprendizado.


Conselho de quem já passou pela vida universitária:

“Use sua consciência, seja racional; é como comprar um carro, o carro do seu sonho que você demorou quatro anos juntando dinheiro e trabalhando muito e na hora que você vai buscar ele está riscado. Você levaria assim mesmo? Você pode ir à festas, mas depois das aulas, se vai programar nunca marque perto de provas principalmente, e não se engane: quatro ou cinco anos passa voando na faculdade quando você perceber estará acabando.” Rogério Bernardo, fisioterapeuta



Luxo ou privilégio?




Rogério Bernardo esperou um bom tempo para conseguir realizar o sonho de fazer um curso superior. Depois de acabar o Ensino Médio, ele precisou trabalhar para conseguir dinheiro e finalmente se matricular na faculdade. “Na época estava com 26 anos, meus pais são pessoas humildes que sempre valorizaram o trabalho e princípios de honestidade, mas não possuíam recursos para me ajudar nos estudos”, conta. Então Bernardo começou a trabalhar no comércio de Limeira para conseguir ajudar em casa e só depois começou “seu sonho”.

Assim como ele, várias pessoas se matriculam em um curso de ensino superior anualmente. Olhando para as faculdades no primeiro semestre de cada ano, a maioria dos estudantes são jovens recém-saídos do terceiro ano do Ensino Médio que não dão nenhuma pausa na considerada “vida escolar”. De acordo com o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) o número de estudantes que ingressaram na chamada “vida universitária” em 2008 – data do último balanço disponível no site do Ministério da Educação (MEC) – foi de 1.505.819.

Apesar de o número parecer ser grande, ele não corresponde ao total de vagas disponíveis naquele ano. Há dois anos, as instituições de ensino superior do Brasil ofereceram 2.985.137 vagas. A conta entre ingressos e vagas disponíveis mostra que a quantidade de vagas ociosas, ou seja, aquelas que não foram ocupadas pelos estudantes foi de 1.479.318, quase metade da oferta. Ainda seguindo os cálculos que as estatísticas do Inep disponibiliza, 5.534.689 pessoas se inscreveram em vestibulares nas instituições brasileiras. O censo do Inep considera nesses números as graduações presenciais e a distância de faculdades públicas e privadas.

Ainda de acordo com os dados da instituição, o número de estudantes do Ensino Superior em 2008 era de 5.080.056. E um dado curioso que o censo apresenta é que de todos os estudante que iniciam essa “vida universitária”, somente 57,3% concluem o curso. Os dados sobre 2009 começaram a ser colhidos junto das instituições de ensino em janeiro e o resultado ainda não estava disponível no site do Inep. Os números mostram que, apesar de as faculdades existirem aparentemente “aos montes”, o número de estudantes que tentaram e não conseguirem entrar em algum curso superior naquele ano é grande e tende a aumentar. Com tudo isso vai a pergunta: curso superior é luxo ou privilégio? Como você encara ele? Conte para nós no portal da Revista VU acessando www.vidauniversitaria.com.br


Números



2.985.137 foi o número de vagas oferecidas nos vestibulares para 2008

5.534.689 pessoas concorreram essas vagas

1.505.819 conseguiram passar e ingressaram em alguma graduação

1.479.318 vagas ficaram ociosas

Do portão fechado à Unicamp de Limeira

Entrevista feita em 22 de fevereiro para a Revista VU (www.vidauniversitaria.com.br)

Hora do vestibular é sagrada e não tem como chorar dois minutos depois que os portões das escolas se fecham. Quem sentiu isso na pele e também nos ouvidos foi o vestibulando Ariel Meira Ronqui, de 18 anos, em São Paulo. Ele perdeu hora, chegou atrasado e ainda teve que ouvir a reação de sua mãe que ficou inconformada com o deslize do filho em um dos vestibulares que ele mais queria entrar, a Fuvest, curso: Educação Física. Além de tentar um curso na Universidade de São Paulo (Usp), Ronqui também se inscreveu no vestibular da Unicamp para o curso de Ciências do Esportes, em Limeira e no de Educação Física na Unesp. Apesar de ter perdido a prova da Usp, o estudante foi aprovado nas outras duas e se matriculou no campus da Unicamp, a Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira.

Depois de um ano inteiro de preparo, se deparar com o portão fechado e a informação de que não poderia fazer a prova que tanto esperava, não foi fácil. Na hora, quem mais se desesperou foi sua mãe, a professora de canto, Denize Meira. O caso foi divulgado pela Rede Globo, que acompanhava o movimento na escola no dia da segunda fase do vestibular.

Aquela era a segunda vez que prestava os vestibulares. A primeira foi em 2008, no ano em que concluiu o Ensino Médio na capital paulista. “Desde minha infância sempre gostei de esportes e de praticá-los, em especial o futebol pelo qual sou fanático. Mas gosto muito também do vôlei. Sempre assistia e ainda assisto aos jogos e programas esportivos. É o curso que mais me identifico e por isso o escolhi”, conta o estudante. Confira entrevista com o estudante sobre como foi perder o vestibular.

Revista VU: A reação da sua mãe quando você perdeu o horário no vestibular da Fuvest ficou conhecida por conta da transmissão da Globo. Conforme foi divulgado sua mãe mal conseguia dirigir e ainda foi atendida pelo hospital da universidade. Como você se sentiu na hora?

Ariel Meira Ronqui: Bom, primeiramente minha mãe só foi para o Hospital Universitário para tomar um calmante e a maneira como ela dirigiu não foi desgovernada. Ela só acelerou num trecho de rua um pouco curto. O modo como a Globo e demais veículos de imprensa divulgaram dá a entender que ela saiu "raspando o carro" ou "batendo na guia" (palavras essas utilizadas pelos jornais), o que não é verdade. Enfim, na hora minha ficha demorou para cair. Eu não queria acreditar que havia perdido a prova. É como se eu tivesse jogado fora um ano inteiro de trabalho. Somente quando cheguei em casa foi que a tristeza bateu de verdade. Eu estava muito confiante em relação à prova e ao futuro resultado. E de uma hora para outra, essa confiança se foi.

VU: E qual foi a repercussão desse fato entre seus amigos? O que eles comentaram? Tiraram sarro ou algo do tipo?

Ronqui: Na hora eu precisava justamente conversar com algum amigo. Mas todos estavam fazendo a prova! Ou senão estavam viajando! Logo após o término do exame, liguei para uma amiga e falei que precisava conversar com ela urgente. A gente se encontrou e eu contei meu caso. Ela me ajudou muito e, aos poucos, outros amigos começaram a me ligar e mandar mensagens no celular, falando que me viram na internet e perguntando se era verdade o que tinha acontecido... Enfim, eles acabaram me dando uma força muito grande. Inclusive também reprovaram a atitude que a imprensa teve. Quanto ao fato de me zuarem ou não, somente depois de alguns dias, quando já estava tudo bem, que começaram a fazer brincadeiras e piadinhas. Eu mesmo acabava me zuando também! Mas tudo eu levava numa boa.

VU: Você já se matriculou na Unicamp daqui de Limeira? O que achou da cidade?

Ronqui: Já me matriculei sim. Não tive a oportunidade de conhecer muito a cidade ainda. Só andei pelos arredores do campus. Mas agora vou ter muito tempo para conhecer bem toda a cidade né! (rsrs) A única coisa que acabei conhecendo e muito bem foi o calor de Limeira! (rsrs) Já vi que vou sofrer com isso! (rsrs)

Para atualizar a matéria, entramos em contato esta semana (começo de abril) com Ariel para saber como está sua adaptação no curso e na cidade. "Sobre o curso, estou gostando bastante! É justamente o que eu imaginava! Minha adaptação está sendo tranquila. Está tudo caminhando bem! E espero que continue assim!", disse ele por e-mail.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Prefeitura oferece terrenos distantes 300 km


Foto: Maurício R. Martins

Das três áreas oferecidas ao Movimento Sem-Terra (MST) pelo prefeito Silvio Félix (PDT), duas estão a cerca de 330 km de Limeira. Alvilândia e Lupércio, cidades próximas de Marília, são sedes de duas fazendas que estão na oferta feita por Félix para remover as 125 famílias assentadas no Horto Florestal. Os terrenos estão sendo analisados pelo governo federal, de acordo com a Assessoria de Comunicações da prefeitura, e eles podem fazer parte da permuta de terrenos entre município e União comentada pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, no último sábado em Limeira. Chefe do MST do município, José de Arimatéia, diz que não quer sair do município e pede área com pelo menos 437 hectares, ou 4,37 km2.

As famílias estão assentadas na área do Horto desde abril de 2007 e brigam pelo terreno desde então, alegando que o local é uma área da União. O caso está na Justiça Federal, em Piracicaba.

No último sábado, Dilma disse ter conversado com Félix sobre o assunto e não divulgou detalhes sobre a negociação. Uma possível permuta de áreas entre município e União pode garantir que o horto volte para o município e para os planos que Félix tem para o local.
O prefeito disse que a prefeitura irá comprar áreas para serem repassadas aos sem-terras do município. Comentou até que algumas das áreas já estão em negociação com as famílias proprietárias.

Ontem, a Assessoria de Comunicações da prefeitura informou os três terrenos que Félix ofereceu. O primeiro da lista é a Fazenda São José, em Limeira - uma área de 87,12 hectares (ha). O segundo é a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, com 183,92 ha no município de Alvilândia. E por fim, o terceiro é a Fazenda Ocauçu, com 221,43 ha, em Lupércio. Os dois municípios estão, respectivamente, a cerca de 300 km e 330 km distantes de Limeira, aproximadamente 4h20 de viagem. São cidades próximas de Marília com uma população total de 7.265 pessoas, de acordo com a soma das estimativas populacionais de 2009 de cada município, divulgadas pelo IBGE. Lupércio tem uma área total de 155 km2 e Alvilândia 85 km2.

De acordo com o representante do MST de Limeira, José de Arimatéia, as famílias não ficaram sabendo da apresentação de nenhuma área desde agosto de 2009. "Toda a negociação de áreas está sendo feita direto com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Quando eles apresentam uma área, as famílias decidem se aceitam ou não", diz. As últimas ofertas do Executivo municipal foram recusadas pelo grupo por não atenderem aos pedidos feitos pelos assentados. "A área que recusamos era muito pequena para nossos propósitos e longe demais. Pelo Incra, a terra deveria ser maior porque ela era distante da área urbana. As famílias teriam que compensar os gastos com locomoção até o município em um lugar tão longe", comentou.

Sobre uma área em outra cidade, Arimatétia enfatizou: "Não queremos sair do município, não queremos nos desfazer das raízes que temos aqui porque tem famílias assentadas que são de Limeira." O ideal, de acordo com ele, é que cada família tenha uma área de pelo menos 3,5 ha, totalizando um assentamento de 437 ha.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Saldo do emprego é o segundo pior em onze anos


Quadro de crise no 1º semestre causou reflexos no resultado

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou ontem seus dados sobre o emprego formal de 2009 no Brasil. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Limeira registrou seu segundo pior resultado em onze anos. Apesar de ter gerado 1.129 novos postos de trabalho durante os doze meses do ano passado, o resultado só é superior ao saldo de 2001, quando somente 298 empregos formais foram registrados no município. Apesar da queda, o mercado de trabalho tende a se recuperar este ano, de acordo com o supervisor do Posto de Atendimento ao Trabalhador de Limeira, Mario Ernesto Besso. Segundo ele, há 350 vagas abertas e uma procura grande pelos empregos oferecidos pelo órgão.

Apesar de já ter se passado mais de um ano desde o epicentro da crise econômica mundial que tirou o sono de empresas e trabalhadores em outubro de 2008, as estatísticas ainda refletem os danos causados pela bolha estourada nos Estados Unidos no segundo semestre daquele ano. De acordo com nota divulgada pelo MTE, o saldo do país ficou abaixo do esperado. A estimativa do titular da pasta, Carlos Lupi, era que o Brasil gerasse pelo menos um milhão de postos de trabalho. O Caged mostrou que a realidade está a 5 mil empregos distante. Ao todo, 995.110 postos de trabalho foram criados em 2009 em todo o país.

Em Limeira, o saldo do mês de dezembro foi negativo. Por conta das admissões e demissões sazonais, alavancada principalmente pelos temporários do comércio e das indústrias, a diferença entre as admissões e as demissões foi de -633 - o número corresponde à quantidade de postos de trabalho formais fechados no município. No total foram admitidos 1.969 tralhadores, enquanto 2.602 receberam baixa na carteira.

No saldo anual, 28.949 pessoas foram registradas em carteira no ano passado. Em contrapartida, 27.820 foram demitidas. Em 2001 - ano marcado pela crise econômica gerada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso -, foram registradas 16.912 admissões contra 16.614 demissões. Seguindo a lista dos piores anos para o mercado de trabalho em Limeira, o terceiro colocado foi o ano de 2003, com 1.152 postos de trabalho criados e em quarto lugar está 1999 - o primeiro ano que o ministério disponibilizou os dados do Caged em seu portal na Internet -, com 1.301 postos de trabalho criados.

ANÁLISE
Na opinião de Besso, supervisor do PAT e presidente da Comissão Municipal de Emprego, o principal motivo que gerou a queda na geração de emprego na cidade foi a crise econômica do final de 2008. "No último trimestre daquele ano e no primeiro semestre de 2009 registramos uma queda no emprego da cidade. Por conta da crise, o mercado de trabalho não conseguiu se recuperar ainda em 2009, o que gerou o número baixo no ano passado", explica.

Besso ainda estima que este ano o mercado de trabalho deve repor os empregos perdidos durante os meses de crise. "Estamos registrando uma média de 150 a 180 atendimentos diários no Emprega São Paulo agora no mês de janeiro", informa. Na análise do supervisor do PAT, o crescimento na procura por um emprego é também o reflexo da crise que deixou muitos trabalhadores sem o registro na carteira em 2009.

O setor que mais abriu vagas neste começo de ano foi o da indústria, o que na opinião de Besso, é o sinal de uma "reposição ou recuperação dos trabalhadores demitidos durante os meses de crise".

Apesar da grande procura, Besso ainda diz que os trabalhadores enfrentam um grande problema na hora de pleitear um novo emprego: a falta de qualificação. "Temos 350 vagas abertas para Limeira, mas muitas não são preenchidas por falta de qualificação", diz.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Avatar, de longe o melhor filme que já assisti



As primeiras informações sobre o novo longa-metragem do diretor de "Titanic", James Cameron, surpreendiam só pelos números que acompanhavam as estimativas de gastos e expectativas quanto ao filme. Até a porta do cinema, o filme Avatar resgata na memória todas as notícias que foram divulgadas até a estreia, mas na cadeira e com o início do filme a maioria se dispersa e a atenção fica focada na telona. O começo do longa não se difere muito dos outros filmes de ficção científica e aqueles com temas militares, mas seu desenrolar e todo o investimento já rendeu uma estreia que totalizou 232,2 milhões de dólares em todo o mundo, de acordo com o site "The Hollywood Reporter".

Com grandes naves e helicópteros modernos e uma equipe de milicos mercenários que foram levados a um novo mundo, Jake Sully, interpretado por Sam Worthington, chega à Pandora no lugar do irmão gêmeo. Sem o treinamento específico sobre suas novas atividades na base humana no mundo extraterrestre, Sully, um ex-fusileiro naval "preso" em uma cadeira de rodas, está atrás de um novo começo para sua vida e entra na equipe da cientista Grace Augustine (Sigourney Weaver a protagonista do filme "Alien - O Oitavo Passageiro").

O mundo guarga em seu subsolo um minério raro que é fruto da ganância humana e sua flora e fauna têm atividades biológicas superiores às da Terra que move pesquisas científicas lideradas por Grace. O planeta, que é habitado por um povo azul chamado Na'vi, lembra a era pré-histórica terráquia, onde a interferência humana era mínima. Os Na'vi vivem em perfeita harmonia neste ambiente verde com alienígenas que mais parecem as misturas genéticas de cachorros, macacos, aves e dinossauros que fazem parte da fauna de nosso mundo com um DNA alien dando aos animais características singulares como um cavalo de seis patas, ou um cachorro misturado com uma pantera negra e orelhas que lembram pétalas de alguma flor negra. Nada morre em vão, e o povo azul só mata para se alimentar, "uma morte limpa", como dizem.

Do outro lado da balança que contrapõe o respeito à natureza e a ganância humana, o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) lidera a equipe militar contratada por Parker Selfridge (Giovani Ribsi) para explorar o minério raro que, além de ter um grande preço no mercado da Terra, resolveria os problemas energéticos do mundo de origem dos intrusos de Pandora. No ano em que se passa a história de Avatar, a Terra já não possui mais a abundância verde e a diversidade da fauna, assim como hoje. O dinheiro, para os militares contratados por Selfridge, importa mais que o cuidado com uma árvore ou qualquer outro ser vivo em um ambiente sem nenhum inimigo que quebre a cadeia alimentar básica da ecologia.

Como informou na tarde de ontem o site "The Hollywood Reporter", o filme de Cameron teve no seu primeiro final de semana uma bilheteria estimada em 73 milhões de dólares nos cinemas dos Estados Unidos. O total arrecadado na estreia é menor que o filme "Eu Sou a Lenda", que estreiou na mesma época em 2007. "A maior estreia de dezembro foi com o filme de 2007 com 77,2 milhões de dólares", informou em nota. De acordo com as primeiras estatísticas de "Avatar", o filme foi exibido em 106 países com uma bilheteria total de 159,2 milhões de dólares fora do terrirório norte-americano.

A TECNOLOGIA USADA NO FILME, de acordo com as notas divulgadas durante as últimas semanas, foi responsável pelo montante de investimento no longa. O diretor de Avatar estava planejando o filme há cerca de 10 anos, mas não dispunha das câmeras específicas para capturar as imagens do filme. Em 3D, Avatar se torna ainda mais real ao aproximar os espectadores do mundo de Pandora. Os vôos em pássaros que mais pareciam dinossauros, ou as cavalgadas pelos campos daquele mundo levam junto aqueles que estão sentados com os óculos 3D no rosto.

Todo o investimento do filme que foi considerado o mais caro da história, com um gasto estimado em 500 milhões de dólares, fica visível nas montanhas flutuantes, nas espaçonaves do exército do coronel Quaritch ou no simples flutuar dos espíritos puros que lembram as pétalas daqueles dentes de leão que se desmancham ao sopro humano ou uma brisa mais forte. Em Limeira, o filme teve sua pré-estreia na última quinta-feira e esta semana está sendo exibido na sala 1, com três sessões diárias, sendo que no dia 24 o Arcoplex irá exibir somente a primeira sessão e no dia 25 o local estará fechado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Lara lara", "porom porom", ao ritmo do trombone de vara


Mostra municipal quer transformar Limeira na "cidade do circo"

Com o acompanhamento dos alunos de primeira a terceira série do Sesi 408, o ator Gilberto Caetano tocava seu trombone de vara no que era seguido pelas vozes infantis: "Lara lara", "porom porom". A música, apesar de ser difícil traduzí-la em uma onomatopeia, é a mais conhecida quando o tema é circo, praticamente um hino para palhaços e outros artistas que fazem do picadeiro e da lona seu palco para os diversos números desse mundo colorido e divertido. Apesar de ser usada até os dias atuais, a música interpretada através do trombone, retratou a época antiga dos picadeiros na qual o espetáculo que foi exibido no Centro Esportivo do Sesi, na Avenida Major José Levy Sobrinho. A apresentação fez parte da primeira Mostra Municipal de Circo, realizada pela Secretaria Municipal da Cultura.

O ator e seus dois companheiros, Fernando Sampaio e Domingos Montagner fazem parte do grupo LaMínima, que une teatro e circo na apresentação "Luna Parke". Os três fizeram da quadra da escola o espaço para a apresentação. Apesar de estarem acostumados com números a céu aberto, o trio de São Paulo, foi convidado pela organização do evento municipal para fazer parte da agenda de números que compuseram a primeira mostra com temática específica sobre o circo. De acordo com o diretor de Cultura, Carlos Jerônimo, a proposta da mostra circense é "transformar Limeira na cidade do circo". Palhaços e artistas do meio não faltam na cidade. O diretor cita pelo menos duas escolas que já trabalham com o tema. O Aldeia Movimento Pró-Cultura e o Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), por meio do seu Núcleo de Cultura, já trabalham a arte com seus jovens. Além deles uma nova escola de circo deve ser aberta na cidade.

"Limeira está crescendo no campo do circo. O sucesso do Festival Paulista motivou a criação dessa mostra que é um embrião para o que vamos realizar no ano que vem na segunda mostra de circo", diz.

Três espetáculos estavam programados para a primeira edição do evento, porém uma das companhias não pôde se apresentar, conforme comenta Jerônimo. A primeira foi realizada no último sábado na Praça Toledo Barros pelo grupo Andaime, de Piracicaba. Eles levaram para o coração da cidade o número "A Noiva do Defunto", uma adaptação de um texto português de humor da década de 1950.



HUMOR E RISADAS são praticamente sinônimos de picadeiro e artistas circenses quando o tema em discussão é circo. O trio do LaMínima, durante a apresentação da tarde de ontem tiraram, sem esforço, as risadas dos alunos do Sesi. Sentados no chão da quadra, em frente ao picadeiro improvisado com aqueles baldinhos que crianças usam nas praias e correntes de plástico, as crianças gritaram e gargalharam quando a Monga, a mulher golira saiu da sua jaula e ameaçou ultrapassar os limites entre artistas e plateia. "O Luna Parke é uma homenagem aos parques de diversão de antigamente que traziam personagens famosos como a Monga, a mulher que se transformava em gorila, homens que deitam em vidros, engolem fogo entre outros", explica Caetano que há 20 anos está na estrada com a equipe difundindo a cultura circense e outros trabalhos teatrais. Ele diz que atualmente o circo está forte no interior de São Paulo e o evento municipal promovido neste final de ano e os dois Festivais Paulistas de Circo que Limeira sediou em 2008 e 2009 fazem do município um "pólo cultural".

Em 2010, a terceira edição do festival promovido pelo Poder Executivo Estadual deve acontecer entre os dias 24 e 28. Apesar de não estar confirmado o local do evento, Jerônimo comenta que o endereço dos picadeiros não deve mudar, o festival continua próximo à rotatória da Hípica Municipal, nas margens da Via Antonio Cruanes Filhos, do Anel Viário. Já a segunda Mostra Municipal de Circo deve acontecer no final de 2010.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Limeirenses produzem vídeos com técnica stop motion


Oficina Carlos Gomes apresenta resultado de curso com quatro sessões diárias

Quem já assistiu ao filme "A Fuga das Galinhas", animação dirigida por Peter Lord e Nick Park, deve ter se perguntado como aqueles animais feitos de massinha ganham vida, falam e interagem entre si. A técnica parece ser difícil, mas segundo a publicitária Priscila Peres, 23 anos, "dá até pra fazer em casa", confessa.

Ela e outros 15 alunos participaram da oficina de animação usando a técnica chamada "stop motion". Quem coordenou o curso foi o professor e publicitário Renato Fabregat. A oficina fez parte da programação do segundo semestre deste ano da Oficina Regional Cultura Carlos Gomes, projeto do Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o oficineiro, a técnica é simples, porém trabalhosa. "Os alunos aprenderam na oficina desde a produção e o roteiro até algumas dinâmicas em grupo para que entendessem o conceito do stop motion", explica.


A publicitária Priscila Peres usou até a irmã nas animações

Quem dá a melhor definição para o que é a animação feita com a técnica ensinada por Fabregat é o contador de histórias Eduardo Abreu, 28: "ë uma animação a partir de fotografias". Ele, que além da contação de histórias também trabalha com artes cênicas, procurou a oficina para poder divulgar seu trabalho na Internet. "é bem divertido e prazeroso porque trabalha com a técnica aliado à criatividade de cada um", diz Priscila e complementa: "quando não temos o contato nem imaginamos como são feitas as animações, mas é fácil e eu fi até em um aniversário da minha família", ri.

Os desenhos são feitos cena a cena, ai está a engenhosidade da técnica. Para construir a animação de qualquer objeto - "até um prego ganha vida", comenta Priscila - é preciso fazer fotografias de cada movimento que o personagem da animação vai realizar. " O lance é manipular o objeto para ele ficar orgânico, para ele ganhar vida", diz Abreu. No final da oficina, segundo Fabregat, foram produzidos 14 animações. Até a última quinta-feira, nenhum dos alunos chegou a ver o resultado de seus trabalhos. Todos foram apresentados no lançamento do DVD com os trabalhos a noite, na sede da Oficina Carlos Gomes, no Palacete Levy. Segundo o oficineiro responsável pelo curso, o resultado foi surpreendente. "Algumas pessoas vieram até o curso com um conhecimento maior que outras, mas no final da oficina o nível de todos os alunos ficou igualado e muito bom", disse.


Já o contador de histórias, Eduardo Abreu, optou pelo humor para divulgar seu trabalho

De tão fácil que foi aprender a técnica, Priscila chegou a produzir três animações. Para elas usou até sua irmã e como cenário, o Parque da Cidade. No outro, quando estava em uma festa de aniversário, chamou duas crianças que estavam bagunçando no local e produziu junto com elas uma corrida de cadeiras. Já o terceiro, usou um carrinho de brinquedo e peças do brinquedo Lego para montar o filme. Já o contador de histórias usou do humor para produzir sua animação. "Fiz a história de um peixinho que contava as bolhas que fazia. Mas só isso não ficou engraçado e eu queria algo que fizesse as pessoas rirem. Contei a história para uma criança que conheço e ela não riu. Sua mãe contou a mesma história e no final, depois que o peixinho não conseguia mais fazer nenhuma bolhinha e ficou desesperado, ele soltou um 'pum', ai a criança adorou e usei a ideia na minha animação".

A exibição dos resultados da oficina encheu o salão principal da Oficina Carlos Gomes. As animações que foram produzidas aos sábados durante dois meses estão sendo exibidas para o público interessado. De acordo com a coordenação da oficina, os vídeos têm horários fixos para serem exibidos. As sessões vão até o dia 26, próxima quinta-feira em quatro horário: às 9h, 10h30, 14h e 15h30. As escolas que quiserem agendar horários para assistirem à produção, podem entrar em contato pelo telefone 3442-9857 ou pelo e-mail carlosgomes@assaoc.org.br



Durante o escurinho das exibições das animações, foi possível ver trechos de alguns dos vídeos produzidos pelos alunos do professor Fabregat. Alguns dos participantes da oficina recorreram à imagem clássica do filme "2001, Uma Odisseia no Espaço", do diretor Stanley Kubrick e no lougar dos primatas e dos pedaços de árvore, o símbolo da marca Kipling e um prego. A criatividade é o mais interessante ao assistir aos vídeos dos limeirenses. Fazer os vídeos também deve parecer coisa de crianças. Ao posarem para as fotos que colocamos aqui no blog, Eduardo Abreu e Priscila, ao manipular os objetos inanimados pareciam que voltaram à infância com o diferencial de, desta vez, poderem dar vida aos brinquedos que manipulam.

Vou caçar um vídeo para colocar aqui... quando conseguir posto novamente. Parabéns aos alunos e ao professor Fabregat. Pelo pouco que consegui ver, todos esbanjaram criatividade!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pop arte em muitas cores e até sabores no Teatro Vitória

Obras mostram a criatividade de alunos do Núcleo de Cultura

Muitas cores, materias reciclados, recortes de revistas e ícones da cultura pop fazem parte da nova exposição dos alunos do Núcleo de Cultura do Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom). Na tarde de ontem, professores e integrantes do projeto abriram a exposição "Pop Arte" no saguão de entrada do Teatro Vitória. Ao todo, 18 obras ficarão no local até o dia 25 de novembro disponíveis para a visitação dos integrantes do projeto e da população em geral. Junto dos trabalhos dos alunos de 18 Centros Comunitários de Limeira também estão obras feitas pelos professores de artes plásticas integrantes do projeto. As nove obras reunidas na exposição "Almah" retratam a identidade dos professores do núcleo.

A entidade que todos os anos realiza exposições como resultado das aulas resolveu trabalhar o tema Pop arte inaugurado pelo artista Andy Warhol, entre as décadas de 1950 e 1960. De acordo com o coordenador do núcleo, Vagner Fernandes, o objetivo foi trabalhar com os alunos a "possibilidade de dar uma ressignificação para os objetos de cada dia, das coisas banais que os alunos encontram no dia a dia", diz.

Na exposição, uma mesa velha se transformou em arte com uma bandeira dos Estados Unidos feitas nas cores do símbolo nacional brasileiro e imagens de Michael Jackson em amarelo. O astro que falesceu este ano também se transformou em uma outra obra de fundo rosa e sua sombra preta de braços abertos. Além dele, os alunos também deixaram suas mãos estampadas em um pedido de paz, seus rostos foram retratados lado a lado lembrando a imagem clássica feita por Warhol com a atriz Merilyn Monroe e a reprodução de figuras de mangá como os personagens do anime Dragon Ball Z. Fernandes comenta que esses elementos fazem parte da cultura popular de hoje e foram retratadas pelos alunos dos centros comunitários.

De acordo com a professora do Centro Comunitário Amparo, Flávia Pereira Carvalho, trabalhar pop arte com os alunos foi "entusiasmante". Ela conta que muitos alunos só tinham ouvido falardo estilo nas aulas da escola e nunca se aprofundaram nem realizaram trabalhos inspirados no tema. "Os alunos corresponderam de uma forma motivadora, eles não conheciam a pop arte e até inovaram na elaboração da obra deles", conta. Os alunos da artista trouxeram para a exposição uma salada de frutas. A sobremesa, colorida e de frutas variadas foi pensada como uma forma de fazer o caminho inverso feito pelos artistas da pop arte. "Os artistas daquela época criticaram o consumismo e a alimentação em suas obras, nós transformamos a arte em alimento", conta Jéssica Meira Pereira, 15 anos. Ela conta que pensaram na salada de frutas por ser uma alimentação saudável e colorida, atributos que corresponderam com as características das obras feitas por Warhol e seus seguidores.

As exposições "Pop Arte" e "Almah" fazem parte da 4ª Mostra de Arte e Talento do Ceprosom e ficará no Teatro Vitória até o dia 25 deste mês, de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fotografias pensadas e intertextualidade nas imagens


Oficina Cultural Carlos Gomes abre exposição sobre fotografia contemporânea
por Alex Contin

Entre imagens pensadas, coloridas ou monocromáticas, pelo menos cinco fotógrafos e expositores registraram algumas fotos na inauguração de mais uma exposição na Oficina Cultural Regional Carlos Gomes. No começo da noite de ontem, o professor de fotografia e oficineiro Rogério Entringer e seus alunos apresentaram o resultado da oficina de Técnicas e Teorias na Fotografia Contemporânea. O curso que durou cerca de dois meses, entre setembro e outubro deste ano, concluiu suas atividades com 15 alunos, a maioria fotógrafos e artistas plásticos.

Encontros de amigos e familiares, ou pessoas desconhecidas em rodas de conversas eram suficientes para registrar com as várias lentes, objetivas e flashes o momento em que todos se reuniram para observar a intertextualidade nas fotografias ali expostas. Por intertextualidade das imagens produzidas como resultado da oficina coordenada por Entringer, entende-se, um pensar a foto ao apertar o disparador da câmera fotográfica. Segundo o próprio oficineiro, a proposta trazida por ele da Europa e dos Estados Unidos é inédita na região. “As fotografias são propositais e fazem diálogo com outras artes como o cinema, a música, a artes plásticas e a escultura”, define. No texto de apresentação da mostra, Entringer explica:

"O fazer fotográfico hoje é conceito, referências e intertextos. Tende se destacar da mesmice proporcionada pela abundância de imagens na velocidade do mundo contemporâneo e global. Diante disso, só há a possibilidade de ir para frente, experimentar, expectador transformado em participador, o fotográfico como proposições de práticas ou descobertas apenas sugeridas em aberto, na qual a invenção de um click propõe uma outra invenção em quem observa a imagem. Assim surgiu a mostra, produções e intertextos com a literatura musical, história da arte e da fotografia, artes plásticas, cinema, teatro entre outras esferas."

Nenhuma imagem, conforme explica o professor, é feita ao acaso e sem um propósito. Uma das imagens que estão expostas na sala dois Palacete Levy até o dia 24 deste mês chama atenção não só pela cor, mas pela construção da fotografia. Um modelo na pose da escultura “O pensador” de Salvador Dali, sentado em um vaso sanitário que faz referência ao urinol de Marcel Duchamp e comendo uma banada coberta de tinta azul que, além de lembrar as artes plásticas e a arte pop de Andy Warol. Além dos três artistas que o fotógrafo Nelson Shiraga usou como referência para sua imagem, outros ainda constavam em uma única fotografia dentro de um banheiro revestido por azulejos cor-de-rosa.


A arquiteta e artista plástica Paula Pittia usou o cubismo analítico para fazer seu auto-retrato

“A idéia é o subjetivo, destacar as imagens pensadas e fazer com que o observador também pense ao olhar as imagens expostas uma vez que a fotografia hoje em dia é banal”, critica e explica Entringer. As aulas, assim como o próprio nome da oficina revela, trouxe a teoria e a prática deste “novo jeito de fazer fotografia”. Artista plástica e arquiteta limeirense, Paula Pittia, tem três fotos expostas no local. A primeira faz uma desconstrução de seu auto-retrato relembrando o cubismo, e as outras duas trazem fotografias de pássaros que juntos formam imagens de borboleta. Para a artista, que também é professora de História da Arte, a idéia de integrar fotografia e artes plásticas foi interessante. “Trabalho com arte há 15 anos e no ultimamente me interessei mais pela arte contemporânea e comecei a trabalhar com algumas fotografias nos meus últimos trabalhos, por isso a oficina foi bem útil pra mim”, comenta.


Cacá Dominiquine: "a oficina muda muito a forma de ver a fotografia"

Já a fotógrafa de Campinas, Cacá Dominiquini, expõe dois auto-retratos. Se você já ligou o timer da câmera fotográfica, saiu correndo, fez pose, arrumou o cabelo e falou xis, Cacá parece ser especialista. Nas duas imagens que fazem parte da exposição da Oficina Carlos Gomes, Dominique utilizou como elemento intertextual a música da rockeira baiana Pitty, Admirável Chip Novo, para retratar um momento em que passou por uma “desconfiguração de seu sistema” após o nascimento de sua filha, e na segunda as imagens as pin-ups serviram de inspiração e referência para a foto que Cacá fez sentada em uma escada. “Fiz a oficina para buscar mais referências para meu trabalho e também para enriquecê-lo”, diz.

A noite de lançamento também contou com a presença de fotógrafos limeirenses que foram conferir o resultado. Entre eles J. B. Gimenez e J. F. Pacheco. Na opinião dos profissionais, a exposição contribui para a cultura da cidade e traz um novo olhar para as fotografias que hoje está sem um sentido definido e qualquer pessoa com uma máquina digital pode fazer. “As fotos ampliam a percepção das pessoas, fotografar dá um novo olhar para quem fotografa”, fazem coro.

Coordenador da Oficina, Robson Trento, comenta que este é mais um resultado dos cursos que o projeto mantido pelo Governo do Estado realiza em Limeira. “Esse não é só um trabalho de fotografia, mas sim um trabalho nas artes visuais que também forneceu para os alunos um aprofundamento teórico sobre o tema”, diz.
A exposição deve ficar aberta ao público até o dia 24 de novembro. Até lá é possível passar pelo prédio rosado do Largo da Boa Morte e treinar o subjetivo nas imagens expostas pelos alunos de Entringer.

Entringer, em seu texto, conclui:

"Diante disso tudo se pode concluir que o resultado do processo ensino-aprendizagem nessa oficina foi a produção de imagens que evidenciam a fotografia como sendo signos que representam linguagens, e que relacionam o fazer fotográfico a um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer matéria vivível ou vivida."




ENTRE ATOS

Quem esteva na abertura da exposição


Paula Pittia, Mariana Alcantara, Roberta Fioroni, Daniele Siqueira e Caca Dominiquine


J. B. Gimenez, J. F. Pacheco e Alessandra Ferreira


Robson Trento, Nicolina Petto e Lizete Pittia

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Reportagem especial: Fazendo arte na adolescência, o fomento do tradicional ao contemporâneo

Publicada no Caderno de Domingo, páginas 6 e 7, de 16 de agosto


Ali não é preciso nenhum tipo de palco, iluminação especial ou cortinas para separar o público dos artistas. O assoalho de madeira e as paredes rosadas do Palacete Levy, no Largo da Boa Morte, centro de Limeira, servem de coxias, camarim, estúdio de arte ou ateliê. A Oficina Carlos Gomes, que movimenta a cultura e fomenta a arte em Limeira completou, na última sexta-feira, 12 anos. No local que homenageia um dos mais importantes operistas brasileiros, cursos de teatro, dança, artes visuais e uma infinidade de linguagens modernas e tradicionais são trabalhadas com um público variado, de iniciantes a profissionais formados que buscam nas oficinas gratuitas do local uma forma de estarem atualizados com o que está em voga em cada uma das áreas artísticas. De tempos em tempos o interior do prédio rosado da esquina das ruas Boa Morte e Alferes Franco e de janelas brancas se transforma em um difusor da arte contemporânea ou em precursor da contemporaneidade da dança, do teatro e das formas e se ver o mundo.

Entrando na adolescência, a Oficina Cultural já mostra os sintomas dessa fase há algum tempo. Provocar uma visão diferente de arte nos limeirenses e aguçar a criatividade e curiosidade dos artistas da cidade e da região são atividades que fazem da escola a diferença para quem quer caminhar pela estrada da arte ou usa ela para um hobby e terapia.

A escola surgiu de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura com a antiga Secretaria de Cultura, Turismo e Eventos de Limeira, em 1997. Ela faz parte da rede de oficinas gerenciada pela Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo (Assaoc). As escolas oferecem à população do Estado atividades gratuitas.

DE ALUNA A FUNCIONÁRIA

A atriz Tatiana Alvez é uma das frequentadoras do local. Desde a abertura da oficina ela participa das atividades promovidas pela escola e atribui a esses cursos a responsabilidade pela sua formação. "Eu sou autodidata, não fiz faculdade de artes cênicas, mas aprendi muita coisa nas oficinas da Carlos Gomes, que foram responsáveis por grande parte da minha formação", diz. Na opinião da atriz, os cursos oferecidos pela escola auxiliam na formação de artistas na cidade. Apesar de reconhecer a importância do curso superior, para Tatiana as oficinas auxiliam os artistas na hora da prática, no fazer a arte.

"Os cursos despertam a vontade dos alunos de buscarem mais novidades. Muitos fazem um determinado curso aqui para conhecer a área que escolheram e depois vão fazer faculdade e se especializar ou, pelo menos, têm uma noção para outra área. Algumas pessoas também vêm fazer curso de teatro, por exemplo, para perder a timidez, para ajudar na vida pessoal", diz. Tatiana além de acompanhar toda a trajetória da escola, hoje auxilia nos serviços internos do local. Ela trabalha na oficina há sete anos e atualmente é técnica de programação cultural. Ela é uma das responsáveis pela agenda do local. "As oficinas apresentam áreas e técnicas diferentes para os artistas, serve como uma atualização do conhecimento também", conclui.

DE ALUNO A PROFESSOR

Outro profissional que passou pelas salas do Palacete Levy, prédio onde as oficinas são realizadas, é o ator e professor de teatro Daniel Martins, 28 anos. Aos 17, ele e um amigo foram se inscrever para um curso de música no local, mas acabaram fazendo um de artes cênicas. Até aquela idade Martins confessa que pensava em fazer algum curso relacionado à Comunicação Social, como Jornalismo ou Publicidade e Propaganda, no Ensino Superior e seguir carreira em uma das áreas. "Eu já tinha uma tendência para o teatro, mas a Oficina Carlos Gomes teve um papel decisivo na minha carreira", diz. Dos cursos de teatro iniciante, para os intermediários e de lá para a graduação de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Além desse diploma, Martins também fez outra faculdade de Letras em outra instituição e voltou para a universidade paranaense para fazer mestrado em Literatura.

Cerca de dez anos depois de sua primeira oficina em Limeira, Martins voltou para a cidade e para as paredes chapiscadas do palacete, agora como professor. Por volta de 2006, o ator ministrou uma oficina de literatura no local. O curso, que não tinha uma expectativa tão grande de público, teve todas as vagas preenchidas. Daquele ano até hoje, Martins continua a oferecer os cursos de literatura e teatro na oficina. "Eu olho para os alunos e lembro de muita coisa da minha época", conta em tom saudosista.

Para ele, que também atribui às oficinas do local um papel fundamental para a formação, a programação de cursos para Limeira e para os artistas da cidade são um centro de formação e fomento da arte. Martins conta que, na sua trajetória no local, teve oportunidade de entrar em contato com profissionais gabaritados no mercado. "Logo no começo, pouco tempo depois de ter entrado na oficina, tive contato com profissionais consagrados, cada um em sua área. Dessa forma, a oficina não só oferece uma variedade grande de cursos para a população, como também coloca os alunos em contato com essas peças renomadas".

Martins, além de estar na grade da oficina como um dos coordenadores dos cursos de teatro e literatura, desenvolve um projeto em Iracemápolis que envolve crianças de sete a 14 anos com textos de escritores clássicos como Shakespeare e Machado de Assis. O projeto chamado Núcleo de Vivência Teatral é uma proposta que trabalha um teatro inteligente com as crianças.

DE CIRCO A FOTOGRAFIA



Apesar de oferecer cursos de inúmeras linguagens, o público da Oficina Carlos Gomes tem suas preferências. Segundo o coordenador do local, Robson Trento, as áreas de maior procura são as relacionadas com artes visuais, cinema de animação, fotografia e teatro. Além destas, frequentemente a oficina traz novidades para Limeira. "Nós procuramos fomentar todos os tipos de arte e inovamos também nessas oficinas. Quando trouxemos a primeira exposição de arte contemporânea, o público não sabia direito o que estava vendo, não estava acostumado", conta. Circo, dança contemporânea, produção de máscaras, formação de público, contação de história, entre outras categorias fazem parte desse leque de opções que caminha entre a arte tradicional e a moderna.

Além dessas inovações nas linguagens, a oficina também trouxe para Limeira profissionais reconhecidos no mercado. Passaram pelo prédio a atriz Rose Campos, o cineasta Carlos Reichenbach, a dançarina contemporânea italiana Cristina Salmistraro, o diretor de teatro Antunes Filho e o grupo teatral "Os Parlapatões" - que participou da abertura da oficina, em 1997, quando ainda não era famoso, segundo Trento. "Além de pessoas 'famosas' e de renome, a Carlos Gomes também conta com profissionais que começaram seus estudos e a vida artística aqui, foram estudar fora e voltaram para ministrar alguma oficina ou nos ajudar no planejamento, como Daniel Martins e Tatiana Alves", diz.

Os resultados das oficinas também fazem história. "Um dos filmes de animação que fizemos na oficina desta área foi exibida no AnimaMundi, um evento reconhecido internacionalmente", relata Trento. Responsável pela oficina - pois levou Limeira ao mais importante festival de animação do mundo - o animador Maurício Squarisi, 50, considera Limeira um polo de produção na área.

O profissional atua na oficina desde 2000, quando ministrou seu primeiro curso na cidade. Ele é um dos fundadores do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, entidade também reconhecida na produção de vídeos do gênero. Na oficina de estreia, o resultado das aulas contou com o vídeo "Ao Pé de Limeira", que conta a história da cidade por meio dos desenhos animados. Este e outras sete animações fazem parte do acervo da oficina. "Poucas cidades têm um acervo como esse, por isso consideramos a cidade um polo de animação", comenta.

Na visão de Squarisi, Limeira já poderia ter um estúdio de produção de animações. "Nós não conseguimos que o mesmo grupo de alunos continuasse nas oficinas ano a ano. Se o grupo de 2000 ainda estivesse participando dos cursos no local, nós teríamos um estúdio formado. Os participantes dessas oficinas são interessados no assunto, assumem o compromisso da produção e vão até o fim", conta. Empenho esse que é reconhecido nos festivais dos quais as animações participam. "Todo filme tem sido aceito em festivais com seleção rigorosa como o AnimaMundi, no qual cerca de 1,3 mil animações são inscritas e somente 300 são selecionados para a mostra". Este ano, o animador coordenou mais uma oficina que teve como resultado a animação "Sossega Leão", um clipe animado da música "Camisa Listrada", interpretada por Carmen Miranda. O vídeo ainda será lançado pela oficina e faz parte do acervo do local.

Além dos desenhos, documentários e curta-metragem também se destacam na produção da oficina. Um curta produzido pela Oficina Incurta, da produtora Nada Audiovisual, de Paulínia, ganhou espaço no 37º Festival de Gramado. O vídeo "Simplesmente, Hilda" fala sobre a escritora brasileira Hilda Hilst e instiga quem o assiste a conhecer a autora de cerca de 40 obras, conforme conta o cineasta limeirense e sócio da produtora, Ricardo Dias Picchi. O curta produzido no final de 2007 faz parte de um projeto homônimo da oficina surgiu a partir da ideia de oferecer aos alunos um suporte técnico para a produção dos vídeos. "Simplesmente, Hilda", que foi produzido pelas alunas da oficina Jéssica Zuzi e Camila Oliveira, já participou de dez festivais da área.

COMEMORAÇÃO

As comemorações dos 12 anos começaram na sexta-feira. Durante o mês de agosto, a casa exibe a 2ª Mostra de Arte Contemporânea (Mosca). Além de expor obras de artistas de Limeira, Campinas , Piraciaba, Rio Claro, Santa Gertrudes e Piraciaba, a oficina cultural também irá promover dois workshops. Os responsáveis pela palestra são os artistas Marcelo Salum e Cláudio Cretti, os dois de São Paulo (confira na programação). Cretti, segundo Trento, é um artista plástico de renome na capital. "Os dois artistas são muito bem conceituados no meio artístico de São Paulo, mas Cretti tem peças expostas em vários museus de São Paulo", conta o coordenador. Assim como em outras oficinas da casa com artistas de renome, relacionados anteriormente, a participação de Cretti é encarada por Trento como uma possibilidade de os limeirenses trocarem experiências com um profissional conceituado no mercado. "Esse intercâmbio é muito importante para a arte da cidade. No workshop o artista deixa de ser alguém que está simplesmente expondo
uma obra, ele se aproxima dos alunos, do seu público que tem a chance de tirar todas suas dúvidas e descobrir como é o processo de criação desse artista".

Além da mostra de artes, a escola adolescente se prepara para receber novos alunos, de jovens como ela a adultos e idosos, nos próximos meses em novos cursos. Na grade da escola estão cursos de moda, fotografia, pintura, teatro, entre outras. Ainda crescendo, a oficina continua ali, formando artistas no prédio centenário no centro de Limeira, com seu trabalho inovador e instigante.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Caso Fantasma - Perguntas sem respostas

A Prefeitura de Limeira, por enquanto está optando pelo silêncio para algumas respostas específicas. É típico só dizerem o que lhes convém e deixar sem respostas alguns questionamentos que podem entregar alguma sujeira.

Na última terça-feira, dia 7, enviei (de meu e-mail pessoal) algumas perguntas para saber como será tratado o caso do fantasma dentro do poder Executivo. A resposta básica que a Assessoria de Comunicações da prefeitura passa para a imprensa só diz que os serviços de vídeo são muitos caros e por isso decidiu ela mesma produzí-los com a assessoria de uma pessoa contratada para tal.

Foram feitas as seguintes perguntas:


- Quem solicitou ao prefeito os serviços do profissional?

- Por que a prefeitura não contratou os serviços da empresa de Muraoka ou de outra empresa do setor como uma assessoria técnica, conforme foi divulgado em nota?

- O tal funcionário deverá devolver o salário que recebeu no tempo que ficou nomeado?

- Se esse tipo de nomeação/contratação é legal, como transpareceu na resposta enviada para a imprensa, por que exoneraram o funcionário?

- O funcionário tem algum registro em livro-ponto que comprove os horários e dias que trabalhou na prefeitura?

- Quais foram os vídeos que Muraoka produziu no tempo que ficou nomeado?

Agora as inconsistências. Se a forma como Muraoka foi contratado é legal, havia mesmo a necessidade de exonerá-lo no mesmo dia em que a matéria sobre o funcionário fantasma foi publicada no Jornal de Limeira? Não seria interessante uma coletiva de imprensa para mostrar que não havia irregularidade em todo esse processo?

Já quanto aos horários de trabalho, funcionários comissionados, em algumas secretarias, não costumam registrar horários de entrada e saída. No Centro Cultural, peo menos, é assim. Lá só professores têm que registrar diariamente o horário que esteve no prédio dando aulas, já o resto...

Os comissionados, segundo resposta dada lá dentro quando foi questionado a exclusividade do registro aos professores, é que eles trabalham além do horário normal. Ficaram até bravos por ter sido questionado esse fato. Os professores, segundo acordo com o antigo diretor da escola, Rafael Gabriel, trabalham nos horários de suas aulas e usam o restante do período para preparar as aulas em casa. Isso é mais que necessário tendo em vista a falta de infraestrutura do local. Há somente um computador para todos os professores usarem e poucos livros das áreas dos cursos oferecidos pela escola.

Os comissionados trabalham sim, de sábado, domingo e alguns feriados, isso quando há eventos relacionados à pasta à qual estão lotados. Mesmo assim, não deveriam ter um mecanismo de registro do horário trabalhado - ou a prática revelaria que "bicos" a parte atrapalham os negócios com o poder Executivo?

O e-mail até a noite de sexta-feira não foi respondido. No feriado de 9 de julho, apesar de alguns funcionários da prefeitura terem atendido o chamado via Nextel de outros funcionários, simplesmente ignoraram algumas ligações, como se estivessem longe do celular, ou ignorando mesmo.

Exportações caem US$ 56,86 milhões no semestre

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou ontem os resultados da Balança Comercial do primeiro semestre de 2009. De acordo com o levantamento, nos seis primeiros meses, Limeira deixou de exportar cerca de 24% de sua produção em relação ao mesmo período de 2008, o que corresponde a US$ 56.863.862 a menos. As importações também fecharam em queda, variação de cerca de - 20% comparando os dois semestres. A balança comercial na cidade - diferença entre as importações e exportações -, no entanto, fechou positiva em US$ 20,684 milhões.

O ano já começou negativo para o comércio exterior de Limeira. Com a crise econômica mundial, os produtos que mais perderam mercado no cenário internacional foram os de bens de capital, com uma queda de 40,4% na exportação. Além deste, os bens intermediários também registraram queda. A variação entre os primeiros semestres de 2008 e 2009 mostrou um resultado negativo de 31,3% para esse grupo, o que corresponde a US$ 47.465.422 a menos vendidos para outros países.

Os bens intermediários consideram materiais utilizados durante a produção das empresas. Este é o grupo que mais exporta em Limeira. Nele está o setor de peças e acessórios de equipamentos de transporte. Só estes produtos perderam quase 13 pontos percentuais de participação das exportações dos bens intermediários. O setor exportou US$ 43.659.726 a menos neste primeiro semestre.

Nas outra mão do comércio exterior, Limeira importou US$ 13.390.887 a menos no período comparado. O setor que mais registrou queda também foi o de bens de capital, que exportou US$ 7.278.355 a menos.

ESTADO

O principal exportador do Sudeste, o Estado de São Paulo, teve queda de US$ 19,193 bilhões nas exportações - performance 29,4% menor que a registrada no mesmo período de 2008 (US$ 27,185 bilhões).

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Palavrões, depredação e o respeito perdido

Violência escolar tira perspectiva de jovens e ânimo de professores

por Alex Contin, publicada no Caderno de Domingo do dia 7 de junho

Indiferença, rebeldia, resistência, falta de interesse e de perspectiva. A violência é um dos temas que não saem mais dos noticiários e das conversas de comadres. Há anos ela também se tornou preocupação dos conselhos escolares. O limite entre violência e indisciplina dentro das escolas, no entanto, já é invisível uma vez que um palavrão se tornou "comum" nas salas de aula, segundo alguns professores. As situações envolvem várias esferas da sociedade. Família, professores, funcionários, direção, alunos, comunidade e Estado. As consequências de toda essa situação se refletem no futuro dos estudantes, dos professores e daqueles com quem convivem.

As escolas de hoje em dia são comparadas a campos de guerras e presídios. As metáforas nada animadoras e polêmicas são feitas por alguns professores que, apesar de ainda alimentarem um sentimento bom pela licenciatura, expressam revolta e indignação com a situação das salas de aula onde atuam. Os tempos já não são mais os mesmos e aqueles que passam pelas portas em direção às lousas e livros comparam o hoje com o início da carreira. "O que mais me surpreendeu em toda minha carreira foi quando entrei pela primeira vez em uma sala na escola onde dou aulas e todos os alunos da oitava série se levantaram para me receber", comentou uma professora, que deu declarações sob a condição de não se identificar.

A situação narrada por S. aconteceu há 16 anos. Ela dá aulas há 26 e hoje sua principal reclamação é sobre a falta de interesse e respeito pela figura do professor. "Daquela época para hoje mudou da água para o vinho. Hoje os pais também não dão mais educação aos filhos e delegam isso aos professores", comenta.

Com um tempo menor dentro das salas de aula, outra professora, que identificaremos por Fátima, garante que suas palavras não são de revolta, mas sim da realidade. "A sobra da sociedade foi despejada na escola de hoje. Se entrarmos em um presídio e em uma sala de aula é a mesma coisa", polemiza. Fátima, 45, começou a dar aulas em 2000 "por falta de opção", como revela. Formada em biologia, o mercado de trabalho para sua área ficou fechado, o que a forçou a procurar aulas na rede estadual de ensino.

A professora deu aula nas "escolas de periferia", como ela mesma definiu. "Nas escolas onde dei aula era comum alunos levarem bebidas alcoólicas para a escola em garrafinhas de água, tinham um vocabulário chulo e com uma indisciplina generalizada", relata. Segundo ela, a violência verbal dentro das escolas é diária. Essa é a mesma opinião dos cinco professores com os quais o Jornal de Limeira conversou.

Até hoje Fátima não passou por agressões físicas, mas diz ter presenciado. "Atearam fogo no cabelo de uma professora amiga minha", revela. "Outra amiga chamaram de macaca, puro racismo". O que poderia ser uma revolta natural da fase da adolescência, ultrapassa alguns limites entre natural e o perigoso. "Certa vez precisamos, eu e outros professores, sair da escola escoltados pela polícia. A direção deu suspensão para uma aluna de 11 anos que estava drogada dentro da sala de aula. Ela reuniu um grupo de adolescentes e esperou os professores saírem para agredi-los", relembra.

TIPOS E CLASSIFICAÇÕES

O tema violência escolar ficou tão em voga na sociedade hoje em dia que virou até tese de doutorado. A professora e pesquisadora Alice Akemi Yamasaki defendeu em 2007, na Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP), uma tese sobre a violência no contexto escolar.

Em seu trabalho ela define o que é violência. "A palavra violência é evolução do termo latino "violentia" e o seu conceito vem, etimologicamente, do latim vis, que significa força. Trata-se do ato de força contra a natureza de algum ser".
Segundo a doutora, a cinematografia, alguns programas de computadores e videogames trabalham também a violência urbana e de guerras veiculando uma cultura eletrônica que acaba tendo reflexos na convivência doméstica e social.

No cenário escolar, a violência se expressa de duas formas: com aspectos internos (na sala de aula, relação professor-aluno e aluno-aluno) e externos à escola (contexto socioeconômico das comunidades e da escola, políticas educacionais e sociais, em geral). Na prática, o que é mais presenciado pelos personagens que estão envolvidos em toda essa problemática é resumido na configuração de violência escolar apresentada na tese de Alice.

O texto da pesquisadora mostra que a violência pode ser dividida em grupos distintos. No primeiro estão os atos contra a escola, como práticas de depredação e danificação ao patrimônio escolar, além de agressões a bens materiais de funcionários e professores.

Em Limeira, prédios e salas de aula tomadas por rabiscos e pichações não são difíceis de ser encontrados. Já quanto aos danos de bens, um dos profissionais da educação entrevistados pelo Jornal relatou que há algum tempo alunos furavam os pneus dos carros dos professores, outros chegaram a murchar todos os pneus dos veículos estacionados na rua e um dos casos mais graves, um grupo de estudantes chacoalhou o carro de um professor revoltados com punições aplicadas por ele em sala.

Uma segunda classificação apresentada por Alice é o que reúne atos "decorrentes de um padrão de sociabilidade e de relações interpessoais hostis que atingem as escolas brasileiras, incluindo-se agressões físicas e verbais dirigidas a alunos, professores e funcionários", explica.

É na dificuldade em se identificar o que são agressões verbais e o que são brincadeiras que mora a normalidade à qual atingiu os palavrões dentro da sala de aula. "Um dos alunos certa vez chegou a ofender minha mãe. Eu mandei que ele saísse, foi então que o estudante ameaçou me agredir com seus amigos. Registrei um boletim de ocorrência e sai pelos fundos da escola", conta uma professora de português de 53 anos, há 15 na profissão. Ela também não quis se identificar com medo de ainda encontrar o aluno na rua e sofrer represálias.

ORIENTAÇÕES

A prática adotada pela professora, de registrar o fato para a polícia, é orientada pela Secretaria Estadual da Educação, segundo a Assessoria de Comunicações do órgão. O governo do Estado de São Paulo prepara dois manuais para serem distribuídos em todas as escolas da rede. Apesar de não informar quais procedimentos seriam orientados para os professores no texto, a assessoria informou que o objetivo do documento é coibir a violência escolar. Ainda segundo o departamento, os registros de agressões contra alunos e professores nas escolas estaduais caíram cerca de 51% entre 2004 e 2007 de acordo com uma pesquisa feita com 210 mil professores e 5 milhões de alunos. Os casos contra professores passaram de 2.471 contra alunos e 179 contra os docentes no primeiro ano do levantamento para 1.257 e 91, respectivamente, dois anos atrás.

Apesar das orientações e das estatísticas apresentadas pelo órgão estadual, na prática o que ocorre parece ser diferente. Segundo o secretário geral do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Fábio Moraes, a violência tem aumentado ao invés de diminuir. Pesquisa divulgada pelo sindicato mostrou que, de um universo de 684 professores, 96% apontaram as agressões verbais como sendo as mais comuns dentro das escolas. A pesquisa, segundo a entidade, foi feita durante um congresso do sindicato no final de 2006. O levantamento ainda mostrou que 74% dos entrevistados conhecem professores ameaçados dentro das escolas e 70% afirmaram saber de casos de tráfico dentro das unidades da rede.

Uma segunda pesquisa apresentada pela Apeoesp - esta de 2007 e feita com 540 alunos e 17 professores de escolas municipais e estaduais de Limeira -, mostrou que 123 pessoas que responderam a pesquisa presenciaram atos de violência contra professores e 170 já viram atos de violência contra a escola, a maioria destruição dos móveis.
No município, casos registrados são xingamentos e brigas típicas da faixa etária do público da rede, de 0 a 9 anos. "Nestes casos, as professores interferem e resolvem o problema junto ao aluno", informou em nota a Assessoria de Comunicações. Já quanto a atos de vandalismo, as ações partem do exterior das unidades, por pessoas de fora das escolas.

Moraes ainda afirma que, apesar de o Estado orientar os servidores estaduais a registrarem boletins de ocorrência em casos de violência, "há uma coibição velada das denúncias". "O Estado faz pressão para não aparecerem denúncias nem os problemas da escola pública", denuncia.

HISTÓRICO

Moraes conta que os problemas de violência escolar têm um contexto desde a metade da década de 1990 quando o as escolas passaram por um processo de reorganização e estabeleceu-se a aprovação automática. "Com a reorganização das escolas o aluno passou a estudar longe de sua casa, isso fez com que eles perdessem a referência, a identificação e aproximação com a escola", explica. Além deste ponto, a aprovação automática estabelecida em 1996, na avaliação da Apeoesp, acabou com a escola. "O estado reduziu o número de funcionários efetivos que trabalham nas escolas, os professores também não ficam mais na mesma escola por muito tempo e as salas de aula estão superlotadas", aponta Moraes.

As críticas ainda vão em direção à administração do Estado. "Há uma centralização, os pais não conseguem participar da ida escolar dos filhos na forma como ela está estruturada hoje", diz.

O principal problema apontado pelos professores de toda essa violência acaba afetando o futuro dos alunos. Uma das docentes comentou que os alunos hoje em dia não têm mais interesse em estudar. Outra professora vai além: "os jovens não têm diversão nem o que comer em casa, acabam indo para a escola para brincar e comer, só".


VÍTIMAS OU CULPADOS?

Apesar de serem apontados como principais culpados por trazer a violência para dentro das escolas, os estudantes também acabam se tornando vítimas de todo o sistema. Presente em uma sala de 24 alunos, o Jornal de Limeira ouviu situações que mostram uma outra face de toda a problemática. "Um inspetor de escola uma vez xingou meu irmão de vagabundo, acusando-o de fazer algo que ele nem estava envolvido", relata uma das alunas da turma. Era noite e durante a primeira aula muitos dos alunos de 15 a 17 anos estavam cansados do longo dia na aula acompanhada pelo Jornal de Limeira. O período acaba atrapalhando o aproveitamento deles.

"Alguns professores dão aulas o dia inteiro e à noite nos tratam nervosos, descontam o estresse em nós e têm pouco interesse em dar aula", reclama outra aluna. As denúncias feitas, na maioria pelas garotas da sala, mostram até segundas intenções e falta de respeito por elas. "Um dos substitutos que veio dar aula para nós era tarado, ficava olhando e queria nos levar para a casa dele". Apesar de virar piada entre os garotos, a fala é apoiada pelas amigas.

"Droga rola solta", fala uma aluna. "As vezes sinto até a brisa aqui da sala (localizada no andar superior) quando estou dando aula", complementa a professora. Os alunos aproveitam o espaço para reclamarem por melhoras: "Muitos alunos da sala faltam de sexta e os professores não passam conteúdos mais elaborados", diz uma das alunas. "As matérias que temos não são nada interessantes", reclama o garoto que estava no grupo.

Um caminho de soluções e prevenção

Uma faca com lâmina de 17 centímetros foi encontrada na mochila de um aluno de 13 anos no último dia 3 em Limeira. A arma branca seria usada para cobrar uma dívida de drogas. O caso ocorreu em uma escola estadual no bairro Morro Azul. No início deste ano, um jovem de Iracemápolis também foi vítima de violência, mas no Ensino Superior, ao participar de um trote de recepção que passou dos limites. A violência atinge todas as idades, classes e etnias. E esses não são os únicos casos da cidade.

Quando as situações dentro e nos arredores da escola ultrapassam o relacionamento saudável entre jovens, crianças e adolescentes, resta aos funcionários das unidades de ensino recorrerem à Polícia Militar (PM) e à Guarda Municipal (GM) para retomar a ordem. Em Limeira, as duas corporações de segurança pública auxiliam as unidades das redes escolar municipal, particular e estadual a manter a ordem no local.

Inspetora do pelotão escolar da GM, Rita de Cássia Florenciano, 43, relata que a principal situação que leva guardas às escolas é a falta de respeito dos alunos com professores e funcionários. "As vezes os alunos enfrentam até a polícia", comenta. A idade mais complicada de lidar, de acordo com a inspetora, está entre 15 e 16 anos. "O que há é muita falta de interesse em estudar. Precisamos as vezes até remover o aluno da sala onde está atrapalhando", diz.

O pelotão tem 17 guardas que atendem aos chamados das escolas. Segundo o secretário de Segurança de Limeira, Siddhartha Carneiro Leão, a ideia do grupo é um atendimento a pé, para colocar os guardas dentro da escola, fazê-los presentes no meio dos alunos.

Já da Polícia Militar vem o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). Desenvolvido através de uma parceria entre secretaria do Estado de Educação e a polícia, o objetivo é prevenir o uso de drogas por crianças da 4ª série do Ensino Fundamental. A iniciativa veio de fora. O programa iniciou em Los Angeles, Estados Unidos, em um Distrito Escolar. Seu nome é D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education - do inglês, Educação para a resistência ao abuso de drogas).

CAMINHOS

Outras medidas de combate à violência escolar foram apresentadas pela Secretaria de Educação do Estado e pelo deputado estadual Jorge Caruso (PMDB). A primeira é a instalação de 11 mil câmeras de segurança nas 2.200 escolas da capital paulista e do interior do estado. A secretaria não tem definido ainda quantos equipamentos cada unidade da rede irá receber - isso depende do tamanho de cada escola, disse a Assessoria de Comunicações da pasta.

Já a proposta de Caruso também quer contar com a tecnologia contra a violência. O parlamentar propôs na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 325/09 que prevê a instalação de detectores de metais na entrada das escolas, além do uso de crachá de identificação dos alunos, funcionários e professores.

As medidas não são muito bem vistas pelo secretário geral da Apeoesp, Fábio Moraes. "Isso vai gastar dinheiro à toa. No caso das câmeras, as escolas vão precisar de funcionários para ficarem verificando as imagens em um momento que as escolas carecem de profissionais", diz. Para ele, a solução do problema está no investimento nas escolas para adaptá-las aos estudantes do século 21. Além disso, Moraes aponta melhora na grade curricular, um projeto de formação e incentivo aos professores e uma participação maiores dos pais para reduzir as estatísticas quanto à violência.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Autopeças exporta 66% a menos no 1º trimestre

Limeira registra queda na balança comercial de até 20% este ano
15 maio 2009

O acumulado das exportações e importações do primeiro trimestre em Limeira apresentou queda este ano se comparado com 2008. Só o setor de autopeças teve uma redução de 66% das exportações. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a cidade exportou um valor 20% menor nos três primeiros meses de 2009. Já nas importações a queda foi de 15%. A balança comercial - diferença entre exportações e importações - de Limeira no acumulado de 2009 é positiva, a brasileira também, porém a do Estado de São Paulo ficou negativa em US$ 2 milhões, considerando dados do mês de abril.
Levantamento feito pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), mostra que a região de Limeira está em 26ª no ranking das 39 regiões paulistas. Engenheiro Coelho e Cordeirópolis fazem parte da região. O valor total de produtos vendidos para o exterior foi de US$ 83.006.586. O principal responsável por esse montante é o setor de bens intermediários, composto pelos produtos alimentícios, insumos industriais e peças e acessórios de equipamentos de transporte. Juntos, os três setores somaram US$ 69,6 milhões exportados, uma participação de 83,91% do total de Limeira.
As peças automotivas, no entanto, foram as grandes responsáveis pela queda na quantidade exportada. No primeiro trimestre de 2008, o valor total das vendas para outros países foi de cerca de US$ 41 milhões, já este ano o número caiu para US$ 18,18 milhões - uma queda de 66%. Desde o início da crise econômica mundial, as multinacionais TRW Automotive e ArvinMeritor reclamaram da redução nos pedidos.
Em entrevistas anteriores, profissionais das empresas chegaram a informar quedas de até 90%, como era o caso da ArvinMeritor com a produção de sistemas de portas no início deste ano. O Jornal procurou responsáveis pelas exportações nas duas empresas na tarde de ontem, mas as Assessorias das duas não conseguiram agendar entrevistas.

PAÍSES
O principal país que compra os produtos limeirenses, os Estados Unidos, foi o que mais diminuiu o número de pedidos. As exportações para o país norte americano foram de US$ 19,85 milhões neste primeiro trimestre. Já no mesmo período de 2008 o valor foi de US$ 34,42 milhões, uma variação de - 42,32%. Além dele, outros países que também deixaram de comprar os produtos feitos em Limeira foram a África do Sul (-67,93%), a Alemanha (- 55,09%) e a Argentina (- 54,87%). Apesar de apresentarem variações maiores, o valor exportado por eses três países não passa de US$ 10 milhões.

NACIONALO Estado de São Paulo fechou o primeiro quadrimestre de 2009 com a balança comercial negativa. A diferença entre os US$ 12,2 bilhões exportados e os US$ 15,19 bilhões importados pelo Estado ficou num valor negativo igual a US$ 2,93 bilhões. Já em todo o Brasil, o saldo da balança comercial está positivo em US$ 6,72 bilhões. Foram US$ 43,49 bilhões exportados contra US$ 36,77 importados.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Consumo em Limeira deve crescer 5,2% em 2009

Estudo estima crescimento maior que capital e cidades vizinhas

Mesmo após um período de crise, o consumo em Limeira deve aumentar 5,18% em 2009. Quem impulsiona a elevação é a classe C, que tem renda média de R$ 1.400 e é a que mais cresce em todo o país. De acordo com dados da empresa Target Marketing, os maiores gastos dos limeirenses devem ser com a manutenção do lar, seguidos de outras despesas e consumo na área de alimentação dentro dos domicílios.

Em valores nominais o consumo deve crescer 12,5% em relação a estimativa de 2008. São esperados um consumo total que gira em torno de R$ 3,638 bilhões para este ano, contra R$ 3,233 bilhões estimados em 2008. A perspectiva para o Brasil é que o consumo dos brasileiros vai superar a marca de R$ 1,8 trilhão, em 2009.

A estimativa é baseada no Índice de Potencial de Consumo (IPC), feito a partir de um estudo da Target Marketing, empresa especializada em pesquisa de mercado. Os dados fazem parte do levantamento "Brasil Em Foco 2009". O IPC-Target analisa dados de 5.564 municípios brasileiros, com a potencialidade de consumo versus a renda da das classes sociais. Os dados são destinados a empresarios e investidores.

LIMEIRA
De acordo com o ranking dos 500 primeiros municípios brasileiros, Limeira ocupa a 71ª posição nacional e a 20ª estadual. Houve evolução na colocação da cidade. Em 2008, Limeira ficou em 75ª no plano Brasil e 22ª entre os municípios do Estado de São Paulo. O IPC-Target para 2009 é estimado em 0,19527%. Esse é o valor da participação do consumo limeirense no total estimado para todo o Brasil. A porcentagem corresponde a um consumo de R$ 3.638.694.853 em Limeira durante este ano em relação aos R$ 1,8 trilhões estimados pela Target Marketing.

Diretor da empresa e coordenador do estudo, Marcos Pazzini, explica que o principal fator que contribui para o crescimento do consumo é a interrupção do movimento de migração social. "Nos últimos anos algumas pessoas começaram a evoluir entre as classes sociais, mas com as dificuldades da economia a classe B2 começou a migrar para a C1, ou seja, decair; e as pessoas da classe D subiram para a C2", comenta. Em Limiera, as classes C1 e C2 correspondem a 44,6% dos quase 80 mil domicílios. O aumento da participação da classe C é que impulsiona o crescimento na cidade.

EMPRESAS
O município tem hoje 10.496 empresas divididas em quatro categorias: comércio (5.107 empresas); serviços (3.447), indústria (1.764) e comércio (178). O subsetor que mais concentra empresas na cidade é o de comércio varejista, com 4.442 empresas.
Os dados foram feitos com base em uma população com 281.581 habitantes. De acordo com os dados apresentados pela Target, a área urbana tem 272.331 habitantes e 9.250 na rural.



Limeira tem perspectiva de crescimento maior que capital

A porcentagem de crescimento limeirense (5,18%) supera as perspectivas das capitais mais ricas do país, São Paulo e Rio de Janeiro, e das cidades paulistas Campinas, Americana e Piracicaba - todas terão retração. A capital paulista e carioca terão retração no consumo de 4,73% e 0,98% respectivamente.

Segundo o responsável pelo estudo, o crescimento de Limiera é um fato positivo. "O crescimento de 0,01 ponto percentual no IPC da cidade foge do contexto das cidades da região Sudeste e isso deve chamar a atenção do empresariado", relfete Pazzini.

As cidades vizinhas, Piracicaba e Americana estão, respectivamente, em 46ª e 91ª, no ranking nacional e 13ª e 28ª no estadual. O consumo dos piracicabanos deve cair 2% em 2009, em comparação ao ano passado. O IPC Target de Piracicaba deve ser 0,269% este ano. Em 2008 o número estava em 0,274%. Já em Americana o IPC é estimado em 0,15655% para 2009 contra 0.16097% ano passado. Já Campinas é a 13ª colocada em todo o país e a 3ª no Estado. Seu IPC está em 0,84645% este ano, contra 0,90792% em 2008 - queda de 6,77%. Iracemápolis e Cordeirópolis estão, respectivamente, em 948ª e 823ª no ranking nacional e em 227º e 207º no estadual.

No quesito renda, segundo a economista Rosângela Pereira, os motivos para Limeira terem uma perspectiva maior de consumo este ano podem estar nos setores de bijuteria e automotivo. A especilista supõe que no campo das bijuterias o preço competitivo com o mercado internacional e o fato de o setor não ter sofrido tanto com a crise econômica internacional, contribuiram para a renda dos trabalhadores limeirenses.

Já no setor automotivo, Rosângela diz que a porcentagem de demissões em Limeira, pode não ter alterado a renda dos trabalhadores do setor. O mercado de automóveis está crescendo mais uma vez, com isso, os pedidos e compras nas autopeças também se alavancam - o que gera renda para o setor. O crédito aliado à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ajudaram no consumo de veículos.