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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma cidade “inacabada”

Há alguns dias venho observando minha cidade natal com um olhar mais crítico. Limeira parece pra mim uma cidade inacabada. Tudo aqui ou demora para ser concluído ou é aberto ao público de forma totalmente inacabada e desleixada – o famosos “feito nas coxas”. Uma excessão que vale a pena ressaltar é o novo supermercado Covabra. Como bom limeirense que não tem mais nada para fazer além de passear em supermercados, fui algumas vezes à nova loja e gostei muito do resultado.

Voltando ao assunto principal: a falta de arte-final na cidade. Se fosse comparar a um desenho, Limeira não recebeu nem cores, nem contornos com nanquim. Parece que está sempre nos rabiscos com grafite, mal apagados e ainda por cima com linhas tortas. No começo de dezembro foi inaugurada a nova área de alimentação do shopping Pátio Limeira. A expectativa era grande, afinal aquele “shopping” é num dos únicos lugares para entretenimento que a cidade oferece. Conversando com uma amiga proprietária de uma das lojas de alimentação do estabeleimento, recebi algumas fotos sobre como estava ficando a obra. As imagens que ela enviou eram muito bonitas. Mesmo com todo o ar de obra inacabada, a foto feita alguns dias antes da inauguração pasava um ar arrojado do projeto que estava quase concluido.

Infelizmente a impressão não foi a mesma quando visitei pela primeira vez o novo piso. Além de lojas ainda fechadas (os proprietários tiveram uma semana para fazer a mudança de piso – as obras das lojas tiveram mais tempo) e o pior: chão sujo de tinta, espelhos com marcas de mão e pilares ainda inacabados cobertos com TNT. Uma volta naquele local era revoltante. O que os administradores pensam de Limeira. Quem mora aqui não merece um pouquinho mais de cuidado com os empreendimentos? Uma área mal acabada está de bom tamanho para o nível dos consumidores? Achei revoltante e ridículo a administração do shopping permitir uma inauguração tão pobre e uma obra tão mal acabada.

No segundo piso por enquanto há só lojas de alimentação. Uma grande parte desse andar está fechada com cartazes anunciando duas grandes lojas. Mas pra quando? Tudo parece abrir antes da hora na sede de recuperar o dinheiro perdido ou de mostrar resultado logo para seus clientes. E lembrei daquela frase: “Sou pobre mas sou limpinho”. Adaptando ela, “sou limeirense, mas sou civilizado”. Não preciso conviver com um shopping sujo e mal feito.

Para piorar essa má impressão do estabelecimento, no último sábado chegar até aquele local foi um inferno. Neste final de semana minhas alunas da Hard Dance foram se apresentar no “Natal das Nações” da Prefeitura (outro fiasco que comento logo abaixo). Depois de sair do local, com fome, eu e dois amigos decidimos comer um lanche no subway no shopping. Se arrependimento mata eu ainda não descobri, mas garanto que estressa. Uma das principais ruas de acesso ao shopping, a rua Farmaceutico Jacob Faneli (acho que é este o nome) estava intransitável. O desrespeito de alguns motoristas era tanto que tumultuava ainda mais o trânsito enlouquecido no meio de chuva. Motorista furando fila para entrar na rua Carlos Gomes; uma fila enorme de carros nas proximidades do clube Gran São João; motorista lerdo para atravessar um cruzamento; sem contar uma fila enorme para entrar no estacionamento do shopping. Eu e meus dois amigos fomos em dois carros para o shopping. Ao ver aquela fila terrível, já parei na rua mesmo. Consequência: tive que esperar 30 minutos pelos dois amigos... não achavam vaga! Péssimo!

É uma cidade sem nenhum planejamento. Parece qu só planejam certinho como será feito o contrato da merenda das escolas... o resto, vai empurrando com a barriga que tudo se acerta. O problema da rua Carlos Gomes já foi discutido na prefeitura em reunião com polícia militar, guarda civil e representantes do shopping, mas nada é feito. Quando não são os adolescentes atrapalhando o trânsito, é o próprio trânsito de carros, motos e ônibus entrando num caos incrível e intransitável.

Inacabáveis

Outros problemas limeirenses:

- Terminal Urbano rodoviário não fica pronto nunca. A passos de um idoso com osteoporose em estado avançado, cada mês é um avanço tão pequeno que não parece ter fim nunca. A região ainda ganhou um belo lago em dias de chuva. Na frente do senac forma uma poça gigante quando chove. Não tem nenhum bueiro ali? Não parei para observar ainda...

- Museu e Palacete. O primeiro está há meses em obras e também não acaba nunca. Já o segundo os tapumes estão atrapalhando o trânsito de pedestres na rua Boa Morte. Ou carros ou pedestres ali. Esses dias vi dois operários jogarem um balde de água em um homem bêbado que caminhava tropeçando na rua, perto da obra... falta de respeito né?

- Shopping Popular. Alguma novidade? Ao lado da Central de Ambulâncias e em frente ao covabra o prefeito Silvio Félix tinha prometido a construção de um shopping popular...

-“Natal das Nações”. Se não me engano a festa “tradicional” teve outro nome este ano, mas foi um fiasco. Num lugar superescondido, ao lado do Ceprosom, o famoso Natal das Nações mais parecia uma feirinha de escola municipal. Tirando a estrutura de som montada para as apresentações musicais e de dança, as barraquinhas de comida eram péssimas. Como bancadas foram usadas carteiras escolares. Me lembrei na hora das festas juninas improvisadas na escola onde estudei durante o ensino Fundamental!

Custa um pouco mais de planejamento e carinho para com os eventos e obras na cidade? É possível fazer eventos de qualidade com baixos gastos, basta só ter vontade de fazer a diferença e criatividade...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Limeira = Vergonha

Preso em SP um dos principais investigados pela máfia da merenda

Fonte: Estadao.com

SÃO PAULO - Foi preso preventivamente nesta manhã em São Paulo o empresário Eloízo Gomes Afonso Durães, acusado de envolvimento na máfia da merenda. Dono da SP Alimentação, Durães é um dos principais investigados pelo escândalo, suspeito de ter montado um esquema milionário para lavar dinheiro e corromper políticos de São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco e Maranhão.

As empresas do grupo do empresário e de seu concorrente, a J. Coan, com quem formaria um cartel, são acusadas pelo MPE de terem movimentado R$ 280 milhões em notas frias de 2008 até agora.

Sua prisão, no entanto, foi decretada por causa do suposto pagamento de R$ 170 mil a dois vereadores de Limeira em 2007 e 2008. O dinheiro serviu para arquivar uma investigação sobre irregularidades no contrato da merenda da prefeitura daquela cidade com a SP Alimentação.

Um outro acusado, o vereador e candidato a deputado estadual pelo PV, Antônio Cesar Cortez, o Quebra Ossos, também teve a prisão decretada. Mas, como é candidato, ficará em liberdade.

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E quem é um dos vereadores que aponta o jornal O Estado de S. Paulo? Dr. César Cortez que ajudou no arquivamento das denúncias contra a SP Alimentação aqui em Limeira. E o incrível é que tem gente que ainda diz que vai votar nesse indivíduo!!!!!! COMO PODE????????

Com toda essa história de propina e prisão, um questionamento fica: o que mais virá a tona agora com esse caso? Se um vereador recebeu R$ 140 mil para arquivar um processo que provavelmente levaria a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Limeira, qual o envolvimento do Prefeito de Limeira, Silvio Félix, que assinou o contrato com a empresa?

O que é mais vergonhoso nessa história toda é que enquanto as professoras e profissionais da educação diretamente ligados às escolas municipais brigam por um ensino de qualidade para seus alunos, políticos brincam com o dinheiro destinado à eles. Como é possível um político que recebeu um voto de confiança do povo prejudicar seus eleitores de tal maneira?

O valor do contrato entre Prefeitura de Limeira e a empresa SP Alimentação foi de dezenas de milhões de reais. A alegação era que uma merenda tercerizada seria mais eficiente e econômica para os cofres públicos. É preciso sim alimentar as crianças que muitas vezes fazem da merenda a principal refeição do dia, mas e o alimento da educação em si e da cultura? Quantos livros poderiam ter sido comprados para as escolas limeirenses apenas com o valor da propina pago a Cortez? Um livro infantil direto da fábrica deve custar aproximadamente R$ 10. Fez as contas? Com R$ 140 mil seria possível garantir pelo menos mais 14 mil livros para essas crianças.

Lembro que enquanto trabalhava no Jornal de Limeira recebi uma pauta do meu então chefe Rodrigo Piscitelli para investigarmos se as escolas da cidade tinham biblioteca. Das municipais pouquíssimas tinham um espaço reservado para os livros, grande parte alegava ter os cantinhos de leitura na própria sala. Não incentivar a leitura é fadar as crianças a continuarem neste esquema brasileiro de uma média de 7,4 anos de estudo por pessoa acima de 15 anos, como consta nas estatísticas oficiais do país.

Se a propina for proveniente de uma parte do contrato, quais teriam sido os investimentos feitos diretamente nas escolas se o contrato não fosse celebrado e a refeição continuasse a cargo das merendeiras da rede pública municipal? Enquanto um contrato desses era assinado, duas ou três escolas foram reformadas para mascarar a realidade, outros prédios foram comprados com a desculpa de se tornarem novas unidades escolares e a parcela de estudantes limeirenses beneficiados com tais atividades foi ínfima.

O problema de investir em educação é que os resultados não são tão rápidos quanto uma bela reforma no prédio ou brinquedos novos para praças abandonadas. O investimento é a longo prazo, mas a política atual não está preocupada com o futuro dos estudantes e sim em mostrar serviço da forma mais rápida possível para garantir uma aceitação maior do eleitorado. Afinal, quem se lembraria que determinado político investiu milhões de reais na qualidade do ensino daqui uns dez anos, quando essas crianças estiverem saindo do Ensino Médio? Isso não é interessante para o ego e para a imagem de nossos políticos, ou é?

É ótimo que uma notícia como esta estoure a menos de semanas do primeiro turno das eleições. Só desta forma os eleitores podem ver quem realmente é o candidato que elas pensavam em desperdiçar seu voto. É preciso pensar com cuidado antes de digitar o número do candidato no próximo dia 3. Política não é só carisma e sorrisos em cartazes, festas de igrejas e eventos públicos.

Mais informações sobre o caso do Dr. César Cortez: Jornal de Limeira

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Bebedeira narcicista e egoista de ignorar os outros..."

Estava olhando as indicações de quem seguir no Twitter e encontrei a página do Arnaldo Jabor (@Arnaldo_Jabor), que particularmente sempre gostei de ler, assistir e ouvir. Me deparei com o vídeo abaixo exibido no Jornal da Globo do dia 22 de julho deste ano. Nele Jabor comenta sobre o caso da morte do filho da Cissa Guimarães e os "machinhos ricos" no trânsito do Rio de Janeiro. Vejam o comentário:



Infelizmente não é só o Rio que precisaria de uma lei como esta. Talvez ela devesse ser apresentada para os chefões dos poderes públicos federais para tentar inibir um pouco mais esses machinhos do trânsito brasileiro. Em Limeira (SP) também há aqueles que se sentem os todo poderosos quando estão com as mãos no volante. E sabe o que é mais engraçado? Quando vejo um comentário como o do Jabor sobre trânsito e os ignorantes atrás dos volantes, na hora me recordo de um desenho bem antigo da Disney, do Pateta como "Sr. Willer, o Motorista". Vale a pena assistir também:



Mesmo em uma cidade do interior de Limeira, pequena em relação às capitais carioca e paulista, a educação no trânsito parece ser zero. Falta de sinalização, alta velocidade, desrespeitos aos sinais e placas ou às vagas de estacionamento (carros parando em lugar de moto e vice-versa). E quem deveria controlar o trânsito se torna tão ignorante e sem educação quanto os motoristas.

Hoje mesmo minha mãe chegou em casa toda revoltada com os laranjinhas (agentes de trânsito de Limeira) que colocaram cones em uma das rotatórias que dá acesso ao Centro da cidade, deixando o trânsito confuso e sem nenhum tipo de sinalização. O motivo dos cones, segundo ela, foi um cano estourado na região da escola Senac. Porém, antes de saber do motivo ou perceber que a sinalização a levou para a contra-mão, um dos laranjinhas já estava anotando a placa de nosso carro e outro, num tom nada amigável já proferia: "Não sabe que está na contra-mão, minha senhora?"

Se fosse eu já responderia: "E onde estavam vocês que não ali na frente dos cones orientando o trânsito?". Porém, na hora me acusariam de desacato a funcionários públicos. Todos têm na ponta da língua dos seus direitos e os deveres alheios, mas fecham os olhos para suas atribuições básicas...

Para finalizar, uma frase do desenho: "Os tolos pisam onde os anjos jamais ousariam pisar". Os pedestres não valem nada para esses motoristas...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Aviação regional brasileira começa a crescer



Estudo do Ipea aponta o desenvolvimento econômico das cidades médias como gerador de oportunidades para o setor aéreo no País

O Brasil tem registrado grandes taxas de crescimento no mercado de transporte aéreo. Em 2009, quando vários setores sofreram os efeitos da crise internacional que provocou colapsos mundo afora, o número de passageiros cresceu a taxas de dois dígitos no segundo semestre. Trata-se, portanto, de um setor com inúmeras oportunidades em um horizonte que se estende além dos eventos da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

As oportunidades e os obstáculos para o progresso da infraestrutura aérea foram analisados no Comunicado do Ipea nº 54, Panorama e perspectivas para o transporte aéreo no Brasil no mundo, divulgado nesta segunda-feira, 31, em Brasília. O estudo faz parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

O Comunicado sugere, entre outras políticas para o setor, a abertura do capital da Infraero que permitiria à empresa captar recursos no mercado e, assim, ter maior capacidade de investimento. Segundo o estudo, apesar de a Infraero fazer investimentos, a distribuição de seus recursos não corresponde à necessidade da demanda. Os recursos dos aeroportos rentáveis que ela administra são redistribuídos dispersivamente para aeroportos que não têm autonomia financeira para continuar funcionando.

“Não se pode vislumbrar soluções baseadas exclusivamente em recursos públicos”, afirma o documento, depois de ressaltar os avanços necessários para atender ao crescimento da aviação regional, cujas infraestruturas, tanto aeroportuária quanto aeronáutica, são precárias em cidades que polarizam economias regionais e estão em pleno desenvolvimento. Trata-se, de acordo com o estudo, “de gerar um ambiente de estabilidade institucional, segurança jurídica e estímulo aos investimentos privados, de forma a ampliar a abrangência de concessões e de viabilizar as parcerias público-privadas”.

[leia o release na íntegra no site do Ipea aqui]

Nova organização
De 2003 até hoje, a demanda do setor aéreo tem crescido significativamente acima do Produto Interno Bruto (PIB). Embora aponte uma escassez de investimentos em relação ao crescimento da demanda por serviço aéreo, o estudo do Ipea conclui que este é um setor que cresce vertiginosamente e que precisa de uma nova organização institucional, diferente daquela pautada pela realidade do País e do mundo antes da globalização.

Em praticamente todas as grandes metrópoles dos países desenvolvidos os aeroportos sofrem de congestionamentos, e hoje existem transportes alternativos. ”No Brasil, nós também já temos isso no que se chama terminal São Paulo, que engloba Viracopos, Cumbica e Congonhas. Isso necessita de investimentos, de novas tecnologias de controle do tráfego aéreo, e nós inevitavelmente vamos caminhar para isso”, justificou o consultor e especialista do Ipea Josef Barat, que participou do estudo.

Questionado sobre o risco de colapso no setor, e de ocorrerem problemas sérios durantes os eventos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, Barat respondeu que “tomadas as precauções, as medidas no tempo certo, os problemas podem ser corrigidos em curto e médio prazos”. O documento do Ipea afirma que não se trata mais de discutir os períodos de forte intervenção estatal com os de ampla liberalização, mas sim de dar ao mercado e à cadeia produtiva um respaldo de planejamento de longo prazo, formulação de políticas públicas consistentes, ação reguladora competente e confiável, bem como segurança jurídica aos atores envolvidos.

Apresentaram o Comunicado, em Brasília, o diretor de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura, Marcio Wohlers; o coordenador de Infraestrutura Econômica, Carlos Campos; o coordenador de Desenvolvimento Urbano, Bolívar Pêgo; e o assistente de pesquisa do Programa Nacional de Pós Doutorado (PNPD) Josef Barat.

***

Enquanto isso o aeroporto prometido para Limeira, está... (solicitei informações para a Assessoria de Comunicações da Prefeitura daqui, quando as receber publico - sem pressa, afinal não quero ser responsável pela demissão de ninguém lá!)

Essa notícia do Ipea é bem interessante para levantar a discussão do aeroporto aqui no interior. Lembro que quando fiz a última matéria sobre esse assunto discutíamos a superlotação dos grandes aeroportos e a impossibilidade de expansão que eles tinham.

Evoluir pra onde e para onde vão os passageiros que não conseguem comprar suas passagens? Essa era a pergunta que fazíamos sobre Guarulhos e Congonhas, por exemplo. Limeira fica a duas horas da capital. É relativamente perto e uma alternativa para vôos domésticos nacionais... como será que está a situação do nosso aeroporto hein... fiquei curioso. (A última reportagem que encontrei em um dos jornais locais é de abril e não estava com muitas informações...)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Saldo do emprego é o segundo pior em onze anos


Quadro de crise no 1º semestre causou reflexos no resultado

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou ontem seus dados sobre o emprego formal de 2009 no Brasil. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Limeira registrou seu segundo pior resultado em onze anos. Apesar de ter gerado 1.129 novos postos de trabalho durante os doze meses do ano passado, o resultado só é superior ao saldo de 2001, quando somente 298 empregos formais foram registrados no município. Apesar da queda, o mercado de trabalho tende a se recuperar este ano, de acordo com o supervisor do Posto de Atendimento ao Trabalhador de Limeira, Mario Ernesto Besso. Segundo ele, há 350 vagas abertas e uma procura grande pelos empregos oferecidos pelo órgão.

Apesar de já ter se passado mais de um ano desde o epicentro da crise econômica mundial que tirou o sono de empresas e trabalhadores em outubro de 2008, as estatísticas ainda refletem os danos causados pela bolha estourada nos Estados Unidos no segundo semestre daquele ano. De acordo com nota divulgada pelo MTE, o saldo do país ficou abaixo do esperado. A estimativa do titular da pasta, Carlos Lupi, era que o Brasil gerasse pelo menos um milhão de postos de trabalho. O Caged mostrou que a realidade está a 5 mil empregos distante. Ao todo, 995.110 postos de trabalho foram criados em 2009 em todo o país.

Em Limeira, o saldo do mês de dezembro foi negativo. Por conta das admissões e demissões sazonais, alavancada principalmente pelos temporários do comércio e das indústrias, a diferença entre as admissões e as demissões foi de -633 - o número corresponde à quantidade de postos de trabalho formais fechados no município. No total foram admitidos 1.969 tralhadores, enquanto 2.602 receberam baixa na carteira.

No saldo anual, 28.949 pessoas foram registradas em carteira no ano passado. Em contrapartida, 27.820 foram demitidas. Em 2001 - ano marcado pela crise econômica gerada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso -, foram registradas 16.912 admissões contra 16.614 demissões. Seguindo a lista dos piores anos para o mercado de trabalho em Limeira, o terceiro colocado foi o ano de 2003, com 1.152 postos de trabalho criados e em quarto lugar está 1999 - o primeiro ano que o ministério disponibilizou os dados do Caged em seu portal na Internet -, com 1.301 postos de trabalho criados.

ANÁLISE
Na opinião de Besso, supervisor do PAT e presidente da Comissão Municipal de Emprego, o principal motivo que gerou a queda na geração de emprego na cidade foi a crise econômica do final de 2008. "No último trimestre daquele ano e no primeiro semestre de 2009 registramos uma queda no emprego da cidade. Por conta da crise, o mercado de trabalho não conseguiu se recuperar ainda em 2009, o que gerou o número baixo no ano passado", explica.

Besso ainda estima que este ano o mercado de trabalho deve repor os empregos perdidos durante os meses de crise. "Estamos registrando uma média de 150 a 180 atendimentos diários no Emprega São Paulo agora no mês de janeiro", informa. Na análise do supervisor do PAT, o crescimento na procura por um emprego é também o reflexo da crise que deixou muitos trabalhadores sem o registro na carteira em 2009.

O setor que mais abriu vagas neste começo de ano foi o da indústria, o que na opinião de Besso, é o sinal de uma "reposição ou recuperação dos trabalhadores demitidos durante os meses de crise".

Apesar da grande procura, Besso ainda diz que os trabalhadores enfrentam um grande problema na hora de pleitear um novo emprego: a falta de qualificação. "Temos 350 vagas abertas para Limeira, mas muitas não são preenchidas por falta de qualificação", diz.