Mostrando postagens com marcador Coluna Vida Real. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coluna Vida Real. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VIDA REAL - Pedidos para 2010 (versão blog)



Como não pulei sete ondas em nenhuma praia, não comi lentilhas antes da 0h30 na casa de minha tia, nem pretendo fazer a simpatia com as semesntes da romã amanhã, resolvi fazer meus pedidos de ano novo na minha coluna do Jornal de Limeira.

SAÚDE E BURACOS
Antes de mais nada quero emagrecer, assim como várias pessoas que começaram a voltar para as academias, pistas de caminhada e calçadas da cidade. Para isso encaixamos um segundo pedido: menos buracos nas ruas e calçadas mais regulares, que não fiquem parecendo nenhum mapa de acidentes geográficos, cheias de buracos e crateras que dificultem a passagem de pedestres e todos os tipos de veículos.

POLÍTICA
No campo da política desejo mais vergonha para alguns políticos. Que os vereadores exerçam as atividades para as quais foram eleitos e fiscalizem mais os atos do executivo. Que uma cena ridícula que presenciei em meados do ano passado não se repita: um dos parlamentares querendo explicações da prefeitura sobre as contas do Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom) e o aliado da situação negando veemente e com um discurso caloroso contra a exposição da contabilidade do órgão na Casa. Aos vereadores desejo que pensem um pouco mais em ser transparentes com seus eleitores e deixem de impedir requerimentos e outros pedidos que tenham a intenção de fiscalizar os centavos que o Executivo gasta.

MAIS COMUNICAÇÃO
Já no Executivo desejo mais comunicação. Que nós da imprensa possamos receber respostas mais claras e completas e que as informações sejam mais fáceis de serem conquistadas. Transparência também não é demais pedir, mas parece que isso só se conquista pela força de lei, afinal, quem consegue verificar todas as contas do Executivo, da compra de lápis às licitações de peças de carros?

NA CULTURA
Para essa área específica, menos panelas e muito menos costas-quentes em uma das pastas que contribuem, ou deveriam contribuir, para o crescimento pessoal de todos os limeirenses. Que não surjam mentiras nesta e nas demais áreas.

AO FUNCIONALISMO PÚBLICO
Para os concursados da Prefeitura mais coragem. Para os comissionados, que sejam francos o suficiente para olharem nos olhos de seus subordinados e sempre falem a verdade. Mentira deveria ser punida num ambiente público.

MENOS CHUVAS
Apesar de precisarmos muito da água que São Pedro manda, desejo menos chuvas para que as obras em andamento na cidade sejam finalizadas esse ano. No pacote as duas principais são a região da Ponte Preta e o prédio do Museu. Este que esperava há meses por melhorias e é, na minha opinião, um dos mais bonitos cartões postais da cidade, além de ser a melhor sede para uma escola de dança em Limeira. Já o caso da Ponte Preta, os moradores e comerciantes da região já têm a voz alta para reclamar da demora da obra, só reforço o pedido. Que chova menos, afinal, chuva é a melhor e primeira desculpa das empreiteiras e da prefeitura para o atraso das obras.

AULAS DE DANÇA
Já nas minhas aulas de dança, peço que aquelas alunas que faziam cara feia consigam se enxergar no espelho e fazer as atividades com mais amor. A próxima apresentação já está surgindo no papel e tem a ver com um tema que está bem falado nos cinemas e nas livrarias. pra variar, será mais uma história baseada em um livro. Embora a obra e a escritora não sejam tão conhecidos ainda, temos praticamente doze meses para definir detalhes, figurinos e músicas. Algumas cantoras já estão na seleção de músicas como Shakira, Beyoncé, Carmit, Madonna, entre outras menos conhecidas.

NOVOS ESTUDOS
Que os planos de novos estudos deem certo para este ano. Finalmente acho que vou conseguir estudar economia e espero conciliar essa área apaixonante com as outras paixões que permeiam minha(s) carreira(s).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

VIDA REAL - "Veronika decide morrer"



Hoje chega praticamente na última página uma história que estava se desenvolvendo desde fevereiro deste ano. Desde às 8h30 alunas de balé da Escola Municipal de Cultura e Artes (Emcea) e mais tarde as de jazz estarão no Teatro Vitória fazendo os últimos ensaios para a noite, por volta das 19h30, subirem ao palco e mostrarem o resultado de dez meses de trabalho. Como já foi mencionado em algumas ocasiões, além de repórter do Jornal de Limeira também atuo como professor de dança concursado na Secretaria de Cultura de Limeira. Entrei em agosto do ano passado e apesar do curto período que estive a frente dos espelhos e das barras do Centro Cultural, pude sentir na pele a vida de um professor e a importância que esse profissional adquire para diferentes tipos de meninas e mulheres, dos seus sete aos quarenta anos.

Em conversas com cada turma, sempre ressaltamos que a dança é uma arte efêmera. Esta é uma definição também utilizada por mestres de dança e outros profissionais que estudam ou trabalham diretamente no meio. Em cerca de uma hora e meia de espetáculo que deve durar a apresentação que montei com minhas alunas, a arte de dançar deve nascer e morrer em coreografias que duram no máximo cinco minutos. São horas e horas de aula, conversas e pesquisas para subirmos no palco do Vitória, encarar pais, mães, irmãos e várias outras pessoas que nunca nem sonhamos em encontrar um dia e precisamos estampar um sorriso ou qualquer outra expressão que for preciso para encarar determinado papel.

Por trás de todos os sentimentos que foram ensaiados com cada aluna, há um que se sobressai em relação a todos que podem ser citados, o sentimento de dever cumprido, de orgulho, o gosto de sucesso. Pode ser que ocorram tombos e tropeços. Um erro na coreografia ali, um braço que subiu na hora errada ali, mas para essas mulheres que farão parte do espetáculo "Verônika decide morrer", que será apresentado hoje, as luzes da ribalta têm um gostinho especial, um gosto de vitória. Não é exagerado dizer essas palavras com tanta pompa, afinal, conhecendo um pouco da vida de cada aluna, descobrimos a luta que cada uma tem para ser assídua nas aulas e darem o melhor de si para as coreografias que foram propostas. Desde problemas com câncer na perna até timidez e a dor de deixar a filha em casa para poder fazer uma atividade que realmente dá prazer. Dançar, principalmente quando as pessoas já não acreditam que alguém é capaz de vestir uma sapatilha e tentar fazer saltos e grand battements, é mérito de quem tem coragem no sangue e o prazer pelo desafio na vida.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vida Real* - Panelão cultural: a concentração



A cultura em Limeira é uma panela. Ouvi essa afirmação há alguns anos, pelo menos cinco anos atrás, de um colega que fez um curso de teatro comigo em uma das oficinas da Oficina Carlos Gomes. Desde aquela época vejo esse colega ator e cheio de ideias de espetáculos na cabeça entrar e sair da biblioteca e andando próximo às ruas do Centro Cultural, com sua mochila, o óculos de armação redonda e a pele morena queimando no sol do meio dia. Depois de vários anos desse curso de três ou quatro meses com um oficineiro de São Paulo, quando nos encontramos o assunto que surge é sempre o mesmo se intensificando a cada diálogo perdido nos meses do ano.

"A cultura em Limeira é uma panela muito fechada", uma frase feita usada pelo colega. Como argumento para sua afirmação, esse ator expõe as tentativas de levar adiante projetos de peças alternativas, formação de um grupo de atores e as inúmeras solicitações de espaços para ensaios que ele faz às autoridades competentes da área.

O problema que esse ser pensante e perdido no meio de seus livros e projetos enfrenta é facilmente percebido quando se está no meio ou pelo menos recebe notícias dele. Há alguns posts abaixo, neste mesmo blog, está uma denúncia feita por uma professora de balé de Limeira. Ela deu aula durante muitos anos no centro Cultural e tem uma carreira sólida na cidade. No último final de semana, data marcada para suas alunas apresentarem o resultado das aulas de 2009, uma chuva atingiu a região central e acabou causando alguns transtornos para a equipe. Segundo ela, a água da chuva entrava pela porta dos camarins que dá acesso à praça onde o teatro está localizado. Além disso, ela infiltrava por entre uma pedra solta no andar superior e descia em direção às parte onde ficam as salas para a concentração dos artistas, logo embaixo do palco.

O texto, assinado pela bailarina, foi publicado na terça aqui no blog. Pois dias depois fico sabendo que o assunto repercutiu e ainda sobrou pra mim. Um dos profissionais do texto não gostou de ver seu nome envolvido e sendo citado. Fiquei sabendo que por motivos pessoais essa pessoa ainda poderia atrapalhar alguns planos que tinha para minhas aulas de dança. "Por motivos pessoais". O que é ridículo. Alguém que não é concursado, supõe-se que tenha a noção de que está de passagem pelo serviço público. Um cargo comissionado é dado e retirado de um trabalhador com a mesma rapidez nas trocas de governo e nas irregularidades de atuação. "Por motivos pessoais", deixar de cumprir com seu papel e pior, deixar de colaborar para com o desenvolvimento de uma equipe que está (ou deveria estar) no mesmo lado do campo, do lado público das opções culturais que Limeira oferece, é lastimável.

Não é a toa que meu colega ator dizia que Limeira é uma panela no quesito cultura. Quem tem costa quente se segura no cargo. Alguém que está a um "poder" de distância, ainda controla as atividades do meio e quem deveria estar a frente de novos projetos simplesmente mantém os velhos na posição de um administrador e não de um inovador para a área. Apesar de ser novo e de estar há pouco tempo na área cultural da cidade, conversar com pessoas mais experientes e uma observação atenta dos fatos, dão a capacidade para dizer que a cúpula do poder que comanda a área cultural da cidade é uma grande panela de pressão que só não apita e nem entra em ebulição porque, no momento, alguns impasses e erros de percurso estão desviando a atenção desses 'administradores' e destes 'costas quentes' que precisam se preocupar com expurgação de assombrações e algumas obras de arte 'desaparecidas'.

Há mais exemplos dessa panela, basta consultar a lista de membros de uma associação recém-criada para incentivar o desenvolvimento da cultura na cidade. Nada contra alguns membros da entidade, mas a mesma cúpula que está envolvida no parágrafo anterior tem membros neste segundo exemplo. Um pouco da culpa é desse meu colega ator que não abre a boca para reclamar e peitar quem barra seus projetos, que enfrenta quem diz não e encontra caminhos alternativos para mostrar que Cultura em Limeira, não está concentrada em algumas mãos.

*Versão on-line da minha coluna Vida Real, publicada mensalmente no Jornal de Limeira, aqui, porém, quando eu quiser.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vida Real - CPI e Sindicância


RELEMBRANDO
No final do primeiro semestre, o Jornal de Limeira denunciou a existência de um funcionário fantasma na Secretaria da Cultura. Dias depois da publicação da denúncia, o teto de uma das salas de dança do Centro Cultural - o Museu Major José Levy Sobrinho -, caiu e o caso foi capa do Jornal. Como redigi a matéria na época e o secretário da Pasta, Adalberto Pedro Mansur, não estava em uma boa fase, resolveu esquentar o clima entre imprensa e prefeitura e fez até boletim de ocorrência acusando este colunista - que também trabalha como professor de dança na escola - de ter arrombado uma das salas do local.

AMEAÇA CUMPRIDA
No dia em que o secretário quase perdeu os cabelos de tão nervoso, ele apontou o dedo para minha cara e disse: "Quero ver se você vai ser homem de dizer tudo o que aconteceu em uma sindicância". Ameaçou e cumpriu. Na última segunda-feira fui convocado para conversar com a comissão de sindicância, intaurada no dia 1º de outubro. O processo investiga os fatos apontados por Mansur em um boletim de ocorrência que, entre outras coisas, me acusa de vandalismo.

O BOLO E A FACA
O engraçado é que quem autorizou a instauração de sindicância foi o prefeito Silvio Félix (PDT). O ponto divertido do tópico é que dias depois de assinar a autorização da sindicância, Félix ligou no meu celular particular para me parabenizar por uma matéria sobre uma escola municipal.

CALA A BOCA SERVIDOR
Em conversa com um representante do Sindicato dos Servidores Públicos de Limeira (Sindsel), fiquei sabendo que as sindicâncias rolam soltas no governo Félix. Segundo a fonte, o processo é usado como forma de intimidar os funcionários que têm opinião própria e senso crítico.

AMÉM
Pelo jeito o governo municipal só quer funcionários que façam vista grossa para os problemas e digam amém para o que acontece nos bastidores das secretarias.

SÓ POR ESCRITO
Enquanto a sindicância continua como uma forma de intimidação, a CPI instaurada na Câmara não mostra avanços. A repórter Paula Martins, quando redigiu uma das últimas matérias sobre o caso, que repercutia a defesa do prefeito que acusava Mansur de ter contratado o tal fantasma, ficou sem resposta do titular da Cultura. Com ele agora é assim: "só por escrito".

BAIXADA
Já o museu finalmente começou a ser restaurado. As aulas de dança se mudaram para o mesmo prédio onde funciona o Conselho Tutelar na baixada de Limeira e para o Palacete Levy. Algumas mães de alunas de balé não gostaram da mudança - que aliás foi repentina, assim como o Conselho no ano passado -, e reclamaram na última reunião de pais, mas foram ignoradas pelo diretor da escola.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

VIDA REAL - Na frente das carteiras


Numa tarde de dia de semana, com shots azul marinho e na camiseta branca o mapa do Brasil seguido do nome do país, cadernos e estojos na mochila ainda pequena, e uma vontade enorme de voltar para o carro, para debaixo das asas da mãe. Depois de passos curtos na praça em frente à escola, olhos marejados, vendo lá longe aquela bancária apressada atrás do volante, o que vinha pela frente eram 15 anos sentado em carteiras escolares. Ainda está claro na memória o primeiro dia do Ensino Fundamental.

O dia em que várias crianças com menos de dez anos, sentadas nas carteiras amarelas da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau "Brasil", estavam ansiosas pelas aulas da primeira série. Com lápis novos, cadernos limpos, e o material indicado na lista dada pela secretaria da escola e a vontade era de aprender. Como flashes de filmes, vêm à memória a imagem de várias crianças sentadas em seus novos lugares, algumas distribuindo fotos até do cachorro em cima da mesa, porta-lápis e estojos, ou organizando as canetas de cores diferentes ao lado dos lápis pretos e apontadores de caixinha. Ainda nesse ambiente, na porta da classe a professora conversava com uma outra pessoa e ouvia o pedido de mais de um aluno para que a aula começasse logo.

Das carteiras para a frente delas. Depois de debutar na escola e na faculdade e conseguir o diploma de jornalista, passo diariamente pela experiência de contar com a ansiedade de diversas crianças. No lugar de aprender a escrever e a ler, essas meninas de sete a 10 anos, querem mesmo é sair dançando como grandes bailarinas brasileiras, como a Barbie um um de seus filmes ou como aquelas personagens principais dos balés de repertório que assistem durante o curso de dança no Centro Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura. Independente da disciplina, lugar ou da estrutura da sala de aula, ser professor é lidar todos os dias com o futuro de seres que colocam na figura do educador a confiança e a crença de que serão esses profissionais que os levarão a ser alguém algum dia.

As adversidades aparecem junto do meio social na qual a escola está inserida ou da vida que os alunos têm fora da classe. Muitas crianças levam a violência que sofrem e presenciam em casa para dentro da sala de aula ou se dispersam em conversas e brincadeiras infantis - afinal estão juntas de outras crianças e este parece ser um momento em que podem ser o que são e não conviver com a realidade à qual precisam enfrentar. Ser professor hoje em dia parece ser uma batalha pela atenção das crianças, ou uma manutenção constante do amor pela licenciatura. Independente do que se leciona, todo professor contribui para um cidadão do futuro. Parabéns a todos os professores.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vida Real - A balada perdida




A animação estava garantida pelo som das pick-ups. A iluminação naquela frenesi de cores e lazeres no meio da fumaça branca - que graças à Lei Antifumo não é de cigarro, era o cenário para o público animado com todas as trocas de olhares, conversas e agitação. As horas passam e todo esse agito vai diminuindo. Os carros que estão parados na rua da boate também. Um a um eles vão deixando a via cada vez mais deserta, deixando os veículos ao relento entre o sereno da noite fria e a violência da cidade grande.

Curtir uma balada para desestressar, passar um bom tempo com os amigos ao som de música eletrônica é uma constante na agenda de algumas pessoas. Mesmo com todos esses aspectos positivos de diversão, tudo pode ir por água abaixo num segundo. Andando pela rua já com uma paisagem de solidão e com os amigos ainda animados por conta da bebida, me aproximei há duas semanas de um sentimento não muito agradável: a impotência.

Depois de curtir a noite, eu e dois amigos estávamos prontos para voltar para a casa. Tinha certeza que nos meus ouvidos seriam despejados todos os sucessos e detalhes das quatro horas regadas ao som do "puts-puts". A rotina só foi alterada quando, há um metro do carro vi a janela do motorista com o vidro todo quebrado. Tudo foi resumido a pequenos cristaizinhos do que antes iria barrar o vento gelado da madrugada daquelas conversas. O banco e o chão do carro ficaram tomados por esses pedaços de vidro e se não bastasse o estrago na janela, o aparelho de som, vários CDs e a carteira de um amigo com R$ 200 foram levados.

Aqui no Jornal de Limeira já foram publicadas várias reportagens falando sobre o furto de veículos e a violência nessa área. Quando lemos textos sobre esse assunto ficamos indignados e pensamos que não aconteceria conosco. Também é impossível se prever a reação que teríamos frente a uma situação dessas, mas tudo pode se resumir a uma única palavra, a impotência. Furtos como este que relatei são frutos das drogas - informação que qualquer um está cansado de saber, mas confirmada por um funcionário do plantão de polícia de Piracicaba, onde toda a cena ocorreu.

Eu e meu amigo que teve parte do salário levado simplesmente nos sentimos as pessoas mais impotêntes. Ver o vidro quebrado e todos os cacos ali para eu limpar foi um momento que nada mais passava pela cabeça. Por mais que fizéssemos boletim de ocorrência e xingássemos até os antepassados do indivíduo que faz isso, nada iria recuperar os prejuízos, nem aumentar a segurança. Ficamos a mercê da violência e contando com a sorte de que não estaremos na página de polícia da edição de amanhã.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

VIDA REAL - Impressões de uma sessão (completa)

Acho que não poderia estrear uma coluna em melhor hora. Sou repórter do Jornal de Limeira e editor da coluna de Variedades. Mensalmente estarei neste espaço. Esta semana fui escalado para cobrir a sessão ordinária da Câmara de Vereadores. Apesar de política não ser o meu forte nem a principal área de interesse, assistir a uma sessão acabou sendo até que divertido. Com a ajuda da assessora de imprensa da Câmara, Junia Mariano, fui compreendendo alguns dos trâmites e vocabulário usados pelos parlamentares durante as votações de projetos, moções, questões de ordem entre tantas outras palavras que só quem acompanha frequentemente ou trabalha no local sabe.

Apesar de a Casa ter todo seu regimento e protocolo, algumas situações independem de conhecimento prévio para entender o que se está passando atrás daquelas mesas do plenário. O mais engraçado foi presenciar algumas discussões entre os vereadores. Por um momento até pareceram crianças brigando por motivos banais. O caso que mais fez o público rir foi a discussão entre o presidente da Câmara, Eliseu Daniel (PDT), e o petista Ronei Martins. No seu primeiro ano de casa, Ronei ainda deve estar se acostumando com toda a complicação e burocracia que há dentro do sistema Legislativo municipal. Exemplo disso é a convocação de uma audiência pública para tratar sobre uma tarifa social de energia elétrica. "É preciso lembrar ao vereador Ronei que só quem pode convocar audiências públicas é o presidente da casa", explicou Eliseu após o vereador anunciar a reunião que fará.

O divertido mesmo foi ver Eliseu discutindo com Ronei sobre o tempo de mandato de cada um deles. "Estou no meu nono ano de vereador e não falo isso para desqualificar ninguém", disse o pedetista. "Mas desqulifica", retrucou o vereador da oposição. "Mas eu tenho e você não tem", disse Eliseu nervoso. Com o clima esquentando, o presidente da sessão, César Cortez (PV), pediu suspensão dos trabalhos para os nervos se acalmarem. Ainda com o microfone aberto e sendo orientado por outros parlamentares sobre sua postura, Eliseu soltou: "Então manda ele ficar quieto".

O que ficou visível para quem assistia à sessão foi o racha entre os dois partidos. O assunto que gerou toda a discussão foi a carta entregue pela Guarda Municipal com denúncias de corrupção e irregularidades na corporação. Em seu discurso, Ronei relembrou os planos de governo do prefeito Silvio Félix (PDT) e foi repreendido pelos colegas da Casa por ter usado o assunto para fazer "politicagem", conforme definiu Eliseu em defesa ferrenha das ações de Félix para com a Guarda nos seus cinco anos de governo. "Quando o interesse é atacar o prefeito e não discutir os problemas da guarda eu não concordo", disse.

NA BRIGA

Também na briga, Elza Tank criticou o petista por sua atitude no plenário. Ela, que tentou pedir questão de ordem durante a votação da moção de apelo proposta por Eliseu ao prefeito Silvio Félix (para abrir canal de comunicação com os guardas grevistas), foi impedida de usar a palavra por que já havia opinado sobre o assunto - quem lembrou foi Ronei. Quando chegou sua vez de justificar o voto negativo à moção, Elza desabafou. Nervosa e em um discurso inflamado, o que é típico da vereadora, ela falou que Ronei queria ser o "salvador da pátria". "Tenho um recado do prefeito para os guardas municipais, mas vou falar fora da Câmara porque o vereador Ronei não quer ouvir a minha voz", disse. Ficando vermelha, Elza ainda tropeçou nas palavras. Ao pedir permissão para o presidente da sessão para que o cinegrafista a acompanhasse até o exterior da Casa, a parlamentar gaguejou: "Queria que o cinema... cine... ai não sai, é isso aí mesmo". Depois de sua fala, enquanto outros parlamentares, inclusive Ronei, justificavam seus votos, Elza se sentou ao lado de um guarda municipal na plateia. Com os olhos marejados, Elza foi monossilábica quando questionada se estava muito nervosa: "Ô".

SUPERELZA

Já do lado de fora, a recepção dos guardas municipais deve ter acalmado a vereadora. Um dos servidores inflou o ego de Elza: "A senhora consegue (negociar com o prefeito a incorporação de hora dos grevistas), a senhora tem poder e a gente que dem 20 anos de carreira sabe disso". Apesar do momento de glória frente aos guardas, Elza deixou escapar que as denúncias não deveriam ter sido divulgadas da forma como os guardas fizeram. "Vocês não deveriam ter feito a denúncia, era sigiloso", disse em conversa com a roda de guardas a céu aberto. No plenário, ela e outros vereadores governistas afirmaram que o prefeito não sabia do teor da denúncia. Já longe dos microfones e questionada pelos servidores sobre o porquê da afirmativa de desconhecimento do prefeito, ela deixou claro que a prefeitura estava tentando abafar o caso. Questionada sobre o caso, Elza fez uma parada dramática, suspirou e indagou: "Por que eu sofro tanto?"

DEFESA

A defesa que os vereadores da situação fazem de Félix é incrível e não afeta somente Martins. Um requerimento de Paula Hachid () que pedia a prefeitura o orçamento e os gastos feito pelo Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom) foi duramente barrado pela vereadopra Elza Tank (PTB). Hachi justificou seu pedido dizendo que "tem dificuldade em ver como estás endo aplicado o plano de ações, especialemte na parte financeira, e o orçamento destinado ao Ceprosom". Elza, dizendo que Hachid conhece o presidente da autarquia (Dionísio Gava Júnior), pediu uma revião do requerimento e que os parlamentares votassem contra a aprovação do requerimento "pela desconfiança e pelas palavras que foram usadas no" documento. O requerimento, como definiu Martins ao defender o pedido de Hachid, é o principal instrumento que os vereadores dispõe para fiscalizar o Executivo. "Se o vereador é impedido de fazer o requerimento ele é impedido de fiscalizar. Se o requerimento não traz nenhum constrangimento, aprovemos", disse. O documento foi rejeitado por oito votos a cinco.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vamos mostrar serviço




Na última segunda-feira (dia 10) o verador Farid Zaine (PDT) apresentou um requerimento na sessão da Câmara dos Vereadores, com o objetivo de incentivar a cultura da cidade. O documento destinado à Prefeitura de Limeira questiona sobre a possibilidade de o poder Executivo "enviar, semestralmente, junto da cesta básica do servidor público municipal, uma obra literária de escritor brasileiro, de gêneros diversificados" , conforme informa o blog do parlamentar (leia post aqui).

A medida de Farid é semelhante ao projeto proposto pelo presidente Lula (PT) no mês passado. O petista apresentou em São Paulo, com grande cerimônia, o Vale Cultura. Na mesma linha do vale alimentação, esse novo vale irá dar R$ 50 mensais para os trabalhadores. O projeto especifica quais empresas podem dar esse vale aos funcionários - que terão um valor relativamente baixo descontados no salário. Cópia? Não sei.

O fato é que o projeto do verador apresenta alguns problemas. O primeiro deve ter sido falta de atenção ou de memória do veredor e trata sobre a forma como esses livros serão distribuídos para os servidores públicos municipais. Segundo o texto que Farid apresentou no blog, ele quer saber se é possível integrar o livro na "cesta básica dos funcionários". Agora perguntamos: QUE CESTA BÁSICA? Ou o vereador perdeu a memória do tempo que trabalhava no Executivo como secretário da Cultura (e recebia o salário junto com os servidores), ou sabe-se lá o que Farid estava fazendo quando pensou na proposta. Os funcionários públicos há poucos meses estavam brigando pelo aumento do salário, muito foram até a Câmara reclamar da intransigência do prefeito Silvio Félix na negociação. A presidente do sindicado dos servidores (Sindsel) usou a tribuna livre (se não me engano) mais de uma vez para apresentar as reivindicações da classe e entre elas estava o pedido de aumento do TICKET ALIMENTAÇÃO, não da cesta.

Há muito tempo que funionários não ganham aquela centa que vem macarrão, óleo e feijão. Pra ser sincero eu nem sabia que funcionários um dia ganharam isso. Hoje na redação do JL, quando li a notícia na caixa de entrada de um dos e-mails comentei em voz alta sobre a proposta e indagamos justamente esse ponto da proposta. "Como o Farid quer mandar livros para os funcionários junto com a cesta básica, se o funcionários não ganham cesta básica?". Uma das repórteres da redação ainda lembrou que antigamente uma parente sua recebia a cesta, mas deixou de recebê-la faz anos. Essa mesma repórter conversou com o vereador para escrever uma matéria sobre o caso. Quando ele foi questionados sobre o fato da cesta e a inconsistência da ação por conta de os funcionários receberem o ticket no cartão, o parlamentar foi evasivo. Primeiro disse que os livros seriam enviados mensalmente. Depois ligou na redção para se corrigir e disse que era semestralmente. Insistiu que as publicações iriam junto com a cesta, depois corrigiu dizendo que vai junto com o vale. Agora pergunto: Como o livro vai junto com o vale alimentação? Não vejo meio. A não ser que, se o prefeito acatar o pedido do vereador e resolver dar esses livros, estipular que cada secretaria fique responsável por entregar o exemplar junto com o holerite de julho e dezembro. (Piadinha: Livro acompanha uma cestinha com um doce e um salgado)

LISTINHA

Apesar de ser só um questionamento para o Executivo, é mais um requerimento somado à lista de serviço apresentada hoje no mesmo blog (veja aqui). Na relação de seu trabalho como parlamentar está quantificado todas as suas ações e entre elas estão "23 requerimentos". O do livro está no meio.

Outra inconstância do requerimento: um livro a cada seis meses? Isso é incentivar a leitura? Seriam dois livros por ano para funcionários que, geralmente, tem família, filhos em casa. Soma-se os outros integrantes da casa, seriam dois livros por ano para uma média de quatro pessoas (funcionário mais cônjuge e 2 filhos). Ou os limeirenses leem muuuuuito devagar, ou o vereador acha que a quantidade é suficiente para os servidores! (Piadinha dois: Se o funcionário não ler em seis meses, não vai poder retirar o outro exemplar no próximo semestre!)

GASTOS

Uma das primeiras coisas que aprendi sobre o serviço do legislativo é que os parlamentares não podem apresentar porjetos de lei que gerem custos para o Executivo - provável princípio usado pelo vereador para apresentar um requerimento e não um projeto de lei. Até porque essa medida não deve ficar lá tão barata (apesar de ser um investimento mais que necessário, desde que mensal). Uma pesquisa recém-divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) mostrou que o preço médio de um livro é de cerca de R$ 8,50.

Em matérias da época da greve dos servidores, o Jornal de Limeira divulgava um número aproximado de 5 mil servidores públicos. Fazendo as contas, seria um gasto semestral de cerca de R$ 42.500. Um valor irrisório para uma prefeitura que gasta R$ 1,5 milhão na construção do Museu da Joia Folheada, e ao mesmo tempo, (nesses dias de reflexo da crise eonômica mundial), deve ser caro para a mesma prefeitura que bateu o pé contra o aumento exigido pelo sindicato na época do dissidio e que atualmente fez reunião com todos os funcionários responsáveis pela área de Recursos Humanos das secretarias e manda conter despesas, desistir da contratação de novos funcionários e pedir para todos os comissionados e efetivos colaborarem com os serviços dentro dos departamentos, mesmo que varrer uma sala não seja atribuição de seu cargo.

FURADAS

Nas atividades feitas pelo mesmo vereador, e noticiadas em seu blog (claro!), também está o pedido que Farid fez ao presidente da Câmara, Eliseu Daniel (PDT), para colocar o hino de Limeira no site da Casa. Farid que está tão envolto com a internet esqueceu de fuçar um pouco no site de seu próprio trabalho. O hino de Limeira está no site, sim, e quem alertou sobre a gafe do vereador foi o ex-assessor de imprensa da Câmara João Paulo Baxega pelo seu twitter (@jpbaxega).

Eis o mapa do hino: entrando no site da Câmara, na coluna de botões da esquerda há o item "História da Cidade"; dentro dele está um texto bem grande e no final da página está mais um link chamado "Símbolos do Município" (o hino nacional é considerado um símbolo - isso aprendemos no Tiro de Guerra); e eis que chegamos à mina do tesouro (veja-o aqui). Talvez o vereador esteja acostumado com o site da Prefeitura de Limeira onde algumas informações fundamentais também estão faltando. Pelo menos não consegui encontrar o ano de fundação da cidade no site um dia que precisava para uma reportagem. Ou eu estava dopado, ou realmente não tinha nada lá.

LISTINHA 2

Agora um questionamento interessante. O que será que são os outros 22 requerimentos, as 58 indicações, os 14 projetos de lei, 2 projetos de resolução e as 15 moções? Confesso que não tenho acompanhado de perto o trabalho do vereador e me recordo pouco de toda sua atividade na Câmara. O que mais sei sobre ele é que é um parlamentar que está trabalhando pela cultura da cidade, vide as várias visitas de artistas em seu gabinete e sua constante participação nos eventos da pasta. Mesmo assim tenho certeza que alguns projetos fundamentais envolvendo a secretaria da Cultura ele não apresentou. Eis algumas dicas para o Farid:

- Questionar a prefeitura sobre como anda a investigação das 13 obras que sumiram em 2005 do "Museu Histórico e Pedagógico Major José Levy Sobrinho" - afinal de contas Farid era secretário quando as obras "sumiram" e deveria zelar, ou no mínimo estar preocupado com o paradeiro de parte do acervo (tombado) do museu;

- Cobrar a prefeitura sobre a reforma do Palacete Levy, onde funcionários estão trabalhando debaixo de um forro feito de tecido TNT cinza e as principais salas têm buracos no assoalho de madeira que machucam alunos que fazem aulas descalças no local. E onde inclusive foi instalado um departamento (ou um escritório, base, sede) para os Agentes de Trânsito;

- Cobrar também da Prefeitura uma resposta definitiva sobre a contratação do funcionário fantasma denunciado pelo Jornal de Limeira que expôs a mesma secretaria ao ridículo. Pasta que se mobilizou para entregar documentos (de origem duvidosa, uma vez que não apresentam características oficiais, como papel timbrado) à comissão do legislativo que investiga a irregularidade;

- E sobre o teatro vitória? Nada de errado? (...)

- E sobre as denúncias de assédio moral envolvendo o diretor da cultura? Nos bastidores também correm outro boatos sobre esse caso, pessoas querendo trazer à tona casos do passado, outras pessoas ajudando, funcionários revoltados e sendo colocados de escanteio... isso é excesso de capacidade ou outra coisa?

- Também deveria fazer um requerimento soliitando a prefeitura a contratação de professores de artes plásticas. No concurso que prestei em 2007 para professor de dança v´´arias pessoas foram aprovadas para professor de artes, mas até hoje não foram convocadas. A Secretaria não tem mais o curso que costumava ter até teste prático para selecionar os alunos;

Para quem defende tanto a cultura, está deixando a antiga casa de lado às moscas e aranhas, e pelo o que me lembre, nenhum desses itens foram levantados.

PERGUNTA

Se a comissão que investiga o caso do fantasma conversar com Farid sobre o caso, qual será a resposta que ele dará sobre o sumiço? Afinal ele era o secretário em 2005 e envolvidos no caso alegam que foram reclamar com ele sobre a retirada das peças do museu... relato inclusive já entregue ao MP. Reforço o intertítulo: isso é um questionamento, não uma acusação. [Adendo: o secretário de Cultura, Adalberto Pedro Mansur - aquele que fez um boletim de ocorrência contra mim - deve depor na mesma comissão nesta sexta-feira. Gostaria de estar lá para ouvir os argumentos que serão utilizados e ver também se ele vai ficar tão nervoso quanto estava no dia 'conversou' comigo na escola (sobre a porta)]

AINDA SEM RESPOSTA

Aproveitando que citei o funcionário fantasma, ainda não recebi as respostas das perguntas que fiz para a Assessoria de Comunicações da prefeitura sobre o caso. Segundo o assessor Ricardo Wollmer, que não está conseguindo obter a resposta, ninguém responde ao assunto. Por que será?

DETALHE CURIOSO

Não lembro se já postei isso no blog, se sim vale reforço. Quando tratamos das obras do museu com a Assessoria de Comunicações da Prefeitura, não se pode dizer que os quadros foram "roubados", usei o verbo em conversa com o departamento certa vez e fui duramente corrigido "eles estão desaparecidos"... sem comentários. Se alguma coisa fosse tirada da minha casa sem a minha autorização ou sem eu ficar sabendo e, claro, eu não a encontrasse em nenhum cômodo do local, minhas coisas estariam desaparecidas ou foram roubadas?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pré-coluna VIDA REAL - Claudete e as compras

Devo começar a escrever uma coluna na página dois do Jornal de Limeira nos próximos dias. Agosto está sendo um mês de mudanças, ou da concretização de mudanças pelo o que entendi das últimas conversas oficiais, e uma delas foi a estrutura da página de opinião do jornal.

Agora com mais espaço para artigos, os repórteres da redação passarão a escrever semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente (meu caso). Uma medida bem legal essa porque muitas vezes nós, repórteres nos vemos impedidos de colocar a boca no trombone por conta da imparcialidade que deve-se ter na redação das matérias e reportagens.

Como ainda não sabia com certeza a data da coluna (só sei que é na próxima semana) me confundi e preparei um texto para essa semana. Ele deveria (na minha cabeça) ter saído quarta-feira. Para não perdê-lo, uso como uma pré-coluna aqui no blog.



VIDA REAL

Hoje é meu dia de estreiar neste espaço do Jornal de Limeira. Apesar de dever me apresentar e colocar à disposição de todos os leitores que quiserem me enviar e-mail com sugestões e ideias para o espaço, preciso mesmo que vocês conheçam a Claudete.

Claudete é uma mãe de família, na casa dos 50 anos, com dois filhos praticamente criados e que, apesar de ser uma personagem de ficção, passa por situações de uma vida bem real. Cedo espaço a ela hoje.

No último domingo, essa mulher baixinha e de passos bem largos e apressados não conseguiu provar sua velocidade de pensamento e de locomoção ao ser surpreendida pelo anúncio de um televisor de 42 polegadas por um preço que era uma pechincha.

Explico. Claudete há muito tempo sonhava com uma televisão grande para sua sala, que aliás há pouco tempo ganhou um lindo hack de madeira escura. Depois de fazer a contabilidade pessoal e a pesquisa de preços em lojas da cidade, ela finalmente se decidiu pela marca e modelo e saiu no começo da noite de sábado determinada à comprar o tal televisor. Apesar de ser exato começo de mês - dia 1ª de agosto, ou seja, dia em que os trabalhadores ainda não receberam o salário -, ela teve que enfrentar fila para entrar no supermercado onde compraria o aparelho e mais fila na hora de conseguir a nota fiscal da sua compra. Ao ver toda aquela gente atrás de equipamentos da linha branca, marrom ou qualquer outra cor que estivesse em um preço bom, se lembrou das notícias de crise pelas quais passou o olho há meses atrás. “Nem parece mais aquele pessoal assustado, com medo de perder o emprego de repente”, pensou.

O fato presenciado por ela foi até manchetado pela revista Exame, especializada em economia. Na edição do dia 29 de julho a publicação trouxe na capa: “Uau! Voltamos a crescer!”. Com uma reportagem de Fabiane Stefano, o exemplar expôs informações sobre o aquecimento do setor de lavadouras de roupas, computadores, fusões entre lojas varejistas, entre outros números e estatísticas. O fato noticiado é que o pior da crise já passou na opinião de especialistas. Para Limeira a situação parecia até ser parecida. Afinal, há poucos dias ela ouviu o marido de sua sobrinha comentar que na multinacional onde ele trabalha os demitidos estavam sendo recontratados...

Apesar de estar ali, preto no branco, a notícia era visível naquele sábado de compras de Claudete. Mais presente ainda quando o locutor do supermercado anunciou que naquele exato momento cinco unidades de um televisor tela-plana de 42 polegadas de uma outra marca acabara de entrar em promoção. Só R$ 1.980. Menos de dez minutos e só restavam três. Claudete já estava pegando a nota fiscal de um aparelho com as mesmas características, mas de outra marca, quando ouviu o anúncio. Era tarde.