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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

10 dicas para organização de um trabalho acadêmico


Escrevi essas dicas para minha turma de Ciências Econômicas na Unicamp. Depois de duas monografias (de jornalismo e de economia) feitas e a dissertação a caminho, fui juntando algumas dicas pessoais que pode ajudar algumas pessoas.

Mas, antes de mais nada, a dica ZERO e mais importante: leia "Como se faz uma tese" de Umberto Eco (link para Livraria Cultura). Esse livro é simples e pequeno, mas genial. Embora ele fale de algumas práticas da Itália, tem dicas valiosíssimas para qualquer pessoa que quer escrever uma monografia (por obrigação do curso ou paixão), dissertação ou mesmo uma tese.


Agora as demais dicas:

1) Não deixe para última hora! "Um dia sem escrever sua mono/dissert/tese, resulta em trabalho triplo no futuro", segundo Marcelo Knobel, professor da Unicamp. Nem que seja para fichar uma página de um livro num dia, outra no outro, mas façam alguma coisa;


2) Post-its coloridos ajudam muito. Aqueles que têm formato de seta são ótimos para marcar mais de um assunto em um livro. Na primeira página, cole um de cada cor e escreva temas específicos que precisa pesquisar ou os nomes dos seus capítulos. Ao longo do livro vá colando esses post-its e fazendo pequenas anotações. Quando tiver vários livros fichados fica mais fácil de relacionar os temas entre autores diferentes;
3) Não deixe de conversar com seu orientador!!! Mesmo que ele não marque reuniões com frequência, COBRE os encontros porque eles são importantes para mantê-lo em dia e também para te "forçar" a apresentar algo com certa periodicidade (além de não deixar tudo para última hora);
4) Nem tente planejar escrever um ou mais capítulos nas férias (no caso de monografias que se dividem em disciplinas de dois semestres). Todo plano de férias fracassa, a não ser que você tenha uma disciplina militar. Prefira manter sua produção em dia ao longo do período letivo, assim dá para descansar de verdade em julho e preparar para a reta final;
5) Use o cronograma apresentado no projeto da monografia/TCC, dissertação, tese e etc. Imprima ele e cole na sua escrivaninha, no local de trabalho, contra-capa do caderno ou em qualquer lugar onde você frequenta muito e costuma estudar. Esse cronograma é essencial para que tudo saia no período certo;
6) Não faça um cronograma muito apertado. Se ainda tiver muitas disciplinas para cursar, seja realista e distribua a produção ao longo dos dois semestres. Leve em conta também os períodos de prova, horas que precisa estudar para essas outras disciplinas e não esqueça de um tempo para descansar!;
7.a) No caso específico da graduação em Ciências Econômicas da Unicamp, no meio do semestre há uma REUNIÃO DE AVALIAÇÃO com a coordenação. Esse esquema pode mudar em 2015, mas até ano passado essa reunião não passava de uma conversa com os membros da coordenação e da comissão de graduação. Eles vão ver o relatório que seu orientador preencheu e a nota parcial registrada ali e conversar para ver se você dará conta de fazer todo o trabalho naquele semestre e se já produziu algo. Até ano passado não era preciso apresentar nada nessas reuniões parciais e elas ocorrem no meio do primeiro e do segundo semestre;
7.b) Em todos os casos, é importante verificar quais são suas obrigações com a instituição de ensino ou com a instituição que te fornece bolsa de estudos (Fapesp em SP, por exemplo). No caso do mestrado, tive que fazer o exame de qualificação. Obviamente que não foi tão simples quanto o item anterior. Mas a dica importante aqui é: conheça suas obrigações, quando deve (e se deverá) apresentar algo, entregar relatórios e etc...
8) Para organizar a redação da monografia, crie uma pasta e alguns arquivos de texto: um para a introdução, um para cada capítulo do trabalho e outro para as referências. Fica mais fácil ir apresentando sua produção para seu orientador (isso se ele não impor alguma regra diferente);
9) Mantenha as Referências sempre atualizadas. Não deixe para incluir uma obra "depois" porque o depois nunca chega e o arquivo final fica sem ela. E acreditem: tem professor que olha toda a referência e vai conferir suas citações nela;
10) Não é só Jesus que salva, GDrive e Dropbox também salvam e também estão nas nuvens. Esses dois recursos têm opção de criar uma pasta no computador que mantém sua HD online atualizada. Crie as pastas da monografia nessa área e salve os arquivos todos ali. Claro que manter uma cópia de segurança num pendrive ou num outro HD ajuda, mas se seu computador pifar ou você tiver um tempo na faculdade, pode acessar seu trabalho pela internet e continuar trabalhando tranquilamente.
É isso.... espero que tenha ajudado alguém. Se sim, deixe um comentário aqui ;)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Você sabe o que é taxa de câmbio real, nominal e Paridade do Poder de Compra?

Fazendo minha monografia para a conclusão da graduação em economia, resolvi escrever um pouco mais sobre alguns conceitos. Esta é a parte que falo sobre taxa de câmbio (ainda não revisada pela minha orientadora) e que vou usar para o próximo vídeo do vlog "Vou ter que desenhar?". Segue o texto:


A taxa de câmbio, no Brasil, pode ser definida como o preços da moeda estrangeira medido em valores da moeda nacional, representado pelo quociente moeda local/moeda estrangeira – R$/US$ em nosso caso (Carvalho et al:  2007, p. 340). Um aumento dessa taxa significa que a moeda estrangeira ficou mais cara, portanto, uma depreciação da moeda nacional ou uma desvalorização nominal na taxa de câmbio, afinal é necessário mais moeda nacional para comprar uma estrangeira. Quando a moeda estrangeira fica mais barata há uma queda na taxa de câmbio, portanto uma apreciação nominal da taxa e uma valorização da moeda nacional.

A importância desses movimentos dos preços das moedas nacional e estrangeira é fundamentalmente sentida pelos setores da economia que mantêm relações com o mercado internacional de bens e serviços e também no mercado financeiro internacional. De forma geral, valorizações da moeda estrangeira (apreciação da taxa de câmbio) estimulam as exportações e desestimulam as importações, quando consideramos tudo mais constante (coeteris paribus). Um exportador recebe mais reais ao converter o dólar em nossa moeda e o importador vai precisar de mais moeda nacional para adquirir um produto precificado nessa moeda estrangeira. O contrário é verdadeiro: desvalorização da moeda estrangeira (depreciação da taxa) desestimulam as exportações e estimulam as importações. A taxa de câmbio é, portanto, o parâmetro que permite realizar as conversões entre as moedas nacional e estrangeiras (quando consideramos também operações em euro, peso e outras moedas).

Essas considerações são feitas utilizando a taxa de câmbio nominal. O cálculo para a taxa real de câmbio (E) é feita por uma equação que considera a taxa nominal (e) que multiplica o quociente entre os índices de preços (inflações) do país estrangeiro (P*) e o índice de preços nacional (P). A inflação interna encarece os produtos de exportação, já a externa encarece os produtos importados e estimula as exportações. 



Outra forma de defini-la é apresentada por  Mankiw (2009, p. 686): “A taxa de câmbio real é a taxa à qual uma pessoa pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens e serviços de outro país”.  De acordo com este autor, a taxa real de câmbio é um “determinante-chave” das exportações líquidas, uma vez que a sua depreciação indica que os bens nacionais se tornam mais baratos em relação ao estrangeiro e, com isso, as exportações daquele país aumentam, o que incentiva produção e gera renda.

Contudo, há outros fatores a serem considerados na taxa real de câmbio. Entre eles está o “grau de abertura da economia, a preferência dos consumidores e os ganhos de produtividades no setor exportador (...) [além disso] a inflação é um cálculo médio que inclui uma série de bens e serviços, muitos dos quais não são comercializados no mercado internacional” (Paulani & Braga: 2007, p. 154).


Por conta dessa arbitrariedade do cálculo da taxa real de câmbio, é preciso considerar também outras formas de calcular as relações entre moedas nacional e estrangeira. Uma delas é a Paridade do Poder de Compra (PPC). A teoria da PPC parte da chamada “lei do preço único, de acordo com a qual produtos homogêneos devem ter o mesmo custo nos diferentes mercados, quando expressos na mesma moeda” (Lopes & Casconcelos: 2011, p. 241. O produto comumente usado é o Big Mac, lanche padrão da rede McDonalds. Sendo assim, o preço do lanche no Brasil, em reais, deve ser o mesmo nos Estados Unidos (em dólar) multiplicado pela taxa de câmbio (R$/US$). 

Existe aqui o pressuposto da eficiência do mercado: neste caso não existem custos de transação e, caso o preço em um país seja menor ou maior que no outro, a demanda seria deslocada para o local de menor preço até que ele aumente e o equilíbrio seja restabelecido. As críticas à essa teoria começam pelo custo de transação. É irreal supor que os consumidores se deslocariam de um país para o outro para consumir um determinado bem. Além disso, o custo de deslocamento acaba tornando o bem ou serviço mais caro naquele país que registra menor preço. Portanto, existem bens que não induzem fluxos comerciais independente de seu preço, são eles os bens e serviços não transacionáveis (non-tradeables). Outra crítica é que as cestas de consumo nos diferentes país não são as mesmas.

Bibliografia usada:

BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
CARVALHO, Fernando Cardim de et al. Economia monetária e financeira.: teoria e política. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
LOPES, Luiz Martins; VASCONCELOS, M. A. S. de. (org.) Manual de macroeconomia: nível básico e nível intermediário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
PAULANI, Leda Maria. A nova contabilidade social: uma introdução à macroeconomia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A sofisticação da reportagem: análise das reportagens da revista piauí - agora na internet


Depois de pouco mais de três anos, finalmente tomei um gole de vergonha e coloquei meu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo. Meu trabalho foi um estudo sobre os recursos do jornalismo literário que são usados na revista piauí até 2008 e recebeu o nome de "A sofisticação da reportagem: uma análise dos recursos do jornalismo literário na revista piauí". Orientado pela professora doutora Milena de Castro Silveira e é um dos meus orgulhos da carreira  =D.

Esta foi a primeira vez que fiz um upload no 4shared, e pelo o que vi é preciso fazer login no site para baixar o arquivo. Caso haja algum problema, por favor me avisem que providencio um outro site para hospedar o arquivo. O link é este: http://www.4shared.com/office/wTA1335O/CONTIN_Alex_-_A_sofisticao_da_.html.

Vou aproveitar para divulgar um resumo do trabalho:


"O presente trabalho se dedica à análise da aplicação de recursos literários na redação das reportagens da revista Piauí. Através de uma revisão bibliográfica dos conceitos e história do jornalismo; contextualização do jornalismo como um gênero literário; jornalismo literário; reportagem; e jornalismo de revista. Também é apresentado um panorama sobre a revista Piauí explicando a origem de seu nome, criação, seções, conteúdos, leitores e tiragens. Suas reportagens são analisadas em uma pesquisa qualitativa que toma por base os livros teóricos sobre reportagem e jornalismo literário. São analisados desde o projeto gráfico da revista até a estruturação da reportagem." (CONTIN, p. 4)


E o primeiro parágrafo da introdução:


"Na correria do dia-a-dia poucos são aqueles que se dão o prazer de sentar no canto do sofá, parar o relógio por um tempo considerável e se entregar ao prazer de ler uma reportagem de fôlego e com conteúdo de qualidade. No meio de todas as notícias quentes que a imprensa apresenta aos seus leitores, alguns veículos ainda investem em textos que devolvem ao cotidiano da população o prazer pela boa leitura. A revista Piauí, é hoje um desses veículos. O presente trabalho se propõe a analisar a construção das reportagens dessa revista que há dois anos já se posiciona entre as mais lidas do Brasil e que expõe através de suas palavras a sofisticação do texto moderno resgatando os recursos literários utilizados por escritores clássicos brasileiros e internacionais. Diferentes maneiras de informar o mesmo leitor propiciam a análise de diversos recursos que valorizam a imagem a ser retratada e que foge das fórmulas convencionais propostas pela industrialização da notícia." (CONTIN, p. 6)


O trabalho foi enriquecedor e devo uma boa parte dele à colaboração da própria revista e à minha orientadora que fortaleceu em mim o gosto pela carreira acadêmica e pela redação de trabalhos científicos e analíticos como este - gosto esse que estou retomando (como já disse) com muito prazer na Unicamp.

Além do trabalho final, também (finalmente) coloquei uma apresentação que fiz para o dia da minha banca. Por não ser muito adepto dos padrões quadrados do rigor da ABNT, tentei inovar na apresentação do meu trabalho em três pontos. O primeiro foi a decoração da sala, fiz um varal com as edições da revista, como aqueles de literatura de cordel. O segundo foi a capa e contra-capa das versões impressas para a banca, que também incluí na versão de capa dura que está disponível na biblioteca do Isca. As capas foram feitas com duas imagens do Frankstein que estavam disponíveis no site da revista e tentei produzir uma capa parecida com as feitas pela publicação. E o terceiro ponto foi o vídeo feito com fotografias, ilustrações e capas da revista piauí.



O trabalho foi, como já disse, enriquecedor pra mim, espero que seja útil para curiosos e estudiosos.