No meu último post aqui no blog escrevi sobre um texto publicado pela revista Ensino Superior Unicamp sobre um estudo feito no início do século passado por Flexner nos Estados Unidos e Canadá sobre as escolas de medicina (Relatório Flexner). Além desse artigo, a edição da revista tem um artigo de uma pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Dublin, Ellen Hazelkorn, sobre os Rankis e a excelência das universidades em todo o mundo. Eis que esta semana a Ordem dos Advogados do Brasil divulga uma nota falando do péssimo desempenho de bacharéis em Direto no Exame da Ordem.
O jornal on-line Estadão trouxe uma noticiou hoje a lista de universidades que não teve nenhum aluno aprovado no exame. Dos 116 mil inscritos, só 9,7% foram aprovados segundo o jornal. (Confir a lista aqui e a notícia aqui). Essa informação, apesar de ser vergonhosa, veio em boa hora para ilustrar como ainda há essas "Fábricas de ignorantea". Imagino se todas as profissões requisitassem exames parecidos... ai sim seria um festival de rankings negativos e divulgação dessas fábricas de ignorantes interessados apenas no dinheiro dos alunos.
É decepcionante... =/
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terça-feira, 5 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Fábricas de ignorantes
Lendo algumas publicações sobre o Ensino Superior, encontrei um documento superinteressante. A fonte é a revista Ensino Superior Unicamp e na sua primeira edição, de abril de 2010, a publicação trouxe a introdução de um estudo feito pela Fundação Carnegie (dos Estados Unidos), elaborado por Abraham Flexner. O objeto do estudo era as escolas de medicina dos Estados Unidos e Canadá no início do século XX. O estudo foi publicado em 1910 com o título "Factors for the making of ignorant doctors" (Máquina de médicos ignorantes") e foi escolhido pela equioe da revista por conta da situação das escolas de medicina brasileiras - além de ter completado 100 anos desde sua primeira publicação.
Na revista da Unicamp foi publicado apenas a introdução do estudo escrita por Henry Smith Pritchett. Para apresentar essa introdução, a revista ainda passa algumas informações que justificam a escolha do texto: no Brasil, entre 1996 e 2010 o número de escolas de medicina subiu de 82 para 161. Além disso informam que em 2009 o MEC fechou 570 vagas de nove cursos.
Apesar de o texto ser sobre os cursos de medicina nos Estados Unidos e Canadá, com um claro paralelo dos cursos brasileiros, escolhi uma parte do texto que pode ser claramente aplicado a qualquer universidade e qualquer curso(e até às escolas estaduais de ensinos médio e fundamental, uma vez que parece ser inútil criticá-las e ver que a qualidade só piora). Ontem mesmo estava conversando com uma prima, Franciane Boriolo, sobre como os cursos superiores viraram mercadorias e as instituições de ensino superior grandes comerciantes em busca de dinheiro e não de alunos com qualidade!
Segue o trecho selecionado para reflexão:
"Nesse sentido, talvez seja desejável acrescentar mais uma palavra. As instituições de ensino, particularmente as vinculadas a um college ou uma universidade, são peculiarmente sensíveis a críticas externas; em especial a qualquer depoimento sobre circunstâncias de sua conduta ou de seu equipamento que lhes pareça desfavorável em comparação às de outras instituições. Como regra geral, o único conhecimento que o público tem de uma instituição de ensino é proveniente de depoimentos da própria instituição – informação que, mesmo nas melhores circunstâncias, é colorida por esperanças, ambições e pontos de vista locais. Um número considerável de colleges e universidades assume a lamentável posição de, por serem instituições privadas, considerarem direito do público conhecer apenas as operações que elas decidam comunicar.
(...)
"A atitude da Fundação é que todos os colleges e universidades, não importa se sustentados por impostos ou doações privadas, são na verdade corporações de serviço público, e que o público tem o direito de conhecer os fatos ligados à sua administração e a seu desenvolvimento, sejam eles relacionados ao aspecto financeiro ou ao educacional."
Para quem tiver interesse, o texto completo está disponível na página da revista Ensino Superior Unicamp (clique aqui).
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