quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Padrões de manipulação - argumentos para não confiar na imprensa

Para não deixar meu blog morrer abandonado, vou publicar aqui o trecho de um projeto que elaborei essas férias de julho. Comecei o período de férias com uma pilha de livros para ler e terminei com outra totalmente diferente e um projeto de pesquisa em andamento.

Aproveitando o conteúdo, vou colocar aqui uma das partes que mais achei interessante escrever que é uma síntese da Teoria da Manipulação proposta por Perseu Abramo. Esse jornalista diz que há cinco padrões de manipulação usados pela grande imprensa. O texto original é muito interessante de ser lido porque mostra a quantas anda o interesse da classe dominante nos veículos de comunicação. Além disso nos faz enxergar como devemos duvidar de praticamente toda e qualquer informação divulgada por essa imprensa gigantesca que controla a mente de grande parte da população e aliena essas pessoas de problemas realmente importantes como a educação e política, por exemplo.

Segue o texto:


O jornalismo sofre algumas críticas que são apontadas por Bahia (1990): o noticiário é inexato por conter notícias falsas ou sensacionalistas, é superficial, discrimina as minorias, é parcial, despreza seu compromisso com a educação e é manipulado. Sobre a manipulação, que aqui será discutido com mais detalhes, Bahia afirma: “A crítica contesta o grau de independência que os veículos atribuem às notícias em relação à opinião. Para ela, não só o noticiário sofre pressões opinativas dos editores, repórteres e redatores, como também da direção que controla a opinião” (BAHIA:1990, p. 24) e que, por conseguinte, controla a angulação das informações que serão noticiadas. 

Outro teórico e principal crítico do que consiste numa Teoria da Manipulação, é o jornalista Perseu Abramo (2003). Para ele, há cinco padrões de manipulação: os padrões comuns a toda a grande imprensa que são os de ocultação, fragmentação, inversão e indução; e o quinto, referente às televisões e rádios que é o que o autor chama de padrão global. Todos os padrões estão ligados com o trabalho e a dinâmica nas redações e a forma como a notícia é tratada por repórteres, editores e demais profissionais deste ambiente.  

A análise feita por Abramo parte da elaboração da pauta e a discussão do que é fato jornalístico ou fato não-jornalístico, o que será e o que não será noticiado. Essa primeira seleção dos fatos que constarão na pauta do veículo fazem parte do padrão de ocultação: “é o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. [...] É um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade” (ABRAMO: 2003, p. 25). O segundo padrão observado pelo jornalista, é a fragmentação, ou uma quebra do todo real em aspectos específicos e descontextualizados em relação ao fato concreto. O problema está na desconexão e na falta de contexto: “isolados como particularidades de um fato, o dado, a informação, a declaração perdem todo o seu significado original e real para permanecer no limbo, sem significado aparente, ou receber outro significado, diferente e mesmo antagônico ao significado real original” (ABRAMO: 2003, p. 28). 

Os dois primeiros aspectos se referem tanto à elaboração da pauta e a orientação que o repórter recebe para trabalhar sobre o assunto, quanto na captação do próprio jornalista ao limitar a visão do todo a um ângulo restrito e condizente com a visão política do órgão no qual ele trabalha. Apesar de o debate feito aqui sobre manipulação considerar os órgãos de comunicação, vale uma ressalva feita por Charaudeau (2012) quanto às influências externas:

É preciso ter em mente que as mídias informam deformando, mas é preciso destacar, para evitar fazer do jornalista um bode expiatório, que essa deformação não é necessariamente proposital. Mais uma vez, é a máquina de informar que está em causa, por ser ao mesmo tempo poderosa e frágil, agente manipulador e paciente manipulado. (CHARAUDEAU, p. 253)

Sobre o mesmo assunto, Gilberto Dimenstein alerta quando fala sobre os jogos de poder da política: “Os jornalistas também não escapam e a imprensa, cuja missão é evitar a manipulação, frequentemente cai nas armadilhas do poder, movido a esperteza e calculismo” (DIMENSTEIN: 1990, p. 14). Ou seja, apesar de ser considerável os interesses econômicos e políticos dos empresários da comunicação, seus veículos podem também ser usados como instrumentos na guerra pelo poder e manipulação da população carecendo, portanto, de independência, profissionalismo e curiosidade para farejar o que há por detrás das informações obtidas. Este problema é também abordado por Abramo no seu terceiro padrão de manipulação, a inversão. Para manipular, na hora da estruturação, redação e apresentação da notícia, ocorre uma “troca de lugares de importância dessas partes, a substituição de umas por outras e prossegue, assim, com a destruição da realidade original e a criação artificial de outra realidade.” (ABRAMO: 2003, p. 28). Como um subitem deste padrão, o autor considera as relações entre jornalistas e o poder político. Segundo ele, ao selecionar uma versão específica no lugar de apresentar o fato como um todo, o órgão de comunicação pode extremar sua manipulação oferecendo ao leitor apenas a versão oficial, o que Abramo chama de oficialismo, ou, usando o discurso de Dimenstein, cair, consciente ou não, nas “armadilhas do poder”.

A inversão ainda pode ser originada da pauta e da visão e ação do repórter, mas é na edição e na diagramação do produto jornalístico que ela é mais fortemente observada. Assim, a partir deste e dos demais padrões, Abramo chega à indução:

O que torna a manipulação um fato essencial e característico da maioria da grande imprensa brasileira hoje é que a hábil combinação dos casos, dos momentos, das formas e dos graus de distorção da realidade submete, em geral e em seu conjunto, a população à condição de excluída da possibilidade de ver e compreender a realidade real e a induza a consumir outra realidade, artificialmente inventada. É isso que chamo de padrão de indução. (ABRAMO: 2003, p. 33)

A diagramação das revistas semanais e mensais está inserida neste grupo de meios de comunicação que extrapola todos os demais padrões de manipulação e coroa a indução desde a sua capa até a ordem de suas reportagens nas páginas internas. A escolha cuidadosa da ilustração da capa, o tamanho, a cor e a mensagem dos títulos, a sequência de chamadas apresentada ao leitor, enfim, os elementos das capas que são os primeiros a chegarem aos olhos do leitor são o carro chefe dessa manipulação. Manipulação e angulação se mesclam aqui. Retomando os conceitos de Medina, a indução por meio dos elementos de edição podem ser enxergados a partir da lógica da angulação-massa que se manifesta “nas aparências externas – formas de diagramação atraente, valorização de certos ângulos e cortes fotográficos, apelos linguísticos como títulos e narração dos fatos. Está também nos conteúdos e no processo de captação desses, extraídos de uma realidade” (MEDINA: 1988, p. 75).

São elementos usados tanto para manipular por meio da expressão política e ideológica do veículo, como também para torna-los vendáveis aos leitores. Afinal, como diz Charaudeau (2012) na lógica do que ele chama de “contrato de comunicação midiática”, a imprensa tem dois objetivos básicos, ou visadas: “uma visada de fazer saber, ou visada de informação propriamente dita, que tende a produzir um objeto de saber segundo uma lógica cívica: informar o cidadão; uma visada de fazer sentir, ou visada de captação, que tende a produzir um objeto de consumo segundo a lógica comercial” (CHARAUDEAU: 2012, p. 86). Sendo assim, seguindo a visão de Charaudeau, a imprensa, ao manipular, pensa não somente na manutenção de seus ideais e crenças, mas também naquilo que é vendável na banca, nas ondas sonoras e na tela da televisão.


ABRAMO, Perseu. Padrões de manipulação da grande imprensa. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.
BAHIA, Juarez. Jornal, História e Técnica. As técnicas do jornalismo. 4ª ed. São Paulo: Editora Ática, 1990.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2012.
MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda: jornalismo na sociedade urbana e industrial. 2ª ed. São Paulo: Summus, 1988.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Scribd



Essa vale uma nota no blog, mesmo que curta. Me indicaram há um certo tempo um site que tem vários documentos e livros digitais. Perdi o nome e o link e sofri para conseguir reencontrá-lo, eis que esses dias me falaram dele mais uma vez: se chama Scribd.

Para quem não conhece, vale a pena conferir - especialmente se você for universitário. Não é preciso fazer cadastro caso você já tenha umperfil no facebook e é muito fácil de usar (ao que me parece, porque usei pouco).

Neste site pessoas compartilham textos digitais de várias áreas diferentes. Me parece que para você poder baixar precisa fazer um upload de algum documento, ou seja, você precisa dar pra receber. Enviar um arquivo é fácil e quem está na universidade sempre tem um resumo ou algum pdf, basta enviar.

O link é este: pt.scribd.com, aproveite!

domingo, 29 de julho de 2012

Desprazer do trabalho e os professores



Na economia política clássica, o trabalho é um desprazer para o trabalhador. Basta olhar para a cara de algumas vendedoras de shopping ou mesmo reparar na cara de algum colega de trabalho que essa afirmação daqueles teóricos fisiocratas e de outros que o seguiram fica realmente claro. O salário de um trabalhador era medido pela quantidade de desprazer que ele tinha que despender - essa era a medida para o trabalhador. Logo ficou provado que o trabalhador não tem voz nenhuma e quem realmente decide o quanto um assalariado vai receber é o capitalista e suas decisões de gasto.

Da economia clássica para os nossos dias, como já foi dito, essa definição de desprazer com o trabalho é mais que evidente ainda. Apesar se ser um fato, mesmo que ainda tentem dizer que "o trabalho dignifica o homem", esse visão 'desprazerosa' do trabalho acaba sendo um grande problema em algumas profissões, principalmente a de professor.

Não vou entrar na discussão sobre salário, até porque acho que o professor deve ser o profissional mais bem pago (mais a maioria dos políticos pelo menos) e dessa ideia não abro mão. Mas a questão é sobre o prazer que um professor deve sentir ao entrar numa sala de aula. A maioria das pessoas quer sempre ter um salário maior para simplesmente melhorar ou manter seu "padrão de vida". Na minha opinião, pessoas que pensam no seu padrão de vida antes de pensar na qualidade do ensino que é capaz de proporcionar aos seus alunos simplesmente não serve para ser professor.

Ser professor não deve ser uma atividade que se cobre pela quantidade de desprazer à qual a pessoa está subordinada. Uma pessoa que enxerga o valor da profissão apenas no holerite que chega todo começo de mês se esquece da dignidade da sua função social e a importância que ele ou ela tem na vida de cada um dos 20, 35, 60 ou 120 alunos por onde passa diariamente.

Querer sempre uma cifra maior na conta corrente no começo de cada mês faz alguns professores abusarem de sua própria capacidade física e intelectual e eles são "obrigados" a assumirem aulas em pelo menos dois períodos numa mesma escola ou as vezes em escolas a quilômetros de distância uma da outra. O que parece que eles não percebem é que é o próprio capitalismo que coloca uma arma na nuca desses professores e os obrigam a não perder status na sua sociedade medíocre e acabam comprometendo a qualidade do ensino em prol única e exclusivamente da manutenção de seu "padrão de vida".

Com essa arma em suas costas, os professores passam a reclamar. Os alunos de hoje são ruins, o salário é ruim, a direção é ruim, o governo é ruim... tudo é ruim, menos a qualidade de seu trabalho. Anualmente vemos vários e vários professores na rua brigando por um aumento salarial "digno" da classe. Já disse que sou a favor de que os professores recebam os melhores salários, MAS quantos daqueles professores das passeatas realmente são dignos desse salário? Sou capaz de contar nos dedos das mãos a quantidade de professores da minha vida de estudante até o Ensino Médio que realmente são merecedores de um salário melhor. Infelizmente a maioria dos professores que eu tive não mereciam estar na frente de uma classe e serem chamados de "professor". Pareciam muito mais profissionais que não quiseram encarar a iniciativa privada e preferiram a pública e um bando de alunos (adjetivo coletivo usado por eles como sinônimo de classe) a um patrão e um cartão de pontos.

O ideal seria mesmo que nossas escolas estivessem povoadas por aqueles profissionais que saem da universidade com uma ansiedade no estômago, loucos para dividirem todo o conhecimento que obtiveram durante os anos de graduação e pós-graduação. Profissionais que realmente se importam com a qualidade do que estão lecionando e não com a manutenção do seu padrão de vida, não com a casa que estão construindo e muito menos com a capacidade de ter dinheiro para poder viajar e comprar sapatos no final do mês. Professores que não se importam tanto com o salário e que não meçam suas horas em sala de aula como o desprazer de trabalhar, mas como o prazer de colocar algo de útil e bom na cabeça de pelo menos metade dos alunos que estava sentado naquelas carteiras.

Mas logo vem as reclamações: os alunos estão impossíveis; os pais delegaram a função de educar seus filhos aos professores; e a pior que já ouvi "quando você começa a fazer alguma coisa, o sistema te desanima". NÃO!!!! Isso não é professor!!!! Um professor de verdade consegue passar por esses problemas. Um professor de verdade não precisa do sistema para conseguir educar de verdade. E por educar de verdade não falo de fazer viagens maravilhosas para museus, promover eventos grandiosos para inglês ver... um professor que não consegue fazer o aluno ter uma viagem maravilhosa através da leitura de um livro não é um professor! Um professor de biologia que não tem a capacidade de usar um documentário sobre o corpo humano e levar os alunos pelas mãos para viajar no meio de células e órgãos, animais e ecossistemas, não é um professor! Ou o mais simples: um professor que não sabe que o Google tem um projeto excelente com viagens pelos principais museus do mundo e não usa isso com seus alunos para uma aula de artes ou de história, NÃO É UM PROFESSOR!!!

Enquanto nossas escolas forem povoadas por profissionais que se preocupem em mantes seu padrão de vida, nossos alunos sairão do Ensino Médio tão preocupados com seu padrão de vida medíocres e com nenhum sentimento que os façam crer serem capazes de mudar pelo menos o mundo daqueles que os rodeiam.

Não seja medíocre, seus alunos não são clientes que te fornecem meios para você manter seu padrão de vida ridículo e fantasioso!


(Este texto ainda não foi revisado)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Inspiração em Romero Britto

De todos os artistas, aquele que mais atrai minha atenção é sem dúvida Romero Britto. Provavelmente porque é o que mais está na mídia e sua visibilidade é potencializada pelas redes sociais, mas o colorido e os traços simples são demais. Além disso ele faz algo que certa vez me proibiram: não use tinta preta numa tela!

Além de adirar as obras dele, elas ainda me servem de inspiração. Esse ano resolvi dar um presente mais que personalizado para minha irmã. Uni mangá e o estilo de Romero Britto para tentar fazer um quadro colorido e alegre. Para uma primeira pintura em tela e usando tintas nada apropriadas para esse fim, até que o resultado ficou legal.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Catalogada uma nova espécie: os folgados



No reino animal existe uma espécie de mamífero muito curiosa: os folgados. Eles geralmente fazem parte da espécie humana e se proliferam de forma muito rápida, especialmente quando estão na universidade e em época de avaliações de cursos. São de ambos os sexos, apesar que neste ambiente sempre haver seres de sexo praticamente indefinido que confundem a percepção dos observadores ao misturar estrutura física de um sexo e voz e trejeitos de outro. Além disso, as idades destes seres também variam, porém a origem é sempre a mesma: “cultural”.

Estes seres tão curiosos estão acostumados desde a primeira amamentação a receberem tudo pronto em suas bocas. Enquanto outros humanos logo se desgarraram do peito materno e procuraram com suas próprias mãos seus próximos alimentos, os folgados continuaram a depender do conforto e comodidade maternos para receberem todos os alimentos bem mastigados e triturados com o tempero único que só a figura da mãe sabe fazer depois de horas de birra do folgado em idade infantil. 

Essa característica marcante não muda com o passar dos anos. Acostumados com os mimos dos pais, os folgados continuam sua vida até chegar à Universidade e sempre encontram lá figuras que projetam a imagem e boa vontade de seus pais. Ao escolherem suas vítimas, os folgados e folgadas, os importunam em horas estratégicas e esperam receber o que precisam de forma totalmente mastigada e de fácil digestão. Porém, não procuram mais alimentos, mas sim cadernos com boas anotações, exercícios resolvidos, colas e resumo de fórmulas para as provas e grupos de estudantes que coloquem seu nome nos trabalhos acadêmicos sem que eles tenham se dedicado como era necessário.

Geralmente os folgados são confundidos com estudantes. Devem receber, no máximo, a denominação aluno, nome genérico dado a todos aqueles que são matriculados em qualquer tipo de curso. Estudantes, por outro lado, realmente estudam, anotam alunas, prestam atenção nas explicações, resolvem exercícios em dia e fazem os trabalhos acadêmicos e avaliações com a intenção de verificar o quanto conseguiram aprender durante as aulas.

Mais uma vez no lado oposto, folgados não avaliam seus conhecimentos. O único e principal objetivo desta espécie é obter notas para serem aprovados com, pelo menos, a nota mínima naquele semestre. É característico desses alunos a pergunta ao professor: “Você vai explicar, mas cai na prova?” ou “Temos que ler, mas cai na prova?”. O desejo pelo conhecimento e o pleno entendimento dos elementos que compõe o assunto discutido não é o objetivo na formação acadêmica destes folgados. Os textos são lidos apenas em busca de pontos chaves e palavras importantes para serem decoradas e usadas na hora da prova.

Há estudantes e folgados que convivem em harmonia. Pode haver estudantes que perdem aulas e pedem cadernos emprestados para manterem o caderno em dia e se manterem informados sobre o andar da disciplina; mas nunca haverá um folgado que perdeu a aula e se preocupa com o conteúdo, apenas com o que será cobrado nas avaliações. Podem haver compreensão entre estudantes e folgados. Também pode haver submissão por parte daqueles estudantes que perdem dias de estudos particulares para aguentar um folgado tirando dúvidas ridículas sobre temas básicos que era pressuposto que todos soubessem. E por fim, pode haver intolerância entre essas duas espécies, afinal, ninguém é obrigado a fazer anotações sobre as aulas no caderno e nas épocas próximas à prova dá-las de graça aqueles que sequer se lembram da última matéria dada no curso.

terça-feira, 12 de junho de 2012

EXCITANTE

Acho que não existe outra palavra para descrever o que é estudar Marx: excitante!

Uma brincadeirinha para descontrair e movimentar o blog.