quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Procurando emprego...

Você já foi demitido alguma vez? Pelo menos ficou sabendo o motivo do seu desligamento?

Eu nunca tinha sido, mas como tudo tem uma primeira vez na vida, hoje faço parte do grupo de desempregados do Brasil e devo entrar em breve para as estatísticas da Caixa Econômica Federal como mais um beneficiário do seguro desemprego.

O mais legal de tudo é que ao querer saber o motivo do desligamento o departamento de Recursos Humanos não soube responder e meu (ex-)chefe se limitou a dizer: "Me reservo o direito de não te falar o motivo da demissão nesse momento". Falar o quê?

Bom... boa pra frente!

Agora falo que sou um jornalista disponível no mercado. Tenho dois anos de experiência em Assessoria de Imprensa e quase dois em jornal diário. Quando estava no segundo ano da faculdade comecei a trabalhar na Assessoria Geral de Comunicações da Prefeitura de Limeira. Entrei como uma espécie de "radio-escuta", na verdade fazia os clippings dos programas de rádio de Limeira, principalmente os da oposição. Dai passei para o atendimento da imprensa. Fiz curso de Cerimonial e Protocolo no Senac em 2007 para poder ajudar no planejamento de eventos feitos pela Assessoria.

Em março de 2008, no quarto ano de faculdade e há dias de encerrar o contrato de dois anos de estágio com a prefeitura, fui aprovado no processo seletivo do Jornal de Limeira. Não lembro ao certo quantas pessoas fizeram o teste, mas eu e uma amiga de curso, Eliara Clemente, passamos e demos início em nossa vida de jornal diário. O trabalho como estagiário começou com pautas de Cidades e também para uma editoria chamada Proibido para Maiores. Depois de formado, e graças à meu antigo chefe, Rodrigo Piscitelli, fui efetivado na empresa como Auxiliar de Redação, cargo no qual fiquei registrado até hoje às 13h.

No Jornal de Limeira, depois de meses como repórter de Cidades passei a ser uma espécie de "editor" de Variedades e dos suplementos semanais Caderno de Domingo e Jornal da TV. Digo "espécie de" porque o trabalho era só na prática e não no registro. Assumi essa função em junho de 2009 no lugar de uma outra jornalista que foi desligada da empresa, a Kelly Camargo. No período que fiquei a frente das editorias propus uma mudança editorial e logística nos cadernos e na página de Variedades. Uma das sugestões para reformular a aparência da página de Variedades foi aceita pela chefia e pela diretoria da empresa. Em meados de novembro a página passou a se chamar Cultura e Variedades, e começou a ser publicada com uma diagramação mais leve, inspirada nos cadernos culturais dos jornais O Estado de S. Paulo e da Folha de S.Paulo. As reformas no Caderno de Domingo e no Jornal da TV não vingaram.

Além da experiência com Cultura e Variedades, bem como com o fechamento desta página, também descobri uma das minhas preferências profissionais que pretendo investir a partir de agora: economia. Durante o tempo que trabalhei no jornal, com mais ênfase depois de formado, comecei a gostar cada vez mais das pautas de economia, em especial aquelas que envolviam dados estatísticos como o mercado de trabalho e a crise apresentados com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e com os balanços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior sobre as exportações e importações feitas pelas empresas limeirenses.

Por conta da afinidade com a área tentei fazer um exame da Anpec para um mestrado de Desenvolvimento Econômico na Unicamp de Campinas. A falta de formação específica acredito que tenha sido o principal ponto fraco na hora de formular a proposta de projeto e nos exames escritos e alternativos. Já que vi que o mestrado é tão difícil, meus planos para este ano são estudar e fazer vestibulares para cursar uma graduação pública nessa área.

Um outro ponto positivo que a experiência no Jornal de Limeira me trouxe foi o fato de ter chegado à final do Prêmio Jovem Jornalista, promovido em 2008 pelo jornal O Estado de S. Paulo e, na época, com o Banco Real. Escrever reportagens todos os dias me deu o preparo necessário para redigir uma reportagem sobre desenvolvimento sustentável na área de construção e meu texto foi selecionado para os 16 finalistas. O prêmio final era um curso de jornalismo em Navarra, uma faculdade espanhola, que ficou com uma outra concorrente de nome Flora (não recordo o sobrenome dela).

Como disse no começo do texto, sou um jornalista disponível no mercado. Muitos de meus textos e as reportagens que mais gostei de produzir estão aqui no blog. Assim como meus contatos. Atualmente também sou colaborador da Revista VU (www.vidauniversitaria.com.br), produzida pela agência limeirense Clic Interativa. Escrever para a revista está sendo uma experiência bem interessante pelo fato de o texto magazine possibilitar uma liberdade de estilo muito maior que o lead e o feijão com arroz do fechamento de um jornal diário - não que eu não goste desse prato básico, mas ter asas para escrever é uma experiência sem igual.

É isso... contatos pelos comentários ou pelo e-mail alex.contin@gmail.com

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uma voltinha de busão....



O ônibus, mais conhecido como “busão” entre os jovens, é um meio de locomoção do qual várias pessoas dependem diariamente. Isso é, de certa forma, um fato positivo até porque se todos que andam de ônibus também tivessem carro, o trânsito que já está ruim ficaria ainda pior... e isso ninguém merece. Enquanto leva trabalhadores e estudantes para lá e para cá, os ônibus são palco de comentários e histórias e situações engraçadas e inusitadas.

Da Praça do Museu até a Avenida Campinas, em Limeira, são cerca de 10 ou 15 minutos de ônibus, um trajeto relativamente rápido dependendo da linhas que se escolhe para ir de um ponto ao outro. Na noite de hoje, subi no primeiro ônibus que apareceu no principal ponto do Centro, o linha “02 - Olga Veroni”. Junto comigo, cerca de 10 pessoas também tomaram seus acentos no veículo para voltar para a casa, dois deles eram dois trabalhadores da Viação Limeirense, provavelmente um motorista e uma cobradora.

O veículo que peguei era um desses novos, adaptados para cadeirantes. Os assentos ainda estão bonitos, tudo muito limpo, o letreio que informa a linha e o destino final bem visível. Tudo muito bonito e que fique assim por um bom tempo e que os vândalos não resolvam atacá-los. Depois de descer a Rua Boa Morte, o motorista, assim como uma parte considerável dos motoristas do transporte coletivo de Limeira, precisou passar pelo Terminal Urbano Rodoviário.Do projeto que o ex-secretário de Transportes, José Augusto Ferreira Camargo, me apresentou para uma matéria sobre o tema há cerca de um ano e meio para o que se encontra no local, diria que falta metade do que foi prometido.

Na planta que ele apresentou certa vez na sua sala da secretaria, o local deveria ter uma cobertura geral, e não apenas pontos cobertos, lojas e uma prédio para a administração das empresas do transporte coletivo. A justificativa da prefeitura para que o local não esteja como o prometido ainda é que as empresas que fazem o serviço público é que devem concluir a obra. Se cumprirem tudo bem...

Depois de ter passado a rotatória que fica ao lado do terminal, o motorista finalmente entrou em uma das vias de acesso para o local. Logo da entrada dava para ver todos os pontos vazios. Por outro lado, as ruas que compõe esse terminal estavam cheias de carros dos estudantes de uma escola que fica bem em frente ao terminal. Apesar de não ter nenhuma placa impedindo o estacionamento no local, pelo menos não consegui avistar nenhuma a noite, esses motoristas não têm muito senso de espaço.

O ônibus sendo um veículo grande consequentemente precisa de espaço para fazer suas curvas. E não é que bem em uma das curvas mais “acentuadas” que o motorista do ônibus precisa fazer para sair do terminal não tinha um carro estacionado? Não sou bom com marcas de carro, mas diria que era um Monza azul marinho parado bem em frente a uma das saídas das ruas, uma via que o motorista deveria entrar para voltar ao seu trajeto normal. E foi com maestria que o condutor do veículo conseguiu fazer sua curva sem encostar em nenhum dos carros estacionados dos dois lados da via. Lógico que o cobrador colocou a cabeça para fora da janela para verificar se o ônibus encostaria ou não no carro. Enquanto isso os passageiros do lado oposto olhavam pela janela para conferir o espaço entre o lado esquerdo e um carro cinza parado a menos de dois metros da saída. Se fosse eu ali estaria todo suado de virar o volante e depois de várias rés e primeiras marchas conseguiria voltar normalmente para o meu caminho...

O motorista que estava de passageiro ainda brincou. “Ainda bem que fui eu que te ensinei!” Risos do restante dos passageiros, claro.

Outro fato curioso foi a reação de uma mulher sentada bem na minha frente, em um daqueles bancos altos em cima da roda do veículo. Ao passar pelo terminar todo iluminado, mas sem nenhum passageiro ela disse: “Ai motorista, olha quantos fantasminhas para você pegar de passageiro. Olha ai os fantasminhas do (prefeito Silvio) Félix. Tem até um dormindo”, disse se referindo a um mendigo que estava deitado em um dos pontos cobertos do local. Se não serve para passageiros, pelo menos alguém encontrou um quarto bem iluminado...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

As vagas e os malas

“Quando pega no bolso do motorista ele reclama”. A declaração é de um “funcionário” público que pertence ao alto escalão da Prefeitura de Limeira. A frase foi em resposta à um questionamento sobre a conduta de três agentes de trânsito que, na última segunda-feira, multaram e foram sarcásticos um motorista que estacionou seu carro sobre a calçada na Avenida Saudades, Centro.

Realmente ninguém gosta de multa. Além de ser uma despesa não planejada, ninguém sabe ao certo para onde vai o dinheiro que pagamos por cometer infrações no trânsito. É justo multar os errado. “Toda infração é passível de multa”, declarou o secretário de Transportes, Ítalo Ponzo Júnior ao Jornal de Limeira em uma matéria que fizemos sobre o segundo dia da Operação “Tolerância Zero”. Aqui está o ponto legal da coisa, afinal o Código de Trânsito Brasileiro está ai para garantir que o as vias públicas não fiquem piores do que já estão. Mas onde estaria a “compreensão”?

O caso da Avenida Saudades é digno de uma análise um pouco mais aprofundada. A via há alguns anos era um point de jovens. Assim como descrevi no post abaixo (“Limeira gira, gira, gira e não sai do lugar”), a Avenida Saudades era um desses carroséis limeirenses de jovens que não tinham o que fazer na noite da cidade. O “problema” causado por esse público foi resolvido com placas proibindo o estacionamento de veículos nos horários que costumavam se tornar o ponto de encontro deles.

Se a noite a avenida era dos jovens, durante o dia a via é do comércio. Acho que a Avenida Saudades é uma das mais bonitas da cidade. Bem arborizada, com um canteiro central simples, mas verde, calçadas largas e bastante sombra. Além de ser a principal via para os dois cemitérios que existem na região central, a avenida também é um dos poucos lugares da cidade que ainda sustentam alguns bares e a única boate de Limeira, além de ter lojas chiques de móveis, a cabeleireira mais cara da cidade, uma das escolas mais conceituadas e um prédio residencial muito bonito e uma igreja (que tem em todo canto nessa cidade...).

Moradores e principalmente clientes desse espaço comercial que a Saudades abriga estavam acostumados com as vagas para estacionar os carros sobre as calçadas. Apesar de alguns carros atrapalharem de vez em quando a passagem de pedestres, uma delimitação no solo até foi pintada para deixar claro os espaços de quem anda com os pés e quem se desloca sob rodas. Segundo um gerente de uma das lojas da via, um agente de trânsito que havia o orientado a pintas as linhas no chão e a colocar cones no final de cada vaga para que nenhum veículo invadisse o passeio público.

Como tudo entra em um movimento inercial, só uma força contrária impede o deslocamento de algumas coisas, até no cotidiano das pessoas. Eis que a Secretaria de Transportes lança uma operação, já apelidada de “Tolerância Zero” (apesar de o titular interino da pasta dizer que não gostou do apelido) para intensificar a fiscalização e os famosos laranjinhas, como são conhecidos os agentes aqui em Limeira, chegaram multando proprietários de veículo que, da noite para o dia, estavam irregulares no local. Um dos multados conversou comigo e contou que além de não conseguir escapar da multa a tempo – ele chegou a tempo ao lado de seu carro que estava sobre a calçada, mas o agente de trânsito foi intransigente – ainda teve que aguentar o sarcasmo dos laranjinhas. O tal motorista até anotou os nomes dos três agentes que lavraram a multa e deixou o papel na sua mesa de trabalho.

A Avenida das Saudades, além de ser o último passeio de quem vai descansar no cemitério, é também uma das avenidas usadas para se chegar até o passo municipal. E na prefeitura, como é óbvio, é onde fica a secretaria dos transportes, é onde ficaram os agentes municipais. Agora uma pergunta: se era mesmo errado parar em cima da calçada como os motoristas faziam até a última segunda-feira, porque os motoristas não eram multados? Vista-grossa ou os agentes e outros profissionais que passavam por ali simplesmente não percebiam os carros em cima da calçada? É fato que alguns carros do alto escalão entram pelos fundos do paço municipal, até porque não querem topar com limeirenses reclamando de árvores, buracos e vagas em creche, e pela sua porta dos fundos se instalam na masmorra com pelo menos quatro portas de fechaduras automáticas até seus gabinetes. Por que do comentário, simplesmente porque alguém que não anda sem medo a pé pela cidade não consegue reparar no que a cidade tem.

E depois de ser questionado sobre a conduta sarcástica dos laranjinhas aquele personagem do alto escalão do começo da matéria ainda diz que as pessoas reclamam mesmo quando o bolso dói... Mas que não se faça generalizações. Existem laranjinhas bons, que conscientizam, e existem laranjinhas malas, que multam e acham graça, ou param o carro pessoal em cima da área destinada às motos quando não está com o uniforme, como já presenciei. Assim como existe secretários bons, os que se fazem de bons, e os que falam uma coisa quando assumem o cargo e pouco tempo depois se contradizem.

Ê mundo da politicagem... quem tem orgulho de você?

Beba Coca e aumente nossas vendas

Só o comecinho de um release que recebi hoje na redação...

O Sistema Coca-Cola Brasil registrou um crescimento de 4% no seu volume de vendas em 2009, comparado ao ano anterior, alcançando um total de 9,6 bilhões de litros de bebidas não-alcoólicas e um faturamento de R$ 17 bilhões. Com esta performance, a Coca-Cola Brasil manteve o ciclo iniciado em 2004 que já completa 23 trimestres consecutivos de crescimento. No último trimestre de 2009, o aumento das vendas no País chegou a 8%.

Em termos globais, as vendas cresceram 3% no ano e 5% no quarto trimestre de 2009. O crescimento na América Latina foi de 6% no ano e 7% no quarto trimestre.

"Nós terminamos este ano com muito gás. Obtivemos ganhos no volume global e na participação de mercado. Nossas receitas cresceram em equilíbrio com a variação da moeda e obtivemos mais produtividade, o que resultou em um maior fluxo de caixa", afirmou Muhtar Kent, presidente e CEO da The Coca-Cola Company.

"Somente em 2010, o Sistema Coca-Cola Brasil vai investir mais R$ 2 bilhões, mais de 14% acima do que investimos no ano anterior. E nos cinco anos entre 2010 e 2014, pretendemos investir um total de R$ 11 bilhões. Este valor inclui o total de investimentos em marketing e em infra-estrutura. Os fundamentos econômicos do País junto com a classe média crescente, apresentam uma oportunidade que não pode ser desperdiçada pela sociedade nem pelas empresas brasileiras. Temos confiança plena no futuro e vamos continuar acelerando junto com o Brasil”, explica o presidente da Coca-Cola Brasil, Xiemar Zarazúa.


... isso não é propaganda contra a empresa, até porque adoro Fanta! Mas os números.. =O

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Limeira gira, gira, gira e não sai do lugar



Não é a toa que o símbolo de Limeira é uma laranja, uma fruta redonda, circular, e pude observar isso hoje no shopping Pátio Limeira agora a noite enquanto estava comendo um lanche na praça de alimentação. É incrível como que tudo aqui na cidade entra num “ciclo vicioso”, como dizia minha professora de psicologia da faculdade. Assim como um compasso, faz um círculo, completa 360º e volta sempre para o mesmo lugar. De certa forma em Limeira não há reta, só círculos.

Enquanto estava com um amigo sentado no shopping deu para ver claramente que aqui tudo gira, gira e não muda nunca. Ainda sendo ampliado, o shopping tem cerca de dez corredores, alguns ainda sem loja. Não exatamente circular por seus conjuntos de lojas formando três grandes retângulos. Mas mesmo assim, seus frequentadores giram, giram e giram. Percebi que vários grupos de adolescentes ficaram andando em círculos dentro do shopping e conversando durante todo o tempo. Uns para uma direção e outros para a outra. (Sem contar um grupo de retardados que estava fazendo umas brincadeiras de Ensino Infantil no meio da praça de alimentação... ¬¬)

A cena me fez lembrar da minha época de Ensino Médio, na escola Professor Antonio Perches Lordello. O local que até hoje mais parece uma prisão que uma escola (vide a falta de área verde e o aglomerado de salas regidos a mão de ferro por uma diretora que se orgulha de falar alto e ser grossa com os alunos), é um conjunto de salas cobertas por telhas de brasilite e com pouco área aberta para os alunos ficarem nos intervalos. Lá grupos de adolescentes e também de crianças no período da tarde sempre andavam em círculos durante os intervalos. Uns para uma direção e outros para outra.

Voltando ainda mais no tempo, me lembro que quando as principais avenidas da cidade como a Avenida Saudades e Avenida Rio Claro eram point de encontro de jovens, esse público também ficava girando, girando e girando, só observando uns aos outros. Esses grupos e algumas pessoas solitárias, a pé, de carro ou de moto, exibiam o que de melhor tinham, seja roupas vistosas ou automóveis com sons possantes (e na época aquelas buzinas personalizadas). Esses também andavam em direções, geralmente obedecendo os sentidos das respectivas vias, que sempre eram de mão dupla com canteiros no meio. Incluir a Avenida Piracicaba que até hoje fica cheia nos finais de semana.

E se pararmos para lembrar das histórias das pessoas mais velhas, dá para reparar que girar está mesmo na história dos limeirenses. Conversando com nossos avós, eles contam que antigamente as paqueras eram feitas nas praças da cidade. Os homens giravam para um lado e as mulheres para o outro. Ali se conheciam e formaram as famílias de hoje. Provavelmente girar tenha sido passado de geração para geração pelos genes ou pela educação que é passada de pais para filhos. Está meio que na cultura de um bom limeirense, aquele que se entrega ao ciclo vicioso e gira.

Falando em estar na cultura, essa palavra deve ser um problema que está por detrás disso tudo: a falta de cultura ou de entretenimento na cidade. Recentemente uma comissão foi formada na Câmara, mas parece que o resultado foi nulo. O secretário de Turismo e Eventos, Domingos Furgione Filho, também fez algumas pesquisas sobre a preferência dos jovens e adolescentes para fazer eventos específicos para eles e depois de descobrir que esse público gosta de pagode, grafitti e dance, fez alguns eventos, mas o projeto parou no tempo. A cultura então nem se fala. O Teatro Vitória só lota quando algum ator global ou integrante do CQC vem faz uma apresentação como aqueles pocket shows sem sentido e com alguns palavrões para divertir o público. Enquanto isso peças com mais conteúdo e produções de grupos da cidade ficam com várias cadeiras vazias e sem nenhum tipo de apoio.

Limeira não tem Sesc; não tem um museu decente; sem nenhuma galeria de artes; só tem uma boate; alguns bares que cobram até portaria para se ficar uns cinco minutos apertado ouvindo sertanejo ou qualquer outra música ao vivo que esteja programada para a noite; o que abre sempre fecha; o Centro de Ciência está parado; o que é construído é destruído; ninguém sabe o que será feito da Biblioteca Municipal; e o pior é que a política coloca pessoas de má índole ou despreparadas em cargos cabeça para que isso seja melhorado.

Conversando com o coordenador da Oficina Cultural Carlos Gomes, Robson Trento, e com o maestro da Orquestra Sinfônica de Limeira, Rodrigo Müller, eles comentaram que as vezes a cultura é desprezada. “Fazemos as coisas mesmo que a estrutura esteja ruim, por isso ninguém faz nada para melhorar as condições do local onde trabalhamos”, comentou um deles quando o assunto foi o Palacete Levy que serve de sede para os dois.

Como girar vem desde a época em que o Teatro da Paz era rodeado por moços e moças que ficavam se paquerando, dá para concluir que Limeira parou no tempo, como observou um amigo, Bruno Pacolla. E enquanto ninguém faz nada para mudar essa situação, a cidade vai girando nesse ciclo vicioso. Enquanto os funcionários públicos abaixarem a cabeça para alguns dos funcionários que não prestam e ganham cargos no poder público, enquanto a Cultura for dominada (mesmo que de longe) por um grupo seleto de “artistas” que não prestam ou pessoas que nunca atuaram, dançaram ou tocaram um instrumento e se dizem capazes de comandar um setor tão importante para o desenvolvimento da cidade, os jovens vão ficar girando eternamente sem ter algo útil para fazer.

Nine - emocionante!



Uma palavra simples descreve o que assisti esse final de semana: emocionante. Fui sábado até Campinas para assistir ao musical Nine, no Knoplex do Shopping Don Pedro e desde o final de semana estava procurando um jeito de começar um texto sobre o que vi e a palavra certa para resumir o longa.

A história é do diretor de cinema, Guido Contini (Daniel Day-Lewis), que chega à sua nona produção cinematográfica junto com uma crise profissional que o impede de criar o roteiro do próximo filme há menos de dez dias do início da gravação. O filme é o desenrolar desse desespero e da incapacidade de Contini de achar o enredo perfeito para falar sobre a Itália, que é o tema do filme.

Nine é uma adaptação de um musical homônimo da Broadway e do mesmo diretor de Chicago, Rob Marshal. Além do diretor e da garantia de uma bela produção, o elenco também é um prato cheio para os olhos de quem gosta de musicais. Nine reúne a cantora Fergie e as atrizes Penélope Cruz, Nicole Kidman, Kate Hudson, Judi Dench, Marion Cotillard e Sophia Loren. Cada uma com um número musical específico dá um show.

Cena de Be Italian, com Fergie


Para quem gosta de dança, o musical também não decepciona. A cantora Fergie, no papel de Saraghina canta e dança a música “Be Italian”. A coreografia me deixou literalmente de boca aberta e vidrado na telona. Além da voz grave interpretada pela Fergie, um grupo de dançarinas, todas de vermelho, em suas cadeiras de madeira fazem um número tão sincronizado que dá inveja a qualquer coreógrafo e dão asas à imaginação de quem gosta de criar arte com música e corpos. Num misto de tarantela italiana com dança cigana e movimentos que fazem lembrar o solo de balé de Esmeralda, o grupo dança em um dos estúdios da produtora italiana Cinecittá, onde se passa todos os números musicais que intercalam, complementam e dão harmonia à história de Contini. Todas as mulheres da cena dançam com pandeiros num cenário coberto de areia. É até difícil de descrever e a tela gigante do cinema aumenta em uma proporção muito grande a emoção desse musical.


Vídeo do Be Italian, com Fergie


Além dela, a música “Cinema Italiano”, interpretada por Kate Hudson, também mostra, mais uma vez, que Rob Marshal sabe o que faz quando está a frente de um filme musical. É também uma prova de que o filme traz estilos de música variados para a telona e não fica só naquelas músicas tristes e melosas que a sinopse do longa pode sugerir. Hudon, no papel de uma repórter da revista Vogue, faz o número mais animado de todo o filme em uma passarela com dançarinas em vestidos prata e o elenco masculino em ternos e óculos escuros.

Cinema Italiano, Kate Hudson


É um filme que já foi indicado a quatro óscars: melhor atriz coadjuvante para Penelope Cruz, melhor figurino, melhor diretor e melhor música para “Take It All”, na voz de Marion Cottilard.

Marion Cotillard, Take it all


Vale a pena conferir...

Folies Berege, Judi Dench


Penelope Cruz, A call from the vatican


E finalmente uma coreografia com a música cantada pela Fergie, Be Italian, dançada por outra cantora e dançarina Carmit Bechara (ex-Pussycat Dolls)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Toma que o problema é teu!

Se em Limeira, Félix e Eliseu se dão bem e apóiam-se mutuamente, há um outro político com o mesmo nome do chefe do Legislativo municipal que não deve estar muito contente com o prefeito daqui. O prefeito de Alvinlândia, Eliseu Jesus Eleitoeiro (PP), recebeu na tarde de ontem a notícia de que Félix está de olho em uma terra localizada no seu município e a ofereceu ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para assentar os sem-terras hoje instalados no Horto Florestal de Limeira. O prefeito do município com cerca de 2.800 habitantes próximo de Marília, com uma voz não muito contente, comentou que não vai aceitar a mudança das famílias para sua cidade por ser pequena e não comportar os assentados.

No PABX da prefeitura de Alvinlândia uma voz informa: “Alvinlândia, cidade simpatia do Centro Oeste”. Na hora vem a pergunta à cabeça: será que a simpatia vai ser carro chefe da conversa entre Félix e Eleitoeiro caso os dois conversem algum dia sobre essa possibilidade de mudança do MST?

O prefeito daqui simplesmente propôs a terra de uma fazenda da “cidade simpatia” e mais duas outras áreas sem consultar nenhum dos prefeitos indiretamente envolvidos na negociação entre MST, Incra, Prefeitura de Limeira e União. A primeira terra da lista é referente à uma fazenda chamada São José, daqui de Limeira mesmo, com 87,12 hectares. Mais detalhes sobre essa fazenda são impossíveis por enquanto. De acordo com o Sindicato Rural existem várias Fazendas São José em Limeira e pelo nome ou área é difícil descobrir a localização exata do local. “Fazenda com nome de santo é o que mais existe”, comentou um dos funcionários do sindicato quando conversamos com ele hoje a tarde.

A segunda é a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, na cidade do xará do presidente da Câmara Eliseu Daniel dos Santos (PDT), com 183,92 ha. E a última que completa a lista que está agora sob análise da Advocacia Geral da União (AGU) no processo que trata da negociação entre MST e Prefeitura é a Fazenda Ocauçu, de Lupércio. Entrando em contato com os dois prefeitos, a surpresa e o descontentamento dos dois ficou mais que evidente ao telefone. Um deles ainda chegou a comentar: “É uma falta de ética do cara (Silvio Félix) fazer isso e não estar nos avisando porque nossa cidade é pequena, está trabalhando com o máximo de sua capacidade para atender o assentamento que já tem aqui e isso traria um impacto nos serviços públicos”, comentou.

Detalhes sobre o “ânimo” dos dois prefeitos estão na reportagem do Jornal de Limeira da edição desta quinta-feira. (Disponível aqui). Mas o que realmente está por detrás disso?

Limeira e MST são dois sujeitos que para algumas pessoas não poderiam dividir uma mesma frase a não ser que a palavra longe acompanhe o verbo estar: “O MST está bem longe de Limeira”. Um pensamento de certa forma elitista das pessoas que ou não aceitam a ideia da reforma agrária ou que alimentam preconceitos sobre a situação e a vida das famílias assentadas. Muitos pensam que assim como eles há pessoas que também são pobres e lutam para conseguirem comprar um espaço de terra e construir sua moradia ou ainda trabalham para pagar o aluguel. Mas qual será que é a realidade de alguém que decide se tornar um assentado? Além desse questionamento sobre a origem do movimento, uma pergunta mais fácil de ser respondida: que mal causa um assentamento para o município?

Em épocas que o MST não invade nenhuma outra terra, não é vitima de desocupações a força, ou não está na mídia, parece que ninguém lembra deles. Vivem nas terras que ocuparam, plantam o que comem, dormem dos barracos construídos sobre terra batida e pronto. Quando invadem mais alguma outra área, daí campanhas para salvar o Horto são feitas, discursos políticos são pronunciados e apesar de os dois lados serem ouvidos, a classe média continuar querendo que a cidade se livre desses “desocupados”, como alguns se referem à eles.

Não aprofundando no mérito do ideal do movimento, é pauta para se pensar o fato de Félix estar oferecendo uma área tão longe da cidade. Apesar de não ser boa para a diplomacia do prefeito em relação aos outros dois chefes dos Executivos das cidades próximas de Marília, essa classe média deve ver a medida assim como o prefeito deve estar enxergando. “Ele está se livrando de um problema e jogando ele para nossa cidade”, como bem disse um dos prefeitos entrevistados para a matéria do JL. Isso é justo? Algo que está incomodando no município será simplesmente transportado para outra cidade e eles que se virem por lá.

Dentro do acampamento do MST daqui de Limeira, como diz o coordenador do grupo, José de Arimatéia, há famílias limeirenses. Em 2008 entrevistei uma mulher que mora em um dos barracos do assentamento “Elizabete Teixeira”, na área do Horto Florestal. Ela tem filhos que moram aqui e tinha sua casa também. As dívidas a fizeram largar o imóvel na zona urbana e partir para o meio das plantações de cana, junto de outras pessoas que não têm água encanada e dependem da comida que recebem de doações. Ela seria então removida para “Alvinlândia, cidade simpatia”?

Antecipando a resposta de Félix: oferecemos três áreas. Uma em Limeira para as famílias assentadas que nasceram aqui e outras duas para as famílias que são de outra cidade e que aceitariam se mudar para as áreas ofertadas. Nessa ocasião volta o questionamento: é justo transferir o problema de um prefeito para o outro? Seria um belíssimo presente de grego porque junto de um assentamento vou ônibus escolares para levar as crianças até as escolas do município, água, serviços de saúde porque essas pessoas seriam atendidas pela rede pública de saúde das cidades e tudo o mais.

Se for essa uma decisão 100% política, futuramente as crianças de zero a três anos que estão sem creche, cujas famílias não têm dinheiro nem para pagar 50% de uma escolinha privada (pelo sistema do Bolsa Creche) também serão transferidas para cidades da região porque o executivo não consegue dar conta do problema?

“Toma que o problema é teu!”

Prefeitura oferece terrenos distantes 300 km


Foto: Maurício R. Martins

Das três áreas oferecidas ao Movimento Sem-Terra (MST) pelo prefeito Silvio Félix (PDT), duas estão a cerca de 330 km de Limeira. Alvilândia e Lupércio, cidades próximas de Marília, são sedes de duas fazendas que estão na oferta feita por Félix para remover as 125 famílias assentadas no Horto Florestal. Os terrenos estão sendo analisados pelo governo federal, de acordo com a Assessoria de Comunicações da prefeitura, e eles podem fazer parte da permuta de terrenos entre município e União comentada pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, no último sábado em Limeira. Chefe do MST do município, José de Arimatéia, diz que não quer sair do município e pede área com pelo menos 437 hectares, ou 4,37 km2.

As famílias estão assentadas na área do Horto desde abril de 2007 e brigam pelo terreno desde então, alegando que o local é uma área da União. O caso está na Justiça Federal, em Piracicaba.

No último sábado, Dilma disse ter conversado com Félix sobre o assunto e não divulgou detalhes sobre a negociação. Uma possível permuta de áreas entre município e União pode garantir que o horto volte para o município e para os planos que Félix tem para o local.
O prefeito disse que a prefeitura irá comprar áreas para serem repassadas aos sem-terras do município. Comentou até que algumas das áreas já estão em negociação com as famílias proprietárias.

Ontem, a Assessoria de Comunicações da prefeitura informou os três terrenos que Félix ofereceu. O primeiro da lista é a Fazenda São José, em Limeira - uma área de 87,12 hectares (ha). O segundo é a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, com 183,92 ha no município de Alvilândia. E por fim, o terceiro é a Fazenda Ocauçu, com 221,43 ha, em Lupércio. Os dois municípios estão, respectivamente, a cerca de 300 km e 330 km distantes de Limeira, aproximadamente 4h20 de viagem. São cidades próximas de Marília com uma população total de 7.265 pessoas, de acordo com a soma das estimativas populacionais de 2009 de cada município, divulgadas pelo IBGE. Lupércio tem uma área total de 155 km2 e Alvilândia 85 km2.

De acordo com o representante do MST de Limeira, José de Arimatéia, as famílias não ficaram sabendo da apresentação de nenhuma área desde agosto de 2009. "Toda a negociação de áreas está sendo feita direto com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Quando eles apresentam uma área, as famílias decidem se aceitam ou não", diz. As últimas ofertas do Executivo municipal foram recusadas pelo grupo por não atenderem aos pedidos feitos pelos assentados. "A área que recusamos era muito pequena para nossos propósitos e longe demais. Pelo Incra, a terra deveria ser maior porque ela era distante da área urbana. As famílias teriam que compensar os gastos com locomoção até o município em um lugar tão longe", comentou.

Sobre uma área em outra cidade, Arimatétia enfatizou: "Não queremos sair do município, não queremos nos desfazer das raízes que temos aqui porque tem famílias assentadas que são de Limeira." O ideal, de acordo com ele, é que cada família tenha uma área de pelo menos 3,5 ha, totalizando um assentamento de 437 ha.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Compre sorrindo, pague chorando



Janeiro, mês pós-natal, verão, pré-carnaval. Depois das compras do final de ano, todo tipo de loja, em especial as de grandes redes exibem seus cartazes de promoção e shoppings fazer dias especiais para os consumidores que esperam essa época para renovar o guarda-roupas ou comprar artigos novos para a casa. O problema que vem com isso é a falta de atenção desses consumidores. Quem deixou de prestar atenção em algumas informações importantes foi este jornalista e blogueiro que vos escreve. (=/)

Até a metade de janeiro, com vários quilos a mais sendo exibidos na balança e as roupas entrando no corpo só por mágica, resolvi ir até um shopping, escolher uma loja com roupas bonitas e que me servissem e fazer uma conta extra no começo do ano. Conta não, investimento. Esta convicto de que não iria comprar calças com a numeração acima daquela que usava há um ano, quando estava mais magro, mas não teve jeito. Tive que deixar o orgulho de lado e adquirir novas peças para não deixar o visual como o de um “ligeiro”, como minha mãe disse...

Na loja, várias peças estava em promoção. O problema que quero relatar não são os preços ou defeitos nas peças, mas sim a tentação de comprar tudo no “cartão da loja”. Investir nos cartões de crédito e nos institucionais parece ser um excelente negócio para as redes de roupa como C&A, Marisa e Renner. Tive um cartão de cada, na mesma ordem que as citei. Nos dois primeiros fiz compras normalmente até o final de 2008. O único problema é que tinha que ir até uma das lojas da rede para efetuar o pagamento da fatura, mas como ir aos shoppings da região não é sacrifício nenhum pra mim, esse defeito não foi tão ruim. Como já não me interessava mais comprar roupas nas duas lojas, piquei e cancelei os cartões.

Já na terceira, a Renner, vi no “cartão da loja”, uma oportunidade para comprar as peças que queria e poder pagá-las conforme meu orçamento permite. Levei holerite, RG, CPF e tudo o que pensei que iria precisar, mas na hora de preencher o formulário, a única coisa que o atendente me pediu foi um outro cartão de crédito. Segundo ele eu ganharia 10% de desconto na primeira compra ao apresenta-lo. Tinha um na carteira, informei os dados que ele precisava e em 15 minutos já estava com o “cartão da loja” em minhas mãos. Primeiro erro: não me informaram limite, possibilidades de pagamento nem deram nenhuma outra informação sobre as “vantagens” de se ter o cartão. Como me interessava o limite, perguntei para o atendente e ele me informou: R$ 210. Não era o que eu esperava e nem cobria o valor da compra que estava na sacola da loja, mas aceitei mesmo assim.

Depois de esperar longos minutos na fila do caixa, a conta deu algo em torno de R$ 379. Sim, resolvi gastar e deixar o visual bonito. Melhor do que me sentir um mendigo com as calças largas que usava. Dividi o valor da compra: R$ 180 em um cartão de crédito, parcelado claro (ainda não tenho cacife nem para pagar a vista, muito menos para não comprar em promoções) e o restante no “cartão da loja”. Até ai sem problema nenhum. Quer dizer... até teve um. Eu poderia ter parcelado todo o valor no cartão da loja, segundo a caixa. “Mesmo sendo um valor mais alto que o limite, as vezes o sistema permite que se divida esse valor em oito vezes”, informou a caixa no final do pagamento... Enfim, como já tinha pago metade da compra com outro cartão, tive que deixar pra lá. O resto dividi no cartão Renner. Oito vezes, na minha cabeça parcelas pequenas... afinal tinha sobrado só R$ 199 para dividir. Ai veio o meu erro, não perguntar se esse parcelamento era com juros ou não. E aí vem a justificativa do “compre sorrindo, pague chorando”.

Na hora que a caixa me mostrou como seria feita a divisão em oito vezes, ela aproveitou e me ofereceu um “seguro contra perdas e roubos” que me daria cupons para concorrer a R$ 3 mil. O valor que seria acrescentado era pequeno, então aceitei. Vai que eu ganho esse valor? Não acredito em Papai Noel nem no coelhinho da Páscoa, mas resolvi arriscar. Paguei, sai da loja com duas sacolas cheias de calça jeans e camisetas simples para o dia a dia, fui comer algo, passei na livraria e voltei para a casa.

Quando estava tomando banho que parei para fazer as contas do quanto eu teria que pagar no cartão da loja. Serão oito parcelas de R$ 34,70. Ao pegar a nota que a caixa me deu pude conferir o roubo. Nela está informado o seguinte:

Total da compra.... R$ 199,00
Entrada.......... R$ 0,00
Encargos Financeiros ... R$59,72
Valor do seguro..... R$ 19,20
Saldo a pagar..... R$ 277,92

São quase R$ 79 a mais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A caixa ainda tinha falado “Nesse comprovante estão os códigos de barra para você pagar na loja, se pagar duas parcelas de uma vez, o valor vai diminuindo”. Nesta compra fui muito lerdo mesmo e agora vou pagar chorando... Portanto ai vai uma dica, na hora que estiver comprando sorrindo, preste atenção aos termos desses "cartões da loja", ele pode tirar a felicidade do prazer de ter peças novas em casa.

Saldo do emprego é o segundo pior em onze anos


Quadro de crise no 1º semestre causou reflexos no resultado

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou ontem seus dados sobre o emprego formal de 2009 no Brasil. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Limeira registrou seu segundo pior resultado em onze anos. Apesar de ter gerado 1.129 novos postos de trabalho durante os doze meses do ano passado, o resultado só é superior ao saldo de 2001, quando somente 298 empregos formais foram registrados no município. Apesar da queda, o mercado de trabalho tende a se recuperar este ano, de acordo com o supervisor do Posto de Atendimento ao Trabalhador de Limeira, Mario Ernesto Besso. Segundo ele, há 350 vagas abertas e uma procura grande pelos empregos oferecidos pelo órgão.

Apesar de já ter se passado mais de um ano desde o epicentro da crise econômica mundial que tirou o sono de empresas e trabalhadores em outubro de 2008, as estatísticas ainda refletem os danos causados pela bolha estourada nos Estados Unidos no segundo semestre daquele ano. De acordo com nota divulgada pelo MTE, o saldo do país ficou abaixo do esperado. A estimativa do titular da pasta, Carlos Lupi, era que o Brasil gerasse pelo menos um milhão de postos de trabalho. O Caged mostrou que a realidade está a 5 mil empregos distante. Ao todo, 995.110 postos de trabalho foram criados em 2009 em todo o país.

Em Limeira, o saldo do mês de dezembro foi negativo. Por conta das admissões e demissões sazonais, alavancada principalmente pelos temporários do comércio e das indústrias, a diferença entre as admissões e as demissões foi de -633 - o número corresponde à quantidade de postos de trabalho formais fechados no município. No total foram admitidos 1.969 tralhadores, enquanto 2.602 receberam baixa na carteira.

No saldo anual, 28.949 pessoas foram registradas em carteira no ano passado. Em contrapartida, 27.820 foram demitidas. Em 2001 - ano marcado pela crise econômica gerada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso -, foram registradas 16.912 admissões contra 16.614 demissões. Seguindo a lista dos piores anos para o mercado de trabalho em Limeira, o terceiro colocado foi o ano de 2003, com 1.152 postos de trabalho criados e em quarto lugar está 1999 - o primeiro ano que o ministério disponibilizou os dados do Caged em seu portal na Internet -, com 1.301 postos de trabalho criados.

ANÁLISE
Na opinião de Besso, supervisor do PAT e presidente da Comissão Municipal de Emprego, o principal motivo que gerou a queda na geração de emprego na cidade foi a crise econômica do final de 2008. "No último trimestre daquele ano e no primeiro semestre de 2009 registramos uma queda no emprego da cidade. Por conta da crise, o mercado de trabalho não conseguiu se recuperar ainda em 2009, o que gerou o número baixo no ano passado", explica.

Besso ainda estima que este ano o mercado de trabalho deve repor os empregos perdidos durante os meses de crise. "Estamos registrando uma média de 150 a 180 atendimentos diários no Emprega São Paulo agora no mês de janeiro", informa. Na análise do supervisor do PAT, o crescimento na procura por um emprego é também o reflexo da crise que deixou muitos trabalhadores sem o registro na carteira em 2009.

O setor que mais abriu vagas neste começo de ano foi o da indústria, o que na opinião de Besso, é o sinal de uma "reposição ou recuperação dos trabalhadores demitidos durante os meses de crise".

Apesar da grande procura, Besso ainda diz que os trabalhadores enfrentam um grande problema na hora de pleitear um novo emprego: a falta de qualificação. "Temos 350 vagas abertas para Limeira, mas muitas não são preenchidas por falta de qualificação", diz.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VIDA REAL - Pedidos para 2010 (versão blog)



Como não pulei sete ondas em nenhuma praia, não comi lentilhas antes da 0h30 na casa de minha tia, nem pretendo fazer a simpatia com as semesntes da romã amanhã, resolvi fazer meus pedidos de ano novo na minha coluna do Jornal de Limeira.

SAÚDE E BURACOS
Antes de mais nada quero emagrecer, assim como várias pessoas que começaram a voltar para as academias, pistas de caminhada e calçadas da cidade. Para isso encaixamos um segundo pedido: menos buracos nas ruas e calçadas mais regulares, que não fiquem parecendo nenhum mapa de acidentes geográficos, cheias de buracos e crateras que dificultem a passagem de pedestres e todos os tipos de veículos.

POLÍTICA
No campo da política desejo mais vergonha para alguns políticos. Que os vereadores exerçam as atividades para as quais foram eleitos e fiscalizem mais os atos do executivo. Que uma cena ridícula que presenciei em meados do ano passado não se repita: um dos parlamentares querendo explicações da prefeitura sobre as contas do Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom) e o aliado da situação negando veemente e com um discurso caloroso contra a exposição da contabilidade do órgão na Casa. Aos vereadores desejo que pensem um pouco mais em ser transparentes com seus eleitores e deixem de impedir requerimentos e outros pedidos que tenham a intenção de fiscalizar os centavos que o Executivo gasta.

MAIS COMUNICAÇÃO
Já no Executivo desejo mais comunicação. Que nós da imprensa possamos receber respostas mais claras e completas e que as informações sejam mais fáceis de serem conquistadas. Transparência também não é demais pedir, mas parece que isso só se conquista pela força de lei, afinal, quem consegue verificar todas as contas do Executivo, da compra de lápis às licitações de peças de carros?

NA CULTURA
Para essa área específica, menos panelas e muito menos costas-quentes em uma das pastas que contribuem, ou deveriam contribuir, para o crescimento pessoal de todos os limeirenses. Que não surjam mentiras nesta e nas demais áreas.

AO FUNCIONALISMO PÚBLICO
Para os concursados da Prefeitura mais coragem. Para os comissionados, que sejam francos o suficiente para olharem nos olhos de seus subordinados e sempre falem a verdade. Mentira deveria ser punida num ambiente público.

MENOS CHUVAS
Apesar de precisarmos muito da água que São Pedro manda, desejo menos chuvas para que as obras em andamento na cidade sejam finalizadas esse ano. No pacote as duas principais são a região da Ponte Preta e o prédio do Museu. Este que esperava há meses por melhorias e é, na minha opinião, um dos mais bonitos cartões postais da cidade, além de ser a melhor sede para uma escola de dança em Limeira. Já o caso da Ponte Preta, os moradores e comerciantes da região já têm a voz alta para reclamar da demora da obra, só reforço o pedido. Que chova menos, afinal, chuva é a melhor e primeira desculpa das empreiteiras e da prefeitura para o atraso das obras.

AULAS DE DANÇA
Já nas minhas aulas de dança, peço que aquelas alunas que faziam cara feia consigam se enxergar no espelho e fazer as atividades com mais amor. A próxima apresentação já está surgindo no papel e tem a ver com um tema que está bem falado nos cinemas e nas livrarias. pra variar, será mais uma história baseada em um livro. Embora a obra e a escritora não sejam tão conhecidos ainda, temos praticamente doze meses para definir detalhes, figurinos e músicas. Algumas cantoras já estão na seleção de músicas como Shakira, Beyoncé, Carmit, Madonna, entre outras menos conhecidas.

NOVOS ESTUDOS
Que os planos de novos estudos deem certo para este ano. Finalmente acho que vou conseguir estudar economia e espero conciliar essa área apaixonante com as outras paixões que permeiam minha(s) carreira(s).

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Avatar, de longe o melhor filme que já assisti



As primeiras informações sobre o novo longa-metragem do diretor de "Titanic", James Cameron, surpreendiam só pelos números que acompanhavam as estimativas de gastos e expectativas quanto ao filme. Até a porta do cinema, o filme Avatar resgata na memória todas as notícias que foram divulgadas até a estreia, mas na cadeira e com o início do filme a maioria se dispersa e a atenção fica focada na telona. O começo do longa não se difere muito dos outros filmes de ficção científica e aqueles com temas militares, mas seu desenrolar e todo o investimento já rendeu uma estreia que totalizou 232,2 milhões de dólares em todo o mundo, de acordo com o site "The Hollywood Reporter".

Com grandes naves e helicópteros modernos e uma equipe de milicos mercenários que foram levados a um novo mundo, Jake Sully, interpretado por Sam Worthington, chega à Pandora no lugar do irmão gêmeo. Sem o treinamento específico sobre suas novas atividades na base humana no mundo extraterrestre, Sully, um ex-fusileiro naval "preso" em uma cadeira de rodas, está atrás de um novo começo para sua vida e entra na equipe da cientista Grace Augustine (Sigourney Weaver a protagonista do filme "Alien - O Oitavo Passageiro").

O mundo guarga em seu subsolo um minério raro que é fruto da ganância humana e sua flora e fauna têm atividades biológicas superiores às da Terra que move pesquisas científicas lideradas por Grace. O planeta, que é habitado por um povo azul chamado Na'vi, lembra a era pré-histórica terráquia, onde a interferência humana era mínima. Os Na'vi vivem em perfeita harmonia neste ambiente verde com alienígenas que mais parecem as misturas genéticas de cachorros, macacos, aves e dinossauros que fazem parte da fauna de nosso mundo com um DNA alien dando aos animais características singulares como um cavalo de seis patas, ou um cachorro misturado com uma pantera negra e orelhas que lembram pétalas de alguma flor negra. Nada morre em vão, e o povo azul só mata para se alimentar, "uma morte limpa", como dizem.

Do outro lado da balança que contrapõe o respeito à natureza e a ganância humana, o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) lidera a equipe militar contratada por Parker Selfridge (Giovani Ribsi) para explorar o minério raro que, além de ter um grande preço no mercado da Terra, resolveria os problemas energéticos do mundo de origem dos intrusos de Pandora. No ano em que se passa a história de Avatar, a Terra já não possui mais a abundância verde e a diversidade da fauna, assim como hoje. O dinheiro, para os militares contratados por Selfridge, importa mais que o cuidado com uma árvore ou qualquer outro ser vivo em um ambiente sem nenhum inimigo que quebre a cadeia alimentar básica da ecologia.

Como informou na tarde de ontem o site "The Hollywood Reporter", o filme de Cameron teve no seu primeiro final de semana uma bilheteria estimada em 73 milhões de dólares nos cinemas dos Estados Unidos. O total arrecadado na estreia é menor que o filme "Eu Sou a Lenda", que estreiou na mesma época em 2007. "A maior estreia de dezembro foi com o filme de 2007 com 77,2 milhões de dólares", informou em nota. De acordo com as primeiras estatísticas de "Avatar", o filme foi exibido em 106 países com uma bilheteria total de 159,2 milhões de dólares fora do terrirório norte-americano.

A TECNOLOGIA USADA NO FILME, de acordo com as notas divulgadas durante as últimas semanas, foi responsável pelo montante de investimento no longa. O diretor de Avatar estava planejando o filme há cerca de 10 anos, mas não dispunha das câmeras específicas para capturar as imagens do filme. Em 3D, Avatar se torna ainda mais real ao aproximar os espectadores do mundo de Pandora. Os vôos em pássaros que mais pareciam dinossauros, ou as cavalgadas pelos campos daquele mundo levam junto aqueles que estão sentados com os óculos 3D no rosto.

Todo o investimento do filme que foi considerado o mais caro da história, com um gasto estimado em 500 milhões de dólares, fica visível nas montanhas flutuantes, nas espaçonaves do exército do coronel Quaritch ou no simples flutuar dos espíritos puros que lembram as pétalas daqueles dentes de leão que se desmancham ao sopro humano ou uma brisa mais forte. Em Limeira, o filme teve sua pré-estreia na última quinta-feira e esta semana está sendo exibido na sala 1, com três sessões diárias, sendo que no dia 24 o Arcoplex irá exibir somente a primeira sessão e no dia 25 o local estará fechado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Lara lara", "porom porom", ao ritmo do trombone de vara


Mostra municipal quer transformar Limeira na "cidade do circo"

Com o acompanhamento dos alunos de primeira a terceira série do Sesi 408, o ator Gilberto Caetano tocava seu trombone de vara no que era seguido pelas vozes infantis: "Lara lara", "porom porom". A música, apesar de ser difícil traduzí-la em uma onomatopeia, é a mais conhecida quando o tema é circo, praticamente um hino para palhaços e outros artistas que fazem do picadeiro e da lona seu palco para os diversos números desse mundo colorido e divertido. Apesar de ser usada até os dias atuais, a música interpretada através do trombone, retratou a época antiga dos picadeiros na qual o espetáculo que foi exibido no Centro Esportivo do Sesi, na Avenida Major José Levy Sobrinho. A apresentação fez parte da primeira Mostra Municipal de Circo, realizada pela Secretaria Municipal da Cultura.

O ator e seus dois companheiros, Fernando Sampaio e Domingos Montagner fazem parte do grupo LaMínima, que une teatro e circo na apresentação "Luna Parke". Os três fizeram da quadra da escola o espaço para a apresentação. Apesar de estarem acostumados com números a céu aberto, o trio de São Paulo, foi convidado pela organização do evento municipal para fazer parte da agenda de números que compuseram a primeira mostra com temática específica sobre o circo. De acordo com o diretor de Cultura, Carlos Jerônimo, a proposta da mostra circense é "transformar Limeira na cidade do circo". Palhaços e artistas do meio não faltam na cidade. O diretor cita pelo menos duas escolas que já trabalham com o tema. O Aldeia Movimento Pró-Cultura e o Centro de Promoção Social Municipal (Ceprosom), por meio do seu Núcleo de Cultura, já trabalham a arte com seus jovens. Além deles uma nova escola de circo deve ser aberta na cidade.

"Limeira está crescendo no campo do circo. O sucesso do Festival Paulista motivou a criação dessa mostra que é um embrião para o que vamos realizar no ano que vem na segunda mostra de circo", diz.

Três espetáculos estavam programados para a primeira edição do evento, porém uma das companhias não pôde se apresentar, conforme comenta Jerônimo. A primeira foi realizada no último sábado na Praça Toledo Barros pelo grupo Andaime, de Piracicaba. Eles levaram para o coração da cidade o número "A Noiva do Defunto", uma adaptação de um texto português de humor da década de 1950.



HUMOR E RISADAS são praticamente sinônimos de picadeiro e artistas circenses quando o tema em discussão é circo. O trio do LaMínima, durante a apresentação da tarde de ontem tiraram, sem esforço, as risadas dos alunos do Sesi. Sentados no chão da quadra, em frente ao picadeiro improvisado com aqueles baldinhos que crianças usam nas praias e correntes de plástico, as crianças gritaram e gargalharam quando a Monga, a mulher golira saiu da sua jaula e ameaçou ultrapassar os limites entre artistas e plateia. "O Luna Parke é uma homenagem aos parques de diversão de antigamente que traziam personagens famosos como a Monga, a mulher que se transformava em gorila, homens que deitam em vidros, engolem fogo entre outros", explica Caetano que há 20 anos está na estrada com a equipe difundindo a cultura circense e outros trabalhos teatrais. Ele diz que atualmente o circo está forte no interior de São Paulo e o evento municipal promovido neste final de ano e os dois Festivais Paulistas de Circo que Limeira sediou em 2008 e 2009 fazem do município um "pólo cultural".

Em 2010, a terceira edição do festival promovido pelo Poder Executivo Estadual deve acontecer entre os dias 24 e 28. Apesar de não estar confirmado o local do evento, Jerônimo comenta que o endereço dos picadeiros não deve mudar, o festival continua próximo à rotatória da Hípica Municipal, nas margens da Via Antonio Cruanes Filhos, do Anel Viário. Já a segunda Mostra Municipal de Circo deve acontecer no final de 2010.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

VIDA REAL - "Veronika decide morrer"



Hoje chega praticamente na última página uma história que estava se desenvolvendo desde fevereiro deste ano. Desde às 8h30 alunas de balé da Escola Municipal de Cultura e Artes (Emcea) e mais tarde as de jazz estarão no Teatro Vitória fazendo os últimos ensaios para a noite, por volta das 19h30, subirem ao palco e mostrarem o resultado de dez meses de trabalho. Como já foi mencionado em algumas ocasiões, além de repórter do Jornal de Limeira também atuo como professor de dança concursado na Secretaria de Cultura de Limeira. Entrei em agosto do ano passado e apesar do curto período que estive a frente dos espelhos e das barras do Centro Cultural, pude sentir na pele a vida de um professor e a importância que esse profissional adquire para diferentes tipos de meninas e mulheres, dos seus sete aos quarenta anos.

Em conversas com cada turma, sempre ressaltamos que a dança é uma arte efêmera. Esta é uma definição também utilizada por mestres de dança e outros profissionais que estudam ou trabalham diretamente no meio. Em cerca de uma hora e meia de espetáculo que deve durar a apresentação que montei com minhas alunas, a arte de dançar deve nascer e morrer em coreografias que duram no máximo cinco minutos. São horas e horas de aula, conversas e pesquisas para subirmos no palco do Vitória, encarar pais, mães, irmãos e várias outras pessoas que nunca nem sonhamos em encontrar um dia e precisamos estampar um sorriso ou qualquer outra expressão que for preciso para encarar determinado papel.

Por trás de todos os sentimentos que foram ensaiados com cada aluna, há um que se sobressai em relação a todos que podem ser citados, o sentimento de dever cumprido, de orgulho, o gosto de sucesso. Pode ser que ocorram tombos e tropeços. Um erro na coreografia ali, um braço que subiu na hora errada ali, mas para essas mulheres que farão parte do espetáculo "Verônika decide morrer", que será apresentado hoje, as luzes da ribalta têm um gostinho especial, um gosto de vitória. Não é exagerado dizer essas palavras com tanta pompa, afinal, conhecendo um pouco da vida de cada aluna, descobrimos a luta que cada uma tem para ser assídua nas aulas e darem o melhor de si para as coreografias que foram propostas. Desde problemas com câncer na perna até timidez e a dor de deixar a filha em casa para poder fazer uma atividade que realmente dá prazer. Dançar, principalmente quando as pessoas já não acreditam que alguém é capaz de vestir uma sapatilha e tentar fazer saltos e grand battements, é mérito de quem tem coragem no sangue e o prazer pelo desafio na vida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Limeirenses produzem vídeos com técnica stop motion


Oficina Carlos Gomes apresenta resultado de curso com quatro sessões diárias

Quem já assistiu ao filme "A Fuga das Galinhas", animação dirigida por Peter Lord e Nick Park, deve ter se perguntado como aqueles animais feitos de massinha ganham vida, falam e interagem entre si. A técnica parece ser difícil, mas segundo a publicitária Priscila Peres, 23 anos, "dá até pra fazer em casa", confessa.

Ela e outros 15 alunos participaram da oficina de animação usando a técnica chamada "stop motion". Quem coordenou o curso foi o professor e publicitário Renato Fabregat. A oficina fez parte da programação do segundo semestre deste ano da Oficina Regional Cultura Carlos Gomes, projeto do Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o oficineiro, a técnica é simples, porém trabalhosa. "Os alunos aprenderam na oficina desde a produção e o roteiro até algumas dinâmicas em grupo para que entendessem o conceito do stop motion", explica.


A publicitária Priscila Peres usou até a irmã nas animações

Quem dá a melhor definição para o que é a animação feita com a técnica ensinada por Fabregat é o contador de histórias Eduardo Abreu, 28: "ë uma animação a partir de fotografias". Ele, que além da contação de histórias também trabalha com artes cênicas, procurou a oficina para poder divulgar seu trabalho na Internet. "é bem divertido e prazeroso porque trabalha com a técnica aliado à criatividade de cada um", diz Priscila e complementa: "quando não temos o contato nem imaginamos como são feitas as animações, mas é fácil e eu fi até em um aniversário da minha família", ri.

Os desenhos são feitos cena a cena, ai está a engenhosidade da técnica. Para construir a animação de qualquer objeto - "até um prego ganha vida", comenta Priscila - é preciso fazer fotografias de cada movimento que o personagem da animação vai realizar. " O lance é manipular o objeto para ele ficar orgânico, para ele ganhar vida", diz Abreu. No final da oficina, segundo Fabregat, foram produzidos 14 animações. Até a última quinta-feira, nenhum dos alunos chegou a ver o resultado de seus trabalhos. Todos foram apresentados no lançamento do DVD com os trabalhos a noite, na sede da Oficina Carlos Gomes, no Palacete Levy. Segundo o oficineiro responsável pelo curso, o resultado foi surpreendente. "Algumas pessoas vieram até o curso com um conhecimento maior que outras, mas no final da oficina o nível de todos os alunos ficou igualado e muito bom", disse.


Já o contador de histórias, Eduardo Abreu, optou pelo humor para divulgar seu trabalho

De tão fácil que foi aprender a técnica, Priscila chegou a produzir três animações. Para elas usou até sua irmã e como cenário, o Parque da Cidade. No outro, quando estava em uma festa de aniversário, chamou duas crianças que estavam bagunçando no local e produziu junto com elas uma corrida de cadeiras. Já o terceiro, usou um carrinho de brinquedo e peças do brinquedo Lego para montar o filme. Já o contador de histórias usou do humor para produzir sua animação. "Fiz a história de um peixinho que contava as bolhas que fazia. Mas só isso não ficou engraçado e eu queria algo que fizesse as pessoas rirem. Contei a história para uma criança que conheço e ela não riu. Sua mãe contou a mesma história e no final, depois que o peixinho não conseguia mais fazer nenhuma bolhinha e ficou desesperado, ele soltou um 'pum', ai a criança adorou e usei a ideia na minha animação".

A exibição dos resultados da oficina encheu o salão principal da Oficina Carlos Gomes. As animações que foram produzidas aos sábados durante dois meses estão sendo exibidas para o público interessado. De acordo com a coordenação da oficina, os vídeos têm horários fixos para serem exibidos. As sessões vão até o dia 26, próxima quinta-feira em quatro horário: às 9h, 10h30, 14h e 15h30. As escolas que quiserem agendar horários para assistirem à produção, podem entrar em contato pelo telefone 3442-9857 ou pelo e-mail carlosgomes@assaoc.org.br



Durante o escurinho das exibições das animações, foi possível ver trechos de alguns dos vídeos produzidos pelos alunos do professor Fabregat. Alguns dos participantes da oficina recorreram à imagem clássica do filme "2001, Uma Odisseia no Espaço", do diretor Stanley Kubrick e no lougar dos primatas e dos pedaços de árvore, o símbolo da marca Kipling e um prego. A criatividade é o mais interessante ao assistir aos vídeos dos limeirenses. Fazer os vídeos também deve parecer coisa de crianças. Ao posarem para as fotos que colocamos aqui no blog, Eduardo Abreu e Priscila, ao manipular os objetos inanimados pareciam que voltaram à infância com o diferencial de, desta vez, poderem dar vida aos brinquedos que manipulam.

Vou caçar um vídeo para colocar aqui... quando conseguir posto novamente. Parabéns aos alunos e ao professor Fabregat. Pelo pouco que consegui ver, todos esbanjaram criatividade!